O Segredo De Westminster
3 Deixem a diversão começar.
Notas iniciais
"Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. Você nunca será minha e por isso terei você para sempre." — Paulo Coelho.
As meninas estavam animadas. Finalmente, a maioria delas largara a vidinha medíocre que tinham e estavam indo em busca de seus sonhos, sejam eles quais fossem. Anelie estava quieta em seu canto, pensava na vida, nos seus pais "perfeitos" e na vida para qual ela estava indo. Ela massageava, sem perceber, a tatuagem em forma de ouroboro que possuía no pulso. Os fones de ouvido foram arrancados por outra menina de aparência brincalhona, Os pensamentos foram interrompidos.
-Droga, Angelina! — ela recuperou os fones — Quantas vezes vou ter que te falar pra não fazer isso!
Angelina sorriu e pulou em cima de sua amiga.
-Ah, qual é, Lie? Estamos quase chegando e você fica aí, nessa melancolia! Vamos, vem ver como Westminster é! — a pequena menina de cabelos castanhos a puxou pela mão para a frente da van que as transportava.
Anelie observou a cidade. De tão animada que estava, tinha vontade de se matar. Na verdade, não, mas ela estava realmente entediada.
-Meninas, meninas! Sentem-se, por favor, preciso dar uns recados!
A mentora das seis meninas, Elizabeth, gritou. Elizabeth era uma mulher bonita, que deveria estar entre os seus 50, 60 anos. Tinha os cabelos brancos e lisos caídos até o final de suas costelas, e olhos violetas. Era baixinha e magrinha, com uma aparência frágil. Mas era uma mulher forte, de personalidade intensa e feitos inacreditáveis. As meninas chamavam-na de Lizzie, the witch. (Lizzie, a bruxa).
-Ei, Lizzie! Vamos ter que usar essas roupas todos os dias? — Jessie McDonough gritou de lá do fundo da van, apontando pro uniforme clássico.
-Sim, Jess, todos os dias. — Lizzie sorriu pra ela.
Houve um murmúrio de desaprovação na van. Todas reclamavam, menos Anelie (que voltara a escutar música) e Isadora Rosenrot, uma menina única e perdida em seus próprios pensamentos.
-Em Salem não existia isso. — Ariane Lenderson falou.
-Mas nós não estamos mais em Salem, Nany. — Lizzie tentou acalmar o grupo. — Muito bem, garotas, tirando a parte do uniforme, tem mais coisas que preciso dizer. Estamos à, mais ou menos, 7 minutos de chegar ao internato e, lá, as aulas não começam hoje de manhã. Hoje é o dia de informações, apresentações das regras, divisão dos alunos em classes, fraternidades e seções. E, por último, temos a celebração de boas vindas. Infelizmente, devido à van ter quebrado antes de chegar à Salem, vamos chegar na hora do intervalo.
Outro murmúrio de desaprovação. Intervalo. "Isso significa que todos os alunos vão estar lá na frente da escola, prontinhos pra nos ver chegar", Carolina Black pensou. "Ah, droga".
Lizzie continuou.
-O primeiro horário de aulas de vocês vão ser entregues hoje à noite, na reunião das seções e fraternidades. A primeira coisa que devem fazer quando chegarem à Westminster é seguir, direto, para seus quartos. Todas vocês vão ficar no mesmo quarto. Espero que isso seja de acordo com o que vocês pediram, certo?
Todas concordaram. Eram todas amigas ali. Melhores amigas. Haviam crescido juntas e vivido juntas a vida inteira. Menos Isadora, que havia crescido em uma outra cidade e se mudado para Salem aos 11 anos. Contudo, mesmo ela, havia se tornado melhor amiga de todas.
-Mas, espera aí, Liz. — Anelie agora prestava atenção. — Você falou "celebração de boas vindas"? É tipo, uma festa?
Todas assoviaram e deram risadas.
Lizzie revirou os olhos.
-Não, meninas, isso não é a escola pública de Salem! Aqui, a celebração é um baile muito antigo e tradicional, celebrado todos os anos pelos cidadãos de Westminster. A escola se abre para todos da cidade e então, os diretores da escola anunciam os novos alunos e integrantes do colégio interno Westminster. Mas vocês vão ser informados de tudo isso hoje à tarde. — Lizzie continuou com as informações inúteis do tipo "Não baguncem, não fiquem acordadas até tarde da noite"e blá-blá-blá, porém as meninas não a ouviam mais. Todas elas estavam com seus rostos grudados nos vidros da van para tentar ver um pouco mais de perto o colégio mais bonito que já haviam visto em suas vidas. As seis meninas arfaram quando a van parou em frente àquela maravilhosa escola e elas desceram, uma por uma. Nenhuma delas acreditava que realmente estavam ali. Nenhuma delas nunca havia ficado tão feliz. Jessie, a ruivinha baixinha, abraçou Angel e apertou Nany, feliz por estar ali. Dora observou o lugar e sorriu para Carol, com seus pequenos cachinhos voando ao vento.
Anelie era a última. Ela se apressou para continuar seguindo com as garotas, mas seus olhos se encontraram com os olhos negros de um menino que chamou sua atenção. Ele era o menino mais bonito que ela já havia visto. Ele deu um sorrisinho torto e manteve o olhar. Ela não ia ceder, então também deu um sorrisinho safado pra ele e levantou uma sobrancelha. "
Aquilo ia ser divertido.
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