O Segredo Mais Bem Guardado
9 Capítulo 9
Hermione aguardou alguns segundos até que os aplausos diminuíssem gradualmente.
O salão ainda parecia tomado por uma mistura quase caótica de choque, curiosidade e expectativa, mas anos lidando com ambientes políticos haviam ensinado exatamente como sustentar presença diante de centenas de olhos atentos.
Ela ergueu o olhar calmamente pelo salão antes de se aproximar do púlpito.
Elegante.
Controlada.
Segura.
Muito diferente da garota impulsiva que costumava levantar a mão em salas de aula de Hogwarts.
— Boa noite. — sua voz ecoou clara pelo salão imediatamente silencioso. — Imagino que esta noite tenha se tornado… um pouco mais surpreendente do que muitos esperavam.
Algumas risadas leves atravessaram o ambiente, quebrando discretamente a tensão.
Hermione permitiu um pequeno sorriso contido antes de continuar.
— Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer ao Ministro pela confiança e, principalmente, pela persistência quase assustadora nos últimos meses.
Dessa vez o salão riu com mais facilidade, inclusive o próprio Ministro.
— Posso confirmar oficialmente que as negociações entre os Ministérios Britânico e Italiano foram consideravelmente mais longas do que deveriam ter sido.
Ela percebeu Draco arqueando discretamente a sobrancelha da mesa abaixo do palco, claramente divertido.
Hermione respirou calmamente antes de assumir um tom um pouco mais sério.
— Durante os últimos anos tive o privilégio de atuar diretamente ao lado do Departamento de Leis Mágicas italiano. Parte do meu trabalho esteve ligada à revisão de tratados internacionais, modernização de regulamentações envolvendo criaturas mágicas e atualização de protocolos de proteção jurídica pós-guerra.
Os cochichos diminuíram significativamente.
Agora o salão realmente escutava.
— O mundo bruxo mudou muito desde o fim da guerra. E continuar tratando nossas estruturas legais exatamente da mesma forma que tratávamos antes dela… seria ignorar tudo o que aprendemos.
Harry observava Hermione sem conseguir desviar o olhar.
Porque aquela não era apenas a amiga que conhecia.
Era alguém maior.
Mais refinada.
Mais preparada.
Quase… inalcançável.
Mas ainda profundamente Hermione.
— Não acredito em reformas impulsivas. — ela continuou calmamente. — Nem em mudanças realizadas apenas para gerar manchetes temporárias. Acredito em instituições fortes, leis inteligentes e decisões capazes de proteger não apenas o presente, mas as próximas gerações do mundo bruxo.
O salão permanecia completamente atento agora.
Até mesmo Rony parecia ter esquecido momentaneamente o choque inicial.
Hermione apoiou delicadamente as mãos sobre o púlpito.
— Também acredito que o Ministério precisa voltar a ser um lugar onde competência tenha mais peso do que sobrenomes, influência política ou tradições ultrapassadas.
Alguns bruxos mais velhos trocaram olhares discretos.
Outros assentiram imediatamente.
E Merlin…
aquilo definitivamente soava como Hermione Granger.
Mas existia algo novo agora.
Ela não falava mais tentando provar que merecia ser ouvida.
Falava como alguém que sabia perfeitamente o próprio valor.
Seu olhar percorreu o salão uma última vez antes de suavizar levemente.
— Sei que minha ausência durante esses anos gerou muitas perguntas. — disse com sinceridade elegante. — Mas às vezes precisamos nos afastar de determinados lugares para compreender exatamente quem desejamos ser quando retornarmos a eles.
O silêncio ficou ainda mais profundo.
Porque havia verdade demais naquela frase.
Hermione então abriu um pequeno sorriso contido.
— E apesar da resistência inicial… suponho que eventualmente até eu precise admitir que o Ministro foi bastante convincente.
As risadas voltaram a surgir pelo salão.
A tensão diminuiu novamente.
Perfeitamente calculado.
Elegante.
Natural.
Controlado.
Draco observava tudo sem sequer tentar esconder o orgulho no olhar.
Porque aquela mulher no palco…
segura,
brilhante,
inatingível para qualquer pessoa naquele salão…
era sua esposa.
E honestamente?
Ele jamais deixaria alguém esquecer disso.
Hermione finalizou o discurso sob uma nova onda de aplausos intensos.
Dessa vez mais fortes.
Mais conscientes.
Não eram apenas aplausos pela heroína da guerra.
Eram aplausos para a mulher que ela havia se tornado.
Ela sustentou a postura elegante por mais alguns segundos antes de inclinar levemente a cabeça em agradecimento.
— Obrigada.
Então afastou-se do púlpito sob os olhares ainda completamente presos nela.
Os cochichos haviam voltado pelo salão inteiro.
Alguns surpresos.
Outros admirados.
Outros claramente tentando reorganizar mentalmente tudo o que acreditavam saber sobre Hermione Granger.
Ou melhor…
Hermione Malfoy.
Ao alcançar os primeiros degraus do palco, Draco já havia se levantado.
Naturalmente.
Como se jamais existisse qualquer possibilidade de permanecer sentado enquanto ela descia.
Harry percebeu aquilo imediatamente.
Malfoy atravessou a pequena distância até a escadaria com a calma impecável de alguém criado em eventos aristocráticos desde a infância, ignorando completamente os olhares ao redor.
E então estendeu a mão para ela.
Simples.
Elegante.
Quase íntimo demais para um salão lotado.
Hermione aceitou imediatamente.
Os dedos dele envolveram os dela com firmeza suave enquanto a ajudava a descer o último degrau.
Por um breve instante, os olhos dos dois se encontraram.
E Merlin… aquilo parecia perigosamente pessoal para acontecer diante de centenas de pessoas.
Draco inclinou-se discretamente na direção dela.
— Você acabou de destruir metade da elite política britânica sem levantar a voz uma única vez. — murmurou baixo o suficiente para apenas ela ouvir.
Hermione soltou uma pequena risada ainda levemente nervosa.
— Você está exagerando.
— Na verdade, estou sendo generoso.
O canto dos lábios dela se ergueu automaticamente.
Então Draco levou a mão dela aos lábios de maneira refinada e absolutamente calculada.
Não teatral.
Não exagerado.
Mas suficiente para arrancar novos cochichos pelo salão inteiro.
Harry literalmente viu Gina arregalar os olhos ao lado.
Porque Malfoy parecia olhar para Hermione como se o restante do evento tivesse deixado de existir.
E talvez tivesse mesmo.
Narcisa observava os dois da mesa com uma expressão elegantemente satisfeita, embora discretamente orgulhosa.
O Ministro retomou o centro do palco poucos segundos depois, claramente satisfeito com o impacto causado.
— Bem… — comentou ajustando as vestes enquanto algumas risadas leves ainda ecoavam pelo salão. — Acredito que dificilmente conseguirei recuperar completamente a atenção de todos após essa apresentação.
Mais algumas risadas atravessaram o ambiente.
— Mas antes que este evento se transforme oficialmente em uma coluna social do Profeta Diário, gostaria apenas de agradecer novamente a presença de todos nesta noite tão importante para o Ministério da Magia.
O salão começou a relaxar gradualmente agora que a parte formal parecia encerrada.
— Que este seja não apenas um marco sobre o fim da guerra… mas também sobre o futuro que escolhemos construir depois dela. Aproveitem a noite.
Assim que o Ministro ergueu levemente a taça, os músicos posicionados próximos ao salão principal iniciaram uma melodia sofisticada e discreta, preenchendo o ambiente sem interromper as conversas que imediatamente começaram a surgir novamente.
Os elfos domésticos passaram a circular elegantemente entre as mesas, servindo as primeiras entradas do jantar enquanto o enorme salão retomava gradualmente sua movimentação social.
O clima formal do anúncio ainda pairava no ar.
Mas agora misturado aos cochichos incessantes.
Porque praticamente ninguém parecia interessado na comida naquele momento.
Bruxos e bruxas de diferentes partes do salão lançavam olhares discretos — ou nem tão discretos assim — em direção à mesa dos Malfoy.
Alguns claramente chocados.
Outros fascinados.
Outros simplesmente desesperados por informações.
E no centro de tudo, Hermione permanecia elegantemente sentada ao lado de Draco como se tivesse frequentado aquele tipo de evento a vida inteira.
Talvez agora realmente frequentasse.
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