O Retorno dos Antigos
12 Mundo de Sonhos e Pasadelos
Notas iniciais

Minerva não poderia estar mais cansada, depois de se materializar na casa dos Bruhmar após invocar Thong Dip, o espírito das mensagens e dos viajantes, e ter feito o pedido de uma viagem rápida e preferencialmente segura até ali.
Desejou mentalmente também que se livrasse de todas as dores do corpo ocasionadas pela queda da ribanceira e pelo tempo que esteve desmaiada, embora soubesse que não estivesse ao alcance do espírito e, é claro, que sua aparência não estivesse tão ruim quanto ela imaginava.
Na verdade, estava pior.
Depois da estranha sensação que o teleporte lhe causara e da cena diante de seus olhos mudando do verde amarelado da floresta de manhã para o tom bege e o rosto de três conhecidos, ela cambaleou e só não foi de cara ao chão porque Blake foi rápido o suficiente para segurá-la e a colocar sentada numa cadeira.
— Deuses, o que aconteceu? — perguntou Lissandra, com a mão na boca enquanto analisava a mulher. — Você está bem? Ficou sumida durante dias!
— O quê? — disse MInerva arregalando os olhos. Talvez ainda estivesse com alguns pequenos traços de loucura, o que seria compreensível. — Onde está Katy?
Por um breve momento, Blake, Bernard e Lissandra se entreolharam. Minerva entendeu que havia alguma coisa por trás daquilo. Algo de errado. Annie havia dito para que ela salvasse a hospedeira da Escrita, mas pelo visto, chegara tarde demais.
— Onde está Katy? — repetiu. Foi Bernard, o mordomo, que respondeu e confirmou o que ela certamente já sabia.
— Ela sumiu.
…
Katy andava cautelosamente pelas ruas, seguindo o grande fluxo de pessoas que se agrupariam na praça central da cidade de Gali, imaginando que aquilo tudo fosse uma tremenda loucura. O que poderia fazer quando chegasse a hora? Duvidava muito que ninguém perceberia uma garota com uma caneta piloto na mão — que Bernard lhe dera -, escrevendo por aí palavras como caos e destruição, embora até que ela estivesse considerando que não fosse assim uma péssima ideia.
Katy precisava salvar Chris e a sua família. Ele havia confiado e acreditado nela, assim como Bernard, dizendo que ela era capaz quando começou a chorar no pequeno quarto. Não era apenas eles, mas seus pais adotivos também acreditavam nela. Todos acreditavam que ela era forte. Que tinha o poder de mudar as coisas
E era exatamente isso que ela pretendia fazer.
Estava andando a pelo menos uns quarenta minutos. Ela não conhecia a cidade, mas não era necessário saber onde ficava a praça. Parecia que todos estavam indo para lá, assistir ao espetáculo. Viu um grupo de crianças mais nova que ela, correndo e sorrindo.
— Vamos logo! Precisamos chegar lá antes que aconteça.
Ela se tomou por desgosto. As pessoas realmente consideravam aquilo como um incrível show mortal, ansiosos para contemplar seja lá o que fosse acontecer. Apesar disso, pensando bem, o que a criança dissera também se aplicava a ela.
Afinal, também precisava chegar lá antes que acontecesse.
Mas havia problemas, é claro, mesmo que se passasse apenas de uma sensação. Uma estranha sensação se estar sendo observada. Olhou para trás algumas vezes enquanto avançava e sua suspeita apenas foi se confirmando. Havia pelo menos três pessoas a seguindo desde que saíra do condomínio. Talvez até mais. Podia sentir seus olhares, mas quando olhava para trás, era como se eles se tornassem inidentificáveis. Parecia que assumiam o disfarce de um cidadão comum indo para a praça ou até mesmo se escondiam rapidamente atrás de alguma coisa.
Katy já estava começando a ficar nervosa, ainda mais inquieta do que já estava. A medida que foi andando mais rapidamente, chegando a cerca de duas ou três quadras de distância da praça, mais pessoas apareciam, caminhando na mesma direção, até ela se ver presa entre elas, tentando enxergar por cima dos ombros e cabeças maiores que ela.
Foi então que sentiu um toque quente na mão e depois algo amassado entre os dedos. Katy estranhou e levantou a mão com dificuldade por causa do espaço. Viu que era um pedacinho de papel com alguma coisa escrita nele. Uma frase. Uma frase bastante sugestiva:
“Vá para o beco”
E, logo abaixo, havia um símbolo meio rabiscado. Um círculo com dois pontos dentro centralizados, sendo um em cima, preenchido de tinta, e o outro embaixo, apenas o contorno; e duas formas compridas nas extremidades, como enguias a girar, na qual, assim como os pontos, uma estava preenchida e a outra era apenas o contorno. O símbolo do primeiro espírito primordial de Teceu.
Poderia ser uma armadilha. Claro que poderia. Além disso, seria obvio demais. Porém, Katy passou a mão pelas palavras e sentiu, descobrindo mais um dom de seu espírito patrono que lhe fora concedido. A capacidade de ver sobre as palavras. A capacidade de ver a respeito de quem escrevera aquilo. Se era ou não uma armadilha ou alguma outra coisa…
Percebeu que não era a única hospedeira ali, afinal.
…
Annie não sabia por mais quanto tempo ela e o irmão ficariam daquele jeito, o que era até estranho não saber isso, considerando que era a hospedeira do futuro e costumava saber das coisas. O fato era que sua cabeça continuava doendo com a overdose cerebral. Havia informação demais que ela não conseguia organizar.
Kurt estava dirigindo há horas seguidas, mas não parecia estar tão cansado quanto deveria, ainda mais com a estrada escura — O Sol já havia se posto há algumas horas — com a textura do passar de postes de luz, que deixavam Annie sonolenta. O irmão sempre teve essa estranha capacidade, mas esse não era o caso dela. Estava ansiosa por uma noite de sono, mas, ainda assim, não parecia conseguir dormir. Não conseguia.
Kurt desacelerou gradativamente e parou na estrada em uma encruzilhada deserta. Havia quase nenhum movimento por ali. Era apenas eles e o balançar do mato alto ao vento da noite. Era algo comum em cidades para lá do interior, onde se podia ver periodicamente caminhões de tomates e outras frutas. Annie vira o futuro e viajar para o meio do nada pareceu uma boa opção. Não queriam chamar muito a atenção e tudo o que ela precisava era ficar longe das grandes cidades. Tudo o que os dois poderiam fazer era viajar, com o objetivo de chegar a algum lugar com um nome que lhes era desconhecido.
— Para onde vamos agora? — perguntou Kurt, tirando um dos fones de ouvindo, olhando ao longo das alternativas de caminhos que se estendiam diante deles.
Annie piscou os olhos, afastou o rosto da janela, se endireitou no banco e se concentrou. Nos últimos dias estava usando o seu poder para guiá-los pelo melhor caminho possível.
— Para a direita. — disse ela, fazendo uma breve careta. — Tem uma parada bem lá na frente. Precisamos descansar.
E assim, Kurt girou o volante e seguiu para o caminho indicado. Colocou os fones novamente e continuou a mexer os lábios como se estivesse cantando baixinho um rock qualquer.
A meia hora que se seguiu pareceu durar muito mais que seus trinta minutos e finalmente eles chegaram ao restaurante no meio do nada, pelo que indicava um grande banner iluminado à distância. Havia um posto de gasolina e um homem solitário vestindo um uniforme verde estava sentado em uma cadeira ao lado das máquinas de combustível. Alguns outros poucos carros estavam estacionados ali perto e foi lá que Kurt resolveu ir para desligar o motor.
Parecia um típico posto de gasolina com uma lanchonete, como outros que eles encontraram na estrada. Annie notou a barriga roncar e reparou que até então não havia pensado em como estava com vontade de comer alguma coisa.
Ela abriu a porta do carro e quando se virou para fechá-la, notou que o irmão roncava no banco, com a cabeça para cima apoiada no encosto do banco. Talvez ela se divertisse com aquilo, mas apenas franziu a testa e caminhou para a lanchonete, apreciando rapidamente o vento frio.
— Então tá, né.
Annie ficou vislumbrando o balcão com a vitrine de salgados por longos momentos até escolher um recheado de queijo e presunto, o seu favorito, que sua mãe costumava lhe comprar quando voltava do trabalho. Annie havia pensado em voltar algum dia, mas ainda não era hora. Talvez jamais seria. Se quisesse deixar seus pais em segurança contra qualquer perigo que ela pudesse ocasionar, era preciso permanecer afastada deles. Apenas seu irmão estava ali com ela, por insistência dele mesmo, o que de certa forma era bom. Não sabia se conseguiria aguentar sozinha.
Annie se sentou em uma das mesas enquanto comia, notando que havia poucas pessoas ali dentro também. Além dos funcionários atrás do balcão, também tinha um casal, uma família não muito grande que fez lembrar a sua própria e um homem bem mais velho, que parecia andar com dificuldade. Seu rosto era coberto de rugas e tinha um cabelo desgrenhado que ainda tinha rastros de que fora enrolado algum dia. Ele estranhamente não parecia se encaixar em muita coisa ali. Annie deu um breve vislumbre no futuro, de forma involuntária, mas não conseguiu ver muita coisa.
— Eu já estava esperando por você há um tempo. — disse o velho se aproximando com um sorriso gentil do que certamente seria uma dentadura, puxando a cadeira do outro lado da mesa e se sentando com um pouco de cautela. Annie ficou um pouco desconfortada — Desculpe pelas coisas que eu fiz nos últimos dias. Não foi minha intenção. — disse com uma voz rouca. — Bom, na verdade, foi sim. — Ele deu uma pausa e Annie se pôs apenas a observar, curiosa. — Ah, me desculpe. Meu nome é Doug, embora muitos me chamem de velho Doug.
Bom, o motivo do apelido era notável.
— Quem é você, exatamente? — perguntou Annie, inclinando um pouco para a frente, semicerrando os olhos. Ela imaginou que talvez a pergunta tivesse sido rude demais, porém o homem apenas sorriu. Era misteriosamente suspeito.
— O velho Doug aqui tem certa experiência com sonhos. — admitiu ele. — Devo pedir desculpas por ter lhe deixado a senhorita ainda mais confusa.
Annie ouviu algum barulho qualquer de algo metálico caindo no chão que lhe chamou a atenção. Olhou ao redor, notando que algo estava errado, ao perceber que as pessoas agora estavam debruçadas sobre a mesa diante delas, ao lado de seus pratos de comida. O braço de um homem balançava ao lado da mesa, diminuindo gradativamente de ritmo, enquanto um garfo repousava no chão a poucos centímetros de distância de seus dedos. Annie se levantou e olhou ao redor.
— Não se preocupe. — disse o velho. — Uma recepcionista deve ter sonhado com algum monstro que causava o terror quando era avistado pelas lentes das câmeras de segurança e acabou por desligando todas elas.
— Você é o hospedeiro dos Sonhos. — disse Annie, sentando-se novamente, parcialmente nervosa. Aquele homem havia feito tudo aquilo sem que ela pudesse perceber nada?
Velho Doug concordou com a cabeça.
— Pensei que você pudesse ter chegado nessa conclusão muito antes disso. Interessante… — disse ele, com o ar de quem sabia muito mais do que aparentava. — Parece que as coisas não estão muito boas para você. Ah, sim. Eu pude ver, Annie. Algo do futuro a perturba.
— Por que eu deveria confiar em você? — perguntou. Também era mais outra pergunta consideravelmente rude, mas Annie realmente não estava se sentindo com vontade de ser completamente educada e até se culpou por isso. Doug apenas exibiu mais um de seus breves sorrisos, como se achasse graça de tudo. Annie conhecia muitos velhos que eram assim, só que ao contrário. Aqueles que se chateavam por tudo, mas deixou isso de lado.
— Bom, porque talvez seja a melhor possibilidade. Ou talvez porque você também precise de ajuda.
Para ela, era tudo uma questão de possibilidades. Já estava conformada de sua situação e que não havia lá muita coisa a perder por confiar em um outro hospedeiros que queria ajudar, mesmo sabendo que o mesmo confessara ter invadido os seus sonhos. Annie não falou nada, mas seu silêncio teve sua voz.
Estavam todos juntos naquilo, afinal.
— Você tem pensado constantemente em coisas que acontecerão em um futuro distante. Coisas terríveis. — Os traços da risada de Doug sumiram completamente. — Coisas que já aconteceram no passado e outras, que quase chegaram lá, mas que estão para acontecer novamente. Eu guiei você até aqui para poder ajudá-la.
Não era o futuro que respondia. Ela entendeu. Estava com sono, mas não conseguia dormir. E se estivesse sonhando de olhos abertos? Quem sabe se não estivesse sonhando naquele exato momento? Quando o irmão perguntara sobre qual caminho seguir pela estrada, a sugestão não vinha dos poderes do futuro. Quem estava controlando as suas decisões era aquele velho.
Demorou alguns segundos para ela absorver tudo O que o hospedeiros dos sonhos falava. Coisas que já ocorreram antes…
— Como assim, coisas que já aconteceram no passado? — perguntou olhando novamente para as pessoas dormindo, imaginando com que tipo de coisa estavam sonhando naquele momento. — É a Cavalaria? Tem algo a ver com Sig?
— Talvez, mas esse não é o nosso foco. Eu já vi pelos sonhos do velho rapaz. — Afirmou velho Doug, como alguém prestes a contar uma história de sua própria vida, nos tempos de juventude. — Ele teve um duro passado, mas o que ele deseja. A invocação de um espírito maligno pelo preço da dor de milhares de olhos… Sabe, nada capta mais a dor como o olhar.
Talvez Annie protestasse contra tal afirmação, imaginando que o o sentido do tato, por exemplo, fosse aquele que mais fizesse bem feito esse trabalho., mas notou que o velho não estava errado. Um olho poderia transmitir bastante dor.
— É uma ironia a pessoa líder de uma organização mundial que caça hospedeiros também ser um. — disse ela.
— Isso é verdade, de certa forma. Entretanto, temos que ir além da criação da Cavalaria. Além da queda do Conselho da Magia. Há um novo mal ainda mais poderoso que, assim como Sig, também precisa ser detido. — velho Doug deu uma pausa que Annie usou para refletir sobre o assunto. — os deuses, Annie. Suas visões mostram os deuses.
Annie franziu o cenho.
— Como assim? Você quer dizer os deuses supremos?
O velho balançou a cabeça.
— Não. Não os deuses supremos, mas os outros. Os deuses primordiais de Teceu.
— Isso não faz sentido. — afirmou Annie. — Eles foram banidos há séculos. Há milênios atrás. Minhas visões mostram o futuro… Você não quer dizer que…
— Sim, Annie. — Doug assentiu, tristemente. — Os Deuses que Vieram Depois retornarão e Teceu entrará em sua fase de destruição, junto com o espírito maligno que Sig planeja ressuscitar.
— Mas isso é impossível. — disse Annie levantando da cadeira e encarando o velho. — Os deuses supremos jamais permitiam tal desequilíbrio.
— Talvez não. — concordou. — Eu não sei exatamente como, mas está para acontecer.
Annie balançou a cabeça. Ela não podia aceitar o que aquele homem estava falando. Mesmo se fosse verdade…
— Eu quero mostrar a você. — disse enquanto Annie se sentava novamente. — Quero lhe mostrar o que o hospedeiro do passado me mostrou uma vez, há muito tempo atrás: Os Primórdios.
Annie tentou falar alguma coisa, mas sua visão ficou completamente borrada e suas pálpebras pareceram estar tão pesadas quanto chumbo. Ela se inclinou pesadamente para a frente, apoiando a cabeça adormecida em cima da mesa…
E começou a sonhar…
…
Lissandra havia feito uma poção básica de cura para dar a Minerva com a ajuda de seu marido. A amiga já estava se sentindo bem melhor, embora ainda insistisse em ficar acordada, assistindo a televisão. Ela parecia estar bem cansada, mas disse que já havia dormido demais.
— Nós deveríamos ir para lá. — retrucou Lissandra, andando de um lado para o outro.
— De que adianta? — indagou Blake, com o tom de voz mais elevado que o normal. — Não tem como encontrar ela. Olha o tanto de gente!
— Precisamos confiar nela. — disse Bernard.
Lissandra queria gritar, mas resolveu conter sua vontade com um grunhido baixo.
— Você está certo. — concordou ela. — Mas ainda assim precisamos fazer alguma coisa.
— De qualquer forma, precisamos estar lá quando ela resolver fazer algo. — disse Minerva, com o chá esquentando os dedos entrelaçados ao redor de uma xícara. — Ela é forte.. Vai conseguir. Ela sabe onde fica o portal.
— Bom, isso considerando que ela consiga resgatá-los. — comentou Blake.
Lissandra sentiu mais uma tremenda vontade de gritar novamente. Ela entendia que a garota queria ajudar as pessoas que conhecera em seu dia de fugo. Eram boas pessoas, Lissandra, sabia, mas achava a atitude de Katy um tanto quanto estúpida. Entretanto, não era. Talvez só estivesse pensando na estupidez de seus atos porque seria a mesma coisa que pensaria caso estivesse no lugar de alguém daquela família, por exemplo, ou fazendo companhia a eles. Não queria que ninguém mais arriscasse a vida por ela. Não queria ter o peso da morte em suas costas.
— Precisamos sair daqui. — disse Bernard, que caminhou um pouco mais distante dos outros, observando um pequeno monitor que ficava preso na parede.
— Claro que precismos. — concordou Minerva.
— Não é isso. Eles estão vindo. — disse. Os outros se aproximaram por cima de seu ombro para ver o que se passava na tela que exibia imagens de quatro câmeras de segurança, sendo uma delas do lado de fora, virada para onde homens com coletes pretos e portanto longas armas se amontoavam no portão da frente. Não pareciam estar muito ansiosos em tocar a campainha.
…
Henry estava no pequeno avião particular junto com seu chefe e outros homens que os acompanhariam durante seu percurso. Em menos de dez minutos chegariam ao aeroporto de Gali e, de lá, seguiriam de carro até a praça,
Entretanto, algo em meio a isso tudo despertava sua curiosidade.
Por que Sig fazia questão daquilo? Quer dizer, embora não demonstrasse, sabia que ele estava ansioso por aquilo. Era uma pessoa misteriosa e mesmo depois de tanto tempo sendo seu assistente pessoal, o acompanhando por todos os lugares e, inclusive, em suas missões de arrancar olhos de habitantes de pequenas cidades que, posteriormente, receberia o adjetivo “fantasma”, havia coisas que Henry não sabia. A atenção da mídia seria concedida ao assunto como um desastre terrível causado pelos terroristas para algum plano maligno e desconhecido, embora, é claro, a Cavalaria sempre afirmasse que estava tudo sob controle.
As notícias até que não repercutiam tanto pelos canais oficiais. Sig era poderoso para fazer isso, para que os hospedeiros espalhados pelo mundo não começassem a investigar de perto a respeito de tais acontecimentos. As vezes, uma cidade inteira desaparecia, restando apenas casas abandonadas e folhas de papel ao vento. Os culpados eram sempre os hospedeiros
Henry estranhava que havia algo a mais a respeito de daquilo tudo. Algo que estava diretamente ligado aos milhares de olhos que seriam usados para algo maligno. Ninguém além de Henry e algumas outras pessoas de confiança sabiam sobre o verdadeiro plano. Sobre a bruxa e o poder de controle absoluto. Quando Sig falava no assunto, seus olhos chegavam a brilhar, mas agora, ele estava bastante quieto. Sig dizia que era um poder para evitar humanos rebeldes, controlando suas mentes para que eles entregassem os hospedeiros quando estes fossem apenas criancinhas descobrindo seus dons. Talvez os pais matassem os próprios filhos, se estes tiverem nascido com alguma ligação espiritual.
Os hospedeiros não teriam a menor chance. Depois que o feitiço estivesse lançado, dezenas deles iriam morrer. Não haveria como parar o poder da bruxa. Não havia como matar um espírito.
Mas havia algo a mais.
Já haviam colhido olhos o suficiente quando terminaram com a pequena cidade em Laknat, antiga capital da Lua. Lembrava muito bem dos corpos deslizando pela pedra molhada e caindo na água para serem devorados por tubarões-cobra gigantes. Mesmo depois de tudo aquilo, ainda havia alguma coisa a mais que, por algum motivo, estava naquela cidade.
Um ingrediente final…
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