O Sangue Do Olimpo
1 Leo
Notas iniciais
Leo já estava ficando emburrado. Era a quinta vez que aqueles monstros com espinhos atacavam seu navio, que maldita ideia de ter parado em uma ilha para arrumar o navio. Ele mal havia acabado de concertar a amurada, que fora destruída no terceiro ataque, e os monstros voltavam a atacar. Os olhos de Leo cravaram-se nos inimigos e começaram a pensar no que fazer. Ele não podia chamar os outros, eles já haviam ficado acordados durante dois dias seguidos, tinham de dormir. A única acordada, teoricamente, era Hazel, porém ela estava acordada, mas dormindo. Fora nocauteada por uma pedra lançada por um monstro, há duas horas.
As mãos de Leo começaram a pegar fogo e ele mirou o mesmo nos monstros. Era a única coisa que tinha para usar. Se Frank não tivesse insistido em Leo usar o cinto de ferramentas para ter um pano que cobrisse o navio, contra fogo, Leo poderia tirar de lá, pelo menos um arco. Assim que atirou o fogo no monstro, ele explodiu, mas ainda havia mais dois para o garoto derrotar. Os espinhos já estavam destruindo a preciosa madeira do Argo II. O monstro maior, atirou um espinho em direção a cabeça de Leo, que não foi atingido por pouco.
— Ei! Eu sei que sou delícia, mas meu cabelo é precioso! Não precisa tentar arrancá-lo! — gritou, já impaciente com os ataques.
Pensou nas aulas sobre monstros que tivera no Acampamento. Espinhos… Monstros… Horríveis… Ele lembrava-se vagamente de ter ouvido falar de algo desse tipo. Annabeth até contara que havia lutado com um monstro desse tipo, mas o filho de Hefesto não conseguia achar o nome do monstro. Era algo com M… Medusa, não. Minotauro, não. Mantigore, não. Manticore. Era isso! Mas lembrar o nome não ajudaria nada naquele momento. O monstro mais velho — pelo que Leo deduzira — grunhiu e jogou mais um espinho em Leo, acertando seu braço em cheio. Leo rosnou de dor e fez uma careta, olhando para o ferimento. Néctar, precisava de néctar. Enfiou a mão no cinto e tomou aquele líquido, em uma quantidade favorável. O gosto de pizza passou por sua boca e ele correu em direção a amiga filha de Plutão. Colocou a garrafa de néctar na boca da garota e apertou sua garganta, fazendo o líquido descer.
A bebida dos deuses foi parar na cara de Leo. Hazel piscou os olhos algumas vezes e olhou para o garoto sujo de néctar. Ergueu as sobrancelhas e sorriu, se levantando.
— O que acontec… — ela foi interrompida por um espinho passando por trás de sua cabeça. Olhou para o lado e viu os manticores atacando.
Leo fez um sinal com a mão, para atacarem, ao mesmo tempo que queria fugir. Seu corpo inteiro pegou fogo e Hazel estalou os dedos, fazendo a areia da praia onde os manticores estavam virar areia movediça. Um dos manticores afundava na terra movediça, enquanto Leo atirava fogo no mesmo. O monstro, em segundos, virou pó. Só faltava mais um, que era hábil — e mais inteligente. As bolas de fogo eram facilmente desviadas pelo monstro. Esse, pulou dentro do navio, quebrando a madeira em seus pés. Leo, com raiva de ter seu navio estragado, mirou mais bolas de fogo no monstro, que desviava habilmente.
— Hazel! Sua espada. — gritou Leo, desesperado, enquanto fugia dos ataques de espinhos,
A garota atendeu o pedido e pulou no Manticore, enquanto o monstro estava distraído tentando matar Leo. O manticore se debateu, derrubando a menina no chão, perfurando uma madeira na perna da garota, porém, felizmente, a espada foi enterrada perto da nuca do inimigo, que se desfez em pó. Leo correu em direção a semideusa, enquanto pegava mais néctar.
— Está doendo muito, Hazel? — perguntou, erguendo as sobrancelhas e rasgando uma tira da sua camisa, para fazer um curativo.
Nesse momento, Frank entrou no local, sério e com a expressão furiosa para Leo e, para Hazel, cuidadosa. A camisa roxa dele estava amarrotada e ao avesso, enquanto a calça estava branca e com o fecho aberto. Leo, mesmo percebendo a expressão do garoto filho de Marte, suspirou por ter ajuda. Antes de abrir a boca, Frank esmurrou a cara do menino, que ficou confuso.
— OLHA O QUE VOCÊ FEZ! — gritou Frank, apontando para a menina ferida e aproximando-se de Leo, que afastou-se, até encostar na borda do navio — Você não a protegeu, agora ela está ferida. — o filho da guerra pegou Leo pelo colarinho e olhou em seus olhos, pronto para dar um soco em seu rosto novamente.
— Você acha que eu queria feri-la? Sério, Frank? Pare de ser ignorante! — retrucou Leo, fazendo as mãos se incendiarem, com a expectativa de seu agressor afastar-se dele, com medo do fogo, o que deu certo — Se alguém aqui quer machucá-la, não é nenhum de nós sete!
Frank suspirou e apontou o dedo para Leo, enquanto pegava sua espada e apontava para o filho do fogo, com as mãos trêmulas. Ele estava com raiva, não suportaria perder Hazel, não depois de já ter perdido muita gente preciosa em sua vida. Hazel era o seu diamante. Leo ficou com as mãos, ainda em fogo, apontadas para o peito de Zhang.
— Pode vir, Zhang! Você sempre foi covarde, vamos ver se agora vai continuar sendo… — desafiou Valdez, colocando a mão no peito — Venha, crave a espada em meu peito e terá tudo resolvido, porém ficará com o peso da culpa para sempre.
Frank corou, bravo, e correu e avançou, com a espada pronta para ser enterrada no peito do adversário, em direção a Leo, que deu um passo para o lado e deu uma cotovelada nas costelas de Zhang. O romano gemeu de dor e virou-se, encarando Leo, que pensava em algo para fazer.
— PAREM! — gritou Hazel, que se levantara, mancando, ali perto. — Parem de brigar, garotos! Vocês vão ter muita briga pela frente, para brigar agora.
Leo não deu ouvidos, encarando o oponente com raiva. A morena seguiu em direção aos dois, ficando na frente de Frank, no exato momento em que Leo atirou uma bola de fogo. O garoto ao ver o que havia feito, desesperou-se. Milagrosamente, Frank tirou Hazel do caminho, sendo atingido. O romano caiu no chão, enquanto Leo corria em sua direção, preocupado.
— Vamos lá! — ele balançava o corpo da vitima freneticamente — Vamos, cara! Você não pode ficar assim. Eu sei que nós brigamos, mas eu nunca quis que morresse.
Hazel aproximou-se, com os olhos marejados, e colocou Ambrosia na boca de Frank. A queimadura, aos poucos, foi desaparecendo, restando somente uma mancha pequena no braço esquerdo. Aos poucos, a cor do corpo foi voltando para o rosto do jovem machucado. Ele abriu os olhos e Leo abriu um sorriso, que foi interrompido por um soco em sua bochecha.
— Isso é porque você quase me matou. — Frank fez uma careta e Leo revirou os olhos, recebendo outro soco, mas mais leve — Esse por ser idiota. — os dois garotos, junto a Hazel, riram sem parar.
Leo levantou-se, ajudando Frank, demonstrando desculpas e jogou o braço para o alto, enquanto o sangue, resultado dos socos, escorria por seu rosto. Ele, mesmo machucado, estava feliz. Não podia negar que, mesmo com Jason, o garoto que mais o fazia companhia e feliz era Frank. embora o orgulho do filho de Hefesto não o deixasse admitir tal sentimento.
— Ué… — um Percy sonolento apareceu na entrada do local — Por que o navio está destruído? — bocejou, passando a mão pelo olho, como se fosse para tirar o olho — E por que o Leo parece ter acabado de ser nocauteado por um lutador de boxe?
Os três semideuses, Hazel, Frank e Leo, riram e saíram, junto à Percy, em direção ao refeitório. Teriam que conversar sobre os planos para os próximos dias, Gaia estava por acordar, porém eles decidiram deixar a conversa para mais tarde, precisariam comer, antes de um novo momento sério. Ainda mais Leo, que, mesmo feliz, estava perturbado por ter quase virado um assassino. A profecia estava começando a acontecer. Em tempestade ou fogo o mundo irá acabar. E se Gaia não fosse o mundo que se referia a profecia? E se Leo fosse quem desse fim ao planeta? Ele estava amedrontado. O fardo estava em suas costas, ele não sabia o que fazer.
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