O Semideus Solitário
17 O baile parte 2
Nico POV’s on
Parecia que metade dos alunos da escola estava na platéia para a “coroação da rainha do baile" e que a outra metade estava na fila para a comida.
Quando eu e Andrew finalmente voltamos para o fundo do ginásio eu não consegui achar Alice, ouvi uma porta bater a minha direita e o diretor anunciou as 3 alunas mais votadas como as mais bonitas do baile: Patrícia em terceiro, Amélia em segundo e em primeiro Rose, mas nenhuma dela subiu ao palco.
‐Nico, você ouviu aquela porta bater?‐ perguntou Andrew indicando uma porta com a cabeça, não estamos muito longe dela , levaria segundos para ir de onde estamos até ela. Eu concordei sem enterder o que Andrew queria dizer.
–Alice sumiu no momento em que a deixou sozinha, educada como ela é, nao iria sair da festa sem te avisar. Uma aluna só pode ser votada como rainha do baile se tiver vindo, então Rose , Amélia e Patrícia vieram para a festa, mas, assim como Alice, não estão presentes no momento.-Andrew explicou calmo.
– Então , você está dissendo que as empousai levaram Alice para fora da festa?- perguntei fitando a porta.
–Exatamente. Mas ...‐ antes que Andrew terminasse de falar, comecei a andar apressadamente para a porta. Andrew correu e ficou entre mim e a porta e disse:
–Nico, isso pode ser um armadilha, podem haver outras empousai lá alem das que já temos conhecimento e você deve pensar que já lutamos com elas antes e só conseguimos matar uma.
–Então você está me dizendo para deixar Alice ser morta pelas empousai enquanto em fico aqui fazendo nada?
– E‐eu não disse isso, ‐ Andrew disse nervoso curzando os braços- ela pode ser boa em batalhas como você me disse mas não sabemos o estado físico dela. Só estou pedindo para você parar por um tempo e ver se tem certeza do que está fazendo e tentar bolar um plano.
– Não temos tempo para isso,‐ eu estou começando a perder a paciência, tirei Andrew do caminho e abri a porta- vamos usar o plano padrão de entrar e matar elas.
– Ah, como sinto falta dos meus irmãos, pelo menos eles param para pensar antes de entrar em um plano suicida. – Andrew resmungou mas me seguiu do mesmo jeito.
Corremos pelos corredores escuros abrindo as portas das salas atrás das empousai e de Alice, passamos alguns minutos fazendo isso sem resultado. Mas do que nunca eu temo pela vida de Alice, nesse exato momento ela pode estar morta e não pude fazer nada para ajuda‐la.
Alguém apareceu no fundo de um corredor a minha esquerda. Eu comecei a andar ate a pessoa, mas o som dos meus passos fizeram ela perceber minha presença e a de Andrew e a pessoa correu na direção oposta a nossa.
Andrew e eu corremos ate alcansarmos a pessoa, eu fiquei na frente do sujeito impedindo ele de continuar e Andrew ficou atrás dele , impedindo‐o de dar meia volta. A pessoa era Fred, um menino musculoso muito mais alto do que eu com cabelos loiros, mas de um tom diferente dos de Andrew. Ele é um dos suspeitos da policia para os desaparecimentos dos alunos da escola.
Eu e Andrew não estávamos tão arrumados como os outros meninos no baile, mas Fred estava muito pior do que nós, ele usava shorts verdes e uma blusa preta com o desenho de um terno.
Tirei minha espada da bainha e apontei ela para Fred, que pareceu desesperado. Me perguntei o que a nevoa fez ele ver no lugar da espada.
‐Aonde pensa que vai com toda essa pressa?‐ Eu perguntei com raiva.
Fred se virou e olhou para Andrew e murmurou nervoso:
‐Você não está preocupado com o que ele pode fazer comigo?
Andrew apenas deu de ombros e sorriu:
‐Eu deveria?
Dei um passo a frente encostando a espada no rosto de Fred , fazendo ele virar o rosto na minha direção mas sem cortar sua pele.
‐Você não respondeu minha pergunta.
‐E‐eu estou indo para o ba‐baile.
– Fred gaguejava fitando nervoso a lamina da espada.
– Mas era para você estar lá agora, o que faz aqui?‐perguntei.
– Porque você está aqui?- Fred perguntou com raiva.- Você também deveria estar no baile.
–Eu estou procurando Alice, Rose, Amélia e Patrícia. Você sabe onde elas estão?
– Não.- Desci a ponta da lamina da espada da orelha de Fred até a parte da frente do pescoço dele- Talvez....
– Então aonde você "talvez" tenha visto elas?
Fred ficou em silencio por um tempo, provavelmente decidindo se ia contar a verdade ou ia mentir para mim.
– Foi na sala 104.- Ele disse hesitante.
Me virei e fui na direção da sala, seguido por Andrew que segurou Fred pelo pulso e começou a puxa-lo, para que ele nos acompanhasse . Fred tentava se soltar de Andrew, que apesar do tamanho e da aparência é forte o bastante para não deixar o outro escapar de suas mãos pequenas.
– Aonde está me levando?- Fred perguntou atônito.
– Para a sala 104, onde as meninas supostamente estão. Sabemos que você pode estar mentindo e caso a gente descubra que está , poderemos tomar as devidas .... providências. — Provavelmente algumas das palavras que Andrew usou não estejam no vocabulário de Fred , mas ele pareceu entender o que Andrew quis dizer.
Chegamos na sala e abrimos a porta, haviam livros jogados em algumas mesas, cálculos de matemática no quadro negro e cadernos empilhados na mesa do professor, mas não tinha ninguém ali.
Fred conseguiu se soltar de Andrew mas não foi muito longe, o filho de Atena logo o alcançou e colocou o pé no caminho de Fred , fazendo o maior tropeçar caindo de cara no chão. Andrew colocou um pé nas costas de Fred, prendendo-o ao chão, impedindo ele de se levantar.
– Lembra o que eu disse sobre "tomar as devidas providências"?- Disse o pequeno loiro, cruzando os braços e fitando o maior com desgosto.
–Como você consegue ser tão pequeno e tão forte o mesmo tempo?- Fred perguntou com raiva.
Andrew apenas revirou os olhos e apertou mais Fred contra o chão e disse:
– Só nos diga qual é a sala certa!
– É a sala 125! Agora me solte!- Andrew tirou o pé das costas de Fred mas ainda o segurava pelo pulso.
Comecei a correr pelos corredores , aquilo estava demorando demais, Alice está sozinha com três empousai e eu não faço idéia do estado físico dela, ela pode estar ferida, ela pode estar bem ou morta, e eu torço pela segunda opção.
Comecei a ouvir vozes que quanto mais perto chegávamos da sala 125, mais alto o som delas ficava. Entramos na sala que, diferente da outra, essa não estava vazia. Três meninas em vestidos coloridos se sentavam sobre mesas de alunos , elas pararam de conversar assim que abri a porta, Rose, Amélia e Patrícia.
Na sala 125 eles dão aula de química, então no fundo da sala tem uma mesa com vários vidros com líquidos químicos, assim como na sala anterior tinham livros sobre as mesas, mas não havia nenhum na mesa do professor, que estava sendo ocupada pelo corpo imóvel de Alice. Ela não estava ferida, não havia nenhum corte visível, ela estava apenas inconsciente.
Andrew empurrou Fred para o chão, a frente das empousai e perguntou curioso:
– Porque não o devoraram assim que tiveram a chance?
Amélia olhou para Rose como se pedisse permissão para falar, a loira fez que sim com a cabeça.
– Ele é mortal e nos ajudava a capturar semideuses então pretendíamos deixa-lo para a sobremesa.- Disse a morena enquanto mexia em um dos detalhes da saia do vestido verde que usava.A mecha do cabelo da menina que um dia fora rosa agora era verde escuro.
Rose desceu da mesa em que estava sentada, colocou as mãos na cintura e sorriu. O vestido dela era rosa com detalhes em prateado e uma saia volumosa. Ela usava um colar prateado com uma flor rosa, ela parecia uma princesa mas sei que a qualquer instante ela pode se transformar no monstro horrível que é.
– Eu não disse meninas?- A loira falou jogando uma mecha de cabelo que estava no lugar errado por cima do ombro.- Se pegássemos a ruiva, outros dois semideuses vinham atrás dela.
– Eu te disse que isso podia ser uma armadilha!- Andrew falou em voz alta, acho que ele estaria rindo se não estivéssemos em uma situação tão critica.
– Não é hora para isso.- Eu disse para Andrew, talvez um pouco alto demais por que ele pareceu encolher alguns centímetros.
– Desculpa ...- Ele sussurrou.
As monstras pareciam se divertir com nossa conversa, Rose e Amelia sorriam como se segurassem o riso, Patrícia por outro lado gargalhava alto. Mas Fred ao contrario delas, estava sentado no chão parecendo confuso.
– Vamos ao que interessa.- Amélia disse descendo da mesa e se aproximando de mim e de Andrew, mas ela não encostou em nós , apenas fechou a porta atrás de nós e então um sorriso maligno tomou conta do rosto dela- O jantar está servido.
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