O Sentido da Vida
15 Piquenique Romântico - Part. II
Notas iniciais
— Bem, como não quero te deixar envergonhada vamos mudar de assunto. O que achou da surpresa?
— Maravilhosa! — respondi sorrindo — Eu pensei em muitos lugares nos quais você poderia estar me levando, mas nunca imaginaria algum lugar como esse!
— Que bom que você gostou, esse foi o primeiro lugar que pensei quando eu te convidei.
— Ah, então quer dizer que é aqui que você traz garotas inocentes para encontros românticos? — perguntei irônica.
— Não! — ele disse surpreso. — Bem, na verdade você é a pessoa que eu trago aqui.
— Sério? — perguntei meio sem jeito, meio sem acreditar. — De qualquer forma desculpe, eu só estava brincando.
— Sim, sim, sem problemas. — sorrimos um para o outro.
Continuamos comendo, conversando, e quando percebi, o sol já estava baixando-se no horizonte. Não demoraria muito para o anoitecer. John notou que eu olhava para o céu, e tive certeza que ele estava pesando em alguma coisa quando voltou a falar comigo.
— Vem, quero te mostrar um lugar.
— Ok. — falei, levantando e seguindo-o.
Fomos caminhando até uma parte do campo mais afastada de onde nós estávamos, dando vista para uma grande e majestosa montanha.
— Consegue subir até lá? — ele perguntou, apontando para o alto da montanha.
— Claro! — respondi, subindo correndo na frente dele, que logo começou a correr atrás de mim e rir pela minha atitude infantil de querer chegar antes dele.
— Hey! Me espere! — falou, tentando recuperar o fôlego ao chegarmos ao topo da montanha.
— Uau! — disse pasma ao olhar a vista lá do alto. — Que lindo!
— Não é? Sempre gostei de ver o pôr do sol daqui. — ele disse, olhando ao redor e sentando-se no chão, dando lugar para que eu me sentasse junto a ele.
Olhei ao meu redor. Era um lugar maravilhoso. Dali podíamos ver tudo, desde onde estávamos, até a estrada pela qual viemos. E, além disso, podíamos ver uma verdadeira obra de arte. O céu estava tingindo das mais diversas cores, formando uma linda vista por detrás da montanha.
Olhei para ele, que me encarava com um sorriso bobo no rosto.
— Que foi? Porque está me olhando assim? — perguntei.
— Nada, só estou vendo como você é linda! — ele disse enquanto eu ainda o olhava. Ficamos nesse jogo de olhares por alguns minutos até que percebi que a distância entre nós diminuía.
Meu coração acelerou, e naquele momento eu realmente achei que pularia para fora do peito.
Então, sem ao menos perceber, pude sentir seus lábios delicadamente roçando nos meus. Abri os olhos, forçando-me a acordar do transe em que me encontrava. Me distanciei e pude ver em seus olhos um misto de espanto, tristeza, preocupação e arrependimento.
Só me dei conta da idiotice que tinha feito depois, mas já era tarde. Ele ia me beijar, e sim, eu queria isso. Mas por algum motivo eu não deixei. Ainda não me sentia preparada e achei que era cedo de mais, rápido de mais. Pra falar a verdade eu nem mesmo o conhecia. Tudo o que eu sabia, havia descoberto ali onde estávamos.
"Mas, para amar uma pessoa, você não precisa conhecê-la, basta que ela lhe compreenda e lhe faça bem."
E lá vinham as frases erradas nas horas erradas. Isso não tinha nada a ver comigo... Ou tinha? Não, não. Eu não amava o John, então não fazia sentido.
Tentei espantar os pensamentos que insistiam ficar na minha cabeça.
— Soph! — ele disse assustado. — Me desculpe, eu... Eu não sei o que me deu! Eu não... Ah, desculpe! — os olhos dele se encontravam em um tom de azul extremamente claro, que demonstravam culpa e arrependimento, mas ao mesmo demonstrava também tristeza e decepção. Meu estômago parecia querer revirar. Senti-me culpada por ter agido daquela forma. Desejava, mais do que nunca, poder voltar no tempo e desfazer a besteira que eu havia cometido, porquê naquele exato momento, eu percebi que o que eu realmente queria era beijá-lo.
— Não, você não precisa se desculpar! Mas é que... É difícil para mim, foi tudo muito rápido. — ele parecia não está entender nada, então tive que explicar mais detalhadamente. — É que não faz muito tempo que eu terminei um relacionamento, e ainda não me sinto preparada para um novo envolvimento. Eu realmente espero que entenda.
— Sophie... Eu... Não sabia e... Eu concordo com você, foi muito rápido e inusitado... Eu não devia ter agido por impulso, me desculpe — ele falou desviando os olhos dos meus e encarando o nada. Balancei a cabeça em concordância e ficamos em silêncio por alguns minutos, cada um perdido em seus próprios pensamentos. O silencio ensurdecedor permaneceu entre nós até que resolvi quebrá-lo.
— Já faz alguns meses que tudo aconteceu. Era o dia do nosso aniversário, e como ele não apareceu fiquei preocupada. Fui até sua casa e quando cheguei, encontrei-o com outra na cama. Ela, além de ser a garota mais popular do colégio, era também a ex-namorada dele. Eu não soube o que fazer naquela hora. Pensava que ele me amava, mas descobri que não. E o pior foi descobrir que aquela não era a primeira vez que ele me traíra. Por quase um ano, enquanto eu pensava nele, ele estava com outra, sem ao menos se importar com nada. Quando terminei o relacionamento ele ainda muito insistiu para que voltássemos, dizia que iria mudar, que seria diferente e que o que aconteceu não iria se repetir. Mesmo gostando dele do jeito que gostava não aceitei, não seria tão idiota ao ponto de acreditar novamente nas suas palavras. Hoje o meu maior arrependimento foi ter confiado todo o meu amor em uma pessoa como ele. — depois de explicar tudo que havia acontecido, pude notar que John me encarava com piedade, e o azul de seus olhos já não era o mesmo de antes. Tinha uma tonalidade intensa que demonstrava a raiva contida por não poder fazer nada.
— Olha, eu sei que não deve ser fácil para você, mas... Ele parece ser um total idiota.
— Sim, eu concordo com você. Ele não só um idiota, ele é um canalha, um verdadeiro cafajeste! — falei não me importando com o que ele iria pensar.
— E você... ainda gosta dele? — perguntou esperançoso.
— Bem, para falar a verdade eu acho nunca gostei... Assim, de verdade, mas só percebi isso quando já era tarde demais. — respondi dando de ombros. A raiva de lembrar foi tão grande que meus olhos marejaram no mesmo instante.
— Hey! Não fique assim por causa disso! Ele foi um completo idiota, e você não deve ficar mal pelo que ele fez! Você não teve culpa. — ele disse, se permitindo me abraçar de lado e afagar meus cabelos — E agora, eu tenho certeza que quem mais sofrendo é ele por perder uma pessoa tão especial como você.
Fiquei completamente sem jeito e imediatamente abaixei a minha cabeça. Tinha certeza que estava com o rosto corado. Acabei por encostar-me em seu peito. Senti as batidas de seu coração, que de tão calma e tranquila conseguiu me acalmar. Ficamos assim por muito tempo. Eu com a cabeça deitada no seu peito e ele com seu braço ao redor da minha cintura, abraçando-me de lado.
“As melhores coisas da vida vêm sem prévia nem aviso” pensei.
E foi pensando nisso que me virei e o beijei. No inicio foi só um encostar de lábios. Ele pareceu surpreso, mas em questão de segundos correspondeu. O que no início foi doce e meigo se intensificou. Sua língua pedia passagem, e quando encontrou a minha pareciam já se conhecerem. O bailar de uma completava a outra. Delicadamente apertou a minha cintura, virando-me completamente de frente. Passei os braços por seu pescoço, puxando de leve seu cabelo. Mesmo não querendo, só nos separamos quando o ar se fez necessário.
De olhos ainda fechados, encostei minha testa na dele, e assim ficamos até a nossa respiração voltar ao compasso normal. Quando os abri vi que ele me fitava. O azul novamente havia mudado e naquele momento me peguei pensando qual seria o significado de tudo aquilo.
Será que depois de tanto tempo a vida me daria um motivo para sorrir?
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