O Sangue Do Olimpo
1 I. Leo
A PRIMEIRA COISA QUE LEO PENSOU foi que o Argo II estava arruinado.
Estava enevoado demais para que tivesse visto o ataque com antecedência. E por algum motivo o radar também não o previu.
Quando aconteceu foi de repente. Uma bola de fogo com metade do tamanho do barco atinge a proa. Festus emite uma série de estalos metálicos e soa um alarme.
Neste instante Valdez entrou em ação. Deixou os controles do Argo II no automático e correu para o convés para ver quem os havia atacado.
Antes do ataque já estava bastante enevoado, mas agora a fumaça era mais densa que a neblina e tomava todo o convés. Leo agradeceu por ser imune ao fogo. As chamas se espalhavam para todo lado, mas ele conseguiu controla-las.
Olhou para cima, e pendurado no mastro havia um dragão, expelindo um gás verde pelas narinas. Os enormes olhos vermelhos esperavam famintos por uma presa.
Quando notou a presença de Leo, o dragão avançou com a boca aberta para cima dele. O garoto só tem tempo de pular para o lado. O monstro, sem tempo de desviar, atinge a ponte de comando com toda a força, trincando o vidro da janela.
- Leo! – era a voz de Percy chamando-o.
- Fiquem ai! – Leo grita de volta – A fumaça vai sufoca-los!
Todos os outros integrantes do navio estavam dormindo, aproveitando o momento de paz, enquanto navegavam pelas últimas milhas do mar Jônico. Com o alarme, provavelmente pularam de suas camas com as armas em punho.
Leo buscou em seu cinto de ferramentas mágico alguma coisa útil, e puxou um enorme martelo. E correu na direção da fera. Atinge um belo golpe na imensa mandíbula. A fera geme, mas torna a atacar e engole o martelo, por pouco não mordendo também a sua mão.
Soprou um vento forte, que levou toda a fumaça para longe, e Leo viu Jason subindo para o convés. Sabia que o filho de Júpiter havia feito aquilo.
Em seguida, uma onda grande e direcionada, deslocamento milhares de litros d’água atinge o dragão, jogando-o para fora do barco. Percy aparece com ar de vitória.
No entanto, o golpe não foi o suficiente. A fera emergiu e agora, sem fumaça, podia ser visto com clareza. Era enorme e parecia furiosa. As garras e os dentes eram ameaçadores. As asas batiam com força e velocidade incríveis. O couro esverdeado parecia impenetrável. Abriu a boca e cuspiu fogo a bombordo do navio.
- Festus, prepare-se para o ataque! – diz Leo, dando um comando de voz para o Argo II preparar os escudos e os canhões. – Agora!
Uma bala de canhão é disparada do navio, atingindo o dragão em cheio. O tiro não surte efeito, já que o dragão não parece abalado e volta a investir contra eles.
- Percy! Fogo! – fala Annabeth, apontando para o popa do navio.
Percy imediatamente desloca uma onda para as chamas e as apaga, embora jogasse água para dentro do Argo II.
Leo nota pelo canto do olho Jason movimentando os braços de modo a controlar o ar ao seu redor, e no instante seguinte um espírito da tempestade na forma de um cavalo composto por turbulentas nuvens negras que tinham cheiro de ozônio se materializa na frente do filho de Júpiter.
Jason agarra o pescoço esfumaçado do cavalo e monta nas suas costas. O garoto retira da cintura os gládios que havia ganhado de presente de Hera e parte para o ataque.
Leo não entendia como Jason se mantinha montado nas costas daquele espírito. Parecia que as nuvens eram sólidas.
- Vamos Tempestade! – grita Jason.
O cavalo de Jason galopeia e alça voo, partindo para cima do dragão, que reage lançando chamas em sua direção. O garoto desvia e golpeia a fera com os gládios.
Jason e Tempestade conseguem chamar a atenção do dragão e afastá-lo do Argo II. Ficam trocando golpes violentos. Até que o dragão dá um golpe com o rabo e Jason é lançado contra o convés do barco com seu cavalo. Ao atingir o piso de madeira Tempestade se desfaz em uma explosão de fumaça, soltando faíscas.
Frank lança-se na direção do dragão, que já estava mais próximo do barco. Consegue subir nas costas da fera e agarra-se em seu pescoço. O monstro se debate, tentando derrubá-lo.
- Frank, não! – Hazel gritava, tentando se livrar dos braços de Piper, que a segurava na intenção de mantê-la afastada de zona de maior perigo.
Annabeth ajudava Jason a se levantar. Ele tinha um corte no tórax, que começava próximo ao umbigo e subia até o ombro esquerdo.
O monstro solta mais uma violenta rajada de fogo em direção ao barco, e não fosse Leo ter manipulado as chamas que a fera expelira o Argo II teria incendiado mais uma vez. Frank acaba desequilibrando e tomba, caindo no mar.
Hazel e Piper correm até a borda, embora agora estivessem mais perto do dragão. Percy manipula a água e traz Frank de volta a bordo.
Leo decide que já estava na hora de vencer aquele dragão.
- Ei lagartinho idiota, o senhor Valdez está aqui! – ele põe as mãos na cintura numa posse que soou mais idiota do que havia planejado.
Quando consegue a atenção do monstro Leo tira do cinto de ferramentas um sinalizador. E dispara.
A luz vermelha sobe dezenas de metros. Atraído por ela, o dragão tenta e engoli-la e voa para cima.
- Festus... sabe o que fazer! – diz Leo.
O dragão de bronze preso à proa emite sons de confirmação. Vários canhões ao longo do navio apontam para cima e disparam em uníssono.
Em um segundo há um festival de luzes, pó amarelo e fumaça.
- Estão todos bem? – ele pergunta, mas é aí que se lembra de Frank e Jason, ambos machucados.
Piper dava um pouco de ambrosia para o namorado comer, enquanto Percy tirava a água dos pulmões de Frank.
- Porque o radar não o percebeu? – Annabeth pergunta se aproximando de Leo.
- É isso que vou olhar agora! – o garoto volta à ponte, onde uma série de gráficos, telas e botões deixariam qualquer outro confuso.
Leo olhou intrigado para a tela que indicava o radar. Aparentemente funcionava como deveria. Foi quando outra tela chamou sua atenção. O acampamento meio-sangue está em apuros.
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