O Sequestro - Cobrade
27 Nada como planejamos
Notas iniciais
Cobra
– NÃO!
Tudo aconteceu rápido demais, antes do tiro soar eu fechei meus olhos e
esperei pela dor... Mas ouvi um grito, o grito da minha princesa e logo
em seguida o tiro, foi quando o corpo dela caiu em cima de mim quase me
derrubando, levei um grande susto. Lobão e Luis olhavam surpresos e
confusos, Jade estava caída a minha frente com o ombro sangrando e
arfando, eu ainda estava com as mãos amarradas, impossibilitado de
ajuda-la. Ela tinha escapado dos braços de Luis e acabou levando o tiro
que era pra me acertar, como ela teve coragem de fazer isso? Como ela
pôde se arriscar? Jade sangrava muito e uma coisa se passou pela minha
cabeça: o bebê, ela e o bebê estavam correndo risco de vida, e eu estava
com as mãos amarradas sem poder sequer socorrê-la.
– Jade! Não, não pode ser! Não morra por favor! – Jade arfava, mal
se mexia e parecia ter perdido o foco da visão pois seus olhos olhavam
para todas as direções de uma forma rápida, ela não me escutava, e, todo
aquele sangue já estava fazendo uma poça a sua volta.
– Ora vejam só, no fim ela quis se sacrificar por você, bom eu pretendia
mata-la de qualquer forma, mas, como ela já se adiantou, agora será a
sua vez Cobreloa – Lobão apontou a arma para mim novamente, olhei para
Jade jogada no chão gemendo de dor e me senti péssimo por não
conseguir fazer nada para ajuda-la, a única coisa que pude fazer era
esperar pelo tiro.
Num momento Lobão mirava na minha cabeça, no outro um tiro de só Deus
sabe onde o acertou no braço e ele caiu, Luis correu para dentro da
floresta e simplesmente sumiu, Lobão gritava de dor no chão a alguns
metros, foi quando vários policiais surgiram e foram prendê-lo, Duca
me avistou ao longe e correu para me ajudar.
– Cobra! O meu Deus o que aconteceu? – Duca me desamarrou e então
toquei em Jade, ela estava pálida, gelada e o sangue não parava, a
bala acertou seu ombro e eu não sabia como conter o sangue. Se
demorássemos mais um pouco essa hemorragia a mataria.
– Ela entrou na minha frente, era pra eu levar o tiro e não ela, de
alguma forma ela se soltou de Luis e foi bem na hora do tiro – eu
tentava me manter calmo, tentava por ela e pelo bebê – Precisamos conter
esse sangramento e tirá-la daqui, ela não vai aguentar mais tempo –
tirei minha camisa e virei ela de lado delicadamente, e depois
pressionei minha camisa no ferimento fazendo de tudo para conter o
sangramento.
– Pegue ela, eu levo vocês pro hospital, vou ligar para o mais próximo e
pedir que já fiquem preparados. Vamos Cobra! – Duca foi na frente,
com muito cuidado consegui pegar Jade no colo e carrega-la. Andei
devagar para não machuca-la ainda mais, ela estava gelada e mesmo meu
corpo quente não a esquentava de forma alguma.
Entrei no carro de Duca e ele dirigiu o mais rápido que pôde até o
hospital mais próximo, ele falou no rádio tão rápido que foi necessário
repetir algumas vezes para que a secretária entendesse. Chegando lá
desci com Jade nos braços já ensopado com o sangue, gritei por socorro
e as enfermeiras se apressaram em trazer uma maca para coloca-la, uma
delas parecia ser novinha, ela não sabia se olhava para o meu corpo ou
para o meu rosto, ela me informou que Jade estava indo para a sala de
cirurgia e que era uma situação de risco. Me ajoelhei no meio do
corredor do hospital e chorei, solucei alto sem nem ligar para as
pessoas que me olhavam assustadas com o sangue dela em meu corpo. “Duca não reagia, apenas me observava quieto.
– Ricardo Cobreloa você está preso pelo sequestro de Jade Gardel e por
tentar assassiná-la! – o policial gritou, levei um susto ao perceber que
estava sendo algemado e forçado a levantar. Olhei para os lados a
procura de Duca para me auxiliar e o vi numa discussão com outro
policial.
– Ele é inocente! Cara eu estava lá, eu vi tudo o que se passou! Não
acredito que o estão prendendo porque o outro criminoso disse alguma
coisa! – Duca gritava, estava vermelho de raiva – Não podem
prendê-lo! – Tentei me libertar, mas, meus movimentos eram em vão, só
machucavam mais os meus pulsos.
– Por favor me deixe aqui! Jade precisa de mim, quando ela voltar da
cirurgia, ela vai precisar de mim! Por favor eu amo ela! – o policial me
deu empurrão para que eu continuasse andando e me guiou para fora do
hospital, onde me colocou na parte de trás do carro e fechou a porta com
outro policial dentro dele.
Não pude acreditar no que estava acontecendo, eu estava sendo preso e
sendo levado para longe da minha princesa, pra longe da mulher que eu
amava que estava agora entre a vida e a morte. Lobão pagaria muito caro
por tudo o que fez, ele pegaria anos e anos de prisão por todos os seus
crimes, e eu provavelmente também já que ele estava disposto a me ferrar
junto com ele. Eu estava desesperado, rezei para que Duca conseguisse
provar minha inocência, rezei para que eu pudesse sair daqui, rezei para
que meu filho e minha mulher ficassem bem, rezei para que pelo menos
pudesse voltar a vê-la um dia. Nada saiu como planejamos, nada deu
certo, e eu nada podia fazer agora, só poderia esperar por notícias
sobre a cirurgia e esperar que eu possa sair dessa situação.
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