O Segredo da Câmara
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Olá, pessoas!
Bom, está é minha cena preferida do filme Harry Potter e as Relíquias da Morte (Só "minha"? HIpocrisia, né? O_O).
E eu simplesmente tive de fazer uma oneshot sobre ela. Simples... rsrs
Afinal, o beijo do nosso casal mais lindo de HP foi épico ♥
Espero que gostem. :3
Boa leitura!
Reencontrar o lugar foi mais fácil do que eu imaginava.
O calafrio que me consumia parecia ser gerado pela perspectiva da provável guerra que em breve estouraria do lado de fora.
Ergui a cabeça para o teto, relembrando o lugar que me trazia tantas recordações de anos atrás, e que agora estava definitivamente interditado e abandonado, desde o segundo ano.
As supostamente inofensivas pias no centro há muito haviam sido destruídas, e sua entrada, lacrada.
Senti um suspiro tenso ao meu lado, e ergui o olhar, deparando-me com a expressão prolixa de Rony.
Ele assentiu, sem nada dizer, apontando para o grande buraco á nossa frente.
Empunhei a varinha, erguendo-a na direção das tábuas que vedavam a cratera.
- Bombarda!
Para meu alívio, o feitiço foi potente o suficiente, destruindo a vedação e espalhando fragmentos de madeira por todo o lado.
Recuei um pouco, tossindo com a fumaça que subiu em seguida.
- Muito bom – engasgou Rony, dando uma risada nervosa.
Aproximamos-nos do abismo abaixo de nós.
Senti-a minha bolsinha pesar, apesar de saber que isso não devia acontecer.
Sentia-a vibrando, encostada em meu corpo, dentro da bolsa.
As vibrações pareciam subir por minha nuca, me arrepiando. Pressentia a vontade dela de dominar minha mente e minha alma, como o medalhão havia tentado perpetrar conosco tempos atrás.
Um efeito terrivelmente perverso.
Os pesadelos, incubados cruelmente durante aquelas semanas angustiantes, pareciam querer ressurgir diante de meus olhos, levados pela aura maligna que retinia ao meu lado.
Pensei que iria sucumbir àquela sensação horrível.
Mas senti algo segurar minha mão.
Levantei a cabeça, encarando-o.
Ele sorriu de modo tranquilizador.
E, por um momento, nada me pareceu mais curioso, do que o efeito que aquela pequena expressão teve sob meus batimentos já acelerados.
- No três?
Concordei com o queixo, apertando a mão que ele me dera.
Agachei-me com Rony, preparando o impulso.
- Um... – Rony contou — dois...
Impulsionei o corpo, de mãos dadas com ele, em direção á cratera.
- Três!
Pulamos.
A queda foi curta, mas atordoante.
Assim que atingi o chão, cambaleei, erguendo minhas mãos adiante para amenizar o impacto.
Porém, a mesma mão que eu havia soltado ajudou a me reerguer.
- Tudo bem?
Assenti, ainda tonta.
Olhei ao redor, sentindo um calafrio desagradável na espinha, enquanto reconhecia o mar de ossos sob meus pés.
Rony resfolegou, enrijecendo.
Com um assomo de pena, percebi que o lugar não lhe trazia boas memórias.
Por alguns segundos, pensei nele como era há cinco anos. Um garotinho apavorado, tentando salvar a irmã, embora já tivesse certeza de que chegaria tarde demais. Garoto realmente corajoso quando precisava.
E onde estava eu? Inútil, paralisada num leito de Ala Hospitalar, enquanto meus melhores amigos se arriscavam sem mim.
Não entendia como alguém tão errôneo e impulsivo conseguia ser tão determinado e fantástico quando queria.
Sacudi a cabeça, irritada. Sentia o manto diabólico que emanava da bolsinha, tentando distorcer meus pensamentos. Tinha que parar de pensar em lembranças ruins.
Decidida á me distrair, voltei a segurar sua mão.
Rony me olhou, dando um sorriso carregado que não disfarçava sua tensão. Indicou um caminho mais á frente, coalhado de rochas.
- Vamos – acompanhei-o, em expectativa.
Enquanto nos aproximávamos na entrada, fiquei pensando, com um sorriso no rosto, o momento em que ele sugerira aquela ideia.
Genial. Quase ridícula de tão genial. Como eu não pensara naquilo antes?
Era atordoante ver o quanto seus sentidos haviam se desenvolvido naquela breve vivência que tivemos na caça ás horcruxes.
Ainda assim, o local gerava uma sensação de hostilidade, como se fôssemos invasores indesejados da câmara subterrânea.
Desviei minha atenção dos pensamentos aleatórios, ficando surpresa com o que havia adiante.
Havia um tipo de porta esférica encobrindo a parede seguinte. Sete serpentes feitas de metal estavam entrelaçadas na dobra, cada uma virando-se para um lado da borda do lacre.
Rony tocou levemente a superfície da entrada, parecendo pensativo.
Ergueu a cabeça, voltando a se afastar.
Para minha surpresa, Rony sussurrou algo em voz baixa.
Um som sibilante e assombroso saiu de sua boca, como o silvo de uma cobra.
Ah, claro. A entrada só poderia ser aberta por um ofidioglota.
A imitação de Rony pareceu ser o suficiente.
Arfei, ainda mais perplexa, quando as serpentes que lacravam a entrada se retraíram, uma a uma, liberando a porta, que recuou sozinha até desembocar no canto da parede.
Ele me lançou um olhar quase convencido.
Teria rido, se não estivesse tão tensa.
- Harry fala dormindo. Você percebeu?
Franzi o cenho.
Nunca tinha percebido. Ou era por que Harry sempre demorava tanto para dormir que, quando o fazia, eu mesma já estava completamente apagada.
De qualquer forma, fiquei quase impressionada com a versatilidade de Rony.
Aliás, Rony andava apenas me surpreendendo ultimamente.
- Não. Claro que não.
Ele deu de ombros, e me ajudou a entrar pela porta.
Engradei-me pela passagem, seguindo Rony.
Quando finalmente estávamos dentro da Câmara, senti meu queixo cair.
Um longo caminho, ladeado por grandes cobras de bocas escancaradas, levava em direção á um gigantesco rosto esculpido em rocha, de aparência tenebrosa.
Diante da escultura, havia uma sombra disforme que eu não pude definir á primeira vista.
Sem dizer nada, Rony se aproximou lentamente até o rosto de pedra. Segui-o, levemente confusa.
Os nossos passos chapinhavam lentamente, no chão alagado que se estendia até o rosto de pedra, deixando o ambiente ainda mais carregado.
Finalmente, nos avizinhamos de uma imensa poça que se desdobrava ao redor da parede da estátua.
Emergindo dela de modo fantasmagórico, em ondas retorcidas de costelas ligadas á uma coluna quase disforme, que terminava um enorme crânio caído de cabeça para baixo, havia um esqueleto de serpente.
Meus músculos enrijeceram.
O basilisco.
Senti meus olhos se arregalarem, parecendo relembrar o pavor que haviam vivenciado cinco anos antes.
Como uma lembrança torturante, recordei-me do corredor vazio... minhas mãos tremendo, quase sem poder sustentar o espelho que seguravam...o reflexo de algo se esgueirando... se aproximando...
E os olhos. Olhos amarelos e cruéis.
Foi o que vi... antes de tudo escurecer.
Rony aparentou perceber o que eu estava pensando, pois apertou minha mão num gesto de conforto, antes de solta-la e se aproximar do esqueleto do basilisco.
Imóvel, observei-o analisar algumas das presas cadavéricas que insurgiam da mandíbula da gigantesca serpente morta, tentando escolher alguma que nos fosse melhor.
Por fim, pareceu decidir-se, segurando um dos dentes e, com um puxão, arrancando-o do crânio que jazia no chão.
Suspirei, baixando o olhar para minha bolsinha. Mergulhei o braço dentro dela, a fim de puxar para fora a taça de Hufflepuff.
Segurando-a pela alça, inclinei-a na direção de Rony, que veio de encontro á mim, com o dente de basilisco em mãos.
Porém, arfei quando percebi o olhar dele.
Rony não faria aquilo.
- Você faz isso.
Meu coração desandou.
Balancei a cabeça, alarmada.
- Rony, eu não posso.
- Sim – ele abarcou minhas mãos, me entregando a presa de basilisco e apanhando minha bolsinha – você pode.
Meu corpo se arrepiou. Ofeguei, assistindo Rony se ajoelhar nos ladrilhos ensopados da Câmara, pousando a taça contra o chão.
Senti-a o dente de basilisco pesando em minha mão direita.
Respirei fundo, finalmente decidida.
Não questionei o porquê Rony não queria fazer... o conhecia muito bem.
Devia haver um motivo vital.
E eu não discutiria, logo agora que estávamos tão apreensivos.
Só faltam mais três horcruxes.
Estávamos perto de destruir Voldemort, mais do que nunca.
Não deixaria o mero receio me impedir agora.
Ajoelhei-me em uma das pernas, deslizando os dedos pela coroa rija da presa que segurava, analisando qual seria o melhor lugar para perfurar a taça.
Lancei um olhar rápido para Rony.
A profundidade de seu olhar era inquestionável.
Vi a confirmação desesperada de que Rony sabia o quanto estávamos perto de finalmente acabar com tudo aquilo.
Suspirei, erguendo a mão para o alto, brandindo o dente e mirando-o na taça.
É agora, pensei.
Agora.
Num movimento rápido, cravei o dente de basilisco na taça.
Guinchei o corpo, sentindo uma vibração assustadora se formando ao nosso redor.
A taça revolveu-se enlouquecidamente, indo de encontro á poça de água. Ao mesmo tempo, ondas enormes começaram a surgir em torno de nós, reverberando em ondas gigantescas em torno do caminho de pedra.
Vamos nos afogar. Vamos nos afogar.
Apavorado, Rony agarrou minha mão e me puxou para trás.
Corremos, tentando fugir da cortina ameaçadora de água que nos perseguia.
Meu coração disparava, inconformado.
Era sério que íamos morrer ali, afogados, sem nem poder tomar partido da batalha que se iniciaria lá fora?
Rony apertava meu pulso, partilhando, provavelmente, do mesmo pavor que o meu.
A água finalmente nos alcançou, interrompendo qualquer pensamento meu.
É agora, arfei, angustiada.
Fechei os olhos, ainda apertando a mão de Rony, quando o dilúvio desabou sobre nós.
A água nos envolveu, fria e veloz, como num turbilhão.
Prendi a respiração, segurando Rony.
Em meio ao desespero, fiquei ainda mais amargurada com a perspectiva de que aquele não seria só meu fim.
Seria o fim de Rony também.
E aquilo me destruiria de um jeito bem mais potente que a maré que nos engolfava.
No entanto, o fim que eu esperava não chegou.
Em questão de alguns segundos, a cortina de água que havia caído sobre nós se dissipou, empoçando o chão sob nossos pés.
Estremeci, sentindo meu corpo encharcado, enregelado.
Mas eu estava viva.
Nós estávamos vivos.
Estremecendo, baixei o olhar para meus pés, sem acreditar.
Tínhamos conseguido. A taça fora destruída.
E havíamos acabado de escapar da morte.
Uma sensação queimante tomou conta de meu peito, quando a realidade de mais uma horcrux extinta desabou sobe mim.
Olhei para Rony, que parecia tão atordoado quanto eu estava.
No lampejo de seus olhos, pensei ter visto uma retrospectiva louca de tudo que havíamos passado.
As brigas... as mágoas... todas as provocações. Tudo num laivo absurdo, que perpassou diante de mim.
E ali, sobrevivente de mais uma armadilha regida pela Morte, eu vi, eu senti.
Aquilo tudo era uma enorme bobagem. Todas as brigas, as provocações, a raiva que eu ainda insistia em alimentar.
Eu podia até não sobreviver naquela noite.
Mas se iramos morrer, havia uma coisa que eu realmente queria fazer.
Algo que só havia aumentado com o passar do tempo, pulsante e voraz, torturando cada uma de minhas terminações nervosas.
Algo louco, mas que permitiria que tudo aquilo dentro de mim finalmente se dissipasse.
Rony, que também estava encarando o chão, levantou o olhar lentamente.
Nunca conseguiria explicar o que aconteceu em seguida.
Talvez fosse o fato de realmente ainda estarmos vivos. Talvez fosse a necessidade latejante entre nós dois.
Talvez fosse a absorção do fato de que estávamos há muito tempo nos fazendo de bobos.
Talvez fosse por que eu estava cansada de fingir que não queria, que não precisava, que era imune... por que a verdade, cruel e fantástica, era outra.
Mas o que eu sabia era que o magnetismo da terra pareceu nos envolver, empurrando-nos um contra o outro, num único e assustador movimento,
Atônita, senti meu corpo tremer, quando os braços dele me rodearam, acolhendo-me num abraço.
E senti algo irreversível me dominar quando sua boca colou-se na minha.
A minha primeira reação foi quase entrar em pânico.
Mas o desespero e a urgência que rugiam dentro de mim conseguiram me orientar naquela espiral de sensações, me ajudando a retribuir o beijo, num assomo de agonia, sentindo as gotas de água escorrendo por nossos rostos.
Ainda estava desorientada com aquela situação. Meu coração parecia uma bomba-relógio, lutando para explodir.
Hesitante, permiti que seus lábios sorvessem os meus.
O calor parecia irradiar-se por cada nervo de minha pele, aparentando sufocar as ondas de tensão que haviam em mim.
Mal podia dizer que sentia o frio das roupas ensopadas. Estava praticamente abraçando o Sol.
Atordoada, deleitei-me com a sensação maravilhosa da boca dele contra a minha, sem conseguir sequer raciocinar.
E, no fim das contas, não queria – não precisava — pensar.
Só queria sentir aquela alegria sublime que parecia aquecer meu corpo e meu coração.
A minha vontade era prolongar aquele momento para sempre. Estender aquele pequeno infinito pelo resto de minha vida.
Mas o ar finalmente nos faltou, exigindo que separássemos nossos rostos.
Ofegante, com minhas mãos unidas como numa prece, vacilei em reabrir os olhos.
Tinha medo do que veria nos dele.
Mas Rony me encarava de modo quase chocado, aparentando estar tão maravilhado e assustado com o que acontecera quanto eu me sentia.
Percebi, abismada, que ele compartilhava daquela sensação.
E, me deixando ainda mais eufórica, ele riu, numa mistura de incredulidade e exultação.
Olhando-o, não pude deixar de rir também, sentindo meu rosto esquentar de modo quase fantástico.
Envergonhada, mas ainda extasiada, baixei o olhar.
- E agora? – murmurei, rezando para que Rony não achasse que eu estava perguntando do beijo.
Ou sobre nós dois – a questão que ainda me assombrava.
Aquilo fora real? Fora pensado? O que seria de nós agora? Ainda estávamos como éramos?
No entanto, para minha perplexidade, Rony segurou minha mão carinhosamente, respondendo todas as perguntas que giravam em minha cabeça de uma só vez.
- Agora? – ele suspirou, sorrindo – vamos terminar isso – ele me olhou, o sorriso maior do que nunca, e acrescentou – juntos.
Arfei, finalmente sentindo uma paz de espírito que nunca pensei que iria sentir.
Exultante, voltei a abraçá-lo, apertando-o contra mim.
- Vamos acabar com isso – Rony sussurrou.
Assenti, deitando a cabeça em seu ombro. Era tão bom. Sentia-me segura e protegida, pela primeira vez em anos. Inabalável.
- È – soltei-o, voltando a entrelaçar sua mão na minha – nós vamos.
Eu não sabia o que nos aguardava á fora. Não sabia o que o futuro nos reservava.
Mas aquilo que acontecera ali despertara em mim, por mais inusitado que fosse, o sentimento mais perigoso e magnífico, que eu pensara ter perdido há muito tempo.
Esperança.
E, fosse lá o que fosse acontecer, eu podia dizer que, por fim, estava verdadeiramente em paz. Ia enfrentar aquilo com Rony – e por Rony.
Por que, agora, a certeza da reciprocidade do que eu sentia acalentava meu coração e minha alma.
Juntos, com as mãos dadas num gesto tão simples – mas tão significativo – rumamos de volta para Hogwarts, deixando para trás os resquícios de Trevas que haviam ali, e nos dirigindo á um futuro tão incerto quanto possível.
Sendo com Rony, qualquer infinito, por menor que fosse, me bastaria.
Notas finais
Então? O que acharam? Deem sua opinião! :3
Obrigada por lerem, e espero que tenham gostado de verdade! :D
Beijos de cereja!
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