O Sentimento Mais Estranho do Mundo
1 Epílogo
Notas iniciais
Meu nome é Isabela, e eu gostaria muito que vocês comentassem no final do capítulo para me dizerem se gostaram, se eu devo continuar!!
Bjs e boa leitura!
Quando eu era mais nova costumava imaginar como seria viver em uma família estruturada. Com pai e mãe que se amam. Sem preocupações a mais. Mas essa não foi minha história, e essa família ideal jamais saiu da minha cabeça. Mas no fim das contas me tornou o que sou hoje!
Meus pais, Clarice e Ricardo, foram namorados no 3º ano do Ensino Médio, na época eles se amavam muito, viviam grudados, mas não posso dizer que eram jovens amantes como os de romances juvenis. Eles eram irresponsáveis, imprudentes, gostavam de ir baladas todos os finais de semana. Poderiam ser chamados de espirituosos, más companhias, amantes da liberdade, mau exemplo... Dependia dos olhos de cada um.
Estavam sempre na Rua Augusta em algum bar e mesmo assim tinham o futuro garantido graças á suas famílias. A minha mãe não era uma menininha rica que faziam compras no shopping com as amigas quando se sentia estressada, ela vestia jeans, all star e camiseta de banda, se vestia um pouco melhor apenas para as baladas ou shows, e quando estava tendo um dia ruim ela simplesmente resolvia andar pela cidade e ás vezes beber mais do que devia. O meu pai nunca foi um mauricinho e nem consigo imaginá-lo nesse papel. Ele era bem parecido com a Clarice e é por isso que eles formavam um casal perfeito.
Mas a vida não é festa e farra para sempre. A escola acabou e já era hora de cursar uma faculdade. Meu pai já sabia que queria Engenharia e como era de se esperar meus avós, Clementina e Edson, já havia matriculado o filho na melhor faculdade que podiam pagar. Já a Clarice, ainda estava no clima do colegial não sabia para onde ir ou o que fazer, então escolheu o nada. Ela e o meu pai mantiveram o namoro. Ricardo ia para a faculdade e começava a amadurecer e Clarice continuou a mesma imprudente de sempre, quando meu pai não podia acompanhá-la em alguma balada ela ia sozinha mesmo. Não se importava. Ela só queria continuar curtindo e vivendo a mesma vida.
Iniciar uma faculdade, tantas provas, trabalhos, tirar a carteira de motorista e responsabilidades tudo isso pode fazer alguém amadurecer se levar a sério, até um imprudente como meu pai. No final do quarto ano de faculdade minha mãe chegou com a notícia: Eu estava chegando.
Decidiram morar juntos, eles já namoravam á tempo suficiente. Isso não quer dizer que era o momento certo para um bebê, mas resolveram arcar com as consequências de seus atos. Ganharam um apartamento de presente dos meus avós por parte de mãe, Janice e Manuel, e até o momento a coisas corriam bem. Por um momento as brigas pararam e os dois até pareciam um casal normal. Até o momento em que a saudade que a minha mãe tinha da vida que ela levava antes tomou conta dela no quinto mês de gravidez. Rick, como meu pai é chamado pelos amigos, fez de tudo para que os dois se acertassem e funcionou quando eu nasci. No meu primeiro mês eles pareciam novamente convictos que se amavam, que podiam fazer isso.
Meu pai terminou o estágio, se formou na faculdade, arranjou um emprego fixo muito bom em uma empresa, onde ele trabalha até hoje. E Clarice nem por um segundo havia criado juízo, ela tinha o espírito livre, animada e independente. Não conseguiu aguentar a vida de dona de casa por muito tempo. Por mais que meu pai tentasse tornar mais fácil, comprando uma casa maior, contratando empregadas e babás. O problema era ela. Era ela quem não o merecia, o Ricardo do ensino médio quase não existia mais, agora ele era um homem, praticamente, responsável e tudo que ela queria era o menino com quem ela se divertia sem medir as consequências.
Meu pai chegou do trabalho um dia e a Clarice estava sentada na sala, as malas já estavam no carro. Os dois conversaram, ela explicou que tinha apenas 22 anos ainda, no auge da sua juventude, ele tentou convencê-la a ficar por mim, mas não adiantou, ela estava irredutível e deixou bem claro que não me levaria com ela, porque tudo o que ela queria era ter a mesma vida de antes e um bebê apenas atrapalharia tudo. Quando eu tinha 1 ano de idade, minha mãe entrou no seu carro e foi viver sua vida.
Dês do dia que a minha mãe saiu pela porta tudo o que me restou dela foi uma foto de quando ela era jovem que eu guardo muito bem, não por saudade, apenas para saber de onde eu vim, com quem me pareço.
Meu pai, aos 23 anos de idade assumiu a tarefa de cuidar de uma criança, sozinho, sem a ajuda de ninguém e eu como sua filha posso dizer que ele se empenhou muito e vez o melhor que podia. Os defeitos que tenho hoje são culpa minha e não dele, que sempre foi incrível comigo. Então, quando eu imaginava uma família normal na minha cabeça, eu apenas imaginava uma mãe diferente. Meu pai eu não mudaria nem ao menos um fio de cabelo, apenas uma Clarice diferente, uma Clarice que teria a coragem e a honra de mudar não somente pela sua filha, mas pela família.
E foi com essa história que eu me tornei a Maria Manuela, mais conhecida por Marinu, que eu sou hoje! Apenas uma garota prestes a fazer 18 anos, que por ironia do destino herdou os mesmo cabelos castanhos da mãe que a abandonou, que dizem que era o que meu pai mais gostava nela (O meu é apenas mais arrumado porque tenho a decência de penteá-los). Que iniciou seus estudos em Biologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie no começo do ano e continua fugindo de qualquer tipo de envolvimento amoroso muito sério.
A história dos meus pais afetou a minha vida obviamente, mas também as minhas decisões, cometer os mesmo erros seria burrice e apesar de que eu não pareça com a Clarice no quesito personalidade, me recuso á fazer qualquer coisa que me lembre das escolhas dela! E acho que isso guia minha vida mais do que uma bússola!

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