O Sacrifício
1 Graças a você, eu consegui
Notas iniciais
O Sacrifício
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PWP – SasuLete – UN
Colete não sabia quando aquilo começou.
Ele sentia-se enojado por estar sempre no corpo daquela garota, que se esfregava em ninjas doentes e ensanguentados, poluindo seu algodão e poliéster com os germes de outras pessoas. Sua vida era tão monótona e insossa desde que aquela guerra começou... seus melhores momentos eram quando a garota, sutilmente, tirava de dentro do bolso uma foto com outros humanos e postava-se a admirá-la por minutos.
O moreno com orbes de pura negritude e pele de alabastro lhe chamava a atenção.
Ele era lindo. Como nenhum outro humano poderia ser.
No entanto, Colete sabia que conhecê-lo seria impossível. O rapaz, ao que parecia, havia crescido e se tornado um desertor maquiavélico. O pensamento mais pueril de Colete girava em torno de um momento em que ele se redimisse e retornasse.
Colete apenas não esperava que seu desejo se tornaria um fato.
Enquanto a garota curava o insuportável moleque de cabelos dourados e pele bronzeada, o moreno saltou a sua frente. Disse o nome da kunoichi, mas seus olhos estavam no Colete, que corou em tons esverdeados.
Oh, ele me notou.
Sasuke nunca vira uma roupa chuunin tão onipresente, era como se a única coisa que estivesse em seu campo de visão fosse aquele pedaço de pano tão simpático. Quase como se eles tivessem uma ligação.
E ele sorriu quando Sakura, falando qualquer baboseira sobre também ser forte, pulou e socou os clones juubi, pois o Colete ondulou de modo tão sensual que ele não se controlou. Queria tocá-lo e apreciar aquela textura que somente o Colete poderia lhe proporcionar. Senti-lo envolta de seu corpo, lhe acariciando nas partes mais sensíveis de seu tronco.
Sasuke jogou esses pensamentos para longe, não era o momento certo para esses desejos. Viu ao longe a vestimenta, concentrada na batalha em meio àqueles monstros.
Foi inevitável, logo depois, salvar ao mesmo Colete, que poderia sofrer um dano horrível e irremediável por erro da dona. Por diversos momentos, durante a luta, o Uchiha pegou-se pensando no pano verde, no modo como ele parecia quentinho e em como o irritava o fato da Haruno não protegê-lo como se deve.
O próprio Colete, no entanto, estava no sétimo céu, via como o vingador lhe mirava, como lhe protegia e preocupava-se com sua segurança. Talvez fosse aquilo que os humanos intitulavam como “amor”, os fios de seu tecido se arrepiaram só de pensar.
Entretanto, como todo casal destinado a ter um romance avassalador, havia também a crise de um contratempo não esperado. Após Sasuke ser atingido por Madara e voltar com mais poderes que dinheiro em bolsa de puta no fim da festa, uma batalha iniciou-se e um novo inimigo apareceu: Uma mulher colossalmente burra, recebendo ordens de uma gosma preta a quem, supunha-se, ser seu filho.
A gosma rapidamente correu para dentro da roupa da mãe, instalando-se na manga desta, e Colete viu ali seu pior inimigo indumentário.
Em dado momento, Sasuke se irritou com a falta de cuidado de Sakura com o Colete, disse que ela era inútil, como se sua morte não alterasse em nada.
Ninguém entendeu nada. Como o Uchiha poderia ser tão cruel?
Colete, claro, magoou-se com suas palavras rudes. O que Sakura pensou que fosse seu suor, na verdade, eram as lágrimas da peça. A morte da Haruno, afinal, significava a sua, praticamente.
Colete apenas não entendia que o Uchiha preferia perdê-lo agora a aprofundar seus sentimentos se, porventura, não pudesse salvá-lo a tempo do inevitável. Mesmo assim, reunindo todo o orgulho entremeado em seu algodão e poliéster, Colete não desanimou, confiava no vingador.
Mesmo quando eles foram separados pelas teias do destino.
Kaguya colocou-os em dimensões diferentes, dividindo dois amantes não concretizados. Colete desesperou-se, querendo arrancar-se do corpo daquela kunoichi e desbravar as dimensões ninjas em busca de Sasuke, iria envolver seu corpo sensual, moldar-se à seus músculos bem delineados e protegê-lo do frio, da chuva, do calor, do que diabo fosse.
Felizmente, no entanto, os humanos pensaram num plano. Com muito esforço, a Haruno, ao lado de um homem de rosto deformado, buscou o Uchiha por várias dimensões.
Numa delas, desenrolando uma inevitável tragédia, Colete se feriu gravemente.
O ácido corrosivo destroçou parte de seus membros, seus fios, sua cor e forma. Seu algodão e poliéster foram reduzidos a nada. Colete sentiu dor. Sofreu. Mas seus pensamentos não fugiram do moreno. Sasuke-kun! Descartado como um pano velho, Colete foi jogado no chão, oscilando de dor e desesperança. A agonia percorreu seus emaranhados de linha. Mesmo após seu sacrifício não houve um mínimo vislumbre de seu amor.
A roupa deixou-se ser engolfada pela sensação de perda e fracasso, chorando silenciosamente.
No entanto, nem tudo estava acabado. O, agora trapo, surpreendeu-se ao ouvir aquele nome:
— Sasuke-kun!
A mulher gritou, Colete viu um portal se abrindo e, através dele, Sasuke.
Colete quis ir até ele, mas estava muito fraco, definhava.
Pelo portal, trocou olhares com o Uchiha, que vinha em sua direção, seu rosto transparecia aflição, pressa, a visão do Colete estirado ao chão, ferido, encheu-lhe de pavor disfarçado. Colete deu-lhe um sorriso conciliador – na linguagem dos tecidos, era um leve amassar, facilmente confundido pela ação do vento –, Sasuke entendeu o que o sorriso queria dizer. Para ir para a dimensão de Sakura e Obito, ele precisaria se trocar por algo.
Sasuke hesitou. Como ele poderia fazer uma coisa dessas?
Vamos, meu amor, não vacile, eu já estou morrendo, Colete pareceu dizer.
Então, apertando os olhos e os punhos, ao ponto das juntas ficarem brancas, Sasuke nublou seus pensamentos e ativou sua nova técnica. Onde Colete esteve, agora ele estava. A troca fora realizada.
E como um último fiapo de linha puxado, Colete se sacrificou.
A pobre peça de roupa definhava sob o sol do deserto, enquanto Sasuke amparava a Haruno e pegava seus germes apenas porque não tinha nada melhor para fazer, apenas porque ela, outrora, esteve grudada com Colete nos mesmos locais em que encostavam-se a ele.
Era um modo, muito sutil, de sentir seu quase amante. Ainda podia perceber o resquício de calor dele ali, nas costas da Haruno.
— Graças a você, eu consegui — O Uchiha disse, sabendo que o Colete jamais ouviria suas palavras de puro agradecimento.
Sasuke enviou seu olhar de desprezo a Haruno, por ser tão egoísta, antes fosse a kunoichi morrendo no deserto do que o Colete. O pobre trapo estaria apenas esperando, solitário nas areias infernais, o dia em que reencarnasse em outra peça e pudesse ver seu amado tão deslumbrante como sempre.
A pele esverdeada, num derradeiro pensamento, ainda desejou renascer como a cueca do Uchiha, partindo dessa para a terra da Tecelaria Celeste. Mas sabia que era impossível, uma vez colete, sempre colete. No entanto, eu voltarei, meu amor.
Sozinho novamente e sofrendo com o luto, sem sequer poder demonstrar, Sasuke consolidou seus planos ainda mais, enquanto Colete não voltava para seus braços (mesmo que nunca houvesse estado neles), ele teria que construir um mundo melhor onde os todos coletes – e, principalmente, o seu favorito – pudessem sobreviver sob a paz e em boas condições de vestimenta.
Porém, nada vem fácil, só havia um modo de chegar nesse ponto tão utópico: Por meio de uma fodida revolução.
... Fim ...
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