O Sentido da Vida
13 De Volta á Oxford
Notas iniciais
Sophie
Levantei-me de bom humor. Em alguns dias Ryan estaria aqui, e eu esperava ansiosamente a sua chegada. Estava com muitas saudades. Ele sempre fora meu melhor amigo, e me arrependo imensamente por, desde o dia que fui para Raleigh ter parado de falar com ele. Espero que me perdoe por nunca mais ter entrado em contato, por tê-lo esquecido.
Mas na verdade eu nunca o esqueci, sempre esteve em meus pensamentos. Toda vez que eu fazia algo de errado, ou passava por momentos difíceis, eu pensava nele, nos sermões e nos conselhos que iria me dar, como um irmão mais velho que ele sempre fora para mim, porém eu nunca tive coragem de falar com ele, por medo.
Sempre tive medo que ao ligar, ele fosse me rejeitar. Isso sempre foi meu ponto fraco.
Tento parar de pensar e vou até o banheiro, tomo um banho rápido e desço para tomar café.
Encontro Rosa e Jorge já na mesa, esperando-me.
— Bom dia! — digo animada.
— Bom dia! — dizem uníssonos também animados.
Começamos a comer o que Rosa havia preparado, que por sinal estava muito bom e logo já não restava nada nos pratos.
— Ah Jorge, Preciso falar contigo!
— Sim querida, o que foi?
— Você vai para a cidade hoje? — perguntei esperançosa.
—Vou sim, agora de manhã. Preciso comprar várias coisas e provavelmente só devo voltar à tarde. Mas por que a pergunta?
— Bem... É que eu queria saber se eu não poderia ir com você... Sabe, preciso dar notícias ao meu pai e a minha irmã. — disse um pouco sem jeito. Eu odiava ter de dar mais trabalho a eles. — Se não tiver problema, claro.
— Mas é claro Soph! Se arrume e então saímos, em meia hora.
— Ok! Obrigada!
— Não por isso. — ele disse sorrindo.
Subi as escadas indo até o banheiro onde escovei meus dentes e penteei o cabelo. Fui até meu quarto onde peguei uma muda de roupa leve. Vesti-me e peguei minha bolsa, indo em direção as escadas, voltando ao andar de baixo. Cheguei e Jorge já estava a minha espera.
— Vamos? — perguntou indo até a porta.
— Claro! — respondi entusiasmada.
Entramos na caminhonete e seguimos para Oxford, e em menos de uma hora já havíamos chegado. Acompanhei-o até o supermercado e logo depois ele foi até a agropecuária comprar algumas coisas que a fazenda estava precisando. Como não quis acompanhá-lo, fui até a lanchonete que havia ali perto, que por coincidência era a mesma que aquele homem, John, como a mulher havia me dito, trabalhava. Meu estomago revirou quando entrei porta à dentro, mas tentei me acalmar enquanto sentava em uma mesa mais afastada, onde não havia muitas pessoas.
***
Já estava mais calma, porém quando o vi se aproximando mesa, paralisei. Fiquei encarando-o, enquanto ele chegava cada vez mais perto. Sai do transe em que eu me encontrava quando notei que ele havia percebido que eu o encarava, ele sorria.
— Nossa Sophie, eu sou assim tão bonito para você ficar me encarando? — ele disse quando chegou ao meu lado. Devo ter ficado extremamente vermelha, pois sorriu novamente ao me olhar. Sorri deixando minha timidez de lado quando percebi que ele ainda lembrava o meu nome.
— Não, mas pelo visto é muito convencido! — eu disse.
— Ah, mas se eu não me achar, quem fará isso?— perguntou, fazendo uma cena dramática, e em seguida gargalhando pelo que havia dito.
—Bem... Pensando por esse lado, devo admitir que você esta certo. — eu respondi, rindo também.
— Então, você vai querer alguma coisa ou veio aqui somente para apreciar essa visão? — perguntou gesticulando com os braços para o seu corpo. Corei antes mesmo de terminar a frase, mas logo ele percebeu que eu estava totalmente sem graça, e novamente sorriu — Ei! Calma, eu só estou brincando! Não precisa ficar assim.
— S-Sim... Tudo bem. — disse pensando na vergonha que estava passando. — Bem, vou querer um suco de laranja... — ele continuava a me olhar esperando eu terminar o pedido— Só isso mesmo!
— Ok. Já trarei. — disse indo em direção do caixa.
Quando saiu, fiquei pensando que quando nos falávamos parecia que nós nos conhecíamos há muito tempo, como se fossemos amigos de longos anos. Nossas conversas fluíam naturalmente, espontaneamente.
Em menos de cinco minutos ele voltou com o suco de laranja que eu havia pedido, deixando-o em cima da mesma e me encarando com um sorriso tímido de lado.
— O que foi? Tem alguma coisa no meu rosto para você ficar me encarando assim? — perguntei percebendo que ele corou com a pergunta.
— Não, não! Não é nada. É só que... — disse dando uma longa pausa — Hmm... Ah, deixa pra lá.
— Agora fala, fiquei curiosa! — pedi sorrindo.
— Bem... Eu queria saber se você... Hm... Se você não queria sair comigo, um dia desses — senti meu coração quase pular para fora do peito quando ouvi aquelas palavras. Fiquei extremamente feliz, mas como sempre, a felicidade dura pouco, e a minha logo acabou. Ele parecia ansioso, esperando uma resposta.
— Você tem namorada, não? — perguntei seca me arrependendo no mesmo instante. Seu semblante mudou instantaneamente. Antes parecia feliz e agora estava sério, uma mistura de raiva e tristeza que eu não conseguia compreender. — Ah desculpa, não deveria ter falado isso. — o clima entre nós ficou tenso, até que ele quebrou o silêncio.
— Não, tudo bem. Você tem todo o direito de perguntar, e respondendo a sua pergunta, não, eu não tenho namorada. — disse ele. A confusão era nítida em meus olhos e quando percebeu começou a rir e tentar se explicar. — Ah, sim! Você pensou que eu tinha namorada não é? Amanda, a garota que trabalha ali no caixa quem te falou, não foi? — perguntou e assim fez-se presente um longo silencio até ele perceber que eu não falaria nada, e assim continuou. — É, eu já estou acostumado com as pessoas falando mentiras sobre mim, então isso não é novidade. — respondeu dando de ombros.
— É... Foi ela sim. — respondi meio sem jeito. E se ele quisesse saber o porquê dela ter falado aquilo? O que eu iria responder? Que eu pedi informações suas? Não, seria muita vergonha! Corei ao pensar e me concentrei no suco, que parecia muito interessante, pelo menos comparado a ter de encará-lo.
— Hey! O que foi? — perguntou me fazendo olhá-lo, e inevitavelmente ter que encarar aquelas lindas órbitas azuis. Ficamos assim, nos encarando até que ele sorriu e desviou o olhar. — Então, você aceita sair comigo?
— Sim! — respondi sem pensar duas vezes. Sorri para ele que retribuiu da mesma forma.
— Bem... Quando você estará livre?
— Para falar a verdade estou livre todos os dias. — respondi. — então qualquer dia para mim está ótimo!
— Então pode ser hoje? — perguntou e pude notar o brilho nos seus olhos. Confirmei balançando a cabeça e sorrindo de lado.
— Claro! Eu adoraria.
— Às cinco horas, tudo bem para você?
— Sim. Eu te encontro aqui, pode ser?
— Sem problemas! Então... Acho melhor eu voltar ao trabalho. — falou sem jeito, mas sorrindo.
— É! Até depois. — disse e ele voltou ao trabalho.
Depois que saiu, ainda fiquei um tempo sentada terminando de tomar o suco, enquanto tentava pôr em ordem todos os pensamentos e sentimentos que me atormentavam. Alguns minutos depois resolvi sair e encontrar Jeorge, que já deveria estar preocupado pelo meu sumiço.
Liguei perguntando onde estava, e então ele respondeu que ainda estava no centro, comprando algumas coisas que Rosa havia pedido. Informei que talvez eu fosse ficar em Oxford por pelo menos aquela noite, e que pegaria um ônibus de volta a fazenda no outro dia. Ele concordou e falou que não havia problema. Desliguei e fui caminhando até a casa dos meus pais, que não estava muito longe de onde eu estava naquele momento.
***
Cheguei e somente minha irmã estava em casa. Quando me viu pareceu surpresa, mas logo me abraçou e disse que estava com saudades. Ficamos conversando bastante tempo, até quase de meio dia, e então começarmos a preparar o almoço.
— Mana... Onde está o papai? — perguntei percebendo que ela não tocaria no assunto se eu não perguntasse.
— Ah Sophie... Depois que você saiu de casa e da morte da mamãe ele tem estado meio... Triste, e vem se excluindo do mundo. — respondeu com os olhos marejados preste a chorar. Fui até ela e a abracei.
— Se acalma Raquel! — disse suavemente. — Isso é normal. É uma dor muito grade a que ele está sentindo. Ele perdeu a mulher que sempre amou e que estava no seu lado, por isso está assim. — falei tentando reconfortá-la.
— Mas eu também continuo sofrendo muito, e não é por isso que eu estou me afastando de todos! Ele se afastou até de mim! — disse já em meio as lágrimas. — Agora que eu perdi minha mãe, o que me resta é você e o meu pai, mas ele quase não fala comigo! Ele vive lá no quarto ou sentado por ai, olhando para o nada. Mamãe não vai voltar, não irá acontecer um milagre onde ela irá ressuscitar! Eu já me conformei com isso, mas ele não! E parece que a cada dia que se passa ele está pior! — ela disse exaltada não conseguindo segurar o choro que caia ferozmente.
— Calma, calma! Eu sei que isso é horrível para você Raquel, mas é somente uma fase! Ele vai se recuperar, vai voltar a ser quem ele era, você vai ver! É só ter paciência e esperar. Tudo tem o seu tempo determinado para acontecer, e não será diferente. — disse tentando consolá-la. Senti-me culpada por ter deixado-a sozinha depois da morte mamãe. Fui uma completa egoísta que somente pensei em mim, enquanto minha irmã sofria sozinha. —Me desculpe, eu não deveria deixar você aqui sozinha. Eu queria um tempo para mim, para pensar em tudo isso que aconteceu mais fui egoísta e não pensei em você e no papai. Achei que só eu estava sofrendo, mas estava muito enganada. Vocês também estão sofrendo muito.
— Sophie você não tem culpa! Você, como qualquer outra pessoa quis ter um tempo só para si, para pensar em tudo que aconteceu. Foi tudo de uma hora para outra, e eu entendo como você está se sentindo. — ela disse enquanto secava suas lágrimas, olhando dentro dos meus olhos.
— Obrigada mana! Eu te amo muito, e sempre que precisar de algo, não tenha medo de me pedir. Sempre vou estar aqui para te ajudar, em qualquer situação.
— Eu sei So, e eu também vou estar sempre do seu lado, para qualquer coisa que você precisar.
Depois de conversarmos, terminamos de fazer o almoço, e logo meu pai saiu do quarto e veio comer com nós. O almoço passou calmo, com conversas normais de uma família, mesmo com meu pai não participando da maioria delas.
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