O Segredo De Petra

12 Capítulo 12 - Dalila


Notas iniciais
Comentem em?
O capítulo está super interessante!

Antyro já havia sido aniquilado, o que me preocupava naquele momento era se havia mais Aláicos por perto, ou se Benjamim estava bem. É óbvio que eu corri para saber se meu amado tinha se ferido!

Nossa, o susto veio a tona novamente quando vi que o Benjamim estava com algumas costelas quebradas, o seu sangue escorria pela boca e pelo nariz. Tive que fazer alguma coisa para conter a situação, ou o Benjamim morreria por hemorragia.

Peguei uma mochila de viagem que estava dentro do carro, vasculhei tudo até achar um frasco de vidro muito antigo, era do tamanho da palma de minha mão, sua tampa era verde cana e nomes em grego circulavam o frasco – “Sua salvação” – Estava escrito. Estava faltando pouco para o fim do pó amarelinho que o frasco carregava, mas aquela quantidade serviria por muito tempo, aquele pó foi concebido a mim na Grécia antiga...

471 A.C

O dia tinha acabado de nascer e eu já estava de pé, preparei meu café da manhã e fui até uma ruazinha distante do centro de Atenas. Aquela cidade era imponente e limpa, era uma grande cidade-estado, berço do poder e da ética. Eu morava em Atenas há 10 anos e nessa época não havia desavenças entre eu e Yank, ele ainda não tinha sido expulso do inferno e a Guerra dos Mil Anos começara apenas há 300 anos. Não tinha com o que me preocupar.

Gostava de viver em Atenas, apesar dos constantes conflitos que existiam naquela região conturbada, já tinha presenciado batalhas que ficaram na história do mundo terreno. Mas em todas elas fui apenas uma anônima que sabia se defender dos invasores como ninguém. Certo dia – num período de grandes invasões – fui obrigada a usar minha força contra um saldado do exército persa. Era um homem alto e forte, sua roupa escondia parcialmente seus cabelos negros, sua pele era bronzeada e nas mãos havia uma espada de dois gumes. Ele tentou incessantemente me levar para ser sua escrava sexual, mas tive que dar um basta na situação deprimente que tinha sido submetida, com uma das mãos ele tentava me levar para o posto de controle mais próximo, tinha uma das mãos segurada pelo soldado e com a outra agarrei seu pescoço e joguei-o longe. Ele caiu desacordado e uma cena horrível se sucedeu, guardas pertencentes ao exército de Atenas destrincharam o moribundo que nada fizera pois estava desmaiado. Tive pena, mas não podia fazer mais nada.

Caminhei bastante até achar a ruazinha distante e apertada, suas casas eram todas brancas e o topo era pintado de cores vibrantes para poder resaltar a beleza dos terraços. Nessa ruazinha distante e pacata, morava uma amiga de longa data, Dalila era uma linda mulher, tinha um corpo de mulher madura, aparentava seus 30 anos, seus cabelos eram longos e brancos, eram lisos, a sua pele era da cor do pecado, morena e vistosa, seus olhos tinham a íris da cor cinza, era incomum para um humano, mas para um desgarrado era supernormal. Sua habilidade especial era a cura, antes de sermos mandadas para cá ela era uma “Alix”, que no nosso dialeto significa cura. Ela era responsável pela cura dos feridos em combate.

Sua casa branca como as outras, tinha a cúpula pintada como todas as outras, mas sua cúpula se destacava pois era da cor azul, que contrastava com o mar ao lado do rochedo onde todas as casas da rua se localizavam. Bati na porta com força três vezes e ela veio atender.

–Petra, como é bom rever você! – Disse ela entusiasmada.

–Igualmente Dalila, vim para ver minha encomenda.

–Esta preparada e embalada, mas sentisse que eu quero conversar com você sobre um assunto.

–Já sei o que quer que eu revele...

–Isso mesmo, sabe que dependendo do desenrolar dessa história nossas cabeças estarão em jogo... – Ela disse me interrompendo e eu a interrompi também.

–Já estão, Lúcifer parou de nos caçar por causa da tal guerra contra o filho. Tive uma visão há duas semanas, nela me foi revelado que num futuro não muito perto e nem muito longe, nós teremos que fugir para não morrer e essa visão têm relação com o fim da guerra no inferno. E algo me diz que o fim dessa guerra é apenas o começo de outra!

–Petra, pelo amor “daquele que nos trouxe”, você não pode estar falando a verdade! – Ela disse exaltada.

–É a mais pura verdade, por isso pedi a você que me preparasse uma poção de cura, eu temo esse futuro que está por vir e quero estar prevenida para o que der e vier!

–Mas você não precisa dessa poção.

–Não é para mim e sim para aqueles que ao meu lado estão.

–Espere um momento, eu vou buscar a tal encomenda.

Dalila foi até os cômodos seguintes de sua casa e buscou um frasco de vidro com uma tampa verde cana, em seguida trouxe-o até mim e eu o examinei.

–Muito obrigado Dalila, quanto me custa esse frasco? – Perguntei querendo saber quanto devia.

–Nada Petra, é um presente em nome da nossa amizade. Guarde-o bem, em mãos erradas pode-se tornar uma arma, aquele que o possui dribla a morte, apesar de você não precisar. Você poderá colocar o pó amarelinho em cima dos ferimentos, ou do local que está doendo. Sua validade é infinita! – Disse ela com um sorriso no rosto.

–Obrigado Dalila, espero que no futuro, quando nós tivermos que fugir nos encontremos de novo e em paz. – Uma lágrima escorreu dos nossos olhos e nos abraçamos como sinal de despedida, eu iria me mudar para o oriente no dia seguinte.

Estava apenas aproveitando minha vida terrena antes que a verdadeira guerra começasse, eu já sabia que Yank seria mandado para fora dos Porões da Morte e sua legião de soldados caçariam os desgarrados até sugar-lhes a energia astral que lhes sustentavam. Mas guardava essa informação comigo para não apavorar ninguém.

Tempos atuais...

Retirei um pouco do pozinho do frasco e apliquei-o sobre as costelas do Benjamim. Não demorou muito para que desse efeito, em poucos segundos Benjamim estava de pé perguntando o que aconteceu, ele sentia sua carne sendo revirada, era efeito da transfusão de almas feita por Lucila. Nós três seguimos andando pela estrada na penumbra da noite e no ar ainda se podia ver as cinzas do corpo de Antyro.

Notas finais
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