— Ascian, pare.

— Eu juro, Hernan, a casa estava logo ali! – Ascian andava de um lado para o outro, tentando entender como de repente tudo ali parecia invertido. O chão era diferente, as árvores eram diferentes. Luz opaca do entardecer pairava suspensa nos galhos. Era inconcebível que ele não tivesse percebido.

Mas… Será que não tinha?

Ascian finalmente parou, o olhar vagueando pelo desconhecido. Ouviu toda sua vida que não deveria ultrapassar certa distância, mesmo que a Floresta ainda não estivesse tão próxima, pois mesmo aproximar-se dela era arriscado. Mas ele não escolheu se aproximar? No que estava pensando?

Em me perder.

Ascian não gostou do que sua mente respondeu. Era mentira. Estava com Eiren, e Hernan os seguira, Ascian não seria tão egoísta a ponto de atrair os irmãos para isso! Não tinha entrado ali de propósito!

— Vamos – chamou Hernan, colocando Eiren nos ombros. – Precisamos continuar. A Floresta é um labirinto sem paredes, o caminho que usamos deixa de existir assim que olhamos para trás.

Hernan segurou o braço de Ascian, ainda atordoado.

— Vamos encontrar o papai? – perguntou Eiren. – Ele sabe como voltar.

— Talvez.

Ascian reconheceu a mentira. Eles estavam perdidos. O pai, não. Almas perdidas encontram apenas seus iguais.

Notas finais
Terei que desacelerar as postagens durante uma ou duas semanas por motivos de provas, mas voltará ao normal assim que der.