O Ritual

22 Shalia vs. Becky


Notas iniciais
Nos cinemas é Batman vs. Superman e aqui é Shalia vs. Becky xD Boa leitura

Percorri todo o terreno que levava do colégio à floresta, por sorte estava usando botas o que facilitou andar por tanta neve, e levou um tempo até chegar no lugar onde o ritual tinha sido executado, mas foi fácil de acha-lo – o chalé onde Wendy e Olga moravam ainda exalava fumaça pelo céu e o local onde o campo de força tinha se formado agora parecia um antigo campo de guerra – estava em completa ruína.

Se localizava perto de um lago congelado e era cercado por coníferas e arbustos; foi estranho encontrar Shalia lá. A bruxa estava ajoelhada no chão nevado, e por incrível que pareça chorando. Não achei que ela fosse capaz disso. Em frente a ela estava um corpo carbonizado, entre tanta ferrugem e cinzas não dava para identificar quem era. Exalava fumaça também e não apenas daquele corpo, de outros também. Me doía saber, Olga provavelmente teve o mesmo destino.

Adão...Adão... – a líder da seita gemeu, me fazendo perceber que o cadáver era um dos capangas que foi tomado como sacrifício por acidente, o moreno e o mais alto deles. Notei agora o que antes eu não via: Shalia sentia algo por ele. Então, ela tinha um coração.

— Ora, ora, então você tem sentimentos. – Provoquei.

A mesma se virou em minha direção de imediato, sua aparência estava terrível, parecia que tinha se matado de chorar, o rosto todo vermelho e inchado, ela então se pôs a limpar as lágrimas, e o seu cabelo que sempre fora volumoso estava mais bagunçado do que nunca.

— É muita ousadia a sua vir até aqui depois de tudo. – Sua voz feminina e irritante respondeu, já se levantando.

— Eu só vim para dizer que estou oficialmente fora da equipe. – A confrontei, ficando frente a frente a ela.

— Você sabe muito bem que depois que entra, não tem mais como sair.

— Então serei a primeira a sair. Eu já aguentei muita coisa de você, mas agora chega. – Falei, tentando distraí-la e pegar o corpo de Olga para sair dali o mais rápido possível, Shalia não iria permitir tão fácil.

— Olha aqui, sua vadia... – A bruxa apontou o dedo para mim.

— Tira esse dedo da minha cara! Eu te odeio! Eu odeio essa sua voz, essas suas roupas ridículas, você pode achar que combinam, mas não combinam. E tem mais, não estão na moda! E esse cabelo, é até uma ofensa chamar de cabelo, essa coisa oxigenada e volumosa, já ouviu falar em pente? E maquiagem? Você ‘ precisando! – Desabafei, tudo aquilo estava entalado há um bom tempo na minha garganta.

Shalia ficou em silêncio por um momento depois de me ouvir, até finalmente tomar uma atitude:

— Se me odeia tanto por quê veio até aqui? Só para dizer isso? Ou ficou com saudades do meu beijo? Quer mais um? – Provocou.

Prendi minha mão no pescoço dela, um pescoço muito magro, branco e frio. Continuei segurando, com a mesma me fulminando com o olhar. Se ela queria briga, era o que iria ter.

— Vai fazer o quê? Eu ainda estou com os seus poderes!

Isso é o que você pensa, bruxa. Eu não tinha tempo para testar meus novos poderes, mas isso é uma emergência. Eu preciso. Soltei o membro dela, em seguida gerei aquela poeira de ontem, envolvendo o pescoço que mantinha aquela cabeça inútil de pé e a prendendo de novo, aposto que a surpreendi.

— Achou que eu ia ficar sem poderes para sempre? – Respondi, a afastando de leve com a ajuda das partículas mágicas.

— Como?

— Caso não se lembre, eu tenho a mesma marca que você no pulso. Eu também fiz um pacto.

A bruxa não ficou sem reação por muito tempo, logo ela estendeu a mão e uma chama se ascendeu nela, abundante e flamejante. Shalia a lançou em minha direção, me confrontando – para me defender usei o pó novamente como escudo. O que eu não lembrei na hora foi que aquele pó era pólvora, e ao entrar em contato com o fogo iria...

Explodir. E foi o que aconteceu, a colisão afastou nós duas para longe, eu fui arrastada pela neve até cair deitada e sujar a minha roupa toda. Logo me levantei, percebendo que a loira fez o mesmo, já lançando mais rajadas de fogo, usando os poderes que antes eram meus.

Desviei de todas, porém eu teria que chegar mais perto para atingi-la de novo, já que estávamos longe e eu ainda não era experiente o bastante para criar uma magia que a alcançasse nesta distância, com esses poderes novos.

Corri até ela, já me adiantando e lançando uma mágica com pólvora que a derrubou, em seguida prendi suas mãos e pés com a poeira que parecia ter vida própria, realmente a marca ampliava minha magia.

No chão, me aproximei de Shalia e dei um tapa em seu rosto, arrancando um grito agudo dela.

— Isso foi pela Olga! – Exclamei, cerrando meu punho para um soco, desta vez ia ser como um homem e não como uma garota. O lamento da bruxa agora foi mais forte. – E isso pelo Wendy. Agora essa vai ser por mim.

Ameacei golpeá-la no estômago, fechando o punho direito novamente. A líder da seita já estava intimidada e sua reação foi bem inesperada:

— Não, por favor não! – Implorou, retomando o choro de antes, as lágrimas voltaram a se derramar pelo seu rosto. Ela estava tão frágil e indefesa, eu não precisava humilhá-la ainda mais.

A deixei e retornei aos corpos que estavam deitados, espalhados pelo chão sem vida. A fumaça não parava de deixar os cadáveres, subindo em direção ao céu. Um pertencia ao Adão, irreconhecível, o maior deles, outro à Chris, um pouco menor, e o mais pequeno e infantil de todos, Olga.

Era horrível olhar para ela assim, queimada e morta, pouco do que ela era antes sobrara agora, a abracei quente e a segurei em meu colo, pronta para fazer o caminho de volta. Deixei o lugar ouvindo os soluços de Shalia, derrotada.

Notas finais
Até a próxima, boa noite, feliz páscoa e abraços!