O Segredo da Lua Escarlate
2 O Verdadeiro Começo
Notas iniciais
O verdadeiro começo
Eu acordei cedo.
Estava pronta para ir, quanto a chegar lá, já era mais difícil. Eu nunca havia viajado, então estava um pouco apreensiva.
Eu cheguei meia hora antes na estação e haviam poucas pessoas por lá.
Eu comprei minha passagem no dia anterior, então apenas me sentei em um dos bancos para esperar meu trem.
Quinze minutos depois, um trem chegou à estação, mas não era o meu. Dele desceram apenas duas pessoas. Um homem e uma mulher.
Ambos estavam vestidos de preto e saíram rápido da estação. Era como se não quisessem ser notados.
As oito e quinze, meu trem chegou. Dele nenhuma pessoa desceu e apenas eu subi.
Quando subi no trem, quase todos os vagões estavam vazios. eu pretendia escolher uma cabine vazia, mas quase todas estavam, então escolhi uma cabine aleatória.
Me sentei perto da janela. Percebi que a mesma estava aberta, mas não me dei ao trabalho de fechar.
Alguns instantes depois, o tem partiu.
Eu logo fiquei entediada, então resolvi pegar livro para ler, mas logo a leitura se tornou algo cansativo.
Alguns minutos depois, o tem parou na próxima cidade. Como antes, nenhuma pessoas desceu, mas eu contei cinco pessoas passando por mim.
Aproximadamente dez minutos depois, o trem parou novamente. Dessa vez, o maquinista avisou que houve um pequeno problema no funcionamento do trem e que poderia demorar de meia hora a duas horas e meia para o trem voltar a andar.
Sem ter muitas opções, voltei a ler, mas logo fiquei com sono. Me recusei a dormir porque queria saber que horas o trem partiria.
Após, aproximadamente uma hora e vinte e sei minutos, o maquinista avisou que o trem já estava pronto para partir.
A partir dali, seriam mais treze horas de viajem. Sairíamos do país do ar, passaríamos por uma pequena parte do país da tempestade, para, em fim, chegar ao país do fogo.
Acabei pegando no sono logo em seguida, acordando depois apenas porque fiquei com fome.
Após comer, voltei a dormir. Só que , dessa vez, eu tive um sonho estranho com o Erick.
'' era um final de tarde, mas o céu estava vermelho vivo.
Era como se eu fosse um fantasma, ou uma sombra, eu via tudo , mas não sentia nada.
A primeira pessoa que eu vi, era eu mesmas, mas... Eu estava diferente. Eu estava assustadora, podia sentir uma raiva imensa saindo de mim, mas eu não entendi o porque de tanta raiva .
Ao meu redor eu vi pessoas mortas, machucadas e até mesmo congeladas.
Senti uma vontade imensa de ajudar algumas dessas pessoas e acho que a eu desse sonho também. Então eu o vi. Vi o Erick empunhando uma espada negra apontada para a minha direção, bom a direção da eu desse sonho. Eu peguei uma espada branca a apontei para ele também.
Atrás dele havia uma homem que ria da situação. Ele falou algo que eu não entendi e o Erick veio na minha direção.
Começamos a lutar. Nós dois estávamos chorando, nenhum de nós queria fazer isso ,mas era como se precisássemos.
O Erick parecia ter desistido. Como se ele quisesse me dar a vitória. Eu estava prestes a matá — lo.
Tudo ficou escuro e eu acordei.''
Acordei suando frio.
Logo começou a chover. Quando tentei fechar a janela, percebi que a mesma não fechava . Então, pelas próximas duas horas que se seguiram, eu fiquei observando a chuva e pensando no sonho estranho que tive.
Sempre que eu começava a me acalmar, as imagens horríveis do sonho voltavam a me perturbar.
~▪~▪~~▪~
O trem parou na última estação do país da tempestade.
Eu não sei por quanto tempo o trem ficou parado, já que eu ainda estava abalada com o sonho. Só voltei a mim quando uma menina me chamou, perguntando de podia se sentar comigo. Ela disse que tinha medo se tempestades , ainda estava chovendo e aos olhos dela as outras pessoas do trem eram assustadoras.
Eu a deixei entrar. Ela se sentou na minha frente, com o passar do tempo a chuva foi piorando e ela foi se encolhendo cada vez mais no banco. Em um determinado momento, a chuva piorou tanto que ela veio se sentar do meu lado. Quando um raio caio a alguns metros do trem, ela se assustou tanto que escondeu a cabeça no meu ombro e começou a chorar. Sem saber o que fazer, eu simplesmente a abracei.
Logo após , ela adormeceu.
Segui o seu exemplo e dormi um pouco. Apesar dessa situação ser um pouco estranha, acho que tenho que agradece — la porque ela me ajudou a esquecer o sonho.
Quando eu acordei, a tempestade já havia passado. Ela ainda dormia como um anjinho , então comecei a prestar atenção nela. El tinha uma pele pálida, seus cabelos eram negros com algumas méchas azuis. Ela parecia assustada , mas Ainda assim era fofa. Até que percebi um lindo par de olhos cinzas me encarando com cara de sono.
— me desculpe por incomoda — lá... Eu não queria atrapalhar.
— ...
— você parecia meio triste quando eu cheguei. Aconteceu algo?
— não exatamente... Eu acho.
— você não me pareceu muito cerra disso.
— eu só não quero falar sobre isso. E também não é algo que uma criança vá entender.
— quem disse ?
— eu disse .
— a propósito, meu nome é Lize mas pode me chamar de Liz.
— Liz... legal. Meu nome é Mellody mas pode me chamar de Melly .
— Melly? Por que não Mel?
— eu não gosto de ser chamada assim.
— ok ... Melly.
— o que uma criança com você faz aqui sozinha?
— eu não sou uma criança ! Eu tenho treze pra quatorze anos .
— então o que una criança de treze pra quatorze anos faz aqui ?
— eu não sou uma criança !
—ok senhorita eu sou um adulto, o que você faz aqui ?
— eu não posso dizer.
—por que?
— porque não.
— Eu simplesmente não posso dizer.
As próximas duas horas passaram bem rápido. Eu descobri várias coisas sobre ela. As suas cores favoritas são branco e azul. Seu animal favorito é o lobo , etc.
Antes que eu percebesse, a Liz me abraçou.
— eu vou você de novo algum dia ?
— é, pode ser.
— promete?
— prometo
— jura juradinho?
— depois diz que não é criança.
— jura?
— sim eu juro juradinho.
Em seguida a tempestade recomeçou e a Liz me abraçou de novo.
— me protege ?
Eu a abracei forte.
— sempre que precisar.
Ela dormiu no meu colo.
Meia hora depois, a tempestade estava duas vezes pior que a anterior. Nós fomos obrigados a parar a quarto horas e uma cidade de distância da capital do país do fogo.
O trem parou e só partiria na manhã do dia seguinte.
Eu acordei um pouco antes do trem partir. E logo em seguida Liz acorda.
A Liz passou as próximas duas horas calada encarando a janela sem dizer uma única palavra. Eu tentei puxar assunto várias vezes , mas ela me ignorou.
— Liz — chamei ela em mais uma tentativa nula.- Liz, por favor, fala comigo.
— o que foi ?
—o que aconteceu com você Liz ?
—... Eu estou triste
— por que ?
—o que foi , agora eu não posso mais ficar triste ?- gritou ela.
— Liz ?
—o que ?
— você está gritando.
— dane — se!
Ela começou a chorar e em um gesto automático, eu a abracei, o que fez com que ela chorasse mais ainda.
— eu nunca mais vou ver você- ela disse.
— não diga bobagens Liz . Eu prometi que nós nos veríamos de novo e promessa é dívida.
— jura?
— sim, eu juro, mas eu já havia jurado antes.
— quando?
— ontem?- perguntei ironicamente fazendo com que ela sorrisse.
— eu vou sentir sua falta.
— eu sei.
— convencida, o esperado é você dizer : eu também vou sentir sua falta Liz.
— eu também vou sentir sua falta Liz.
— Melly ?
— sim?
— você vai descer na próxima cidade, não vai ?
— vou.
— falta quanto tempo para chegarmos lá?
— falta aproximadamente duas horas.
— ...
Eu esperava que no mínimo a gente ficasse conversando naquelas duas horas de viajem, não encarando janelas. Mas mesmo eu não querendo, eu passei uma hora e meia encarando janelas.
Faltava apenas meia ( aproximadamente ) para chegar a cidade e a Liz ainda me ignorava.
Isso já estava ficando repetitivo.
— Liz ?
— o que foi?
— falta apenas meia hora para nós nos separarmos. Você ainda quer me ignorar?
— eu não estou ignorando você.
— está sim.
— eu só não sei o que fazer.
— como assim?
— Como você mesma disse, você vai embora em meia hora . Eu não sei o que fazer, o que pensar e muito menos o que falar pra você Melly.
A Liz estava quase chorando. Era triste , mas ao mesmo tempo era muito fofo ver aqueles lindos olhinho marejados.
Então eu a abracei pela milionésima vez .
— você fica fofa chorando.
— em primeiro lugar, eu não estou chorando. Em segundo lugar, eu não sou fofa.
— sim, você é.
— não, eu não sou.
— você é.
— não sou.
—você é.
— a gente vai mesmo ficar fazendo isso?
— por mim — dei de ombro.
— as vezes eu acho que você é mais infantil que eu.
— para algumas pessoas, as vezes, o tempo demora mais para passar.
Depois disso, ficamos mais uma vez submersas em um mar de silêncio.
—Liz ?
— é sério. Para de me chamar a cada dois minutos.
— sua chata- falei com voz infantil- eu só queria conversar com você.
— está bem. O que foi ?
— eu quero um abraço- falei com voz de criança.
— depois eu sou a criança.
— Abraço?
— não!
— por que ?
— porque eu não sou um brinquedo pra que você possa ficar abraçando assim, sem mais nem menos.
— mas eu preciso de um abraço.
— e eu com isso.
— Liz você é má.
— eu também te amo.
— eu sei. Todo mundo me ama- eu achei melhor parar com a brincadeira infantil, mas quando eu disso que todo mundo me amava eu comecei a lembrar do Erick e depois eu me lembro do sonho. Quando percebi, estava chorando.
O lado bom é que eu ganhei o meu abraço.
Depois disso aquela meia hora passou bem rápido. Logo eu já estava pegando as minhas coisas e dando um último abraço na Liz.
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