O Sangue dos Nobres

9 Capítulo 9 – A Decisão


Notas iniciais
- O rei quer que Roston reine em paz e prosperidade, pois ele deseja fazer da cidade novamente a capital de Wolfire, e qualquer coisa que atrase ou impeça isso ele irá impedir. – disse Lia

Susan, Bastian e Lia contaram a Brandon sobre o que havia acontecido com eles, desde a busca de informações com Luna Blennister até a perseguição dos capangas de Salazar, a pedido de Susan eles ocultaram a parte em que os nobres ajudaram eles a escaparem dos homens de Salazar, ela disse que a informação seria dada por ela no momento certo.

– Vocês me desobedeceram. – acusou Brandon.

Os três não falaram nada, não havia o que falar.

– Francamente Susan, em duas noites você já se meteu em mais encrenca do que eu em um ano. – disse Brandon de braços cruzados. – E não pensem que vocês dois também não estão em situação melhor. – disse ele apontando para Bastian e Lia.

– Vocês estão se envolvendo em um assunto que não deveriam se meter. – disse Astrid.

– Será que vou ter de repetir tudo novamente? – quis saber Susan. – Uma guerra entre clãs está diretamente ligada a nós.

– Susan você está sendo imatura. – disse Brandon com impaciência. – Mesmo tendo conseguido todas essas informações a respeito do plano dos Lownsh e da infelicidade deles de uma possível manutenção dos Blennister no poder pelo rei Willian, o que você poderia fazer para mudar a situação? Lutar sozinha contra os capangas de Salazar?

– Sozinha não, mas se eu tiver ajuda de vocês talvez possamos conseguir evitar o conflito. – defendeu-se a jovem bastarda.

– Susan nós ao todo, contando com você, somos oito, o que oito bastardos poderão fazer para evitar uma guerra entre os dois clãs mais poderosos de Roston? – quis saber Brandon.

– Simples, precisamos fazer com que as informações que conseguimos venham à tona.

– Me diga como. – pediu Brandon.

– Em qual dia de qual mês estamos? – perguntou Susan.

– Seis de Outubro. – respondeu Astrid.

– O que isso tem a ver com o que estamos discutindo? – perguntou Brandon.

– Faltam exatamente duas semanas para a visita do rei Willian a Roston. – respondeu Bastian.

– É claro, a escolha do novo representante em Roston sempre é feita no dia vinte de outubro, aonde o próprio rei de Wolfire vem à cidade fazer a nomeação. – disse Lia.

– O que você está tramando Susan? – Brandon estava curioso e confuso ao mesmo tempo.

– A intenção dos Lownsh é fazer com que o rei escolha o indicado deles para ser o novo representante, e não Laurence Blennister como muito se tem comentado. – Susan fez uma pequena pausa antes de continuar. – Iniciar um conflito as vésperas da visita do rei a cidade provavelmente fará com que ele mude de ideia em relação a permanência dos Blennister no poder. – disse Susan.

– O rei quer que Roston reine em paz e prosperidade, pois ele deseja fazer da cidade novamente a capital de Wolfire, e qualquer coisa que atrase ou impeça isso ele irá impedir. – disse Lia.

– Ou seja, uma guerra por exemplo. – disse Bastian.

– Bem, não há muito com o que se preocupar então. – afirmou Brandon. – Pensem comigo, o conflito não irá durar muito, o exército real irá intervir em Roston assim que a guerra acontecer, e logo tudo estará acabado, para nós não importará muito se o representante do rei na cidade for um Lownsh ou um Blennister, não mudará muita coisa em nossas vidas.

– Brandon, você lembra o quão ruim foi à administração dos Lownsh quando estiveram no poder a quatro anos atrás. – disse Astrid.

– Pouco me importou, e eu continuo sem me importar, nós continuaremos vivendo a margem da sociedade, porque lutar por algo que não irá me beneficiar? – quis saber o líder do bando.

– Você tem razão. – disse Susan. – Porque lutar por algo que não trará benefício a nós? – disse ela repetindo as palavras de Brandon. – Você precisa olhar mais além para conseguir encontrar o benefício do nosso envolvimento neste assunto. – disse ela.

– Quero ouvir seu brilhante plano, só permitirei que nos envolvamos nisso se no final ganharmos algo que realmente possa ter valido a pena a luta. – disse Brandon.

– A questão é simples. – disse ela. – A guerra é inevitável, os Lownsh irão lutar contra os Blennister, que sem dúvida irão revidar, mas todos nós sabemos que em um conflito os Lownsh tem uma imensa vantagem, possuem mais poder bélico e um exército mais preparado do que os Blennister, logo nesse ponto de vista, os Lownsh sairão vitoriosos de um jeito ou de outro, com ou sem intervenção do rei Willian. – disse Susan.

– Você ainda não disse o que poderemos ganhar com nosso envolvimento nesta possível guerra. – lembrou Brandon.

– Apenas ouça. – pediu Susan. – Os Blennister sabem de sua desvantagem, logo eles precisarão de ajuda, e como a ajuda só virá daqui a uma semana, quando o rei vier a Roston, eles tentarão adiar o conflito até lá, mas os Lownsh irão fazer de tudo para que a guerra se inicie antes, e se isso acontecer será o fim dos Blennister.

– Já sei o que você quer fazer Susan. – disse Bastian repentinamente. – É um plano louco, mas brilhante.

– Se o conflito acontecer antes da visita do rei, nós bastardos poderíamos nos unir aos Blennister para tentar vencer os Lownsh, seria um reforço a mais para eles na guerra. – os olhos de Susan brilhavam diante da ideia. – Imaginem só todos os bastardos de Roston ajudando os Blennister a vencer os Lownsh.

– O que ganharíamos com isso? – quis saber Bastian.

–Todo dia dez de cada mês o representante do rei escolhe uma pessoa, bastarda ou não, para uma audiência com ele, a fim de discutir os problemas da cidade, interesses, e muitas outras coisas, entre elas, barganhas. – disse Susan. – Basta enviar uma carta ao palácio, os escribas irão analisar as cartas, e aquela que chamar mais atenção será a escolhida, o autor será notificado de que foi felizardo com uma audiência exclusiva com o representante.

– Susan, isso é um tiro no escuro, você nem sabe se sua carta será a escolhida, caso deseje enviar uma. – disse Astrid.

– Ela será escolhida, eu garanto-lhes. – respondeu Susan com determinação. – Quando eu estiver na audiência com o representante, irei informar de tudo o que sei sobre o plano dos Lownsh, e oferecer ajuda dos bastardos em caso de uma guerra.

– A ideia parece ser muito boa, mas acho que só os bastardos não serão o suficiente para deter os Lownsh. – disse Lia.

– Sim, isso é verdade. – concordou Susan. – Mas quem disse que eu só pensei nos bastardos?

– Pera um pouco, nisso eu não tinha pensado. – disse Bastian. – Você não ousaria, ousaria? – ele quis saber.

– Você entendeu Bastian, não foi? – ela perguntou para o amigo. – Sim, eu ousaria, precisaremos da ajuda dos nobres também. – disse Susan.

Brandon teve um repentino ataque de risos.

– Susan me desculpe, mas você pirou de vez. – disse ele ainda rindo.

Brandon parou de rir imediatamente quando viu as expressões de incredulidade nos rostos de Lia e Bastian.

– Por que vocês estão olhando assim para ela? – Brandon quis saber.

– Porque apesar de perigosa, é uma ideia que pode dar certo. – respondeu Bastian.

– Não tem chance de isso funcionar. – disse Astrid. – Eles quase mataram vocês ontem, lembram?

– Mas hoje eles salvaram nossas vidas. – disse Susan.

– O que? – perguntaram Astrid e Brandon em uníssono.

Susan então explicou aos dois a parte que haviam ocultado deles, em que os mesmos nobres que os atacaram na noite anterior haviam ajudado eles a superarem os capangas de Salazar na noite seguinte.

– Agora as coisas fazem mais sentido. – disse Astrid

– Ainda continua sendo um plano louco. – disse Brandon.

– E pra terminar, depois que oferecermos a ajuda dos bastardos e dos nobres aos Blennister, eu pedirei em troca melhores condições de vida para os bastardos, e para os nobres também, exigirei que o estado considere os dois grupos como cidadãos, e que pessoas que tentem nos discriminar sofram punições de racismo, além de outras coisas que irão nos ajudar a subir na vida. – disse Susan. – Bem, esse é o meu plano. – finalizou ela.

Brandon pensou bastante sobre o plano de Susan.

– Eu ainda estou com um pé atrás, mas também criei uma esperança de que essa loucura ainda possa realmente funcionar, e isso contando com que tudo saia perfeitamente em seu plano. – disse o líder. – Vamos resolver de uma forma justa então, Astrid, chame Granin, Norton e Peter aqui, explique a eles a situação, vamos fazer uma votação.

Astrid foi até o encontro dos três jovens que não participavam da conversa, pois estavam dormindo, e explicou em poucos minutos o que estava acontecendo, não muito tempo depois eles surgiram na pequena sala em que os outros se encontravam, ainda sonolentos.

Vendo que todos estavam lá, Brandon iniciou a votação.

– Bem, se você é a favor de que devemos nos envolver e seguir o plano de Susan levante a mão, se fore contra, fique do jeito que está. – disse ele.

Susan, Bastian, Lia, Granin, Norton e Astrid levantaram a mão.

Peter foi o único além de Brandon a não levantarem a mão.

– Bem, está decidido então, vamos nos envolver e seguir seu plano Susan, eu espero que ele funcione. – disse Brandon, sem dar muito tempo para ela comemorar sua vitória. – Vamos pra cama agora, estou cansado.

Susan estava feliz de conseguir a aceitação do bando para colocar o plano em ação, mas ficou preocupada com Peter, ele ainda era muito jovem, já imaginava que ele não levantaria a mão, afinal, mesmo tendo sido abandonado como qualquer outro bastardo em Roston, ele ainda era um Lownsh, e se recusaria a destruir o próprio clã.

Notas finais
É isso ai gente, último capítulo de 2014, em 2015 tem mais, muita estrada ainda nesta aventura fantástica! Não esqueça de comentar!