O Segredo do Anjo

33 That's Good That You're Fine


Notas iniciais
Nome do capítulo: Que Bom Que Você Está Bem

*Lucas on *

– Você vai me contar o que aconteceu? – perguntou Edu enquanto nós dois esperávamos que os garotos entrassem na sala e ajudassem a Agatha. Eu quase não conseguia me mexer, mas eu tinha que fazer alguma coisa, não poderia apenas esperar.

– Não agora. – falei e ouvi as armas serem carregadas, pronto, eles estavam no comando. Estendi a mão para Edu e falei – Me ajude a levantar.

– Só depois que você me contar – disse Edu ainda sentado me encarando. Respirei fundo sem paciência. Eu não queria que fosse eu a contar a eles sobre a morte da Luz, se é que ela tinha morrido, mas cedi.

– Depois que eu falei com você no telefone eu percebi que havia uma espécie de bolha cobrindo o meu corpo e graças a essa bolha eu consegui cortar o cinto de segurança que me prendia no carro, mas ele já havia explodido e capotado, por isso tive um pouco de dificuldade. Foi horrível, eu tinha certeza de que eu ia morrer, mas enfim, consegui dar um jeito de sair de dentro do carro, mas eu ouvi alguém chegando e eu tinha que me esconder.

“Eu vi que era o carro da Luz e decidi ver o que ela fazia ali. Vi que ela se aproximou do carro e começou a chorar, acho que ela pensou que eu tinha morrido. Vi ela pegando o celular e vi um monstro atrás dela e corri até ele, mas não deu tempo ela já tinha visto ele e tentava se defender com uma faca que ela carregava, mas ela não tinha a mínima ideia de como usá-la.

“Claro que eu tentei ajuda-la, mas ela caiu antes que eu conseguisse destruir a criatura. O matei com uma faca no coração e corri para ver ela. Ela me olhou e disse: “Lucas, você ta vivo” e uma lágrima escorreu por seu rosto, eu já estava com o coração apertado, sabia que precisava levar ela pra algum lugar seguro.”.

“Foi quando eu vi a Sara pela primeira vez. Ela estava do mesmo jeito que antes, foi um alivio ver ela ali e ela me ajudou com a Luz. Ela nos carregou até uma casa no meio da floresta e tentou ajudar a Luz. E Nick me carregou de lá antes que eu pudesse saber se ela e Nate conseguiram ajudar ela.”

– Então você não sabe se ela está viva? – perguntou Edu chocado.

– Não — respondi escondendo meu rosto, não queria que ele me visse chorando. – Saber que eu não pude ajudar ela me desgasta e faz com que eu me sinta inútil.

– Inútil? – pergunta Edu, incrédulo – Olha onde estamos Lucas! A Agatha ta a um passo de ser salva e tudo isso graças a você! Não se culpe pela Luz, mas se sinta um herói por estar salvando a Agatha.

– Falando nisso eles estão demorando, me ajude a levantar. – exigi e Edu se levantou e me ajudou a ficar de pé, minha perna ardia com aquele movimento e percebi que não poderia me apoiar por muito tempo nela. Quando me levantei vi uma cena totalmente diferente da que eu estava esperando.

Nós não estávamos no controle da situação, era claro que Rafael havia ameaçado matar Agatha se algum deles fizesse alguma coisa. De um por um os guardas iam caindo e logo meus olhos se desviaram para Agatha que havia se levantado e exigido o arco que estava com o José.

Esse entregou o arco para ela, mas assim que ela levantou o braço ela começou a cair e tudo parecia acontecer lentamente. Ela gritou de dor e eu percebi que Rafael não tirou os olhos dela. Era algum feitiço, eu tinha certeza, por isso em questão de segundos arranquei uma faca do cinto de armas do Edu e o arremessei como havia treinado arduamente com Nick e os outros.

E eu o acertei.

Ele caiu enquanto Agatha desmaiava. José era o que estava mais perto dela a segurou antes que ela atingisse o chão. Eu suspirei aliviado quando José gritava que ela ainda estava viva. Vi Rafael cair no chão com a mão no cabo da faca.

“- Como se mata um demônio? – perguntei enquanto arremessava facas.

– Fácil, com uma facada bem dada nas costas, ou uma flecha se for um comum, mas se for um mais poderoso, um Demônio Maior, precisará ser com uma arma Marcada.

– E um lobisomem?

– Prata

– Vampiros?

– Com a luz do sol, ou uma estaca de madeira no coração.

– E um anjo? – perguntei parando de jogar facas para olhar para Nate.

– Por que você iria querer matar um anjo, Lucas?

– Não quero. É só curiosidade.

– Nós somos os piores de serem mortos. Uma Flecha Celestial não afeta um ser completo de luz, mas se esse ser tiver qualquer lasca de maldade a flecha é fatal. A Flecha e qualquer outra arma que esteja marcada com símbolos de Luz. Com uma arma normal só é possível nos matar se acertar o coração.”.

O coração. Eu me lembrei dessa conversa e dessas palavras deixando a boca do anjo aliado e me esforcei para ver Rafael. Ele estava curvado para frente e seus ombros subiam e desciam pesadamente. Ótimo ele ainda respirava.

– Você vai pagar por isso Lucas Payne – disse Rafael erguendo a cabeça lentamente – Você sentirá o peso de ter matado um anjo. Que você sinta a minha agonia durante todas as noites que você fechar seus olhos. Isso não vai ficar assim. Eu vou voltar. E eu vou te matar!

Ele se desintegrou assim que terminou de dizer essas palavras. Um frio percorreu minhas costas e minha perna ardeu mais ainda, me fazendo gritar e cair no chão.

– Vamos leva-lo até a Sara. – disse Edu.

– Não, ele precisa de um hospital – disse Nick e eu o agradeci mentalmente – Na verdade, todos vocês precisam. Agora vamos até a Sede largar essas coisas. Vamos, vamos.

Senti que alguém me carregava, não sei quem era, mas acho que era o Nick. A cada segundo a dor me consumia mais e mais.

– Ele ta piorando, Nick – disse Edu ao meu lado. Acho que estávamos em um carro.

– Estou indo o mais rápido que consigo, ta? – ouvi José reclamar. Acho que ele estava dirigindo.

Não sei se isso está mesmo acontecendo ou se estou alucinando, mas ninguém mencionou a ameaça que Rafael me fez... Será que eles não tinham ouvido? Não sei.

Em alguns dias voltei a abrir meus olhos. Eu só tinha uma certeza, que eu precisava encontrar a Agatha. Me sentei na cama do hospital sentindo minha perna arder enquanto eu a movia.

– Cadê a Agatha? – perguntei agitado, notando alguém no quarto.

– Calma, Lu – disse uma voz calma do meu lado. Era uma voz feminina, mas não a que eu queria ouvir. Foi um grande alivio ouvir essa voz.

– Ah meu Deus, Luz! – falei me virando em sua direção. Ela se curvou sobre mim e me abraçou- Como?

– Sara – disse ela — Ela me salvou com a ajuda do Nate. Eu realmente devo minha vida aos anjos.

– Como você está? Se lembra de alguma coisa? – perguntei olhando atento para ela.

– Ei, eu quem deveria lhe fazer essas perguntas – diz ela. – Estou bem sim e me lembro de tudo. E você?

– Eu não sei, minha perna arde e eu não tenho certeza do que foi real do que não foi.

– Certo.

– Onde está a Agatha? – perguntei. Ela desviou o olhar e eu ouvi a porta ser aberta e me virei para encarar minha pequena vindo em minha direção.

– Lucas – disse Tessa entrando e me abraçando, sendo seguida pelos meus, digo, nossos pais.

– Oi Tess

– Você ta bem? – perguntou ela com lagrima nos olhos.

– Sim, eu estou.

– Filho – disse minha mãe me abraçando – Eu sabia que você ia ficar bem.

– E-eu vou deixar vocês conversarem – disse Luz se levantando da cadeira e indo em direção à porta.

– Luz – a interrompi. Ela se virou pra mim – Que bom que você está bem.

Notas finais
:3 Um capítulo para o fim... Fantasmas apareçam!!!!! Malikisses