O Sacrifício da Sétima Lua
2 Primeiro Capítulo: Aos Olhos da Alma
Notas iniciais
"Diga minha poesia
e esqueça-me se for capaz.
Siga e depois me diga
quem ganhou aquela briga
entre o quanto e o tanto faz."
— Paulo Leminski
***
Enquanto Alma estava na cozinha fazendo barulho com tilintar de talheres e copos sendo lavados, Constância encontrava-se finalmente a sós com Brianna e Julieta na sala de jantar, e ficou por uns segundos observando as duas garotas conversarem entre risos.
— Nós precisamos ter uma conversa. — Constância interrompeu falando baixo. — Abuela já está triste com esta situação.
O sorriso de Brianna apagou-se gradativamente.
— Por favor, madrinha...
Constância era madrinha de batismo de Brianna, seus pais eram fervorosos membros da igreja católica. Julieta franziu as sobrancelhas olhando sua amiga e depois sua mãe.
— O que está acontecendo com abuela? — ela perguntou baixo.
Constância não respondeu de imediato e Brianna ficou quieta, desviando o olhar.
— Por favor! — Julieta insistiu numa exclamação quase alta.
Brianna suspirou com exaustão.
— É por que eu não moro mais aqui. — ela disse exasperada.
Brianna era mais que amiga da família e melhor amiga de Julieta. Brianna era irmã e também era filha. Literalmente. Os pais de Brianna faleceram num incêndio misterioso numa floresta distante em Yucatán, tudo o que ela sabia era que seus pais estavam fazendo uma viagem de carro no final de Agosto quando houve uma tempestade e o carro derrapou. Em seguida uma árvore caiu sobre o carro deixando-os presos e então houve um incêndio, os corpos não puderam ser enterrados. Brianna tinha apenas seis anos e teve que dormir duas semanas sob custódia federais como órfã. Tomás e Constância, padrinhos de Brianna, não hesitaram em adotá-la e assim Brianna cresceu como uma González García.
Julieta sabia que Brianna tinha ido morar na casa dos seus pais dois anos depois que se mudou temporariamente para Inglaterra, ela lembrava-se do dia exato em que Brianna, Alma e Constância ligaram quase ao mesmo tempo para contar da situação. Abuela chorou, Constância deu um sermão em desabafo e depois chorou, Brianna deu um discurso cheio de culpa e chorou também. Tomás ligou pela noite, mas foi completamente compreensivo, assim como Julieta, e foram os únicos que apoiaram totalmente a decisão de Brianna.
— Ela quer viver na casa que os pais deixaram para ela, você precisa entender. — disse ele para sua ex-mulher, e agora sua amiga, Constância.
Julieta negou devagar e olhou sua mãe, e quando ia dizer algo, Alma retornou.
— Por que o silêncio, hein? — a senhorinha vinha com um sorriso.
Alma era radiante. Uma senhora rechonchuda e pequena, de pele escura e olhos grandes e negros, muito altivos, carregava grande sorriso e um porte muito elegante. A semelhança entre ela e sua filha Constância era imensa, se bem que sua filha é um pouco mais alta e os olhos são mais claros.
Abuela estava sempre com xales e saias lisas, também adorava uma jaqueta de botão bem colorida! Hoje ela usava um xale cor de creme e um belo colar de pedras pretas. Brianna abraçou Alma com carinho, e elas permaneceram assim por alguns segundos.
— Não posso voltar. — Brianna disse com cautela quando se afastou.
Abuela suspirou e passou os dedos pelo cabelo negro e avolumado da sua neta.
— Fico triste que não posso ter minhas duas netas queridas vivendo comigo. — Alma começou. — Passe pelo menos os finais de semana, não deixe seu quarto empoeirar!
Brianna soltou uma risada singela.
— Tudo bem, os finais de semana. — ela disse com um sorriso e virou-se pra sua madrinha.
— Estou a poucos minutos daqui e venho todos os dias. — Brianna começou.
Constância suspirou e assentiu devagar.
— Fico preocupada. Eu sou mãe, não posso evitar. — a mulher disse cheia de pesar.
Julieta sorriu e abraçou sua irmã pelas costas.
— Então a Anna passa os finais de semana com a gente e não temos um drama, certo? — Julieta perguntou olhando diretamente para sua mãe.
Constância inspirou devagar e expirou, e soltou um sorriso doce.
— Certo.
Alma sorriu largo.
— Os momentos que eu tenho com todas as minhas meninas é o que importa. — abuela disse orgulhosa.
A noite terminou delicada, mas tranquila. Brianna e Julieta subiram para dormir e decidiram que num dia como aquele ficariam no mesmo quarto. Julieta fechou a porta e finalmente tirou seu celular da mala, colocando-o para carregar e em seguida separou seu pijama. Brianna jogou-se na cama dividindo espaço com a mala bagunçada de Julieta, deitando-se de lado e observando sua amiga
— E o amor, Jules?
Julieta soltou uma risada espontânea, virando-se para a cama.
— Mas que espontânea. — a garota disse voltando-se para pegar seu pijama e quando finalmente o achou tirou a roupa que usava e começou a vesti-lo.
Brianna revirou os olhos sentando-se na cama.
— Eu tinha esperanças que você finalmente se envolvesse com alguém na faculdade. — disse Brianna com expectativa. — Você tem vinte e três anos, um diploma de ensino fundamental, três prêmios na feira de ciência, um diploma de inglês, um diploma de português, um diploma do ensino médio, um diploma na faculdade e um total de zeros diplomas no amor!
Brianna pontuou enfatizando o final da frase.
— Foram quatro prêmios de feira de ciências. — falei com displicência. — E eu me envolvi sim.
Julieta deu os ombros e entrou no banheiro. Brianna levantou-se da cama e ficou parada na soleira da porta do banheiro.
— Não estou falando de sexo, Julieta. Estou falando de se estar apaixonada.
Julieta não lhe deu atenção e começou a escovar os dentes.
— Você é amarga. — Brianna soltou ferina e ficou encarando o reflexo de Julieta no espelho, com a boca cheia de pasta de dente.
Julieta terminou de escovar os dentes e virou-se para sua amiga.
— Eu não sou amarga, Brianna. — Julieta começou. — Não é por que você enxerga o mundo com todas as possibilidades de encontrar o amor da vida que eu tenho que fazer o mesmo. Eu não duvido do grandíssimo verdadeiro amor que você prega, inclusive ele deu muito certo pra muita gente e em muitos livros que eu li aos dezesseis anos.
Julieta retornou para o quarto, empurrando a mala de cima da cama e largando-a no chão, ainda não totalmente vazia.
— Amarga. — Brianna cantarolou provocativa e foi também escovar seus dentes.
Julieta apenas ignorou. Conhecendo bem Brianna aquela discussão se estenderia uma madrugada inteira e teria de ouvir lições amorosas de uma aprendiz de Nicholas Sparks e Shakespeare contemporâneo. Então pegou os cobertores no armário e ajeitou a cama, antes de se deitar deu uma olhada na janela, Julieta sentiu muita falta daquela visão linda das perfeitas casas e árvores de Mérida.
Julieta pegou seus óculos cor de vinho para observar a janela com mais afinco e estranhamente notou algo na última casa da rua, que não ficava distante o suficiente para que não pudesse observá-la bem. Julieta estreitou os olhos e enxergou uma das janelas da tal casa e viu alguém. O que não era estranho por que pessoas ficavam observando o mundo através de suas janelas, e afinal Julieta estava fazendo exatamente isso. Algo a instigou e ela foi até sua mala e remexendo nela achou sua câmera profissional.
— Esteja carregada, por favor. — ela sussurrou.
E estava. Julieta foi até a janela e colocou o olho no foco, apertou o zoom e teve uma clara visão da janela. Alguém estava lá, mas não era possível ver seu rosto. A pessoa fazia exatamente o mesmo que Julieta: apontava para ela com uma câmera tentando enxergá-la. Ela desligou a câmera no mesmo instante, jogou-a na poltrona e fechou as cortinas.
— Tudo bem? — Brianna saiu do banheiro usando seu pijama rosa e com seus longos cabelos negros amarrados num rabo de cavalo.
Julieta assentiu.
— Aham, sim. — ela disse esfregando o couro cabeludo devagar e falando um pouco rápido.
Brianna aproximou-se com as sobrancelhas levemente unidas.
— Jules...
Julieta sacudiu os curtos cabelos castanhos e estirou as costas devagar.
— Estou exausta e doida pra voltar pra minha cama. — ela disse preguiçosamente arrastando-se para sua cama com cobertores cinza.
Brianna não disse mais nada e deitou-se no seu lado da cama, sempre preferencialmente o esquerdo. Julieta estirou a mão pela parede e desligou a luz. Ambas aconchegaram-se na cama.
— Boa noite, Jules. É bom tê-la de volta. — Brianna disse com a voz começando a embargar de sono.
Julieta ajeitou seu rosto no travesseiro.
— Boa noite, Anna. É bom retornar.
Brianna caiu no sono em instantes, Julieta não.
***
O dia amanheceu da forma como deveria: o sol se abrindo com firmeza. Julieta sentou-se em sua cama e levou alguns segundos para se recordar de que estava de volta ao seu quarto. Como o habitual, ela olhou para o lado e viu que estava sozinha. Nove horas da manhã e Brianna já devia ter dado duas voltas no quarteirão.
Julieta sentou-se em sua cama e ligou a luz do quarto. Antes de levantar-se olhou sua janela e teve flashes do que aconteceu na noite anterior. Alguém na janela observando-a, do mesmo jeito que ela observava. Respirou fundo, esfregou seus olhos e antes mesmo de ir ao banheiro, pegou seus óculos e abriu as cortinas. O sol iluminou sua pele negra como se a reconhecesse, e Julieta pôs os olhos na tal última casa – que estava mais para mansão – e não viu ninguém na janela do dia anterior. Negou levemente e olhou a rua no geral, havia algumas pessoas fazendo caminhadas ou varrendo suas calçadas: o outono estava na porta.
Suspirou e fechou janelas. Tirou os óculos e entrou no banheiro, era o momento de lavar o rosto e escovar os dentes.
***
Brianna bateu a porta devagar quando entrou em casa, trazendo em mãos um pote de geleia. Caminhou até a cozinha balançando a cabeça no ritmo da música que ouvia nos fones de ouvido, deixou a geleia sobre a pia e esticou o braço para pegar torradas no armário de cima, após pô-las ao lado da geleia, abriu a geladeira e pegou a jarra de cerâmica cheia de suco de uva. Assim Brianna dava início ao seu café da manhã.
— Bom dia! — a voz melodiosa de Julieta invadiu a cozinha
Ao notar que sua amiga não a escutava, Julieta arrancou delicadamente os fones de ouvido da garota. Brianna olhou-a com a boca rígida e testa enrugada.
— Bom dia. — sua voz soou mal humorada.
Julieta teria se preocupado se aquele não fosse o humor matinal usual de Brianna. Pegou a garrafa térmica em cima do fogão fechado e colocou café numa xícara. Café preto e sem açúcar era a bebida preferida de Julieta.
— Onde está a mamãe? — perguntou.
Brianna tomou um gole de suco e virou-se para Julieta, encostando-se na pia. Julieta fez o mesmo no fogão.
— Foi comprar tinta. — ela disse e mordiscou uma torrada cheia de geleia. — Você precisa ver os jarros lindos que ela tem moldado.
Constância fazia artesanatos em seu tempo livre, quando não estava na confeitaria. Há mais de quinze anos ela decidiu abandonar a vida de publicitária e se dedicar ao que realmente a deixava feliz: doces e cerâmicas. Das suas mãos saíam lindos conjuntos de xícaras e pires de cerâmicas, jarros, molduras de quadros que ela mesma pintava; e também doces de coco, tortas de banana, bolos de chocolate, bolinhos de chuva e rosquinhas de maçã. Constância era uma artista com os pincéis e com os fornos.
Julieta deu um sorriso de lábios.
— Sinto saudades de me sujar de tinta no ateliê dela e tentar fazer alguma coisa que preste com a argila. — ela disse e Brianna riu. — E abuela?
Brianna colocou seu copo na pia e guardou as torradas.
— Quando eu acordei, ela estava acendendo incensos na sala e rezando. — a garota guardou a jarra de suco na geladeira. — E quando terminou disse que precisava sair, bem daquele jeito que ela fica às vezes.
Julieta assentiu devagar e terminou sua xícara de café, ficou segurando-a. Alma tinha seus momentos, era uma senhora muito perceptiva e sempre parecia entender tudo mais que todo mundo. Brianna e Julieta não questionam sua abuela desde o dia que em que ela as pediu que não fossem a uma festa aos dezesseis anos e então, não foram. Uma chuva horrível não apenas caiu, como causou um transtorno forte em todas as ruas das redondezas e ficaria impossível de buscar as meninas se elas tivessem saído de casa.
— Hoje nós vamos ao teatro. — Julieta anunciou cantarolando enquanto começava a lavar a louça. — Comprei nossos ingressos semana passada!
Julieta não precisava estar olhando para Brianna para saber que ela estava fazendo cara feia.
— Eu não aguento aquele concerto insuportável de violas e violinos que você me obriga a assistir! — Brianna reclamou expressivamente.
— Não é um concerto qualquer. O nome é Orquestra Sinfônica de Yucatán e é muito especial. — Julieta sorriu enquanto enxaguava um copo.
Brianna revirou os olhos.
— A sua sorte é que o teatro é belíssimo e me permite usar vestidos bonitos. — ela disse de braços cruzados. — E você vai poder usar o último vestido que costurei pra você.
Julieta secou as mãos no pano de prato e olhou sua melhor amiga.
— Deixo até você escolher os meus sapatos. — ela disse.
Brianna negou e soltou um suspiro.
— Como se eu não fosse fazê-lo. — e saiu da cozinha. — Vou separar os vestidos!
A última frase da menina esvoaçante de cabelos negros soou distante. Julieta encostou-se na pia fria e ficou olhando para o chão por alguns segundos. A pessoa na janela surgiu em sua mente. Apertou os olhos. Pensou em seu pai. Esfregou o rosto. Quando ia resmungar, o telefone da sala tocou. Seguiu até o cômodo e acomodou-se no sofá, então tirou o telefone do gancho.
— Olá? — Julieta atendeu.
— Olá, querida. — era a voz suave de Tomás.
A garota deu um sorriso tranquilo.
— Olá, meu pai. Onde o senhor está? — Julieta perguntou enquanto mexia em seus dedinhos do pé.
Tomás deu um suspiro cansado.
— Estou na Argentina. Posso demorar um pouco, mas o mais breve possível estarei de volta. Sinto muito não poder ter estado aí quando você chegou, quero ouvir tudo...
— Tudo bem, pai. Não precisa se justificar dessa forma. Eu entendo. — a voz de Julieta tinha um quê de desapontamento e compreensão. — Quando o senhor retornar, eu vou adorar contar tudo novamente, ah, e ao Matías também, claro.
— Estamos ansiosos para estar com você. — Tomás disse com tranqüilidade. — Agora preciso desligar, querida. Um beijo.
Julieta respirou fundo baixinho.
— Beijo, pai. — e colocou o telefone de volta no gancho.
Julieta ficou sentada no sofá escutando o silêncio agradável de sua casa, deixando seus pensamentos desocupadas e sua mente vazia. Seu sono não havia sido tranquilo, um sonho embaçado e confuso durou a noite inteira. Mas ela não queria pensar nisso. Encostou sua cabeça no sofá e meditou durante alguns minutos, estava quase cochilando quando a porta bateu.
— Droga. — Julieta murmurou meio grogue.
— Está dormindo no sofá, Juju?
Julieta deu um sorriso de criança e levantou-se do sofá. Desde sempre, somente Alma a chamava de Juju.
— Foi quase um cochilo, abuela. — a garota disse dando um estalinho na bochecha de Alma. — Onde a senhora esteve pela manhã?
— Decidi caminhar pela rua. — abuela disse enquanto sentava-se em sua poltrona amarela. — Estou velha e preciso estirar as pernas um pouquinho.
A senhora deu um risinho. Julieta retornou ao sofá.
— Brianna me disse que há um vizinho novo. — Julieta comentou levianamente.
Alma tomou uma expressão de seriedade repentina e virou o rosto lentamente até sua neta, com seus olhos negros bem altivos fitou a menina.
— É uma família. — abuela disse sem pausas. — Brianna esteve com eles?
Julieta juntou as sobrancelhas levemente e depois relaxou o rosto.
— Ela esteve com um rapaz, seu nome é Logan. É o que...
Alma apertou os braços de sua poltrona quando ouviu o nome do rapaz. Fechou os olhos com calma e na negritude viu uma lembrança daquela manhã.
— Bem vindos à cidade, sou Alma González, moro na segunda casa da rua. — ela estirou a mão com um sorriso simpático.
No belo rosto do rapaz, que trazia sinceridade e gentileza, se moldou um largo sorriso doce.
— É um prazer senhora González, sou Logan Hausen. — ele apertou sua mão e o sorriso de Alma desapareceu ao passo que seu corpo arrepiou-se.
Alma abriu os olhos da mesma forma vagarosa que os fechou.
— Abuelita. — Julieta falou com urgência quase indo sacudir os ombros de abuela. — A senhora sempre me assusta muito com esses espasmos de quietude!
Alma negou devagar, colocando delicadamente sua mão em sua cabeça como se sentisse dor. Ajeitou a postura e respirou fundo, ficou calada quando ouviu passos descendo a escada.
— Jules, eu já separei os vestidos! — a voz de Brianna chegou à sala. — Que caras são essas?
A garota questionou ao ver uma tensão pairando no ar, Abuela indicou um lugar no sofá para Brianna que inicialmente olhou desconfiada para Julieta e depois sentou ao seu lado.
— Não se aproximem da família que se mudou para a última casa. — Alma olhou mais longamente para Brianna que para Julieta e levantou-se, mexendo elegantemente em seu xale verde-escuro.
— Mas por quê? — Brianna questionou levantando também.
Abuela não disse nada e continuou caminhando em direção á cozinha.
— Já somos adultas, abuela. O que houve com essa família? — Julieta indagou levantando-se em seguida.
Alma virou-se para as duas.
— Não senti algo bom quando conheci o rapaz, Logan, nesta manhã. — a senhora disse.
Brianna cruzou os braços.
— E o que a senhora sentiu? — a garota perguntou com impaciência.
Julieta olhou Alma com um leve tremor ao se lembrar que a pessoa que ela observou na janela estava na última casa, a casa onde vivia a família nova da cidade.
— Diga o que a senhora sentiu. — Julieta insistiu.
Alma suspirou com peso e afrouxou seu xale macio.
— Eu não senti vitalidade. — a senhora disse contragosto e tomando um rumo diferente da cozinha, ela subiu a escada com os pés pesados.
Julieta ficou em silêncio e sentou-se novamente, apoiando o cotovelo no sofá e segurando a cabeça com a ponta dos dedos. Brianna ficou em pé, parada no mesmo lugar, com os olhos pouco cerrados.
— Você vai ficar aí? — Julieta perguntou com a voz arrastada.
Brianna sentou-se o sofá.
— Ela basicamente disse que não sentiu vida quando conheceu o Logan. Pronto, agora temos vizinhos mortos! Chamem as câmeras, podemos fazer a próxima temporada de The Walking Dead. — Brianna bufou com irritação e bateu as costas no sofá.
Julieta revirou os olhos.
— Não sei por que você está tão irritada. — disse enquanto fechava os olhos devagar, tudo que Julieta queria era uma longa meditação. — Ela sempre foi assim e a gente sempre aceitou.
Brianna cruzou os braços.
— Mas ela nunca disse esse tipo de coisa. Você não acha isso nem um pouco perturbador? — deu os ombros.
Julieta deu um profundo suspiro, juntou toda sua paciência e virou-se para a amiga.
— Anna, você está levando a sério demais isso tudo. É claro que eles não estão mortos, abuela só não foi muito com o cara desse garoto Logan e acabou dizendo isso. — Julieta foi sensata. — Não há nada de perturbador nisso.
Brianna negou devagar.
— Você é muito racional e isso ainda vai se virar contra você. — ela disse em tom de piada.
Julieta soltou uma risada baixa enquanto levantava-se do sofá.
— Vamos provar os vestidos. — ela chamou enquanto ia em direção a escada.
Brianna a seguiu, mas não sem antes da uma olhada curiosa na longa janela da sala tentando enxergar a última casa da rua.
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