O Sem Rosto
1 Capítulo 1
O cara oca acordou porque alguém chamou seu nome.
Depois de muitos e muitos anos, ele estava livre.
Ele não era velho nem jovem.
Nem feio nem bonito.
Não tinha forma.
Ele nem tinha... Um rosto.
Eles o trancaram em um buraco escuro e pequeno onde o sol nunca brilhava.
Ele se lembrou de um menino com o rosto parecido com o dele.
O cara oca tinha que encontrar o menino.
Ele tinha que encontrar seu rosto.
Até que, numa noite, o cara oca finalmente encontrou um rosto para roubar.
Era o de um garotinho que olhava pela janela.
O cara oca queria o rosto do menino mais que qualquer coisa no mundo.
Sem um rosto, ele não tinha nada. Então, ele bolou um plano: Primeiro, ia separar o menino dos pais. Depois, o levaria para seu covil. Ia arrancar seu rosto e vestir nele. Assim, todos iam amá-lo. Na noite seguinte, o cara oca se vestiu como um homem e voltou à casa do menino e escondeu-se lá.
O garoto estava dormindo.
O cara oca chegou mais perto, mais perto e mais perto.
...
Quando o cara oca saía de seu covil, as pessoas olhavam através dele. Era como se ele fosse invisível. Ele via as pessoas na rua, conversando e se beijando. E ele sabia que sem um rosto ninguém poderia ajudá-lo.
O cara oca continuou caçando o menino para roubar o seu rosto. Procurava em cada lugar, em cada janela de cada casa. Até que, numa noite, ele achou uma casa com uma criança dentro e uma janela aberta. Ele passou pelos quartos e desceu o corredor onde havia uma menina que estava acordada. Então ele chegou mais perto, mais perto e mais perto. E se esqueçeu da caça ao menino. Agora, o cara oca queria o rosto da menina mais do qualquer coisa no mundo. Então, ele bolou um plano; Ele ia se esconder num canto escuro do quarto dela e esperar até que dormisse. Então ele ia...
...
O cara oca não desistiu. Ele ia esperar o momento certo para arrancar o rosto da menina.
O cara oca chegou mais perto, mais perto e mais perto.
A garota sabia que o cara oca estava lá. Sentia que estava sendo vigiada. Ela queria pedir ajuda mas quando abriu a boca não conseguiu emitir um som. Seus pais não podiam protegê-la porque o cara oca já estava lá dentro.
Ele fez um novo covil, bem no seu quarto. Num canto escuro do qual todos tinham se esquecido. O covil era grande o bastante para os dois. O cara oca ia arrastar a garota para o covil e mantê-la no escuro, Mantê-la isolada. Roubá-la de seus pais para sempre. Então, ela não precisaria de seu rosto nunca mais. Ele começou a chamá-la para seu covil. Ela sentia as garras dele chegando perto.
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