O Rio Em Janeiro

1 O Rio em Janeiro


- Senhora tem rosa amarela?

A velha vendedora conversava animada para fora da loja,

O dia tinha ainda ressaca do novo ano;

Ruas eram promessas, nem os turistas tinham aparecido,

E a senhora que tudo já tinha visto, parecia não se surpreender.

- Não tem não, mas leva a azaléia.

A moça olhou para a flor mostrada, era bonita mesmo,

Todavia não servia o objetivo no novo ano.

Ela olhou em volta, perdida nos matizes e cheiros,

Sabia que naquele dia seria difícil encontrar rosas de quaisquer.

- É para Oxum, vozinha, que mais posso levar?

Um sorriso de compreensão vislumbrou-se no rosto negro,

A Rainha de Ijexá rege aquele novo ano;

Viu através da pele alva da compradora, a filha do Orixá Mãe.

Lágrimas, ouro, vaidade, crianças, erótico, água, tato, beleza, coração.

- Leva palma amarela, filha. Oxum vai gostar.

Pensamento correu rápido à mente do amigo antigo da vendedora,

Que talvez algo mudaria com o novo ano,

Ele esperava ainda do lado de fora para terminar a prosa;

Filho de Iansã, sempre lamentara como os jovens esqueciam a tradição.

-Yemanjá, sereia minha, peço licença. Estas são à Oxum, minha mãe.

O infinito de Copacabana lambeu as flores e as engoliu em sua oscilação,

As areias luziam as memórias do festejo do novo ano;

Garrafas, esperanças, oferendas, lixo, promessas.

A moça contemplou tudo, respirou bem fundo, sorriu e rumou ao Sul.


“...É melhor ser alegre que se triste,
A alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração...”

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