O Sentido da Vida
18 Se eu Quero, Eu Consigo
Notas iniciais
Sophie
O dia com John havia sido perfeito. Não pude conter a felicidade em saber que ele estava gostando de mim, até porque tudo o que falei para ele era verdade, não havia dúvidas.
No dia seguinte, depois de acordarmos ainda no mesmo lugar do dia anterior, voltamos para casa, e lá tive uma grande surpresa, que eu sequer imaginava.
Ryan havia chegado, e percebi que ele não gostou nada de me ver chegar com um homem que não conhecia, dava pra ver pela cara que fez. Só ficou um pouco mais à vontade depois que fui cumprimentá-lo. Ficamos muito tempo conversando na sala, até eu me retirar para a cozinha. John veio em seguida, me assuntando ao me abraçar por trás. Disse que precisava ir para casa. Voltamos a sala, ele se despediu de todos e agradeceu a Rosa e a Jorge por tudo. Acompanhei-o até a saída, nos despedimos e então ele voltou para Oxford. Fiquei observando-o pela estrada, até que seu carro desapareceu completamente.
Rosa estava na cozinha preparando o almoço, e Jorge fora tratar os animais da fazenda. Só restávamos Ryan e eu na sala.
— Então... Faz tempo, não é? — disse, puxando assunto.
— Sim... Faz muito tempo mesmo. Depois que você foi para Raleigh, perdemos contato. — ele falou, me encarando.
— Desculpe-me Ryan, mas espero que você compreenda. Eu não sabia o que fazer, estava perdida e assustada com todos os acontecimentos daquela época. — falei, tentando ser o mais sincera possível.
— Soph... Não precisa se desculpar, eu te entendo muito bem, e sei que tudo que tem passado não é fácil para qualquer pessoa.
— Obrigada Ry... — respondi, abraçando-o.
Ficamos um bom tempo assim, depois conversamos sobre as mais diversas coisas que aconteceram nas nossas vidas nesses últimos anos. Falei sobre Marcos, menos a parte em que ele me ameaçou caso não reatasse o namoro.
Ryan me contou que até chegou a namorar uma garota, mas que não durou mais de oito meses, e depois disso não ficou com mais ninguém. Também contei sobre minha mãe, e mesmo tentando esconder de outras pessoas, falei o quão difícil estava sendo passar os dias sabendo que ela não estaria mais aqui. Continuar lutando, mesmo quando tinha vontade de desistir de tudo e de todos.
Depois falamos sobre assuntos alegres. Ele contou sobre ter conseguido uma vaga na mesma faculdade em que estou, em Raleigh, na área de medicina.
Quando a hora do almoço se aproximava, Rosa veio nos chamar, dizendo já estar pronto.
Algumas horas já haviam passado desde que havíamos terminado de almoçar. Ryan e eu fomos até o estábulo, pegamos os cavalos e fomos galopar. Já estávamos praticamente dentro de casa quando recebi uma mensagem no celular.
Pensei ser de John, mas não ... não era.
Era de alguém que eu preferia esquecer e não lembrar nunca mais, mas como a curiosidade era maior, acabei abrindo e lendo o que estava escrito:
“Fiquei sabendo sobre sua mãe. Sinto muito, gata. Mas e ai, já pensou na proposta que eu fiz para reatarmos o namoro?”
Essas três pequenas linhas foram o suficiente para me darem ânsia, e tive ainda mais nojo daquele ser, se é que poderia chamá-lo assim.
Ryan, percebeu minha reação e perguntou o que havia acontecido. Eu parecia estar aérea, não respondi quando me chamou e nesse meio transe ele acabou pegando o celular e lendo o que estava escrito.
— Soph... O que isso significa? Que tipo de proposta esse imbecil te fez? — perguntou, e eu acabei contando sobre as ameaças feitas por ele.
— Ryan... Eu... Eu o odeio! Sinto nojo, e não quero que ele apareça novamente na minha vida. — falei, tentando conter o choro guardado há dias, que não adiantou em muito. As lágrimas corriam involuntariamente e o choro que de inicio era contido, agora havia se tornado copioso. soluçava sem parar, abraçada a ele.
— Soph, não precisa se preocupar. Se ele tentar alguma coisa, qualquer coisa contra você, eu estarei aqui, pra te defender, nem que eu tenha que dar uma surra nele. Ele vai se arrepender de ter feito você chorar. Ouça bem, não deixarei ninguém te machucar, nem mesmo te magoar, e se por acaso alguém fizer, não me importarei em dar uma boa lição nessa pessoa, nem que eu sofra as consequências depois.
— Obrigada Ryan, obrigada mesmo.
Mesmo ficando muito tempo sem nos vermos, eu sabia que podia confiar nele. Ele sempre fora meu melhor amigo, e eu sabia que isso não havia mudado, mesmo depois de tantos anos. E assim o dia passou, com ele e eu conversando sobre diversas coisas.
Tentei não pensar no John, mas isso foi inevitável. Pensei no que ele estaria fazendo, se estava pensando em mim. Nem um dia havia passado desde que nos vimos pela última vez, e eu já estava sentindo sua falta. Sim, eu admito. Queria que ele estivesse comigo, que ele ficasse mais um tempo aqui. De qualquer forma, tentava pensar o mínimo possível, pois agora estava com Ryan, e também sabia que ele tinha seus compromissos em Oxford.
***
Já haviam se passado quatro dias que eu não falava com John, nem mesmo tinha notícias. Por outro lado, Ryan e eu estávamos mais próximos que nunca.Estava começando a chover quando entramos em casa. Meu celular estava tocando, corri para atender e vi que o número era desconhecido. Pensei em não atender, mas minha curiosidade falou mais alto, e de qualquer forma poderia ser minha irmã ou meu pai.
Me arrependi de ter atendido assim que ouvi a voz do outro lado da linha.
— Que bom que você atendeu, gata. Já estava com saudades.
— Marcos. — falei entre dentes.
— Ah, você não sabe como eu fico ao ouvir você falar o meu nome.
— Por que me ligou? — perguntei, querendo desligar o telefone.
— Já falei. Estava com saudades.
— Ah, isso não cola mais! Inventa outra.
— Essa é a verdade amor, eu...
Não consegui terminar de ouvir o que ele dizia, pois Ryan tirou o celular da minha mão.
— Olha aqui, é melhor você esquecer a Sophie, e nunca mais procurar por ela.
— E quem é que vai me impedir? Você, o novo guarda costas dela? Ah, faça-me rir! Se eu quero algo, tenha certeza... Eu consigo. — ele falou, antes de desligar, deixando Ryan com ainda mais raiva.
***
— É melhor que ele não faça nada! Por que não vou pensar duas vezes antes de dar uma surra naquele babaca! Se ele acha que é tudo do jeito que ele quer, está muito enganado!
— Hey, Ry! Calma, ele não vai aprontar nada! Ele só nos ameaça, já o fez várias vezes! Ele não tem coragem de fazer tudo que fala! — respondi, sendo sincera. Marcos realmente já havia me ameaçado muitas vezes, mas nunca fizera nada. E não era agora que eu iria ficar com medo.
— Ok, Soph, Ok. Mas, eu falo sério. Se um dia ele tentar fazer qualquer coisa contra você, ele vai se ver comigo. — disse convicto.
— Não pense nisso, Ryan! Não há com o que se preocupar. — eu falei mais para mim mesmo que para ele, pensando em até que ponto Marcos iria para me fazer voltar pra ele.
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