O Sangue Do Olimpo
8 VIII. Annabeth
Notas iniciais
“PERCY NÃO DEVIA TER FEITO ISSO!” pensou Annabeth, irritada.
Tinha partido com Nora e Jason rumo à Creta, deixando ela, Hazel e uma nada cheirosa Gale sozinhas no barco.
Ficar sozinha não era o problema. O problema era ficar longe de seu namorado, ainda mais quando ele parte numa missão perigosa.
Jason convocou Tempestade, seu cavalo de nuvens, para leva-lo um pouco acima do nível do mar.
Annabeth notou o olhar de Percy. Percebeu que ele lembrou-se de Blackjack e ficou com saudades.
Com um beijo, se despediram. Percy e Nora saltaram na água morna do mar Jônico e se afastaram. Jason os seguiu.
Quando Percy e os outros sumiram de vista, veio a Annabeth um pensamento que ela preferia nunca ter tido. Percy havia prometido nunca mais ficar longe dela. Agora estava quebrando esta promessa. Mas fizera outra promessa antes de partir. Jurou que iriam voltar. Um juramento a manter com um alento final.
“Não Annabeth! Não fique pensando nessas coisas.”, ela pensou consigo mesma.
***
Estava na sala de comando, observado o piscar dos painéis de led, quando caiu no sono.
No sonho, Annabeth deu uma espiada na morte de seus amigos.
A primeira coisa que viu foi o Argo II. Estava destruído, mas ainda era o mesmo navio voador. No convés acontecia uma batalha. Notou que o dragão que deveria estar na proa não estava mais lá.
Estavam no meio de uma tempestade. A chuva, os relâmpagos e os trovões eram os piores que ela já tinha visto.
Reconheceu o rosto de Hazel. A menina lutava bravamente, vestida em uma pesada armadura de prata e habilmente usando uma espada de ferro estígio. Destroçava seres de areia de quatro braços que se moviam muito rápido e tinham em cada braço uma espada.
E o pior. Segundos depois de serem destruídos, eles se reconstituíam.
Viu o Nico. Não entendia o que ele fazia a bordo do Argo II de novo, mas o garoto lutava com destreza, envolto em sombras das quais saiam corvos, que atacavam os seres de areia, comendo seus olhos e atrapalhando seus golpes.
Annabeth notou que Nico protegia alguém que estava caído. Annabeth reconheceu Piper. A menina estava imóvel e um líquido escuro e viscoso escorria de sua barriga.
Um dragão passa voando perto dela. De início, Annabeth pensou ser Frank, mas notou um brilho metálico, e viu Leo sorrindo agarrado em seu pescoço. Era Festus.
Só então ela olhou para si mesma e percebeu que estava voando. Seu corpo era o de... uma coruja?! Annabeth quis gritar, mas tudo o que fez foi piar.
Percy estava no mar, parecia surfar em alguma coisa enquanto lutava contra uma enorme serpente. Viu que ele estava apoiado nas costas de um Ofiotauro. Seria Bessie? Ou Frank transformado?
Não conseguiu ver Jason em lugar nenhum e temeu pelo pior.
“Não Annabeth! Isso é um sonho, vai ficar tudo bem.”, disse a si mesma.
Foi quando um raio cortou o céu e Annabeth escutou o pior barulho que já ouve. De repente tudo foi tomado por uma luz ofuscante, seguida por um calor infernal.
Não sabia como, mas teve a certeza: Gaia despertou!
Pedras enormes eram arremessadas por todos os lados. Teve de voar o mais rápido que podia para não ser atingida.
Rochas foram atiradas no Argo II. Uma delas atingiu Nico e ele caiu no mar, sangrando. Annabeth sente um aperto no peito pelo garoto.
Festus passa por ela em queda livre, desacordado e em chamas. Leo, imóvel e de olhos fechados, com a perna presa a ele por fios expostos.
Annabeth procurou por Percy. Não o viu.
– Percy! – ela gritou, e acordou com o próprio grito.
***
Hazel entra na sala de comando apressada.
– Annabeth? Está tudo bem?
Ela não responde, apenas abraça-se a ela. Hazel faz carinho em seus cabelos loiros e beija sua testa carinhosamente.
– Foi só um pesadelo... – Hazel diz.
Gale se aproxima a passo lento. Já mais calma Annabeth olha para a doninha e sorri.
– Nova tripulante definitiva?
– A Gale é fofinha não acha? – Hazel fala sorridente – E ela me ajuda com meus novos poderes.
– Ah, falando nisso... Como vão seus poderes? Do que já é capaz?
Hazel fecha os olhos e se concentra.
O ar se torna mais escuro e mais frio. Annabeth vê sombras surgindo por debaixo dos objetos. Sente medo.
– Hazel? – ela chama a menina.
A filha de Plutão não responde. As sombras ficam mais densas. Annabeth escuta sussurros. Seriam fantasmas? Annabeth aprendera a não ter medo de coisas sobrenaturais, mas algo no rosto concentrado de Hazel a assustava.
– Hazel, já chega! – Annabeth fala em tom de ordem.
De repente um vento sopra dentro da cabine, bagunçando uma pilha de papéis e fazendo o cabelo cacheado de Hazel voar.
Uma mão gelada toca o ombro de Annabeth e ela grita.
– Eu disse já chega! – ela gritou, balançando Hazel pelos ombros, mas a menina parecia em transe.
Annabeth se afasta. “Tenho que pensar com clareza!”, ela pensa. Procurou por Gale. A doninha não estava mais na sala de comando.
Ouviu um mugido furioso no convés. Correu para ver o que era. Então, o que vê a assusta. Minotauro estava a bordo.
Assim que a vê, os olhos do monstro ficam ainda mais vermelhos e ele avança em sua direção.
Annabeth se afasta da porta da sala de comando para não expor Hazel. E arma-se com a espada de osso. A única coisa boa que trouxera do Tártaro.
Minotauro ataca novamente, mas Annabeth consegue desviar. Em um golpe rápido, ela consegue cortar um dos chifres do monstro. Ele fica ainda mais furioso e um líquido gosmento começa a escorrer de sua boca. O monstro arma-se com um enorme machado que trazia preso às costas.
A filha de Atena prevê um ataque com um segundo de antecedência e escapa de ser fatiada. Consegue em seguida, enfiar a espada na barriga de Minotauro, e rasga-la ao meio.
O monstro se desfaz em pó dourado, e logo esse pó evapora em uma névoa cinzenta.
Annabeth suspira.
– Hazel...
Então a menina aparece com um estranho sorriso no rosto. Parecia tonta, apoiando-se à parede.
– O que achou?
– Você pirou? – Annabeth pergunta, irritada.
– Eu só estava brincando. – Hazel explica.
– Sua brincadeira quase me matou!
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