Inspirado em Harry Potter.

De: Carlos Portela

O Senhor da Morte em Hogsmead

Capítulo Único

A casa que pertencera a Tiago, o penúltimo da Nobre-estirpe-dos-Potter, era consumida na bocarra do tempo, enquanto o fim de tarde trazia consigo a escuridão, tornando a edificação um covil de sombras. A lua nova reinaria. As grades do antigo portão arqueado estavam negras de ferrugem, o caminho outrora adornado com um jardim monumental era agora apossado de gramíneas secas e buracos de doninhas. Ao subirem os degraus da varanda a madeira rangia. Rachaduras ameaçavam o teto puído de madeira. Os capuzes foram jogados para trás, revelando a face dos dois: o mais alto com o cabelo comprido escorrendo ao longo do corpo limitado até um pouco além dos ombros, os olhos azuis vasculhavam avidamente o local, três cicatrizes quebravam a simetria do rosto, apresentava-se magro sobre as roupas; um pouco mais baixo, o outro permanecia com a coluna ereta, para disfarçar a apreensão, o cabelo ruivo derramava-se em cachos sobre o rosto, as pálpebras sobre os olhos castanhos tremiam compulsivamente, seu tórax movimentava-se ao compasso de sua respiração ofegante. Ambos com dezessete anos. Os pares de olhos miraram-se:
— Varinhas em mãos, Tom!
— Já estava, Muriel!
Tom em direção a porta forçou a maçaneta. Trancada. Muriel lentamente colocou-se ao seu lado, verificou. Tocou a ponta da varinha:
— Alarromorra!
E com um estampido a porta abriu-se lentamente com um rangido fino e insistente.

“Luminus!” Entraram em um corredor comprido, as varinhas irradiavam uma luz azul: mesinhas com vasos servindo de sepultura para flores ressecadas e cobertas por uma camada fina de poeira acumulada ao longo de vários anos, no teto um enorme lustre de cristal permanecia imóvel. Retratos com fotos de pessoas movendo-se, os pequenos olhos os seguiam-nos com um interesse ávido. Mais a frente portas em ambos os lados.
— Onde deve estar a pedra?!
— A Pedra da Morte, não se deixa que a achem tão facilmente!- disse Muriel.
— Talvez, mas vamos lá! Porta por porta arrombaram, subiram o lance de escadas em direção ao primeiro andar. Entraram nos quartos, verificaram em baixo de cômodas, malões, baús. Impaciente Tom quebrou o vidro com a varinha. Encontraram-se no corredor. “Nada!”, responderam ao mesmo tempo.
— Aquela é a última porta! — apontou para a porta maciça de cedro, que não aparentava nenhum sinal de envelhecimento. Avançaram com passos rápidos. Forçaram a maçaneta e a porta abriu com facilidade, sem barulho, ou surpresa. O enorme quarto surgia com uma enorme cama no centro, sofás de couro negro, a lareira sem nenhuma mancha de fumaça. Tudo era quietude e silêncio.
— Com muito cuidado, vamos mexer em tudo. — disse Muriel.
Gavetas eram arremessadas contra as paredes, malões virados e profanados. Quadros arrancados sob protesto das fotografias animadas, que fugiam para outras molduras em lugares desconhecidos. Enquanto fuçava nos móveis, Tom grunhia a medida que sua ira aumentava. Muriel entediado cruzou os braços para trás. Respirava lentamente buscando um possível equilíbrio interior para que não pudesse destruir o exterior de Tom. “Como pude permitir que esse sangue-ruim alistasse para o nobre cargo de comensal da morte. Você suja meus planos, ele retornará e porá ordem nas coisas.”
— Sangue-ruim!- ele falou de forma quase inaudível.
— Disse alguma coisa?- Tom perguntou alarmado.
Muriel balançou a cabeça em negação. E o outro voltou ao seu afazer. Coçou a cabeça com a varinha enquanto pensava numa maneira de completar seu tão sonhado plano. Ergueu seus olhos, e eles tomaram dimensões desproporcionais ao seu rosto. Não suportou a visão, seus joelhos tremeram e seu corpo sucumbiu. Sentado no chão, enrolava-se com as palavras. Com a varinha erguida e o braço ininterruptamente trêmulo. Chamou pelo seu comparsa:
— Tom, Pedra!
Ele virou as costas e viu-o no chão, com o olhar seguiu para onde apontava a varinha; não suportou a visão e também caiu. Viram a pedra flutuando junto ao teto, oscilando no ar. Entretanto o que lhes causaram espanto foi o que a cercava: uma horda de Dementadores. Formavam uma massa uniforme com suas vestes negras e pútridas, mantinham-se assim devido um campo de força, como uma redoma mágica; pareciam não terem notado os intrusos, moviam-se ao sabor do nada.
— Aquele imundo controlava os dementadores.
— Ele controlava muito mais. Chega, não podemos perder tempo! — Tom ergueu a varinha.
— Não, Tom!
— Sim!...Accio, pedra!
A pedra foi puxada em direção ao chão, avançava lentamente até chegar à fina membrana do campo, ao tocá-la foi lançada ao teto acertando no forro de madeira e permanecendo presa.
— Tom...
— Droga! Não aconteceu nada!
Durante pouquíssimos segundos. A horda negra convulsionava-se no interior da redoma, até o momento que ela ruiu. Um círculo disperso girava em uma velocidade assustadora. A temperatura caia vertiginosamente. A pedra começava a ser coberta por uma estampa branca que espalhava pelo madeiramento, as vidraças trincavam com frio. E da garganta de ambos, o vapor exalava-se de acordo com a respiração: rápida.
Um dementador mergulhou desenfreadamente para Tom, não houve tempo para defesa. O guarda de Azkaban segurou sua nuca enquanto sugava sua energia vital e em troca depositava em seu interior a tristeza. Quando deu por satisfeito largou-o e subiu. Outro planou em direção de Muriel, ainda com tempo tentou estuporá-lo, em vão: depois de saciá-lo permaneceu estatelado no chão. Um por um desciam e subiam num baile triste e tedioso. Os olhos de Tom abriram-se de forma demorada. Viu um novo ataque, quando recuperou a consciência tomou a varinha e conjurou:
— Expecto Patronum!
Com o que restava de lembranças boas, conseguiu conjurar um patrono: uma enorme serpente que abocanhou uma parte de dementadores e depois dissolveu em luz retrocedendo aqueles que sobraram. Todos fugiram pela janela. Para não perder a oportunidade, Muriel ergueu sua varinha:
— Accio, pedra! — a pedra despregou-se e caiu na palma esquerda de Muriel.

— Finalmente! Depois de tanto tempo, é minha!
— Como assim?! Essa pedra pertence a mim. Muriel, o que é isso? Está me traindo?!
Com uma gargalhada, Muriel colocou a pedra em seu bolso. Fazendo com que as veias de seu rosto aumentassem, segurou com força o cabo da varinha.
— Ora, acha mesmo seu sangue-ruim inútil, que eu deixaria você alistar-se nas fileiras dos comensais da morte se não tivesse um destino certo para ti. A sua sujeira me da ânsia de vômito, somente um mestiço porco como você para entender a história de uma família suja e mestiça como a dos Potter. Tive de aturar sua presença medonha em Hogwarts, me passando por seu amigo. Tudo mentira.
— Essa pedra é minha, pertenceu ao...
— Não me interessa, eu sei a quem pertencia!
— Eu a quero. Por direito é minha!
— Não... Tenho planos mais adequados a ela ou, melhor dizendo, para mim.
Tom ergueu a varinha.
— Como quiser amigo! Estupefaça!
— Protego!
Estilhaços de concreto voavam em todas as direções, manuseavam suas varinhas com violência. Disparos a ermo destruindo tudo que atingiam. Os dois tentando livrarem-se dos golpes dolorosos. Muriel correu e acolheu-se detrás de uma porta, e com a voz rouca gritou:
— Não adianta, sou melhor que você em combates, sabe disso!
-Pode até ser- Tom permanecia num cômodo distante-, mas vou trucidá-lo, essa pedra é minha e não será você seu traidor que a tirará de mim!
Esgueirando-se pela porta, Tom olhou de soslaio, quando seu rosto apontou sob o umbral da porta, uma pequena faísca passou de raspão em seu cabelo indo estatelar-se na parede adiante. O que obrigou ele a atacar freneticamente. O tiroteio recomeçou. Avançando com uma decisão estampada em seu rosto, Tom desviava os golpes, enquanto passava arrancando torrões e pedaços do papel de parede escuro. Muriel havia saído de sua trincheira, e avançava com sua arma empunhada fez um semicírculo no ar:
-Avada Kedrava!
-Estupefaça!
Os raios foram de encontro um ao outro e oscilavam em violência e brilho. Os objetos eram arremessados para as paredes, o fulgor do vento provocado flamulavam suas vestimentas, e em seus rostos a ira estampava-se. A esfera que havia formado no centro do choque das duas forças avançava de um lado para o outro dependendo daquele que tivesse em vantagem. Tom empenhou-se e fez com que a esfera fosse em direção ao seu oponente. Muriel percebendo o perigo iminente segurou a varinha com as duas mãos e teve de sacudi-la. Uma explosão elevou destroços aos ares e o grande lustre caiu no chão espalhando cacos de cristal pela antiga entrada naquele momento destruída, Tom foi lançado para trás batendo as costas na parede, Muriel ergueu-se e novamente gritou:
-Inflamus!- a labareda de fogo azul foi na direção de Tom que levantou depressa a tempo de ricochetear a enorme chama para a parede ao seu lado explodindo-a. Chamas consumiam madeira e cupins.
Muriel correu para um dos quartos, Tom o seguiu em seu encalço. Em um momento de distração, Tom estuporou pelas costas lançando-o na escuridão do quarto; incerto se deveria entrar. Caminha com passos lentos com a varinha sempre à frente, aprofundando ainda mais na penumbra aumentada com as cortinas cerradas. Olhou ao redor: nada. Desapareceu. Os parcos móveis que preenchiam o local não davam condições de refúgio, todos pequenos e não havia vão entre eles e a parede. Girava a varinha. Algo chamou a atenção: à sua frente um pequeno ponto preto pairava no ar, não havia nada que o firmasse naquela condição, forçou a visão, quando foi sua audição que percebeu o sibilo:
-Sectum Sempra!- e o seu corpo foi jogado para fora do quarto em pousando no chão.
Seus gemidos de uma aguda dor ecoavam pelos corredores, como um lamento sobrenatural, com seu rosto virado para o interior do quarto, conseguiu vê-lo surgir em meio a trevas. Um sorriso rasgava sua cara numa máscara de pura insanidade, Tom percebeu um pequeno filete de saliva misturado a sangue escorrendo pelo canto da boca.


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-Achou mesmo que poderia me vencer! Sua utilidade foi a mesma de que qualquer outro maldito trouxa pode ter: a de peão. Sim, a de peão, neste jogo onde apenas é permitido aos mais fortes e de sangues puros, como eu, a moverem peças neste tabuleiro como você. — Tom não conseguia falar devido a dor, de seu corpo pontos vermelhos surgiam e escorriam dentro de suas vestes para ,no chão, formar um poça consistente de sangue.- Esta pedra pode até ser sua por direito , mas o que um animal como você iria fazer com algo tão poderoso e valor histórico inestimável. Colocaria em cima de sua lareira para adorná-la e exibi-la para outros como se fosse um troféu?!, não, não permitirei que isso ocorra. Tiago Potter, eu queria fazer isto e eu o impedi: tinha apenas catorze anos, imagine só! Apenas um fedelho, mas com todo o poder ou pelo menos com toda ganância, pretensão e impertinência que um adolescente pode esperar nessa fase, pois bem, fiquei sabendo, através de boatos no Beco Diagonal que o todo-poderoso Potter estava buscando a lendária Pedra da Morte, que como, nós todos sabemos, desde a tenra infância, que ela pode ressuscitar os mortos e que havia se perdido ao longo dos séculos e passado de mãos e mãos, até perdesse no esquecimento. Até o dia que um grupo uniu-se para buscar as relíquias da morte: a Varinha das Varinhas, a Capa da Invisibilidade e a Pedra da Morte. Então a localizaram, adivinhe só, no interior do Brasil!, e o que mais intrigante com uma ex-namorada do tio do Potter: Carlinhos Weasley, como esses todos estão ligados?! Qualquer dia eu descobrirei. Passei um ano planejando como deveria agir, foi por isso que me mantive tão ausente naquele ano: cabulei aulas, fingi doenças desconhecidas de arrepiar o cabelo de Madame Pomfrey. Até que descobri o dia em que ele fosse até ela:
“ O frio da noite varria as peles desprovidas, principalmente a minha, e com ele trazia consigo a neve fazendo com que cortinas brancas ondulassem ao sabor do vento, no caminho entre Hogwarts e Hogsmead. Eu, atrás de um montículo acumulado de neve, o vi caminhar para uma área plana, aparentemente desprovida de qualquer objeto ou ponto de localização. Sua capa tremulando com as rajadas de vento, agitou a varinha e surgiu um poste de três globos, acesos. Olhou ao redor e na minha direção tive de me abaixar. Depois que achou que estava tudo seguro, tocou nele e desapareceu, assim do nada- gargalhou- ERA A CHAVE DE PORTAL! — seu grito ecoou nas dependências junto com os gemidos de Tom- Desci aos saltos para não ficar preso pela nevasca. Em frente ao poste hesitei se deveria ou não prosseguir com meu intento. Qualquer dúvida foi retirada de minha mente e o toquei. Tudo foi confusão, tudo rodopiava e num instante fiquei em pé, mas devido ao enjoo, vomitei, não consegui segurar. Quando me ergui ainda pude notá-lo esgueirando nas sombras, a espreita de algo ou alguém. A diferença de temperatura naquele lugar era anormal, estava muito quente e já tinha começado a suar. O segui a uma distância que julgava o suficiente para permanecer indetectável. A avenida onde eu estava era imensa atrás de mim e em toda sua extensão havia outros postes iguais ao primeiro e estava do lado de um, outra chave de portal, mas seu fim estava logo em frente terminando com um coreto, e o vi atravessando-o e eu atrás. Uma enorme praça aparecia e em seu centro um monumento...
Um estrondo o fez voltar a cabeça o teto logo atrás desabou trazendo consigo parte do telhado.
— Que susto hein,?! Voltando... Três estátuas de homens segurando um bloco negro de mármore. Na praça não havia sinal de trouxa ou bruxo. Eu o vi debaixo de uma árvore. A lua derramava todo o seu brilho sobre os que estavam sob ela, tornando visíveis as sombras. Ele ficou um certo tempo parado, sem fazer nada. De repente as sombras tomaram conta de todo o local, algo subtraiu o luar. Quando ergui a cabeça, o céu revoltava-se em nuvens negras. Potter foi ao centro próximo do monumento. Olhou para o céu: uma coluna negra descia vertiginosamente, ao tocar o solo transformou-se, pelos trajes em uma mulher. Uma bruxa daquele fim de mundo! Eles conversavam em tons altos, só pude entender poucas palavras, a mulher tinha um sotaque engraçado, 'pedra', 'a escola daqui'. Depois eles se afastaram e começou o combate. Riscos multicoloridos rasgavam o ar levantando pedaços de concreto. 'Encantatem!'ela gritou, as estátuas se levantaram ruidosamente com sons de pedra quebrando. Os três homens uniram força e jogaram o bloco para cima dele. 'Finito!', e uma onda de energia varreu literalmente o bloco e as estátuas sobrando apenas o pó e sacando com maestria outra varinha. CONJUROU A MALDIÇÃO DA MORTE, O POTTER, O HONESTO, ÍNTEGRO, E INDUBITAVELMENTE PERFEITO POTTER: O BOM! As trevas que estavam sobre a cidade desapareceu. Perceba que o tão venerado e herdeiro do escolhido, assassinou um ser humano. Com isso chega-se a verdade absoluta: ele era comum, normal a mim e a todos. Depois o vi retirar um embrulho do bolso dela. Proferiu algumas palavras e o objeto desapareceu de suas mãos. Irritado voltei correndo para perto do poste e me abriguei em cima de uma árvore. Quando ele se aproximou, não tive dúvida alguma, não daquela vez. Por trás eu gritei....- abriu os braços com um gesto para dar uma maior ênfase- 'Legillimentes!' e eu soube de todas as suas intenções, seus desejos, e temores. Não houve tempo para Oclumência. Depois de retirado aquilo que queria, tomei a mesma atitude que ele em relação a bruxa desconhecida: o matei. E é devido a isto que nunca encontraram o corpo do GRANDE TIAGO POTTER, ele está no Brasil, numa vala de indigentes que é para o mesmo tipo de morada que todos os mestiços irão, quando Aquele-Que-Há-De-Retornar emergindo das profundas trevas, tudo será posto em seu devido lugar. Mas com você será diferente, olhe ao seu redor!
Tom mirou em seus olhos, poça de sangue escorria, pálido tentou gritar de forma rouca e gutural:
— Você é louco, traidor! Como pode...
— Avada Kedrava! o grito de Muriel foi o único que ecoou por entre os corredores de cerâmica negra, e o raio verde inseriu no peito de Tom a essência devastadora da morte. O corpo do garoto jazia, a varinha caída ao seu lado. Rapidamente o antigo comensal arrastava sua toga negra, o sorriso esboçando o frenesi exagerado. Com a varinha escreveu a fogo no ar:

AQUI JAZ O ÚLTIMO DA SUJA-ESTIRPE-DOS-POTTER:

TOM GRANGER WEASLEY POTTER


Afastou alguns metros enquanto as letras inflamadas pairavam no ar. Ergueu a varinha, e com toda a força de seus pulmões:
— BOMBARDA MÁXIMA! E o teto desabou por fim em cima do corpo inerte, sepultando-o na casa de seus breves antepassados. Com seus fantasmas consanguíneos.
Fora da casa, Muriel retirou a Capa da Invisibilidade, que guardava no interior de suas vestes. Colocando-a apenas sua cabeça aparecia enquanto o resto sumiu. Aos poucos um negrume tomou conta da capa, tornando-a invisível. Deixou sua varinha cair na grama morta, enfiando sua mão na manga esquerda retirou a Varinha das varinhas que a tanto custo conseguiu reconstruí-la com a ajuda de Jhon Olivaras, um renomado varinheiro, mediante a maldição Imperium. E com a Pedra da Morte na outra reduziu a um anel.
E com todo o poder. Muriel aparantou numa nuvem negra. O Senhor da Morte partirá de Hogsmead.

FIM

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.