O Secretário
1 Prólogo
Notas iniciais
Meu trabalho é bem simples, digo o que a morte deve fazer e quando, literalmente um secretário. Para me explicar melhor, eu apenas comando uma parte. Existem milhões como eu, em todo o mundo, fazendo o mesmo serviço. Temos um caderno, aonde anotamos o que a morte tem de fazer, e dentro de um mês ela o pega e faz. Você deve estar se perguntando como se faz para ser um “secretário” (Nos chamamos assim). Bom, você basicamente morre, esse é o principal, mas de não uma morte qualquer. De certa forma sua morte tem que ser natural, quer dizer, em sua consciência você verdadeiramente tem que entender que deveria morrer.
Vou dar um exemplo: você está em um leito de um hospital com câncer em estado terminal e você entende que é a sua hora de morrer, ou está em seu quarto com depressão e desesperado amarra uma corda no ventilador de teto e em seu pescoço e se mata. De certa forma você estava ciente que deveria morrer. Quando a sua vida se vai e a morte te escolhe para ser um secretário eu apareço ao seu lado e lhe pergunto se quer se tornar um de nós, invento uma história sobre ser muito bom, ter benefícios. Ninguém quer trocar uma eternidade em um lugar que dizem ser muito bom. É ai que eu ofereço “o presente”. Dou-lhe a chance de voltar à vida 10 anos mais jovem e em um corpo diferente com uma vida diferente e viver 10 anos como uma pessoa normal. Bom, isso tudo é uma grande mentira. O escolhido, aceitando a proposta cai no sono e sonha com sua nova vida por dez minutos para mim, mas que para ele parecem ser 10 anos.
E então você me pergunta o porquê de alguma pessoa aceitar essa proposta e a resposta é porque nem todo mundo tem certeza de que irá para um lugar “melhor”. Eu por exemplo, quando me tornei um secretário, meu antecessor me convenceu de que eu não iria, por conta de minha vida passada, e eu tenho certeza de que não iria.
Assim que aceitei a proposta e acordei dos 10 anos/minutos, havia descoberto a mentira. O secretário estava lá, rindo da minha cara, mas decidi que iria levar isso à diante. Na verdade eu não tinha escolha, tinha que seguir a minha vida. O secretário que tinha me enganado, disse que eu era seu substituto, porque dali em diante ele iria trabalhar no inferno como torturador. Há vários outros trabalhos no inferno que um secretário pode assumir, mas eu não quero nenhum um deles. muitos secretários aceitam trabalhos como “torturador” “advogado” “juiz” coisas assim, eu não os aceito porque nem perto de lá eu quero chegar. Existem trabalhos como “tentador” “agente de morte”(causa a morte das pessoas) esses trabalham na terra mesmo.
O que eu tenho a dizer é que viva sua vida corretamente, pois se você não tiver certeza que vai viver no céu, ou você terá de trabalhar em um serviço desses ou você não terá escolha e passará a eternidade no inferno.
No meu serviço, quando alguém morre, tudo tem q estar organizado. Eu escolho quem morre, quando e onde. Eu analiso a vida das pessoas durante uma semana, pessoas aleatórias. Muitos secretários gostam de escolher hospitais, mais a morte não me designou nenhum hospital até hoje.
Mês passado ela me mandou ir a uma pequena vila no Japão, lá havia apenas 400 pessoas, mas a morte me mandou escolher 50 para morrer. Tive de inventar uma peste, escolhi 50 pessoas de idades e famílias diferentes, chamei um agente de morte, ele escolheu qual praga deveria ser e eu nem me atrevi a ficar na vila quando essa praga começasse, pois conheço a fama do agente de morte que eu chamei. Ele é cruel e eu não gosto de ver como ele trabalha. E então a morte passa e recolhe suas vidas.
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