O Segredo dos Blacks
30 O Departamento DE MISTÉRios
Hydra acha que nunca se deslocara com tanta rapidez: o Testrálio invisível passou veloz sobre o castelo, todos acompanhavam Harry Potter.
Sobrevoaram os terrenos de Hogwarts, passaram por Hogsmeade; Hydra viu montanhas e vales profundos no solo. Quando a luz do dia começou a desaparecer, Hydra viu surgirem pequenas coleções de luzes à medida que passavam sobre outras tantas cidadezinhas, depois uma estrada tortuosa em que um único carro subia com esforço as montanhas a caminho de casa...
O crepúsculo caiu: o céu foi mudando para um arroxeado melancólico pontilhado de minúsculas estrelas prateadas, e não tardou que apenas as luzes das cidades trouxas indicassem a distância a que se encontravam do chão, ou a velocidade a que estavam viajando.
Hydra pensava a todo momento que tipo de horror ainda iriam ver depois que saíssem dali e como hoje estava fazendo seu exame e agora estava voando pelos céus da Inglaterra em uma criatura invisível para enfrente Você-sabe-quem.
Eles continuaram avançando pela escuridão que se adensava; Hydra sentiu o rosto tenso e frio, ensurdecera com o ronco do frio vento noturno em suas orelhas, e sua boca estava seca e gelada. Não sabia o quanto já haviam voado, só seguia Harry Potter e esperava pelo melhor, pensava em Peter e em como queria poder vê-lo agora, queria a ajuda dele, queria abraçar ele.
O animal invisível começou a seguir para o solo, Hydra parecia que estava caindo.
E agora fortes luzes cor de laranja iam se tornando maiores e mais redondas por todos os lados; podiam ver os altos dos edifícios, cadeias de faróis que lembravam olhos de insetos, quadrados amarelo-claros assinalando as janelas. Hydra via o chão cada vez mais próximo e tinha certeza de que iria cair em um grande impacto, mas o cavalo invisível pousou no chão escuro com a leveza de uma sombra, ela, espiando a rua ao seu redor, reconheceu como a rua da entrada dos visitantes ao Ministério, onde a caçamba transbordando lixo continuava a uma pequena distância da cabine telefônica depredada, ambas descoradas à claridade uniforme e laranja dos lampiões da rua.
— Então, aonde vamos agora? – perguntou Luna a Harry depois que todos desceram num tom cortês e interessado, como se tudo aquilo fosse uma curiosa excursão de um só dia.
— Por aqui. – Ele deu uma palmadinha breve de agradecimento em seu Testrálio, depois conduziu os amigos rapidamente para a cabine telefônica e abriu a porta. – Andem logo! – apressou os que hesitavam.
Hydra, Rony e Gina entraram obedientes; Hermione, Neville e Luna se apertaram na cabine atrás deles e Harry atrás de Luna, não sabia como couberam todos ali.
— Quem estiver mais próximo do telefone, disque seis dois quatro quatro dois! – disse Harry. Rony discou, seu braço estranhamente dobrado para alcançar o disco; quando este voltou ao ponto inicial, a voz tranquila de mulher ecoou na cabine
"Bem-vindos ao Ministério da Magia. Por favor, informem seus nomes e o objetivo da visita."
— Harry Potter, Rony Weasley, Hermione Granger – disse Harry imediatamente –, Gina Weasley, Neville Longbottom, Hydra Malfoy e Luna Lovegood... estamos aqui para salvar a vida de alguém, a não ser que o seu Ministério possa fazer isso primeiro!
"Obrigada", disse a voz tranquila.
"Visitantes, por favor, apanhem os crachás e os prendam no peito das vestes."
Sete crachás saíram da fenda de devolução de moedas. Hermione recolheu-os e os entregou em silêncio a Harry, por cima da cabeça de Gina; ele olhou o de cima: Harry Potter, Missão de Salvamento.
"Visitantes ao Ministério, os senhores devem se submeter a uma revista e apresentar suas varinhas para registro na mesa da segurança, localizada ao fundo do Átrio."
— Ótimo! – exclamou Harry em voz alta, sentindo a cicatriz dar mais uma fisgada. – Agora podemos descer?
O piso da cabine estremeceu e a calçada se elevou passando por suas vidraças; a escuridão se fechou sobre as cabeças dos garotos e, com um ruído surdo de trituração, eles desceram às profundezas do Ministério da Magia.
Uma réstia de suave luz dourada iluminou seus pés e ampliou-se para os seus corpos. O local parecia completamente deserto. A luz estava mais fraca do que de dia; não havia lareiras acesas sob os consoles engastados nas paredes, mas, à medida que o elevador foi parando suavemente, Hydra observou que os símbolos dourados continuavam a se mover sinuosamente no escuro teto azul.
"O Ministério da Magia deseja aos senhores uma noite agradável", disse a voz de mulher.
A porta da cabine telefônica se escancarou; Harry saiu tropeçando, seguido por Neville e Luna. O único som no Átrio era a torrente contínua de água na fonte dourada, que jorrava das varinhas da bruxa e do bruxo, da ponta da flecha do centauro, do gorro do duende e das orelhas dos elfos domésticos para o tanque ao redor.
— Vamos – disse Harry baixinho, e os seis saíram correndo pelo saguão, Harry à frente, passaram pela fonte e se dirigiram à mesa onde o bruxo-vigia, que pesara a varinha de Harry, se sentara, e que agora estava deserta
Não havia seguranças, eles cruzaram os portões dourados para o elevador. Ele apertou o botão de descida mais próximo e um elevador apareceu com enorme ruído, quase imediatamente, as grades douradas se abriram produzindo um grande eco metálico, e eles embarcaram depressa. Harry apertou o botão de número nove; as grades se fecharam com estrépito e o elevador começou a descer, balançando com grande ruído. Quando o elevador parou, a voz tranquila de mulher anunciou: "Departamento de Mistérios", e as grades se abriram. Eles saíram para o corredor onde nada se movia exceto as chamas dos archotes mais próximos, bruxuleando na corrente de ar produzida pelo elevador.
— Vamos – sussurrou Harry, e saiu à frente pelo corredor, Luna logo atrás, olhando para tudo com a boca ligeiramente aberta.
— O.k., ouçam – disse Harry, parando outra vez a menos de dois metros da porta. – Talvez... talvez umas duas pessoas devessem ficar aqui para... para vigiar e...
— E como é que vamos avisar se tiver alguma coisa vindo? – perguntou Gina, as sobrancelhas erguidas.
— Você poderia estar a quilômetros de distância. – Vamos com você, Harry – disse Neville
— Sim Harry, viemos até aqui, não vamos desistir agora – Insistiu Hydra, olhando tudo ao redor assustada.
— Vamos logo – disse Rony com firmeza.
Hydra sentia que seu coração iria explodir em seu peito de tanta ansiedade e medo do que encontraria, ela continuou então seguindo Harry que virou-se então para a porta e prosseguiu...
Estavam em uma grande sala circular. Tudo ali era preto, inclusive o piso e o teto; a intervalos, havia portas pretas idênticas, sem letreiros, nem maçanetas, separadas por candelabros de chamas azuis, a toda volta das paredes; a claridade fria e tremeluzente refletida no piso de mármore polido dava a impressão de que havia água escura no chão.
— Alguém feche a porta – murmurou Harry.
Neville obedece, mas sem a longa réstia de luz que vinha do corredor iluminado pelos archotes, a sala se tornou tão escura que por um instante as únicas coisas que os garotos conseguiam ver eram os candelabros de chamas trêmulas e azuladas nas paredes e seu reflexo fantasmagórico no chão.
Havia umas doze portas ali. Enquanto Hydra estava observando ao redor e olhando para as portas defronte, ouviu-se um ribombar prolongado e as velas começaram a se deslocar para o lado. A sala circular estava girando. Hermione agarrou o braço de Harry e Hydra no de Rony como se temesse que o chão fosse mexer também, mas isto não aconteceu. Durante alguns segundos, as chamas azuis ao redor deles ficaram borradas, lembrando linhas de neon, à medida que a parede ganhou velocidade; então, com a mesma brusquidão com que o movimento começara, o ronco parou e tudo se imobilizou outra vez.
— Que foi isso? – sussurrou Rony, cheio de medo.
— Acho que foi para nos impedir de saber por que porta entramos – disse Gina com a voz abafada.
— Como é que vamos sair na volta? – perguntou Neville pouco à vontade.
— Bom, isso agora não tem importância – disse Harry, convincente–, não vamos precisar sair até termos encontrado Sirius...
—Mas não comece a chamar por ele! – disse Hermione em tom urgente;
— Aonde vamos então, Harry? – perguntou Rony
A mente de Hydra era uma confusão de pensamentos, medos e anseios, só queria sair dali o mais rápido possível, mas ao mesmo tempo não abandonaria a missão para qual veio, finalmente colocaria sua coragem e seu aprendizado em teste, não era para isso que queria enfim entrar na ordem?
— Eu não... – começou a falar Harry, mas então parou. Temos de experimentar algumas portas – disse ele depressa. – Saberei o caminho certo quando o vir. Vamos.
Ele rumou direto para a porta agora à sua frente, Hydra e os outros seguindo-o de perto, encostou a mão em sua superfície fresca e brilhante, ergueu a varinha pronto para atacar no instante em que a porta se abrisse, e a empurrou.
Ela se abriu pareceu a Hydra que facilmente. Depois do escuro da primeira sala, as luminárias baixas, presas ao teto por correntes douradas, davam a impressão de que esta sala comprida e retangular era muito mais clara
O lugar estava bem vazio, exceto por algumas escrivaninhas e, bem no centro da sala, um enorme tanque de vidro com um líquido muito verde, suficientemente espaçoso para todos nadarem nele; vários objetos branco-pérola flutuavam nele lentamente.
— Que coisas são essas? – sussurrou Rony.
— Não sei – respondeu Harry.
— São peixes? – murmurou Gina.
— Acho que não... – Disse Hydra observando os objetos.
— Larvas aquovirentes! – exclamou Luna, excitada. – Papai disse que o Ministério estava criando...
— Não – disse Hermione. Sua voz estava estranha. Ela se aproximou para espiar pelo lado do tanque. – São cérebros.
— Cérebros?
— É... que será que estão fazendo com eles?
Hydra observou mais de perto, realmente eram cérebros, tremeluzindo fantasmagoricamente, os cérebros apareciam e desapareciam flutuando nas profundezas do líquido verde, lembrando couves-flores lodosas.
— Vamos embora daqui – disse Harry.
— Não é a sala certa, precisamos experimentar outra porta.
— Há portas aqui também – disse Rony, apontando para as paredes. Harry se sentiu desanimar; que tamanho tinha esse lugar?
— No meu sonho, eu atravessava aquela sala escura e em seguida outra. Acho que devíamos voltar e tentar novamente de lá.
Então eles voltaram depressa à sala escura e circular.
— Esperem! – disse Hermione, enérgica, quando Luna fez menção de fechar a porta da sala dos cérebros, às costas deles. – Flagrate!
Ela fez um desenho no ar com a varinha e um X de fogo apareceu na porta. Mal a porta acabara de se fechar com um estalido, ouviu-se um grande ronco e mais uma vez a parede começou a girar muito rápido, mas agora havia um borrão vermelho e ouro no meio do azul pálido e, quando tudo tornou a parar, a cruz de fogo ainda ardia, mostrando a porta que eles já haviam experimentado.
— Muito inteligente – Disse Hydra se sentindo envergonhada de não ter sido ela a pensar nisso já que era a mais velha ali.
— Bem pensado – disse Harry. – O.k., vamos experimentar esta aqui...
Novamente, ele rumou para a porta diretamente em frente seguido de todos e a empurrou, com a varinha ainda erguida, Hydra e os outros nos seus calcanhares.
Dado, formando um grande poço de pedra com mais de cinco metros de profundidade. Os garotos estavam no nível mais alto de uma série de bancos de pedra que corriam a toda volta da sala e desciam em degraus íngremes como em um anfiteatro. No lugar de uma cadeira com correntes, porém, havia um estrado no centro do poço e sobre ele um arco de pedra que parecia tão antigo, rachado e corroído que Hydra se admirou que ainda se sustentasse em pé. Sem se apoiar em parede alguma, o arco estava fechado por uma cortina ou véu preto esfarrapado que, apesar da total imobilidade do ar frio circundante, esvoaçava muito levemente como se alguém o tivesse acabado de tocar.
— Quem está aí? – perguntou Harry, saltando para o banco abaixo. Não houve resposta, mas o véu continuou a esvoaçar e balançar.
— Cuidado! – sussurrou Hermione. Harry desceu depressa pelos bancos, um a um, até chegar ao fundo de pedra do poço. Seus passos ecoaram fortemente quando se encaminhou devagar para o estrado. O arco pontiagudo parecia muito mais alto de onde ele estava agora do que quando o contemplara do alto. O véu continuava a balançar suavemente, como se alguém tivesse acabado de passar.
— Sirius? – Harry tornou a chamar.
— Vamos embora – chamou Hermione do meio da escadaria. – Não é a sala certa, Harry, anda, vamos logo.
Hydra sentia cada vez uma sensação maior de pânico tomando conta de si, não só por ela, mas se sentia responsável por cada um que ali estava.
— Harry, vamos embora, o.k.?
— insistiu Hermione com maior veemência. – O.k. – respondeu ele, mas não se mexeu.
"Que é que você está dizendo?", perguntou ele, muito alto.
Ninguém está falando, Harry! – disse Hermione, agora se aproximando e Hydra também chegou perto sem também nada ouvir.
— Alguém está sussurrando ali atrás – disse ele, fugindo do alcance de Hermione e continuando a franzir a testa para o véu. – É você, Rony?
— Estou aqui, cara – disse Rony, aparecendo do outro lado do arco.
— Ninguém mais está ouvindo? – perguntou Harry, mas Hydra realmente nada ouvia vindo do arco.
— Eu também estou ouvindo – cochichou Luna, reunindo-se a eles pela lateral do arco e observando o véu ondular. – Tem gente aí dentro!
— Que é que você quer dizer com esse aí dentro? – Hermione exigiu saber, saltando do último degrau e parecendo muito mais zangada do que a ocasião exigia. – Não tem ninguém aí dentro, é apenas um arco, não tem espaço para ninguém dentro dele. Harry, pare com isso, vamos embora
Ela o agarrou pelo braço, mas ele resistiu.
— Harry, a gente veio aqui por causa do Sirius! – disse ela com a voz tensa e aguda.
— Sirius – repetiu Harry.
Harry se afastou vários passos.
— Vamos – disse.
— É isso que estive tentando... bom, vamos, então! – falou Hermione seguida de Hydra que se recusava a olhar o véu por muito tempo, e saiu à frente, contornando o estrado.
Do outro lado, Gina e Neville estavam parados olhando o véu também, aparentemente em transe. Sem falar, Hermione segurou o braço de Gina, e Rony o de Neville, e eles conduziram os amigos com firmeza ao primeiro banco de pedra e subiram em direção à porta.
— Que é que você acha que aquele arco era? – perguntou Harry a Hermione quando chegaram à sala circular e escura.
— Não sei, mas, fosse o que fosse, era perigoso – afirmou ela, marcando a porta com uma cruz de fogo.
Mais uma vez, a parede girou e parou. Harry se dirigiu a mais uma porta ao acaso e a empurrou. Ela não cedeu.
— Que foi? – perguntou Hermione.
— Está... trancada... – disse Harry, jogando o peso contra a porta, mas ela não se moveu.
— Então é essa, não é? – disse Rony, excitado, juntando-se a Harry na tentativa de forçar a porta a abrir.
— Tem de ser.
— Saiam da frente! – mandou Hermione. Ela apontou a varinha para o lugar normal da fechadura em uma porta comum e disse: – Alohomora! Nada aconteceu.
Harry tirou algo do bolso e tentou abrir a porta com ela sem sucesso.
— Certo, vamos sair dessa sala – disse Hermione, decidida.
— Mas e se for a tal? – perguntou Rony, olhando-a ao mesmo tempo com apreensão e desejo.
— Não pode ser, Harry passou por todas as portas em sonho – disse Hermione, marcando a porta com outra cruz de fogo enquanto
— Você sabe o que poderia haver aí dentro? – perguntou Luna, ansiosa, quando a parede recomeçou a girar mais uma vez.
— Alguma coisa estridulosa, com certeza – disse Hermione baixinho, e Hydra e Neville soltaram uma risadinha nervosa. A parede foi parando e Harry empurrou a porta seguinte.
— É essa! – Gritou o rapaz e todos o seguiram.
Hydra olhou para dentro e viu uma sala com belas luzes que dançavam e cintilavam como diamantes. Quando os olhos de Harry se acostumaram à claridade intensa, ele viu relógios refulgindo em cada superfície, grandes e pequenos, relógios de estojo e alça, e de pêndulo, expostos nos intervalos das estantes ou sobre as escrivaninhas, por toda a extensão da sala, e cujo tiquetaquear incessante enchia o ambiente como se fossem milhares de pés em marcha. A fonte da luz que dançava e cintilava era um vidro alto de cristal, em forma de sino, a uma extremidade da sala.
— Por aqui! – Gritou Harry.
Hydra só pensava em Peter e em como tinha medo de não ver ele nunca mais, também em Fred e Jorge, seu coração acelerava, o meu crescia conforme ela seguia Harry pela sala.
Harry saiu à frente pelo pequeno espaço entre as escrivaninhas, dirigindo-se, como fizera em sonho, à fonte de luz, o vidro de cristal em forma de sino, que era quase de sua altura e parecia estar cheio de um vento luminoso que soprava em ondas.
— Ah, olhem! – exclamou Gina, quando se aproximaram, apontando para o interior do vidro.
Flutuando ali, na correnteza luminosa, havia um minúsculo ovo que brilhava como uma joia. Quando subia, o ovo se abria e dele emergia um beija-flor, que era impelido para o alto, mas ao ser apanhado pela corrente de ar voltava a molhar e amarrotar as penas, e quando chegava ao fundo do vidro encerrava-se mais uma vez em seu ovo.
— Não parem! – disse Harry com rispidez.
— Você demorou bastante naquele arco velho! – respondeu ela, zangada, mas seguiu-o além do vidro em direção à única porta que havia.
— É essa – repetiu Harry –, é por aqui... Hydra tinha a varinha já na mão e na mente só o pensamento constante de medo de nunca mais ver as pessoas que amava, todos também tinham as varinhas na mão. Harry tornou a se voltar para a porta e empurrou-a. Ela se abriu.
Era a sala, eles a haviam encontrado: da altura de uma catedral, contendo apenas estantes elevadas e cobertas de pequenas esferas de vidro cheias de pó. Elas bruxuleavam fracamente à luz dos candelabros presos a intervalos ao longo das estantes. Como os da sala circular que haviam deixado para trás, suas chamas eram azuis. A sala era muito fria.
Harry avançou cautelosamente e Hydra teve a impressão de que não havia ninguém ali dentro.
— Você disse que era no corredor noventa e sete – cochichou Hermione e Hydra ouviu.
— É – murmurou Harry.
— Precisamos ir para a direita, acho – sussurrou Hermione, apertando os olhos para enxergar a fileira seguinte. – É... essa é a cinquenta e quatro...
— Mantenham as varinhas preparadas – recomendou Harry baixinho.
Hydra agarrara a sua varinha como se fosse seu bem mais precioso.
Eles seguiram devagarzinho, olhando para trás enquanto percorriam os longos corredores de estantes, cuja parte final estava imersa em quase total escuridão. Minúsculas etiquetas amareladas estavam coladas sob cada esfera de vidro nas prateleiras. Algumas possuíam um estranho brilho líquido; outras eram opacas e escuras por dentro como lâmpadas queimadas. Passaram pela fileira oitenta e quatro... oitenta e cinco... Nenhum barulho, ninguém a vista.
— Noventa e sete! – sussurrou Hermione.
Os garotos pararam agrupados no fim de uma fileira, espiando para o corredor ao lado. Não havia ninguém ali.
— Ele está bem no final – disse Harry. – Não se consegue ver direito daqui.
Hydra achou que não tinha ninguém ali, mas decidiu seguir Harry mesmo assim.
Harry os conduziu entre as estantes muito altas com as esferas de vidro, algumas das quais refulgiam suavemente quando eles passaram...
— Ele deve estar perto – sussurrou Harry,– Em algum lugar por aqui... muito perto...
Harry! – disse Hermione, hesitante, mas Harry não respondeu. Hydra sabia que ela ia dizer que não havia ninguém ali.
— Em algum lugar por... aqui... – Dizia ele.
Haviam chegado ao fim do corredor e saíram para a claridade fraca das velas. Não havia ninguém ali. Tudo era um silêncio ressonante e empoeirado.
— Ele poderia estar... – sussurrou Harry, rouco, espiando para o próximo corredor. – Ou talvez... – E correu a olhar o corredor além.
— Harry? – tornou a chamar Hermione.
— Quê? – vociferou ele.
— Eu... eu acho que Sirius não está aqui.
— Ela tem razão Harry – Confirmou Hydra olhando ao redor e não vendo absolutamente ninguém, começou a achar que tudo aquilo tinha sido em vão, não sabia se era algo bom ou não.
— Harry? – chamou Rony.
— Quê? – Perguntou Harry.
— Você viu isso? – perguntou Rony.
— Quê? – disse Harry, mas desta vez ansioso.
Rony estava olhando para uma das esferas empoeiradas na prateleira.
— Quê? – repetiu Harry mal-humorado.
— Tem... tem o seu nome escrito aqui – disse Rony.
Fale com o autor