O Segredo da Ruiva
12 O Primeiro Dia de Aulas Parte 2
~Pov Linly~
—Então Linly — fala James de uma maneira cautelosa, e isso me assusta porque ele não aparenta ser o tipo de pessoa que fala dessa maneira — porque você é a cópia exata da minha amada Lily Evans?
Confesso que fiquei um pouco embaraçada no momento, mas não deixei que ninguém percebesse e logo inventei uma desculpa:
— Já ouviu falar de sósias? Então, são pessoas parecidas que não tem ligação parental.Deve ser isso o que acontece comigo e essa moça!- respondo rapidamente.
James parece pensar um pouco sobre o que eu disse, e se dá por vencido, porque balança os ombros como sinal de indiferença dando um leve sorriso.
—Tanto faz- responde.
Então a professora que eu conheci na noite de ontem, Minerva McGonagall, se aproxima de nós, entregando os nossos horários de aula.
De acordo com meus horários, a primeira aula dessa manhã será de história da Magia.Eu fiquei encantada, sempre gostei muito de história, e estudar os acontecimentos de um outro país será realmente fascinante.
Mas por outro lado, Tiff não parecia nada feliz, quando viu que as duas primeiras aulas seriam de história da magia, começou a bater a cabeça na mesa freneticamente, fingindo um ataque de loucura:
—Ninguém merce! Duas aulas de História da Magia, em uma segunda-feira, pelo resto do ano! Ninguém merece! — e continuou a bater a cabeça na mesa.
Eu não entendi o porque desse drama, posso entender que história não seja a matéria preferida pela maioria dos alunos, mas não chega a ser algo tão ruim quanto aritmancia:
—Porque todos esse drama Tiff? História da Magia é uma matéria fascinante!
Tiffany me olhou, como se eu fosse uma tarântula enorme peçonhenta, tamanho o seu espanto com as minhas palavras, e em seguida, gargalhou como uma criança que ganha doces depois do jantar após ser obrigada a comer cenoura, e continuou gargalhando, jogando a cabeça para trás, bagunçando seus cachos loiros e em seguida ajeitando-os.
Confesso que não encontrei nenhum motivo para tanta graça em minhas palavras, e enquanto seguíamos para o andar onde ficava a sala de história da magia, Tiff ainda ria:
—Porque acha tão engraçada minhas palavras?
—História da Magia fascinante! — e começou a gargalhar mais ainda,colocando a mão na barriga que começava a doer — você vai ver o real significado de suas palavras nos primeiros dez minutos de aula!
Chegamos na sala de História da Magia e apenas vi rostos desanimados, mas um desses rostos me chamava atenção e era o único que tinha uma expressão diferente. O de espanto. Lily olhava para mim como se olha para um fantasma, e ainda estava em pé, como se esperasse que eu me sentasse para ela poder ir se acomodar no outro lado da sala. Dito e feito. Eu me sentei com Tiff perto das janelas no lado esquerdo da sala e ela foi para o lado direito.
O meu objetivo ao ingressar em Hogwarts, não era fazer um projeto de intercâmbio, ou ampliar os horizontes dos estudos, e sim me aproximar de Lily. Mesmo estando no primeiro dia de aula, eu percebi que essa tarefa será um desafio. Ainda bem que eu gosto de desafios.
Eram 9:00 hs em ponto, e um fantasma atravessa a lousa tranquilamente, e eu confesso que fiquei um pouco assutada ao ponto de fazer Tiffany sorrir, mas me recompus rápido. O fantasma começa a falar com a voz mais monótona possível:
—Para quem não se recorda, eu sou o professor Binns, e espero que todos tenham um bom ano letivo. — fez uma breve pausa e olhou para os alunos como se os visse pala primeira vez — começaremos com a guerra dos gigantes. Desde que se é relatado, os gigantes nunca foram de cultivar laços com outra criaturas mágicas, e isso inclui os bruxos...
Depois disso, eu me esforcei muito mas não consegui prestar atenção no que o professor falava, eu nunca pensei que um dia iria dizer essas palavras mas eu disse:
—Nossa Tiffany, que aula de história mais chata!
Ela se limitou a sorrir discretamente e responder:
—Eu te disse que você entenderia como essa aula é insuportável nos primeiros dez minutos — balançou a cabeça mexendo os cachos graciosamente, afirmando o que dizia — agora, com licença que eu vou colocar meu sono em dia.
No momento que Tiffany disse essas palavras, eu me lembrei da madrugada anterior em que ela chorava desolada, como uma criancinha, e eu a seguia pelos corredores da escola. Mesmo não aparentando eu estava realmente cansada e decidi fazer companhia a Tiffany indo cochilar um pouco.
*-*-*-*-*
—Lil's? Lil's acorda! Já esta na hora de sairmos, a aula acabou!
Havia uma voz ao longe que tentava me acordar, mas eu sabia de quem era essa voz...
—Lil's, vamos lá! As pessoas já estão começando a rir de você!
Decidi abrir os olhos e vi cachos loiros por toda parte.
—Assim esta melhor! Levanta que daqui a pouco tem o almoço.
Eu estava meio tonta de sono ainda, mas consegui me levantar da mesa com a ajuda de Tiffany.
—Você é difícil para acordar, hein?! — disse Tiff rindo.
—Eu estava um pouco cansada...Onde está o professor? — falei notando a falta do fantasma.
—Ele já foi, quando bate o sinal ele é o primeiro a sair porta afora, ou melhor, parede afora. — respondeu ela.
Notei rostos inchados e pessoas bocejando na sala, e vi que eu não era a única a estar com cara de sono:
—As pessoas não gostam mesmo dessa aula né?! — pergunto.
—Nem um pouco, apenas a Evans que se interessa, se as pessoas não dormem, ficam entediadas, tem até algumas que quase sempre faltam, como os marotos, eles deviam estar aqui e não vieram — diz Tiff notando a falta, eu diria que havia uma preocupação maior na sua expressão e tom de voz mas decidi não perguntar.
Fomos andando pelos corredores em direção ao salão principal para o almoço, mas em nenhum momento eu vi a outra ruiva.
—As comidas serão servidas em 5 minutos- falou Tiff — É sempre servido 12:00 em ponto.
—Ai que bom, eu estou faminta — respondi
Fiquei jogando conversa fora com Tiff, até que percebi todos os professores se sentando , mas tinha alguém muito jovem para estar lá, e eu o conhecia de algum lugar.
—Lil's do céu! Olha aquele gato com os professores!
E eu olhei e meu coração palpitou um pouco mais rápido, e começaram a voar borboletas no meu estômago, e de repente um sorriso involuntário apareceu nos meus lábios, e com um suspiro de surpresa e encantamento eu sussurrei um único nome:
—Henrique!
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