Hernan tinha 16, já deveria acompanhar o pai à Floresta para ajudá-lo. Ele sempre lembrava-o disso como se Hernan fosse inútil por ficar com a mãe em vez de deixá-la sozinha com duas crianças naquele casebre isolado, à mercê de quem quer que aparecesse. Apenas dois anos mais velho que Ascian, sempre com o olhar responsável sobre os irmãos.

Ascian chamava pelo cachorro de Eiren, que dessa vez demorava para aparecer. Talvez pensando em não estar em casa quando o pai voltasse, Ascian começou a se afastar, procurando cada vez mais longe. A gravidade da Floresta atraía sua atenção, mas ainda estava distante.

— Cian, estamos longe demais… – Eiren choramingou, o seguindo. Com Hernan e Vivienne sempre ocupados, ele seguia Ascian por todo lugar.

Ascian hesitou alguns instantes, disperso, alheio. Afastou-se mais alguns passos.

— Tudo bem, não precisa vir se tiver medo.

Palavras erradas. Nenhum deles jamais admitiria ter medo. Admitir era sempre pior.

Hernan levantou o rosto não encontrando nenhum dos irmãos. Abandonou o machado e a lenha cortada e correu, vendo-os caminhar entre as árvores além dos limites.

Vivienne avistou da janela, mas confiou que não entrariam na Floresta. Na certeza de que logo voltariam, continuou preparando o jantar.