O Segredo De Hades
3 botas de jardinagem me assustam
Notas iniciais
Bati minha cabeça contra a lata de lixo. Muitas vezes. Uma garota me viu de cueca. Ah Merda!
E eu vou ter que atura-la por 14 dias... de súbito a ideia de deixar a meio-sangue ali e ir embora me atingiu. Mas uma missão em busca de espíritos demoníacos e o objeto de afeição do meu pai não parece ser algo agradável de se fazer sozinho. Eu poderia ser atacado por um monstro no meio da noite, ou precisar de reforços de repente... Ah, que se dane! Treinar, convencer, e proteger uma novata ia dar muito trabalho! Não valia tanto o esforço!
Percy teria feito isso.
Baixei a cabeça. Não posso deixa-la sozinha, é como dar ela de presente aos monstros. E isso com certeza não é bom, nem um pouco, diretores me assombram até hoje, acredite. Suspirei, se vou fazer isso, tenho que fazer logo.
* * * * * * * * *
Eu estava morto de cansaço. Aquela garota não parava quieta! Uma hora na sala de artes, depois na cantina, então ela desaparecia misteriosamente no meio dos estudantes e eu a encontrava num lugar completamente diferente, e então ela se mandava de novo! E além de tudo, eu tinha que me esconder sempre que o diretor ou um professor passava, mesmo com farda, as pessoas percebiam que eu não era dali. Pois é, eu não tenho cara de rico. Olho em volta e vejo que ela já está fora da minha vista novamente, e me sento no banco do pátio, massageando as têmporas, era geralmente nessas horas que Démeter dizia que eu era a imagem cuspida de meu pai ( nem pergunte sobre a última parte).
Enquanto eu dava um longo suspiro, uma folha de árvore caiu em meu cabelo. Peguei ela e contemplei sua cor verde,(em todo pátio cimentado, haviam deixado algumas árvores sobreviverem) e comecei a divagar sobre monstros de clorofila. Foi nesse exato momento que uma coisa desceu a toda da árvore, tapando minha boca e me ameaçando com um bastão de baseball, completamente pintado com imagens de "Adventure Time".
– quem é você e por que está me seguindo?
A mão em minha boca me fez virar para cima, e lá estava ela, pendurada na árvore pelos pés como um macaco, o cabelo assimétrico preso em duas marias- chiquinhas desiguais, usando um suéter amarelo sobre uma blusa social branca da escola, shorts que pareciam ter pertencido ao Patrick de bob esponja, meias diferentes em cada pé, uma gravata borboleta laranja de bolinhas, e botas de jardinagem de cores diferentes. Ela parecia uma grande obra abstrata. Com os olhos cor de amêndoa me fuzilando enquanto ela fazia um biquinho infantil.
–hmmmgfh!-era pra ter sido "vou tirar você daqui, está em perigo!" mas o que saiu...
A garota tirou a mão e me deixou falar.
– Vou resumir pra você, monstros querem te matar, escola perigosa, filha de Deus Grego, você é uma meio-sangue.
Tentei ler sua expressão enquanto seu olhar se estreitava.
– ok.- Ela relaxou e colocou a mão no quadril, enquanto coçava a cabeça sem jeito- que estranho, eu jurava que você era mais velho sabia?
– O quê?- ela era mais estranha sorrindo feito boba que segurando um taco de baseball.
– Você apareceu no meu sonho. Mas parecia mais velho e tinha uma baita cara de psicótico. — ela riu- mas eu acho que devo ter representado isso errado.
Bom, pelo menos eu sai bem no sonho.
– Então vai aceitar isso numa boa?
– numa boa.- concordou.
– Nem desconfia de mim?
– Eu desconfio dos meus professores de matemática. Você é inofensivo comparado a isso.
– como é que é?!
– Meus professores vivem mentindo. Mentem, mentem, mentem. A sua pupila não dilatou até agora, então você está falando a verdade. A menos que você seja esquizofrênico!-ela fez uma pose- uhum!
Aquela garota era algo que eu não esperava, mas, nunca nada é como eu quero, então, uma parceira infantil pode ser até um lucro.
– Sou Nico di angelo.
– você é da máfia? — juro que vi ela ficar animada- se bem que, a sua espada não é um florete, com certeza. — pôs a mão no queixo- mas o nome é italiano.
– Geralmente quando uma pessoa fala o nome ela espera outro em resposta.
– Anh, desculpa, é que eu me empolguei. -ela fez uma pequena reverência- Eu sou Ella.
Os olhos amêndoa brilharam como os de um gato, quase mudando de cor. Ella não se encaixava com nenhum Deus, a menos que seja filha de Hermes.
Eu não estava com humor pra uma filha de Hermes.
*** *** *** *** ***
Me sentia bem mais livre de volta as minhas roupas, aquele uniforme era uma algema corporal.
Ella tinha recolhido ( lê-se enfiado) na mochila todo tipo de coisa, até um lêmure de pelúcia, depois de passar apenas um breve tempo com ela, percebi que de jeito nenhum Ella seria filha de Hermes, não tinha aquele olhar e sorriso demoníaco de "vou aprontar com você" estampado no rosto. Pra falar a verdade, era totalmente o contrário, aquela garota era... bem, lerda. Não idiota, só que, ela parecia uma criança presa num corpo de 13 anos.
Uma criança que carregava um pássaro escondido no meio da roupa, e que não se importava de lhe jogarem ácido no cabelo, mas, o que realmente me irritava nisso tudo, é que de todas as infantilidades dela, não suportava uma. A parte de que, Ella era exatamente do geito que eu havia sido um dia.
Deuses, aquilo não era mais uma mochila. Era uma pedra. Grande e pesada, e eu deveria estar dando uma de caça fantasmas por ai em vez de desperdiçar um dia inteiro aqui.
–Pronto! agora podemos ir!- ela pôs a pedra grande e pesada nas costas e abriu a janela do dormitório, a luz da lua iluminou o quarto, e ela virou o rosto para mim, com um sorriso travesso- vai ficar sentado ai?
E pulou.
Não sei se agradeço por ter uma acompanhante que carrega todo o peso. Ou reclamo por que me enviaram a coisa mais estranha que vi na minha vida.
Peguei minha espada, e pulei pela janela, pronto pra finalmente começar os meus 14 dias de busca.
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