O Ritual
4 Comecei a odiar uma deusa
Me assustei com o que minha vó havia acabado de dizer, aquilo não podia ser verdade. A deusa Hecate dentro daquela casa que eu estava? Dentro da casa que eu vivi? Não é possível.
— Me conte mais vovó, o que aconteceu depois.
— Bom, quando eu olhei para ela e a reconheci, reverenciei-a e perguntei qual o motivo da visita e ela me disse que o motivo era você. A resposta me surpreendeu e eu olhei para ela. Seus olhos era tão poderosos que eram impossíveis de se encarar.
— Calma aí, eu era o motivo da visita? Como assim?
— Sim querida — minha avó me chamou de querida? É isso mesmo? — você era o motivo daquela visita. Eu indaguei a deusa e ela me disse que você era nada mais nada menos que neta dela. Consegue imaginar que em suas veias corre sangue da deusa Hecate? Consegue imaginar isso menina? Não sei como você pode ser uma bruxa tão fraca. — percebe-se que a parte do querida foi uma escorregada da minha avó e a grosseria retornou.
— Se eu sou neta de Hecate quer dizer que meu pai era filho dela?
— Exato. Seu pai era um semideus. Normalmente semideuses tem filhos normais, mas seu pai não. Hecate me contou que ele era muito poderoso, possuía um poder fora do normal para um semideus comum e que por esse motivo passou o gene divino para você. Logo, você tem o gene de uma semideusa, por isso sua mãe não pode aguentar seu parto, por isso eu precisei criar aquelas barreiras em sua mente, e por isso seu sangue é fundamental para o ritual. Precisamos dele para chamar a atenção da deusa. Ela irá ficar furiosa e isso irá aumentar ainda mais o poder presente no ritual.
— Eu ainda não entendi o porque Hecate veio até nossa casa — ignorei tudo o que ela disse sobre a morte no ritual, como se eu não tivesse ouvido.
— Ela veio para me contar sobre sua linhagem e ordenar que eu cuidasse de você. Cuidar dessa peste que matou minha filha.
— Quero conhecer meu pai — continuei ignorando as ofensas.
— Que pena, mas você não pode. Seu pai está morto, Hecate o matou para que não tivesse mais filhos. Ninguém pode ser tão poderoso, se não for um deus, é claro.
Eu chorei. Chorei por alguém que nem conhecia e soube da existência a poucas horas. Minha mãe estava morta por um gene que veio de Hecate e meu pai havia sido morto pelas mãos dessa mesma deusa. Eu nem a conhecia e já a odiava por ter tirado minha família de mim.
Minha avó riu de mim e saiu do quarto, me deixando sozinha. Não que isso me incomodasse, muito pelo contrário, já havia vivido minha vida toda sozinha. Mas naquele momento em especial o que eu mais queria era um abraço de alguém que me amasse de verdade.
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