O Sacrifício
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Lúcifer ordenou a presença do Ayt e dispensou o garoto.
– O quanto o garoto sabe? — questionou.
– Não muito meu senhor, apenas o necessário. Foi criado como um de nós, para obedecer. Nada de amor.
– Muito bem, ele já é humano o suficiente para ainda saber o que é o amor. Isso o tornaria vulnerável. Você fez bem.
O Ayt assentiu.
– Não esqueça de ir até o templo, organize-o para depois então, vir buscar o menino.
– Sim, senhor. E daqui a pouco inicia a lua sangrenta. O senhor..
– Ótimo, acho que já está na hora de fazer uma visitinha aquelas pragas. Sem mortes, apenas destruição, mas caso haja acidentes...- sorriu sádico.
– Sim meu senhor, eu mesmo irei garantir que isso aconteça. Partiremos hoje.
O anjo assentiu e abanou a mão o dispensando.
~.~
Um ponto de luz piscou abaixo das montanhas. Ao redor das rochas, os Ayts cobriam a visão da lua cheia. Ao longe dava para escutar as vozes das bruxas em uma harmoniosa canção. As fadas sobrevoavam a tenda do chalé da festa enquanto outras serviam doces pela multidão.
Um clima tão alegre para uns, mas ao mesmo tempo, perfeito pra uma invasão para outros.
...
– Estou tendo um mal pressentimento. — a mãe guardiã parou de cantar e dançar na roda, pondo as mãos sobre o peito.
Algumas meninas também pararam o que estavam fazendo.
– Está tudo bem senhora? — Sarah mal terminou de falar quando um grito estridente foi ouvido. Em seguida, o topo da tenda foi arrancado por garras e bolas fogo foram lançadas para todos os lados.
Um silêncio mortal se instalou por segundos, até todos perceberem o que estava acontecendo.
O desespero para tentar sair dali com vida, começou. A pequena Sarah berrou quando sentiu algo queimando seu braço.
A ornamentação fôra abaixo com a correria das bruxas. Ninguém tentou se proteger do que as atacava, queriam apenas fugir.
Exceto a guardiã, que permanecia parada diante da confusão. Tendo visões.
Vultos a rondavam e em cima de sua cabeça, um deles abriu a boca sem emitir som algum. Uma visão assustadora.
– Eu sei o que estão tentando fazer! Deixem minha família em paz!!! — os olhos da bruxa perderam o foco e irradiavam uma luz intensa branca.
Os Ayts continuaram a comunicação entre si, em silêncio aos olhos de todos, ou melhor, de ninguém, só restara a velha bruxa ali dentro.
O mestre deles surgiu em sua frente. Não tinha face, era uma forma sem vida. Uma grande capa negra cobria o lugar onde deveria ter ossos. A única coisa "real" no ser, eram seus olhos petrificados e sua boca que não era necessária para nada. Se comunicava pela mente da vitima.
" A hora está chegando. Prepare-se!"
Mais de uma voz emitia essa frase, fazendo com que a guardiã tampasse os ouvidos. O som era ensurdecedor.
– Não sei o que quer dizer!! Estão bloqueando minhas visões!! — aclarou a mulher.
" É melhor que não saiba. Não agora. Deixarei para que descubra da pior forma possível."
Então voltou para o circulo de névoa e deixou de ser visto. A guardiã automaticamente ficou inconsciente em meio à ruínas e destroços ainda pegando fogo, de sua vila.
Algumas guerreiras, mais tarde, voltaram para buscar sua senhora.
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"Você sabe que pode ficar difícil as vezes.."
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A guardiã abriu os olhos e sentiu uma dor pulsátil do lado direito de sua cabeça. A claridade da janela também incomodava. A sensação de ardor era tão intensa que levou uma das mãos aos olhos.
As bruxas que aguardavam seu despertar, exclamaram aliviadas.
– Minha senhora, está se sentindo melhor? — uma criança perguntou aflita.
– Meus olhos...- cochichou.
Uma das bruxas ao redor da cama, se aproximou e colocou um pano molhado branco em sua testa. Estava febril.
– A senhora lembra de algo? — continuou, curiosa.
A mulher suspirou.
– Fomos atacadas não é?
– Sim minha senhora. — uma garota negra, com cabelos ondulados e que aparentava ter lá pelos seus 12 anos, respondeu. — A vila está praticamente destruída. Muita gente ficou ferida, e fadas morreram também. De nós foram apenas duas...A Maddie, a fada da lua e a Sarah. — baixou a cabeça, deixando uma lágrima escapar.
Sarah era sua irmã.
–Oh Não! — a guardiã choramingou rouca. — Nossa pequenina não.
O clima no chalé, ou no que restara dele, era de desolamento.
– O que isso significa mãe guardiã? — a menina perguntou olhando para parte da parede do chalé que foi destruída.
A bruxa engoliu em seco e olhou para cima. As nuvens se dissiparam, dando passagem a nova companhia da noite. A lua sangrenta.
– A guerra está declarada. E a minha filha correrá muito perigo daqui para frente.
~.~
Mais um dia se passou. O trio estava separado. Luna pelo menos seguiu a indicação do híbrido. Junto a Nick foram até a fazenda e pegaram dois cavalos. Ela escolheu uma égua negra, alta e aparentemente selvagem, deu a ela o nome de Rain. Nick pegou um simples cavalo marrom, não tinha nada de extraordinário nele, segundo ele mesmo. Preferiu não escolher nomes, afinal não queria e nem iria se apegar ao animal.
– O que acha de nos separarmos? — Luna perguntou enquanto cavalgavam.
– O que? Mas já estamos separados, deixamos o Paul lá, esqueceu?
– Ele não fazia parte de verdade na nossa missão. E como prova disso não está aqui agora, mesmo depois de um dia.
– Se não estivesse fugido as pressas ele poderia estar aqui. — retrucou.
–Fugido? Eu? Você realmente quer falar sobre isso Nicolas?
Nick já sabia que dali viria uma discussão, preferiu então ficar quieto e desviar o olhar.
– Estamos bem abaixo da montanha de pedra. Precisamos subir porque lá em cima poderemos ver o que nos espera do outro lado. Está pronto?
– E eu tenho escolha? — o garoto resmungou.
Luna sorriu.
– Você sabe que não. Se precisar de ajuda lembre-se que pode se comunicar comigo pelos pensamentos. Boa sorte.
Eu vou precisar mesmo. Nick pensou
Ela foi a primeira a sair do lugar, desceu do cavalo e o guiou por uma abertura que havia no lado esquerdo.
Não iria conseguir subir com o cavalo. Pensou ele. Mas seria louco a ponto de discordar de Luna? Só mesmo o Paul.
O menino amarrou seu cavalo a um tronco de arvore e deixou um pouco de água pra o animal. Em seguida tornou a subir a montanha, lado oposto pelo qual Luna seguiu.
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