O Sangue Black (REESCREVENDO / HIATUS)
10 Bem Vindos à Hogwarts.
Notas iniciais
Frank era engraçado e simpático. Quando entramos na cabine ele me cumprimentou animadamente e fez várias piadas para quebrar o gelo, por mais que eu não entedesse a maiora. Ele nos falou da viagem que havia feito para um lugar exótico a procura de plantas por causa do seu pai que seria nosso professor de Herbologia e sobre os animais incríveis que também tinha visto.
– E o que vocês fizeram? – Ele perguntou, finalizando sobre como havia visto um bruxo congelando um ovo de Cinzácaro, uma espécie de cobra que nasce do fogo ou coisa do tipo, perigosa.
– Eu praticamente fui expulsa da minha antiga escola, vim para Londres por causa do meu pai, conheci esses energúmenos, – apontei para James e Fred, os únicos além de Frank e eu na cabine – passei um pelo pel’A Toca e agora cá estou eu.
– Wow. – Frank soltou e riu, me fazendo rir junto por que a risada dele é engraçada.
– Nem imagina o que aprontamos pel’A Toca, dude. – James falou e logo eu e Fred começamos a narrar nossas aventuras também.
Frank se divertia com o que falávamos para ele, continuamos falando histórias e principalmente sobre marotagens deles em Hogwarts e as minhas em Portinacci. Só paramos de falar quando uma moça gordinha chegou num carrinho vendendo doces, e é claro que compramos de tudo para comermos enquanto não chegassemos em Hogwarts.
– Você definitivamente é Grifinória. – Frank falou.
– É claro, ela é das nossas. – James se animou, sacudindo-me pelos ombros.
– O que é Grifinória? – Perguntei, estava perdidinha nessas coisas que eles falavam. Os três me olharam como se eu tivesse brincando, e tive de esclarecer. – Se for algo da escola como acho que é, meu primeiro ano aqui, falou?
– Ah! Verdade, desculpe. – Fred se desculpou e logo eles me explicaram um esquema sobre a escola ser dividida em casas e etc.
Não sei por que mas aquilo tudo me lembra aquelas gincanas que professores fazem pros alunos competitivos se comportarem melhor. No meu caso, nunca dava certo.
– Mas no final o que a casa vencedora ganha? – Perguntei, colocando um alcaçuz roxo na boca.
– Uns pontos no ano seguinte, a decoração do salão principal no último jantar e, é claro, a chance de esfregar nas outras casas. – James enumerou pra mim.
– Me parece justo. – Falei fazendo cara de not bad. – Eu que escolho para que casa vou? Tem algum tipo de teste?
– Tem um teste que é na frente de toda escola, umas das piores coisas do primeiro ano. – Fred falou com uma careta.
– Ninguém me avisou disso! – Exclamei, indignada. – Não tem como vocês me falarem o que é?
– Você tem que lutar contra um trasgo. – Disse James. Oh não. Não, não podia ser, cara. PQP. Já estava começando a pirar quando vi a confusão na cara do Frank.
Duh, é práticamente impossível para crianças do primeiro ano lutarem contra trasgos. Menos pro trio de ouro, mas eles são outro caso (é, eu sei praticamente a biografia completa dele por causa do meu pai).
– Só se o trasgo for você, né cabeça oca? – Bufei para James, que ficou desapontado. – Tentar me pregar uma pegadinha é uma coisa, ter sucesso nisso é outra. — Dei lingua pra ele, que deu lingua de volta, então dei lingua pra Fred que havia o ajudado e ele mandou para Frank que deu fim naquilo tudo.
– Nossa, somos tão maduros, uau. – Ele riu e eu mandei lingua pra ele novamente, que dessa vez mandou de volta.
~*~
A viagem foi cansativa. Ficamos o dia todo dentro daquele trem, e quando havia escurecido eu sai para colocar o uniforme. Na verdade eu só troquei de blusa por uma branca de botões, troquei minha capa por uma totalmente preta e pendurei uma gravata preta com o brasão de Hogwarts na ponta no meu pescoço. Os meninos estavam bonitinhos com a capa de linhas vermelhas e douradas e aquele leão no brasão. É, neles vermelho fica bom.
Já estava meio tarde quando chegamos à estação de Hogsmeade e James já havia sumido com alguma garota. Fred havia se encontrado com uma menina mais cedo mas já havia voltado e o único que não me deixou sozinha momento algum foi Frank. Ele me falou que era tímido para ir atrás da garota que gosta, e se não fosse ela pra que mais alguém? Fofo, mas ilusão demais. Sim, eu sou do tipo que não acredita no amor. Pegação é pegação, amor é outra coisa.
Enquanto saia do trem com Fred e Frank (quanto F) Lizzie me parou.
– Lynx, a diretora McGonagall me pediu para te acompar numa carruagem especial até a sala dela. – Ela falou arfando, parecia que havia corrido bastante.
– Okay. Vejo vocês depois, garotos! – Falei e me despedi dos dois com um aceno. Já havia começado a andar quando senti um puxão no meu braço.
Me virei para ver quem era e vi Fred, apontando para sua bochecha.
– Cadê meu beijo? – Ele questionou.
Revirei os olhos e beijei o lugar indicado por ele.
– Okay, está liberada. Boa sorte com a Mimi, baixinha. – Fred me soltou e Lizzei começou a andar, me fazendo a seguir, sem nem ter chance de retrucar o que Fred disse.
A carruagem que ela entrou era como as muitas que tinham por ali, mas estava fechada e só ela pode a abrir. Me sentei perto da janela e magicamente as carruagens começaram a andar.
– Você sabe por que a diretora me chamou? – Perguntei para ela, que checava um tipo de agenda em seu colo.
– Você não está em encrenca ainda não. – Lizzie riu, mostrando as covinhas. – Seu caso é diferente dos alunos do primeiro ano, então ela vai te explicar tudo e te encaminhar pro salão principal, não deve demorar muito.
– Ah. – Soltei aliviada.
Lizzie sorriu largamente para a janela, que ficava atrás de mim. Com um aceno ela me incentivou a olhar também, então logo me virei e comtemplei a vista que se erguia diante dos meus olhos: um enorme castelo cheio de torrinhas, luzes e bandeiras. Vi minha boca se abrir e não podia desgrudar os olhos daquilo.
– É idiota, mas não tem melhor definição para isso que mágico. – Lizzie sussurou e eu concordei com ela, encantada pelo castelo. Deixava os blocos e prédios de Portinacci no chinelinho, e duvido que algum dia chegarei a ver coisa tão incrível como esse castelo.
A medida que a carruagem se aproximou podia ver cada vez mais detalhes. Vagamente me lembrei de Castelo Rá Ti Bum, ri desse pensamento.
– Vamos. – Lizzie pulou para o chão de pedras e logo a segui. Ela parecia conhecer muito bem os corredores e pelo visto haviamos chegado antes que a maioria da escola, pois ainda não ouvia o falatório. Andamos por muitos corredores que tinham quadros variados pendurados e pude sentir os olhares em mim e eles questionavam uns para outros quem eu era.
Nós paramos na frente de uma gárgula bem trabalhada em pedra.
– Wulfrico. – Lizzie falou e a gárgula se movimentou, abrindo a passagem.
A escada que dava para a sala era estreita e tortuosa, então tive que prestar atenção em cada degrau para não tropeçar e cair do meio dela pro andar de baixo. Eu tenho uma facilidade enorme em cair em escadas, então isso seria molezinha. A sala da diretora era enorme e até que com bastante espaço livre, com tapetes antigos e estantes com mais variados livros e objetos, fora a grande parede com quadros de ex-diretores. Na frente dessa mesa tinha uma mesa, e entre a mesa e a parede uma senhora com cabelos brancos presos em um rígido coque, vestido verde escuro e um chápeu pontudo estava sentada.
– Boa noite srta Black. – Ao ouvir meu nome os quadros atrás dela se inquietaram, me observando e fazendo comentários, menos um senhor de barbas longas e oclinhos meia lua que me encarava com um brilho nos olhos e um cara com cabelo preto liso e um grande nariz, que me encarava com curiosidade e um misto de avaliação. – Sou a diretora Minerva McGonagall e te chamei aqui para lhe explicar como você será selecionada. Não irá demorar, mas se quiser se sentar, fique à vontade.
– Certo Mimi. – Me sentei em uma das cadeiras dispostas e percebi o velhinho dos oclinhos meia lua sorrir.
– Srta Woodley, se quiser pode ir que eu acompanharei a srta Black ao salão principal. – Minerva falou e Lizzie assentiu, indo embora.
– Quanta formalidade. Olha diretora, se não for falta de respeito a senhora pode me chamar de Lynx mesmo, ok? Nem que seja só quando estivermos a sós. – Falei para ela, que riu de leve.
– Compreendo, Lynx. – Minerva sorriu e logo mudou seu tom, para me explicar. – Creio que por ter ficado em companhia dos Weasleys e Potters já saiba do esquema de casas, não? – Eu assenti. – Certo. Normalmente os alunos do primeiro ano são selecionados antes do meu discurso, no salão principal. Então por você estar sendo transferida será selecionada logo depois deles, e enquanto ocorre a seleção deles você aguardará junto aos alunos não selecionados, e assim que for selecionada poderá ir se sentar na mesa de sua nova casa. Alguma dúvida?
– Quando é o jantar? – Perguntei já com indícios de fome.
– Logo após meu discusso.
Assenti e nos direcionamos ao salão principal, onde vários olhares se direcionaram para mim e a seleção já estava em andamento. Me surpreendi ao ver um Chápeu que era posto na cabeça das pessoas falando. A criança parecia surpresa e travar uma briga interna, como se ele estivesse falando com ela dentro de sua cabeça. Enquanto uma menina gordinha era selecionada me deixei observar o salão, que apesar de ser enorme estava cheio. O teto era incrível, como se não tivesse tijolos à cima de mim. Não sabia como aquilo devia ser feito, mas duvidei que não houvesse teto de fato.
– Woodley, Christopher – Um cara bem parecido com Frank, que eu deduzi ser Neville, o pai dele e nosso professor de Herbologia, chamou me atraindo a atenção por ter o mesmo sobrenome que Lizzie. O menino parecia muito com ela, até com a covinha aparente de seu sorriso de nervoso.
Levou cerca de alguns segundos para o chápeu anunciar sua casa.
– CORVINAL. – Ele gritou e a casa estorou em palmas. Christopher correu até Lizzie que está em pé aplaudindo a abraçou, que apenas riu e fez carinho em sua cabeça. Com certeza eles tem algum laço parental.
Vegetei por uns segundos enquanto trocava caretas com Dominique, que estava sentada na mesa da Grifinória. Molly e Louis haviam sido selecionados para Lufa-Lufa e Corvinal, respectivamete. Quando a última criança havia sido selecionada para a Sonserina Minerva se levantou.
– Esse ano temos um caso especial. A senhorita Lynx Black foi transferida da Escola de Magias e Bruxarias do Brasil, a Portinacci, para cá e será selecionada agora. Srta Black, por favor.
Me aproximei do banquinho enquanto o professor Longbottom segurava o Chápeu. Me sentei e fechei os olhos, pronta para ser selecionada.
“Nossa, nunca vi mente tão bagunçada.” Uma voz falou dentro da cabeça e de inicio não pude entender o que estava acontecendo. “Lynx Black.. O que isso tudo esconde?”
– Ótimo, um chápeu velho está me chamando de maluca. – Resmunguei com raiva, o que fez o professor soltar uma risadinha por ter ouvido.
“Seu sangue, sua linhagem... Sonserina de certo. Você tem ambições e fará de tudo para as alcançar. Mas seus pensamentos, seu coração é puro Grifinória. Tão, tão parecida com ele...”
– Que porra? – Exclamei em sussuro, em português. Não entedia bulufas do que aquele monte de pano falava, e a minha mente que era a bagunçada. Se bem que chápeus não tem mentes.
Ele continuou na mesma por um bom tempo, parecia que tudo estava congelado. O Chápeu Seletor não falava nada nem voz alta ou na minha mente. Todos me encaravam intrigados e eu só queria que aquela tensão acabasse.
“É mais parecida que o que poderia ser bom para você. Se prepare Lynx Vega Black,a herdeira do sangue Black, nada será fácil e você precisará das pessoas do seu lado, nunca se esqueça disso. E não há outro lugar em que poderá ter isso se não..”
– GRIFINÓRIA! – o Chápeu gritou, ecoando por todo salão em silêncio que logo se encheu de aplausos. Suspirei aliviada, tirei aquele monte de tecido da minha cabeça e fui me sentar junto ao Fred, James e Frank enquanto percebi minha capa e gravata ainda pendurada ao meu pescoço tonalizarem vermelho e dourado.
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