O Retorno de Tim Drake
8 O Filantropo Sr. Wayne Dá Uma Festa
BATCAVERNA, 17h39
Tim adentra com sua nave na bat caverna, os morcegos dançam ao seu redor enquanto ele pousa o pequeno aeroplano no hangar. Ele sai da nave, caminhando tranquilamente enquanto retira sua máscara e avista, em ritmo de treinamento, seu amigo, irmão e mentor... Asa Noturna, e diz:
— E essa perna de quem desaprendeu a jogar basquete e tropeçou em cima do músculo da panturrilha esquerda¿ — Dick ri.
— Bruce te contou¿
— Não.
— Mas é claro que não. Como vai, meu irmãozinho¿ — Eles se abraçam – E as moças¿
— Cala a boca, Dick. – Eles riem – Mas vão bem sim, obrigado. Hoje é dia de festa. Devia estar se arrumando.
—Ora, você também. – Dick seca o suor da testa com uma toalha.
— Quem vai trazer¿
— Bom... Minha noiva, a Bárbara.
— Claro... A Bárbara,
— E você¿
— Ainda não sei. Talvez ninguém. Nem sei ao certo se deveríamos mesmo trazer alguém.
— Dever não, mas é sempre uma honra. — Não vai levar a Cassie? — Tim paralisa.
— Creio que eu e a Cassie já não tenhamos mais nada.
— Entendi. Quer conversar¿
— Não posso. Tenho algo a fazer daqui a pouco...
Alto da Torre Wayne, 20h24
Um homem na penumbra do telhado do edifício da Wayne Enterprises, esperando por seu convidado de honra, que surge do breu causado pela escuridão da fria noite do Baile de Arrecadação.
— Bom noite, Timothy. – Ele se vira para Tim, que aparece da escuridão, vestindo seu uniforme. – Pode tirar a máscara, não há necessidade de segredos aqui. Chegue mais perto
— Ficarei aqui, e mascarado, se não se importar. O que o Açougueiro quer¿
— Pois bem. O Açougueiro está morto. Estrangulado por um colega de cela da BlackGate, no ano passado, enquanto estava sendo transferido para outra prisão, ao norte.
— Disse que ele estava vivo, e voltando para Gotham.
— Ele fez um pacto, em sua pós-vida, uniu seu espírito ao de um demônio. Ele pretende espalhar o caos na Terra.
— Está me dizendo que o Açougueiro agora é um—
— Demônio... Robin Vermelho. Um Demônio. E um muito perigoso. Precisará de ajuda. Creio que o senhor Valley será muito útil.
— Jean-Paul¿ Azrael¿
— O próprio.
— Como você sabe todos os nossos nomes¿
— Você não é o detetive¿ — Tim reconhece a provocação. Era mais uma chance de mostrar suas habilidades de dedução.
— Sua respiração é pesada, você fuma dois a três maços por dia, carregada de uma bronquite leve que o obriga a carregar muito catarro na garganta, dificultando sua dicção. O sotaque é uma mistura de alemão, porto-riquenho e inglês. Sua altura condiz com nacionalidade sul-europeia, mesmo com o frio seu corpo não treme, o que me diz que passou muito tempo em algum lugar extremamente... Frio. – Ele olha diretamente para o homem, que agora o olha nos olhos. – Dr. Victor Freeze.
— Você é bom, Tim Drake. – Diz Sr. Frio tirando o capuz em sua cabeça.
— Você não é L´Árpeggiata , talvez algum amigo próximo a quem você queria defender, mas as informações sobre mim, meus amigos e sobre o Açougueiro são de primeira mão. Por que está me contando tudo isso¿
— Desde que minha esposa voltou para mim, perdi a ambição do mal, mas ainda sabia de segredos sujos. Resolvi usá-los para algo positivo. Henrico era meu amigo e colega de laboratório, perdeu tudo há 3 anos e o câncer o levou embora, ele finalmente deve estar em paz, queria no mínimo honrar seu legado. Em breve eu retornarei com mais informações, e depois sumirei de Gotham para sempre. Aproveite seu baile, Tim.
— Obrigado, Dr.
Descendo a escada para o salão principal e vestindo seu melhor smoking, Tim Drake ajeita sua gravata borboleta enquanto adentra o ambiente arejado, lotado com os maiores figurões ricaços de Gotham, sendo ele o convidado de honra e protegido do anfitrião, Bruce Wayne. Tim cumprimenta algumas pessoas e se dirige a mesa do ponche, onde pega uma taça para si.
— Uau, Drake, bela beca. – Rose surge vestindo um belo tomara-que-caia prateado, combinando com as cores de seu cabelo. Ao seu lado, Bart Allen, tentando descobrir como ajustar o colarinho de seu terno, e recolocando seu monóculo que estava sempre caindo de seu olho direito.
— Obrigado, Rosie. – Ele vira para Bart – Você está ridículo.
— Ah, qual é, Timmy. É uma festa chique, preciso me manter apresentável.
— Adorável – Tim dá um gole na bebida refrescante e doce. – Vê se não faz nenhuma besteira, tá bom, apressado¿
— Sim, senhor.
— Ótimo. – Ele sorri – Com licença. – Tim caminha mais um pouco quando é surpreendido por Connor e Megan.
— Timmy, aqui, tire uma foto nossa. – Ele se vira, apoia o copo na mesa mais próxima.
— Digam “XIS”. – Eles sorriem e Tim tira a foto. – Ao adorável casal, Con-El e M´gan M´oor.
— Obrigado, Timmy. – Diz Megan. A porta do salão principal pelo segundo andar é aberta, dela surge o anfitrião, Bruce Wayne, que desce a escadaria ao som de estrondosos aplausos, recebido pelos convidados pela forma mais calorosa o possível, ele segura um microfone a começa seu discurso.
— Teste... Tes—Sejam todos muito bem vindos ao Salão de festas da sede da Wayne Enterprises, é com enorme prazer que anuncio que esse ano, esse jantar de arrecadação de fundos acolheu mais de quatro bilhões de dólares, que serão transmitidos diretamente às instituições das fundações Wayne, Arkham, e as demais famílias benfeitoras dessa nossa bela cidade.. São tempos difíceis, mas como sempre, em Gotham o sol volta a nos prestigiar. O dinheiro será injetado em creches, hospitais, escolas, e abrigos. Esse era o sonho dos meus pais, e agora, também é o meu. Agradeço a presença de todos aqui esta noite, com especialidade ao meu querido protegido bem ali – Ele aponta. – Conhecem o ditado, o bom filho, a casa torna.. – Todos riem francamente. – Desejo-lhes um ótimo jantar e uma noite mais que agradável. – Mais aplausos cobrem o salão, Bruce desliga o microfone e vai até Tim.
— Belo discurso, como está o braço¿ — Tim pergunta depois de dar um firme aperto de mão em Bruce.
— Ótimo. Que bom que veio. Dick disse que passaria mais tarde, ele anda ocupado com o casamento, a Bárbara, bom, conhecemos a Bárbara. Quem você trouxe¿
— Eu sei, ele me disse. Quanto a sua pergunta: Ninguém, não sou o cara mais popular ou desejado do planeta, ou do meu bairro, ou de qualquer lugar. – Bruce percebe que Tim estava meio cabisbaixo.
— Barry e Iris vão chegar a qualquer momento. Avise-me se os vir, tudo bem¿
— Sim. Selina não vem¿ — Pergunta Tim, com ironia.
— Não te interessa, garoto. – Bruce esboça um sorriso.
— Nem a Diana¿
— Calado. – Diz Bruce enquanto continua andando em direção aos convidados que desejam cumprimenta-lo. Alfred se aproxima de Tim com uma bandeja de bebidas.
— Patrão Tim, há uma jovem moça na recepção, com os pais, os Helen. Ela disse que deseja ver o senhor. — “Karoline está aqui¿”, foi a primeira coisa que Tim pensou. Tim caminha até a recepção, ajeitando mais uma vez a gravata borboleta e secando o suor da testa com o pano em seu bolso. Ao chegar na recepção, a senhora Helen ajeitava o colarinho do senhor Helen, que olhava para Tim descendo as escadas. Karoline e seu irmão mais novo, Alexander, ao lado deles, e Tim percebeu que ela não tirava os olhos dele.
— Senhor Drake, eis uma das mais jovens e brilhantes mentes que já conheci, que grande honra ser o senhor a nos receber nesta magnífica noite. – disse John Albert Helen, magnata, empresário, filantropo e benfeitor para o povo de Gotham, amigo de Bruce Wayne de longa data nos ramos dos negócios da cidade. – Esta é minha esposa, Minna, e o senhor já conhece minha filha, Karoline, e este é meu filho, Alexander.
— Boa noite, senhor Helen, grande prazer em tê-lo conosco essa noite. Senhora Helen, que broche adorável em seu vestido, está muito bonita. Alexander, prazer em conhecê-lo, gostei do game portátil. Karoline, que bom te ver. “Porque diabos eu estou suando¿ Eu nunca fico nervoso desse jeito”. Como vão os preparativos para o seu teste final¿
— Vão muito bem, estou estudando bastante, senão meu tutor fica bravo comigo. – Ela sorri graciosamente.
“Por favor, me diga que isso não está acontecendo, não posso estar gostando dela”.
— Claro, e com razão – ele ri. – Bom, a festa é logo no primeiro andar, comes e bebes a vontade. Bruce ficará feliz em vê-lo, senhor Helen.
— Eu também irei. Faz tempo desde minha última partida de pôquer com seu mentor.
— Claro, se nos der licença. Vamos, meninas. – Tim observa os Helen subirem as escadas e adentrarem o salão, antes disso, Karoline se vira e o fita por alguns instantes.
— Timmy! – Tim ouve uma voz que chegava atrás dele. – Como vai, meu garoto¿
— Barry Allen, o Grande, o homem, o mito, que bom em vê-lo, Bruce está aguardando vocês. – Disse Tim enquanto o Flash em carne e osso abraçava Tim. – Sra. West... ah, Allen... Ah.
— West-Allen, querido. – Ela sorri. – Pode me chamar de Iris, apenas.
— Claro, desculpem o mal jeito. – Tim sobe junto com eles para o salão. A festa está agitada, Bruce agora conversa com os figurões ricaços e com Iris e Barry, Karoline não para de olhar pra ele, isso o deixa confuso e nervoso, nunca que a garota mais popular da escola iria se interessar por ele. O garoto resolve ir para a sacada tomar ar puro.
— “Senhor Drake”.
— Alfred, diga lá.
— “Seu programa de mapeamento criminal está funcionando perfeitamente; brilhante, senhor, devo dizer; o mapa de Gotham em função das denúncias de crimes como assaltos e latrocínios, tudo conectado à câmeras de segurança e telefones dos estabelecimentos alcançáveis via satélite, que seriam todos, que irão apitar sempre que alguém chamar a polícia, já está em pleno funcionamento”.
— Obrigado Alfred. Boa noite.
—“Boa noite, patrão”.
— Oi. – Tim reconhece a voz e se vira.
— Olá, se divertindo¿
— Agora mais do que em toda a noite. Meus pais só querem falar de negócios e assuntos chatos, nem sei por que eles me arrastaram para essa festa. Pelo menos é bom que você esteja aqui.
— Pelo menos está se divertindo, nem que seja um pouco. – Eles riem. – Porque não trouxe o Henry¿
— Terminamos semana passada. Você tinha razão, não gosto de descerebrados com lamborguinis. Acho que foi melhor assim, ele costumava ficar meio agressivo e até hoje me manda mensagens dizendo que quer conversar e reatar, mas não sei se quero.
— Faça o que seu coração mandar. É um clichê, eu sei, mas acho que até mesmo Henry merece mais que um simples fora. Não estou te julgando, longe disso, acho que está certa, mas repense sobre o que ele deveria ouvir de você. – Tim agora olha diretamente nos olhos dela.
— Por que eu nunca notei você¿
— Eu gosto de me manter na sombra, incógnito. Gosto de ser um fantasma.
— As pessoas deveriam conhecer o cara incrível que você é.
— Não sou tudo isso. Eu sou normal, não tenho nada de especial.
— Ainda por cima é modesto. – Ela aproxima seu rosto do dele cada vez mais. – Eu não sei o que está dando em mim ultimamente, parece que fui mordida ou algo do tipo.
— Talvez... – Tim gagueja. – Só talvez... – Ele dá um passo e a beija, um beijo longo e intenso.
— Tim! – Tim também reconheceu aquela voz. Ele para de beijar Karoline, e olha para a entrada da sacada de onde estava. – Desculpe, não quis atrapalhar.
— C-C—Cassie, oi. Como vai¿
— Vou muito bem, e você¿
— Indo... Ah, Cassie, essa é Karoline, Karoline, Cassie. – Tim secava a saliva dos lábios enquanto olhava para qualquer lado que não fossem os olhos da bela Cassandra Sandsmark, ou de seu encontro da noite, Karoline Helen.
— Muito prazer em conhecê-la. — diz Karoline, que se encontra em uma situação da qual ela não faz ideia do que quão desconfortável está sendo para os dois.
— O prazer é meu. Desculpe, só queria dizer “Oi”, já estou de saída... – “DROGA!” Era a palavra que gritava na cabeça de Tim naquele momento.
— Quem era ela¿ Parecia desconfortável.
— A ex-namorada que eu te falei antes. Nos distanciamos por motivos objetivos. Ela queria estudar na França “Treinar com as Amazonas em Themyscera, mas não vou contar isso”, e eu tinha coisas a fazer aqui “Ser o Red Robin e lutar contra o crime”. Não deu certo.
— E você ainda tem sentimentos por ela, não tem¿ — Karoline não estava com raiva, nem com ciúmes. Ao olhar para a expressão abalada de Tim, ela apenas sentia que deveria esperar e reconforta-lo. – Não precisa me responder se não quiser.
— Eu não sei, Karoline. Juro que não sei. – Tim amou Cassie doentemente, desde a morte de Stephanie Brown, assassinada cruelmente pelo Espantalho, Tim achou que nunca iria amar novamente até conhecer Cassie quando Mulher Maravilha apresentou os dois em um jantar informal na mansão Wayne. Tim ainda tremia em suas extremidades quando a via, e faziam meses que os dois não se olhavam nos olhos. A última coisa que ele queria era que ela o pegasse beijando outra menina.
— Você quer ficar sozinho um instante¿
— Se não se importar. – Karoline acena com a cabeça, esboça um sorriso sincero, dá um beijo no rosto de Tim e se afasta, volta para a mesa dos pais. O pulso de Tim apita.
“Mensagem de Dick Grayson: Timmy, rua 23 esquina com o aquário municipal, vem pra cá. Estou de olho em uns punks que precisam de uma lição. Assaltar velhinhas não é um bom passatempo. Bárbara está aqui comigo. Logo após vamos ao baile.” – Tim respira fundo. “... Indo”. – Ele aperta um botão no pulso e chama sua nave. Quando ela se aproxima, ele lança um rapel na parte inferior da nave é levado pela mesma para a noite fria.
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