O Senhor das Florestas
5 Labirinto sem paredes.

— Ascian, pare.
— Eu juro, Hernan, a casa estava logo ali! – Ascian andava de um lado para o outro, tentando entender como de repente tudo ali parecia invertido. O chão era diferente, as árvores eram diferentes. Luz opaca do entardecer pairava suspensa nos galhos. Era inconcebível que ele não tivesse percebido.
Mas… Será que não tinha?
Ascian finalmente parou, o olhar vagueando pelo desconhecido. Ouviu toda sua vida que não deveria ultrapassar certa distância, mesmo que a Floresta ainda não estivesse tão próxima, pois mesmo aproximar-se dela era arriscado. Mas ele não escolheu se aproximar? No que estava pensando?
“Em me perder.”
Ascian não gostou do que sua mente respondeu. Era mentira. Estava com Eiren, e Hernan os seguira, Ascian não seria tão egoísta a ponto de atrair os irmãos para isso! Não tinha entrado ali de propósito!
— Vamos – chamou Hernan, colocando Eiren nos ombros. – Precisamos continuar. A Floresta é um labirinto sem paredes, o caminho que usamos deixa de existir assim que olhamos para trás.
Hernan segurou o braço de Ascian, ainda atordoado.
— Vamos encontrar o papai? – perguntou Eiren. – Ele sabe como voltar.
— Talvez.
Ascian reconheceu a mentira. Eles estavam perdidos. O pai, não. Almas perdidas encontram apenas seus iguais.
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