Hermione não teve muito tempo para avaliar todos os detalhes do quarto, assim que se aproximaram da cama, Draco a girou e a derrubou suavemente no centro caindo por cima dela, ela começou a rir suavemente.

- Acho que precisamos relaxar um pouco após a viagem. – ele os aconchegou um pouco mais na cama.

- Draco viemos por uma chave de portal, a viagem durou segundos rsrsr. – Hermione rebateu.

- Mas todo o processo em si foi estressante, como um bom medi bruxo eu preso totalmente pela sua saúde e estresse pode fazer muito mal, então devemos relaxar. – Ele concluiu como se estivesse passando uma orientação a um de seus pacientes e em seguida começou a beijar seu pescoço, enquanto suas mãos começavam passeavam pela sua cintura a trazendo para mais perto.

- Claro, claro, nossa saúde. – Hermione respondeu, porém sua respiração já começava a ficar mais intensa conforme os carinhos de Draco progrediam.

Em poucos minutos suas roupas estavam jogadas em algum canto do quarto, enquanto eles estreavam o novo colchão e depois a banheira. A água quente da banheira envolvia os dois em uma névoa suave, enquanto o silêncio confortável do quarto era quebrado apenas pelo som baixo da água se movendo. Hermione estava recostada contra o peito de Draco, os olhos fechados, completamente relaxada.

As mãos dele deslizavam devagar por seus ombros tensos, massageando cada músculo com cuidado.

- Você ainda está com alguns pontos de tensão. – Draco fez a observação.

- Ainda fico tensa com toda essa mudança, — Hermione comentou, Draco fez sinal de que estava ouvindo, para que ela continuasse. – não tanto a função em si no ministério, eu sei que consigo dar conta da papelada, mas voltar para Londres, encarar todos novamente e os holofotes.

- Eu estarei aqui com você e como disse ontem, qualquer coisa largamos tudo e vamos para o outro lado do mundo, não é como se realmente tivéssemos que trabalhar para sobreviver. – Draco respondeu.

Hermione soltou um pequeno suspiro e afundou um pouco mais contra o peito dele, observando distraidamente o vapor subir pela superfície da água.

— Eu sei. — respondeu baixo. — E é justamente isso que torna tudo mais difícil.

Draco diminuiu os movimentos das mãos, mantendo-as repousadas sobre os ombros dela enquanto aguardava que continuasse. Ele aprendera, ao longo dos anos, que Hermione raramente falava sobre o que sentia de verdade logo de imediato. Ela precisava organizar os próprios pensamentos antes de entregá-los a alguém.

— Quando saí de Londres eu achei que ficaria apenas alguns meses. — ela começou. — Achei que só precisava respirar um pouco depois da guerra, colocar as coisas no lugar… encontrar meus pais… mas então o tempo foi passando e eu percebi uma coisa horrível.

Ela soltou uma pequena risada sem humor.

— Eu não queria voltar.

Draco permaneceu em silêncio.

— E eu me senti culpada por isso durante muito tempo. Porque parecia que todos haviam decidido que seguir em frente era simples… e esperavam que eu acompanhasse o ritmo.. O Ministério me enviava propostas praticamente toda semana, jornalistas ficavam tentando descobrir onde eu estava, as pessoas escreviam cartas dizendo o quanto eu seria brilhante liderando mudanças no mundo bruxo… e tudo o que eu conseguia pensar era que eu estava cansada.

As mãos dele voltaram a massagear lentamente sua pele.

— Eu estava cansada de ser observada o tempo inteiro. Cansada de precisar ser perfeita. Inteligente. Forte. Corajosa. — sua voz saiu mais baixa agora. — Parecia que depois da guerra eu deixei de ser uma pessoa e virei algum tipo de símbolo.

Ela fechou os olhos por alguns segundos.

— E a pior parte é que Harry, os Weasley… ninguém fez nada errado. Eles me amavam. Mas perto deles eu nunca conseguia deixar de ser Hermione Granger. A garota de ouro. A heroína da guerra. A solução para tudo.

Draco apoiou o queixo no topo da cabeça dela.

— Enquanto em Roma você podia ser apenas Hermione.

Ela assentiu devagar.

— Acho que parte de mim ainda tem medo de voltar a ser engolida por tudo isso. — Hermione confessou em voz baixa. — Porque quando fui embora eu não estava apenas cansada… eu estava me perdendo.

Draco ficou em silêncio, deixando que continuasse no próprio tempo.

— Em Londres parecia que todos já tinham decidido quem eu deveria ser pelo resto da vida. A brilhante Hermione Granger. Heroína da guerra. Futuro do ministério. — ela soltou uma pequena risada sem humor. — E talvez eu pudesse ter sido tudo isso… mas naquele momento eu só queria existir sem alguém esperando algo extraordinário de mim.

O silêncio confortável voltou a pairar por alguns segundos.

— Em Roma ninguém se importava. — continuou. — Eu era só mais uma estudante tentando sobreviver às aulas e a uma carga absurda de leitura. As pessoas não me olhavam como símbolo de nada. Foi a primeira vez em anos que consegui respirar de verdade.

Draco apoiou o queixo no ombro dela.

— Eu entendo.

Hermione virou levemente o rosto para encará-lo.

— Acho que foi isso que aconteceu conosco também. — admitiu. — Nós sabíamos quem o outro tinha sido, sabíamos de tudo que carregávamos… mas pela primeira vez aquilo não parecia ser a coisa mais importante sobre nós.

Os olhos cinzentos dele suavizaram instantaneamente.

— Você não olhava para mim como se eu fosse apenas um sobrenome ou um erro da guerra. — ele murmurou. — E Merlin… você não faz ideia do quanto eu estava cansado disso.

Hermione entrelaçou os dedos aos dele debaixo da água morna.

— Nós nos encontramos justamente no momento em que nenhum dos dois queria continuar vivendo preso ao passado.

Draco depositou um beijo lento em seu ombro molhado.

— E decidimos, talvez pela primeira vez, escolher quem queríamos ser dali para frente.

Hermione fechou os olhos por um instante, sentindo o peito aquecer.

— Acho que meu medo é esquecer disso agora que estamos aqui outra vez.

Draco a virou delicadamente em seus braços até que pudesse encará-lo completamente.

— Então olhe para mim sempre que Londres começar a parecer demais. — sua voz saiu baixa e firme. — Porque eu vou lembrar você de quem se tornou longe daqui. E nós vamos garantir que essa cidade nunca apague isso outra vez.


Hermione permaneceu alguns segundos em silêncio, apenas observando Draco. Havia algo profundamente reconfortante na maneira como ele sempre conseguia fazê-la se sentir segura sem sufocá-la, como se entendesse exatamente até onde podia tocar suas feridas sem abri-las novamente.

Ela levou uma das mãos até o rosto dele, acariciando suavemente sua bochecha ainda úmida.

— Eu te amo tanto. — murmurou baixo.

Os lábios de Draco se curvaram em um sorriso pequeno e sincero, daqueles raros que pareciam existir apenas para ela.

— Eu tenho plena consciência disso. — respondeu com o tom presunçoso de sempre, arrancando uma risada leve de Hermione antes de beijá-la demoradamente.

O restante do banho aconteceu em silêncio confortável, preenchido apenas por pequenos carinhos, beijos distraídos e pela tranquilidade rara de finalmente estarem em casa.

Quando desceram para o almoço algum tempo depois, Narcisa já os aguardava na sala de jantar. A mesa havia sido posta de maneira impecável, como sempre, e o aroma vindo da cozinha fazia Hermione perceber que realmente estava faminta.

— Finalmente resolveram aparecer. — Narcisa comentou elegantemente antes de levar a xícara de chá aos lábios. — Comecei a considerar a possibilidade de vocês terem desistido da mudança e retornado para a Itália.

Hermione quase engasgou com a própria risada enquanto Draco apenas puxava a cadeira ao seu lado com naturalidade.

— Estamos preservando nosso casamento, mãe. O estresse da mudança é muito perigoso para nossa saúde. — Draco respondeu seriamente.

Narcisa arqueou uma sobrancelha de maneira quase idêntica ao filho.

— Imagino.

O almoço transcorreu de forma tranquila entre comentários sobre a organização da mansão, ajustes finais da mudança e os compromissos dos próximos dias. Hermione percebeu que Narcisa parecia genuinamente satisfeita em estar de volta à Inglaterra, principalmente pela proximidade com Andrômeda e Ted.

— Inclusive, — Narcisa comentou enquanto repousava os talheres delicadamente sobre o prato. — pretendo tomar chá com Andromeda esta tarde. Imagino que ela já esteja preparando uma quantidade absurda de doces.

— Ted provavelmente vai devorar metade antes mesmo do chá começar. — Draco comentou, fazendo Hermione sorrir.

— Exatamente como a vó fazia quando mais nova. — Narcisa suspirou teatralmente.

Hermione observou os dois interagindo e sentiu uma estranha sensação de paz aquecer seu peito. Durante muito tempo acreditou que jamais teria algo parecido com aquilo novamente: uma rotina tranquila, uma família reconstruída e um lugar que realmente pudesse chamar de lar.

Mal percebeu quando Draco buscou sua mão discretamente sobre a mesa.


No mesmo horário, do outro lado de Londres, Harry e Gina almoçavam em uma pequena cafeteria no Beco Diagonal aproveitando a rara tarde livre que ambos possuíam.

O movimento do beco seguia intenso como sempre. Bruxos caminhavam carregando sacolas, crianças corriam entre as vitrines e o som distante das corujas atravessava o ar movimentado da rua principal.

— Você parece distraído desde manhã. — Gina comentou antes de tomar um gole de suco.

Harry soltou um pequeno suspiro.

— Só estou pensando na Hermione outra vez.

Gina lhe lançou um olhar compreensivo.

— Talvez amanhã vocês finalmente consigam conversar direito. Faz tempo demais.

Harry assentiu distraidamente, mas antes que pudesse responder, Gina pareceu se lembrar de algo.

— Ah, falando nisso… ouvi uma coisa interessante hoje cedo no Profeta.

Instantaneamente Harry ergueu o olhar.

— Isso vindo de você normalmente significa problema.

Gina riu baixo antes de apoiar o queixo na mão.

— Uma das minhas fontes comentou que passaram a manhã inteira fazendo entregas em uma das propriedades dos Malfoy. Móveis, obras de arte, caixas pessoais… aparentemente foi uma movimentação enorme.

Harry franziu levemente a testa.

— Achei que a presença dele na festa esse ano já fosse notícia suficiente.

— E é. — Gina concordou. — Mas isso parece diferente. Não tem cara de alguém apenas preparando uma propriedade para passar alguns dias. Parecia… mudança.

Harry ficou em silêncio por alguns segundos, observando distraidamente o movimento do beco através da janela da cafeteria.

— Talvez ele tenha finalmente cansado de atravessar metade da Europa depois de plantões absurdos naquele hospital.

— Talvez. — Gina deu de ombros. — Ou talvez a misteriosa Senhora Malfoy tenha cansado do anonimato.

Harry soltou uma pequena risada nasal.

— Você e essa obsessão pela esposa do Malfoy.

— Eu sou jornalista, Harry. É literalmente meu trabalho ser curiosa.