O Semideus Solitário

3 tirando as espadas das bainhas.


Alice Pov’s on

Meu armário deve ser o mais estranho da escola, o meu casaco verde esconde a abertura do fundo falso, onde tem um florete de um ferro esquisito que eu achei na parede do porão da minha casa e um suporte para a adaga que agora estava na minha mochila. Em um dia normal é pratico, mas é horrível quando estou com pressa.

Faz quase uma hora que a aula acabou, estou correndo pelos corredores vazios da escola, fugindo de algo que os outros não podem ver. De tempos em tempos um bicho bizarro vem atrás de mim, ninguém nunca percebe então eu tive que aprender a me defender sozinha. Já fui amiga de quase todo o oitavo ano, mas quando um desses bichos aparece, se eles estiverem por perto e não me ajudarem sinto que devo abandonar a presença deles.

Eu já vi vários desses monstros mais nunca um minotauro, eu achava que ele já tivesse sido morto pelo Teseu lá na época da Grécia antiga, mas parece que estou errada. Eu queria que alguém me explicasse essas coisas! Talvez assim minha vida tive-se mais sentido.

Quando encontro meu armário, arranco o fundo falso com um puxão agarro o florete, tiro a adaga da mochila que é jogada para dentro sem o mínimo cuidado, fecho o armário com as costas enquanto prendo o cinto da bainha na cintura com uma mão e com a outra seguro a adaga.

Corro para os fundos da escola, talvez eu consiga pular o muro e ir para longe daqui e do minotauro.

Infelizmente quando chego ao lado de forra na metade do caminho entre a escola e o muro, vejo que uma sombra enorme cobre o meu corpo, sinto uma mão agarrar uma das minhas pernas e me suspender de cabeça para baixo no ar.

Então eu percebo duas coisas, foi o minotauro que me pegou, ele estava na frente da escola e deve ter a contornado para me pegar, a outra coisa era que estava de cabeça para baixo usando saia, o que me levou a usar minha única mão livre para segura-la, eu posso estar sendo atacada por um minotauro, mas não vou deixa a escola ver minha calcinha.

Quando acho o minotauro vai me matar ouço o ruído do motor de uma moto e chamarem meu nome. Eu sinto o sangue descer para minha cabeça, começo a ficar tonta e minha visão começa a escurecer, então vejo uma lamina escura fazer um corte profundo no pulso do minotauro que me solta e urra de dor.

Eu fecho os olhos enquanto caio nos braços de alguém, quando tento me soltar dessa pessoa uso a mão que segura à adaga e acabo cortando quem me segura , ela não me solta, apenas me segura com mais força.

Quando abro os olhos percebo o erro que cometi. Quem me segurava era Nico que estava com a camisa rasgada e com uma ferida não muito profunda de onde escorria sangue lentamente.

Ele me colocou no chão e pegou a espada negra. Ele olhou para o minotauro e disse:

— Não acredito que tenho que te matar de novo. Tente passar mais tempo lá em baixo agora.

O que ele quis dizer com “de novo”? E com “lá em baixo”?

Nico deu um golpe com a espada que cortou forra a pata esquerda do minotauro, que caiu no chão, a pata se tornou areia como todos os monstros que já matei. O minotauro tentou agarrar Nico com a mão ferida, ele desviou e disse friamente:

-O que faz um monstro como você ir atacar uma mortal? Se a resposta for porque minha tinha mandou não vou ficar surpreso. — ele acertou o minotauro outra vez – foi ela que te mandou aqui?

O monstro fez um som muito bizarro, parecia que ele tentava falar alguma coisa e que Nico tinha entendido, porque ele pareceu ainda mais bravo do que antes.

— Você sabe por quê?- o minotauro ao respondeu – Primeiro ela persegue a Annabeth, depois ela quase mata a Thalia e agora manda você atrás da Alice.

A cada exemplo de sofrimento que a tia de Nico causara ele acertava o monstro em um lugar diferente, que no fim estava estirado no chão imóvel com Nico de pé em suas costas, antes do golpe final Nico disse ao monstro:

— Não vou deixar ela machucar mais ninguém importante para mim.- A espada de Nico atravessou o pescoço do minotauro que se desfez em areia.

Nico caiu deitado no Chão e não se moveu ate que eu tivesse voltado do meu armário com uma toalha e impedido que ele perdesse mais sangue. A ferida não era funda, mas a luta fez o sangue dele circular mais rápido, chegando em grande quantidade ao corte. Após um tempo Nico já conseguia se mexer e foi ate a moto onde havia uma garrafa de onde ele tomou um gole do que quer que tive-se lá dentro e a ferida se fechou instantaneamente. Ele sentou na moto me olhou e perguntou:

— O que foi que aconteceu aqui?

Não era como se ele não soubesse a resposta ou como se fosse brigar comigo, mas como se ele quisesse saber meu ponto de vista.

-Eu fui atacada por um minotauro, você me salvou e matou ele, que tinha dito ter sido enviado pela sua tia.

— Sabe o que isso significa?

— Não.

— Vou ter que te contar uma longa historia , que provavelmente vai responder as muitas perguntas que você quer me fazer.

— Agora?- As pessoas costumam não querer responder minhas perguntas, é bom ele querer responder e me explicar todo o reto também.

— Daqui a pouco na minha casa. Você vem comigo ou prefere ir a pé?

— Que pergunta mais boba. –eu digo me sentando atrás dele passando as mãos em torno de sua cintura- Prefiro ir com você.

Ele me dá o próprio capacete e dá a partida na moto. Ele pensa que vamos em direção a casa dele, eu penso que vamos para o lugar aonde as coisas começam a fazer sentido.

Notas finais
Para quem não sabe um florete é um tipo de espada com a lamina mais fina que é usada na esgrima das Olimpíadas, não é de uso comum entre os semideuses, as espadas morde-costas , contracorrente e a espada do Nico não são assim, mas como eu acho que são mais finos devem ser fáceis de esconder , o que seria pratico para Alice.