O Retorno dos Monstros da Rua Maple
5 Capítulo 05 - Alguém em que pode confiar.
Notas iniciais
Sophie respondeu todos os questionamentos e chegou a mencionar sobre a gritaria que ouviu durante a tarde entre mãe e filha, o agente da policia anotou tudo o que podia e agradecendo a colaboração dela dirigiu-se a casa ao lado. Ela ia fechando a porta quando avistou alguns paramédicos puxando uma maca com rodinhas, o corpo da vizinha estava sobre ela e o mesmo coberto por um lençol branco. Trancou a porta e foi direto a cozinha preparar um chá de camomila e passou o restante da madrugada em claro.
Sophie sentiu o sono voltar, mas não foi dormir, pois o dia começava a clarear e ela tinha mais um dia de trabalho pela frente. Preparou um café preto bem forte e o tomou sem açúcar e digeriu quatro barras de cereais de chocolate para assim conseguir tentar-se se manter acordada. Ligou o notebook, porém antes de dar inicio a tarefa do dia foi a janela observar o movimento da rua: silencioso. O dia estava nublado e havia previsão de chuva e talvez isso tivesse colaborado para a quietação do momento. Sophie voltou a sua mesa e dedicou todo o seu foco ao seu trabalho.
Quando o dia estava para se finalizar, Sophie recebeu uma ligação, era o seu chefe:
─ Boa tarde senhorita Adams.
─ Boa tarde senhor Johnson. Tudo bem? Estou finalizando um artigo maravilhoso referente a uma série antiga que vai ganhar um remake.
─ Está escrevendo sobre a série “The Twilight Zone”?
─ Exatamente.
─ Perfeito querida, pois esta série é muito aclamada e muitos estão ansiosos pelo remake.
─ Exatamente.
─ Senhorita Adams, liguei para confirmar se irá a estreia daquele filme?
─ Qual filme? – Sophie logo foi consultar sua agenda.
─ Os Monstros do Espaço. Esqueceu? A estreia é hoje e a revista determinou você para assisti-lo para uma resenha.
─ É verdade – Sophie confirmou na agenda – perdão senhor, estive corrida pela mudança que quase deixei passar.
─ Estou enviando agora para o seu celular o código do ingresso, seu lugar já está garantido.
─ Obrigada senhor.
─ Eu que agradeço e desejo uma boa sessão.
─ Obrigada e passar bem. – Sophie encerrou a chamada.
Ela não estava animada em sair muito menos em ir ao cinema, mas aquele compromisso não era um lazer e sim um compromisso profissional, tinha que ir assistir o filme para depois ortografar uma critica para a revista. Finalizou o que redigia e foi-se arrumar, pois a noite logo se iniciava e ela não poderia perder a sessão.
Cogitou a ideia de chamar um motorista por um aplicativo, entretanto quando abriu a porta para sair se surpreendeu com ele: o homem do terno preto, todavia naquele momento ele trajava um terno de cor grafite.
─ Você de novo.
─ Sim.
─ O que quer dessa vez? Veio me avisar para ter cuidado com os monstros dessa rua?
─ Eu vim para lhe proteger. – garantiu ele terminando de tragar seu cigarro.
─ Como assim?
─ Sophie, confie em mim.
─ Como sabe o meu nome?
─ Sophie, por favor, confie em mim. – ele estendeu a mão para ela.
O coração de Sophie disparava e ela teve vontade em bater a porta e chamar a polícia, mas ao mesmo tempo ela sentia uma sensação estranha de segurança ao estar próxima daquele homem desconhecido que até dias atrás lhe assustava. Ela virou o olhar para a casa da frente e experienciou um frio em sua barriga e um arrepio por todo o seu corpo e ao entrever Haley a andar pela calçada temeu. Não sabia o que temia, porém avistar aquela vizinha sentiu-se amedrontada.
─ Está bem. – disse ela ao homem e assim pegou na mão dele.
Ele a conduziu a um automóvel que estava estacionado de frente a calçada da casa dela, Sophie observou o veiculo e admirou-se, pois o mesmo era um modelo antigo, da década de cinquenta. Ela não entendia muito sobre automóveis, mas sabia que aquele carro era antigo.
O homem abriu a porta do lado do passageiro e ela adentrou. Quando ele se assentou sobre o banco do motorista ela não se conteve e questionou:
─ Quem é você?
─ Alguém em que pode confiar.
─ E esse alguém em que eu posso confiar tem nome?
─ Que nome daria a mim, Sophie?
─ Eu não sei.
─ Certo... Ao cinema?
─ Sim. – Sophie arregalou os olhos e quase perguntou em como ele saberia que ela ia ao cinema, mas desistiu.
O homem deu partida.
Sophie tinha inúmeras indagações sobre tudo o que ocorria desde a sua mudança para a rua Maple e não poderia mais ocultar que a história dos monstros lhe assustava e acreditou que mantendo contato com aquele homem até então desconhecido e misterioso iria obter respostas. Sophie nem tinha noção que ao ter-se mudado para a rua Maple embarcou em uma viagem para... Além da Imaginação!
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