O Sangue dos Nobres
8 Capítulo 8 – A Perseguição
Notas iniciais
– Droga, já está muito tarde. – disse Bastian.
– Teremos de inventar uma bela mentira a Brandon. – disse Lia.
– Deixa comigo, sou uma boa mentirosa. – interveio Susan.
Os três estavam voltando para a cabana já se preparando para o interrogatório que seriam submetidos por Brandon, Susan precisaria blefar muito bem para conseguir convencer o líder do bando de que não estava fazendo nada de estranho.
Assim que os bastardos viraram a esquina de uma rua estreita e mal iluminada pelas poucas tochas acessas, deram de cara com cinco pessoas, uma delas mais do que conhecida por Susan e Bastian.
– Você. – disse Susan amedrontada.
– Coronel Salazar. – disse Lia baixinho.
– O quê? Vocês estão vivos? – rosnou Salazar, atordoado ao ver Susan e Bastian na sua frente.
– Escapamos do ataque dos nobres na floresta ontem. – disse Bastian, com mais raiva do que medo de Salazar.
– Agora nós poderemos impedir seu plano de causar uma guerra entre clãs em Roston. – disse Susan deixando seu medo para trás.
– Seus desgraçados. – disse Salazar com fúria. – Matem eles, agora. – disse ela para seus homens.
Os quatro capangas de Salazar empunharam suas armas, um tinha em seu poder uma espada, outro um cutelo, e o terceiro um facão de açougueiro, e então a perseguição começou.
Susan, Bastian e Lia correram o mais rápido que puderam, certamente a adrenalina momentânea fizeram com que eles obtivessem mais velocidade ainda, eles apenas corriam, sem muito se importar com o caminho que seguiam, e isse foi o maior erro deles.
Quando se deram conta, a sua frente estava à floresta densa.
– Ah não, qualquer coisa menos isso de novo. – lamentou Bastian.
– A floresta ou Salazar, você escolhe. – disse Susan.
– Como eu odeio tudo isso. – praguejou Bastian adentrando na floresta juntamente com Lia e Susan.
– Precisamos correr até eles desistirem de nos seguir. – disse Susan.
– E se eles não desistirem? – perguntou Lia.
– Acredite, eles irão, não são tão malucos de se arriscarem a dar de cara com um nobre. – argumentou ela.
– Eu espero. – concluiu Lia.
Já estavam correndo havia quase cinco minutos, e os capangas de Salazar ainda estavam em seu encalço, eles estavam cada vez mais distantes da cidade, adentrando mais profundamente na floresta.
– Droga, quando é que eles irão desistir, já estou cansado de correr. – disse Bastian.
– Já era pra eles terem desistido. – observou Lia.
– Esses malditos não param. – praguejou Susan.
Foi a ultima coisa que ela disse antes de ser atingida de raspão por uma faca, na perna, apesar de não ter sido certeiro, foi o bastante para derruba-la.
– Susan. – gritou Bastian quando viu sua amiga no chão.
Ele e Lia se colocaram a frente de Susan, prontos para enfrentarem os capangas de Salazar.
– Vocês estão desarmados, não podem lutar. – disse um dos capangas assim que alcançou os bastardos.
– Bem, digam adeus. – disse outro capanga que empunhava a espada, pronto para encravar no peito de Bastian.
Bastian fechou os olhos e preparou-se para a morte, mas então veio o silencio, somente o silencio, e logo após, o grito do homem que tinha a espada.
Quando ele abriu os olhos novamente viu uma cena que o deixou muito intrigado, um enorme tigre estava com suas presas encravadas no ombro do homem que gemia de dor.
Era Feng.
Outro capanga foi atacado por um enorme lobo, Rusth, que o mordeu no braço, arrancando gritos de agonia do homem.
– Vocês. – disse Susan surpresa com a chegada inesperada dos Nobres.
– Acho que viemos em boa hora. – disse Rusth.
Os outros dois homens que ainda não haviam sido atacados ficaram inertes, sem conseguirem sair do lugar.
– Querem nos enfrentar e terminar como estes dois ou irem embora? – disse Feng usando sua voz assustadoramente grave.
Os dois homens não pensaram duas vezes e foram embora levando consigo os outros dois que haviam sido atacados pelos nobres, em poucos segundos eles sumiram do campo de visão de Susan e dos outros.
Depois de superado o primeiro drama, um segundo começou, por conta de Lia, que se desesperou ao ver dois Nobres na sua frente.
– Por favor, não nos matem, eu imploro. – rogou a jovem Blennister.
– Eles não irão nos matar Lia, eles salvaram nossas vidas na verdade. – disse Bastian.
– Eles são... – Susan pensou na palavra amigos, mas logo viu que não era o termo mais adequado, então pensou no termo correto. – Uns conhecidos nossos. – disse ela tentando se levantar.
– O que vocês estão fazendo aqui no meio da noite? – quis saber Feng.
Susan se deu conta apenas naquele momento que conseguia enxergar Feng e Rusth, além de Bastian e Lia com certa clareza, mesmo sem tochas, decidiu então olhar para o céu, era lua cheia, e o céu estava bem estrelado, mais do que de costume, contrastando com o enorme frio noturno que fazia, e que começou a ser sentido por todos depois da adrenalina da perseguição ter cessado.
– Estávamos sendo perseguidos por uns capangas de um cara que está tentando causar uma guerra entre clãs em Roston. – disse Susan ficando de pé, com muita dificuldade.
– Provavelmente estavam colocando o nariz onde não foram chamados. – disse o tigre com um pouco de ironia na voz.
– O assunto é bem sério, uma nova guerra iria ser ruim pra todo mundo, inclusive pra vocês já que a floresta sempre é um local de grande valia em guerras. – disse Bastian.
– Sobrevivemos a Grande Guerra. – disse Rusth. – Outra guerrazinha não fará muita diferença em nossas vidas. – completou o lobo.
– Vocês se arriscam muito vindo aqui. – disse Feng. – Se vocês tivessem sido encontrado por outros nobres eles teriam matado vocês sem pena.
– E porque vocês não fizeram isso? – quis saber Lia.
– Por nós já nos tínhamos nos encontrado antes. — disse Feng.
– Há pouquíssimo tempo. – disse Bastian.
– Precisamente, ontem. – completou Susan.
– Quando nós os encontramos pela primeira vez queríamos mata-los, e quase conseguimos, mas eles foram espertos e escaparam de nossos ataques e ainda nos fizeram cair em uma armadilha. – Feng respirou antes de continuar. — Seus amiguinhos tiveram a chance de matar a mim e a meu servo Rusth, mas decidiram nos deixar viver, mesmo sabendo do ódio entre nossas duas raças. – ele completou.
Susan se surpreendeu quando Feng chamou Rusth de servo.
– A noite é bem mais fácil para nós farejarmos qualquer coisa aqui na floresta, e como já havíamos encontrado vocês há pouco tempo, nós conseguimos identificar facilmente os seus cheiros além de outros cheiros desconhecidos, logo concluímos que vocês estavam em perigo e viemos ajudar. – disse o lobo.
– Agora nossa dívida está paga com vocês, estamos quites. – disse o Tigre.
– Iremos escoltar vocês de volta para a cidade, depois será por conta de vocês. – disse Rusth.
– Muito obrigada. – disse Susan, extremamente agradecida.
– Sem vocês nós estaríamos perdidos. – disse Bastian.
– Vocês são nobres legais. – completou Lia.
– Vamos logo. – disse Rusth.
– E se vocês tem amor à vida de vocês, coisa que já estou duvidando, não venham à floresta novamente sozinhos a noite. – alertou Feng. – Na próxima vez não seremos tão gentis.
Susan estremeceu com a leve ameaça, mas assentiu em silencio, e com a ajuda de Bastian e Lia, foi mancando de volta para a cidade.
Mesmo depois de tudo o que ela havia falado para eles na noite anterior, de nada havia valido, eles continuavam os mesmos.
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