O Sangue dos Nobres
11 Capítulo 11 – O Cárcere
Notas iniciais
Susan sentiu sua cabeça latejar logo que abriu os olhos, ela queria muito aliviar sua dor, quando tentou levar suas mãos até testa para limpar o suor que lá se formava percebeu que elas estavam imobilizadas, amarradas para trás com cordas relativamente grossas.
– Mas o que é isso? – perguntou ela institivamente.
– Somos prisioneiros deles agora. – respondeu Bastian.
Susan virou-se para a sua esquerda a fim de ver o amigo, seu rosto estava muito pálido e sujo, além de também estar com as mãos amarradas para trás, e assim com ela, estava sentado, encostado na parede de pedra.
Naquele momento Susan começou a observar o local, percebeu que estavam na extremidade de uma caverna que deveria ter no máximo dois metros de altura, três metros de um lado para o outro e dez metros da extremidade em que ela se encontrava até a saída. O local estava pouco iluminado, mas Susan conseguiu notar que ainda não havia anoitecido, porém não faltava muito para que isso ocorresse.
– Como está seu ombro? – perguntou Susan.
– Ainda dói, mas o macaco deu um jeito de coloca-lo no lugar.
– Onde estão os nobres? – ela quis saber.
– Alguém nos chamou? – disse Feng aparecendo de surpresa juntamente com Rusth, Kore, Nira e Kali.
– Eu preciso falar com você. – disse a garota.
– Seu amigo á falou conosco e a resposta é não, não vou negociar com humanos. – respondeu Feng secamente.
– Ainda mais sem a garantia de que receberíamos a nossa devida recompensa se ajudássemos. – completou Kali.
– Negociar com humanos está fora de questão. – disse Nira.
– Vocês são traiçoeiros e mentirosos, não são dignos de confiança. – disse Kore.
– Se não fosse por Feng vocês sequem estariam vivos agora. – completou Rusth.
Diante do que foi dito Susan tomou uma atitude que surpreendeu Bastian, ela simplesmente baixou a cabeça, incapaz de encarar os nobres que estavam a sua frente.
– Tudo bem. – foi apenas o que ela disse.
– O que? Você vai se entregar assim tão fácil? – perguntou Bastian desacreditado. – Você não é assim.
– Nada que eu falar irá mudar a opinião deles, eu fui ingênua em vir até aqui, desculpe por lhe arrastar para essa enrascada. – disse ela para seu amigo.
– Não peça desculpas Susan, eu quis vir por vontade própria. – retrucou Bastian.
– Você tem razão garota, nada irá fazer com que mudemos de ideia. – disse Kali.
– Eu disse a vocês que não iríamos ser tão gentis assim se voltassem a pisar em nosso território. – lembrou Feng.
– O que vamos fazer com eles Feng? – quis saber Rusth.
– Vamos mata-los. – respondeu o tigre com indiferença na voz. – Se não fosse eu ter chegado a tempo com Rusth eles teriam matado vocês. – disse Feng para Kali, Kore e Nira. – Vamos pagar na mesma moeda.
Susan e Bastian estremeceram diante daquela declaração.
– Por favor. – implorou Susan. – Faça qualquer coisa, menos isso.
– Nós não estávamos querendo matar ninguém, só estávamos nos defendendo. – completou Bastian, com o desespero eminente em sua voz.
– Não minta para mim humano. – rosnou ferozmente o tigre. – Eu vi quando Susan estava com seu arco no ponto para atirar em Kali, se não fosse por mim ele estaria morto.
– É mas a parte em que ele e a dupla de raposas estava tentando nos matar simplesmente não importa não é? – retrucou Susan para Feng.
– Não, não importa, eu faria o mesmo no lugar deles, vocês mais do que nunca souberam disso. – respondeu Feng secamente.
Susan não estava mais desesperada, e sim com raiva pela atitude de Feng, o objetivo central dela agora concentrava-se em duas coisas, uma era se vingar do tigre, e a outra era salvar a vida de Bastian.
– A execução será feita esta noite, ou seja, daqui a poucas horas. – disse Feng.
– Espera. – interrompeu Susan.
– O que é? – Feng quis saber.
– Tudo bem eu confesso, eu iria realmente atirar em no Chimpanzé para matar, quando vi o que ele fez com Bastian fiquei enfurecida e perdi o controle. – confessou Susan.
– Isso não irá salvar seu pescoço humana. – disse o tigre.
– Eu sei, e nem estou pedindo para que me poupe, mas sim para que poupe a vida do meu amigo, ele atacou o macaco unicamente com o objetivo de me salvar, pois seu amiguinho estava investindo contra mim, e tenho certeza que se não fosse por Bastian eu estaria morte a bastante tempo. – argumentou a garota.
– Isso é verdade Kali? – perguntou Feng.
– Sim é verdade. – respondeu Kali tão baixo que soou como um sussurro.
Feng ficou em silencio por alguns segundos, pensando em sua decisão final, se pouparia ou não a vida do humano.
– Muito bem, neste caso a vida do humano será poupada. – disse o tigre.
Susan saltou um suspiro de alívio.
– Não Susan. – gritou Bastian assim que Kali libertou suas mãos das cordas que as prendiam.
– Vá e fale ao Brandom que eu não vou voltar. – disse Susan tristemente. – Se minha carta for a escolhida vá em meu lugar e continue com o nosso plano em prática.
– Eu não vou abandonar você. – disse ele que estava sendo empurrado por Kali para que seguisse em frente.
– Você não está me abandonando. – disse Susan. – Eu estou abandonando você. – completou com uma lágrima escorrendo de seu olho esquerdo.
– Sem você eu não sei como vou seguir em frente. – disse Bastian em meio as lágrimas.
– Conhecer você foi a melhor coisa que me aconteceu. – disse Susan para o amigo. – Agora vá, adeus Bastian.
Depois de muita relutância e com algumas ameaças por parte dos nobres, Bastian foi embora para a cidade, sob a escolta dos nobres, para garantir que ele não tentaria voltar para salvar a amiga. Susan estava feliz por ter conseguido poupar a vida do amigo, conseguiu cumprir com um de seus objetivos, o segundo porém ela receava que não teria chances de realiza-lo.
– sua execução será feita por mim em breve. – disse Feng. – Deixarei você sozinha para que reflita. – completou o tigre indo em direção a saída da caverna juntamente com Rusth, o lobo.
Susan não conseguia pensar em nada, estava esvaziando sua mente para não deixar o desespero a consumir.
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