O Retorno de Tim Drake
4 Certeza e Dúvidas, Dúvidas e Certezas
Tim sobrevoa o centro do Gotham, na saída dos principais restaurantes e teatros. Seu jato projetado por ele mesmo está em modo de camuflagem.
— A.D., o que tem pra mim?
— Assalto à mão armada e fuga na Rua 23 com a avenida George Orwell, veículo azul escuro, ano 2001, motor modificado especificamente para corrida e evasão.
— Faz sentido. Obrigado A.D. Vamos trabalhar. – Ele aperta um botão e é ejetado do jato. Voando em queda livre pela noite fria, ele abre as asas da capa e cai em cima do capô do carro dos criminosos. Tim estoura a janela e nocauteia o homem no banco do carona antes que o mesmo pudesse mirar nele. “Dick se orgulharia disso”, pensa ele, sabendo que de todos os Robins, embora Tim fosse o mais inteligente, não era o mais habilidoso no combate corporal, algo da qual Richard Grayson dominava e muito bem. O carro capota e TIm pula por cima enquanto estica a mão pela janela e puxa um dos assaltantes para fora. O carro fica no chão e é rapidamente cercado pela polícia.
— Vamos dar uma volta. – Ele diz ao assaltante, enquanto prendia seu braço atrás das costas. Tim lança um rapel até o prédio e leva o bandido junto com ele. O homem desmaia.
Assim que retoma a consciência, ele se vê dependurado pelos pés em uma caixa d`água com as mãos amarradas.
— Boa noite, Stephen. – Diz Tim. – Espero que o sangue indo pra sua cabeça te ajude a pensar.
— Vermelho, olha, por favor, não me machuca. Eu acabei de sair da condicional, não posso voltar pra cadeia.
— Se não me responder, não é pra cadeia que eu vou te levar.
— Como assim?
— Vou te devolver pro Big Billy. Você entregou todos os esquemas de tráfico dele pra polícia. E eu acho que a polícia é o menor dos seus problemas. No momento se preocupe com a surra que você vai levar dos capangas do BB, no mínimo, e o mais importante, Stephen... Se preocupe comigo, porque eu vou te machucar muito se você não me falar o que eu quero saber. – Tim agarra o homem pelos cabelos loiros. – Quem é Henrico L’arpergiatta Matthews?
— Porque quer saber dele? É um Zé-ninguém, um tremendo pé no saco, com aquele sotaquezinho irritante. Ele serviu no exército e por anos trabalhou como agente duplo pro Pinguim, ele e o BB se odeiam. Quando comecei a trabalhar pra ele, tive que desfazer todos os laços com Henrico. Não sei onde ele está. Não vejo o cara há anos, achei que ele estivesse morto, achei que o Billy já tinha dado um fim dele.
— Henrico tem informações preciosas das quais eu vou ficar muito, muito bravo se não conseguir o mais breve o possível. O que mais sabe? – O homem respira fundo.
— Depois que deixou de trabalhar pro Pinguim e seguiu em frente com a vida, soube que ele abandonou tudo, se tornou um magnata poderoso no exterior, fazia negócios com sheiks árabes e coisas do tipo, então ele mudou de vida. Se casou, teve uma família, duas filhas. Mas foram todas mortas pela máfia russa, parece que o dinheiro que Henrico ganhou não era tão limpo como alguns imaginavam, ele teve que se esconder. Disseram que matariam todos que ele conhecia e tinha afinidade. Que um casal, que era vizinho dele em Gotham, iam pegar eles primeiro.
— Como sabe disso?
— Ele me procurou quando tudo isso aconteceu, disse que sentia muito e que sentia a falta de todos nós, pelas velhas amizades, ele precisava de ajuda. Não podia deixar que os mafiosos matassem todo mundo.
— Quem era esse casal?
— Ele não me falou, mas disse que eram as pessoas mais incríveis do mundo. O filho deles, Tommy, sei lá, não me lembro do nome, Henri falava que o garoto era um gênio, era forte e tinha tudo pra se tornar um grande atleta, talvez ele esteja com uns 15, 16 anos agora, pode tentar procurar ele. – Tim arregala os olhos. “Não preciso”, pensou consigo mesmo.
— Se estiver mentindo pra mim, entrego sua cabeça pro Billy. Aproveite sua quebra de condicional na Black Gate, Stephen. – Tim solta o homem quando a polícia sobe até o telhado e localiza o homem caído e quase desacordado. Tim foge antes que eles cheguem.
—A.D. – Ele diz do alto do prédio mais alto de Gotham. – Henrico conhecia os meus pais. Stephen estava falando de mim.
— Certamente é possível, mestre Tim.
— Contate a Bat-Caverna, quero falar com o Alfred.
— Sim senhor. – Tim escuta o telefone chamando. – Boa noite, padrão Drake, em que posso ser útil?
— Boa noite, Alfred. Por favor, mande no meu e-mail, os arquivos de minha investigação, irei reabri-los quando estiver em casa na mansão dos Titãs.
— Sim, senhor. Apenas isso?
— Por hora sim, obrigado, amigo.
— Eu quem lhe agradeço, patrão.
— Me chame de Tim, ok?
— Eu presumo que--.
— Eu pedi pr—
— Eu vou chamá-lo de patrão, ok? – Tim já estava se acostumando com a ironia de Alfred.
— Ok. Desligando.
— Desligando... Patrão.
Tim respira fundo no alto do prédio, ele tira a máscara para poder sentir o frio da noite em seus olhos cansados e talvez relaxar um pouco.
— Senhor, o senhor tem uma chamada.
— Atenda, A.D.
— Alô?
— Oi... É a Karoline. – Tim quase cai do prédio, ele nunca em hipótese alguma esperaria uma ligação de Karoline Helen. – Estou atrapalhando?
— Oi... Karoline, não, não está, estou dando uma pausa nos estudos. Em que posso lhe ser útil¿ “Droga, Alfred, você e suas frases”.
— Eu... Quero a sua ajuda, Tim.
— Quem diria, você sabe o meu nome.
— Eu sei sim. Eu queria te agradecer de verdade por me defender daquele jeito hoje. Ninguém nunca fez isso por mim.
— Deve ser porque você é forte o bastante pra se defender sozinha. – Ela ri.
— Talvez. — “Ela está ofegante e nervosa em falar comigo, mas deve ser por que nunca pediu ajuda antes a ninguém”, pensou Tim — Olha, eu pensei bem no que você me disse, e eu quero a sua ajuda. Meu pai me disse hoje que você era uma espécie de protegido do Bruce Wayne, não é? Ele me disse que você era um gênio e que nunca eu teria outra oportunidade igual a essa. Digo, de ter aulas com você. Eu percebi que eu preciso me dedicar mais aos estudos.
— Que bom que tenha chegado a isso, Karoline. Fico feliz. E agradeça ao seu pai pelas palavras, não mereço tal reconhecimento – ele sorri — Podemos nos falar mais amanhã?
— Claro, desculpe, Boa noite, Tim.
— Boa noite. – Tim desliga o comunicador e pensa respirando fundo sem a máscara para deixar o ar frio penetrar melhor em seus pulmões. “Vem neve por aí”.
— Mestre Tim, seus níveis de atividade cardíaca estão mais altos que o normal. Há algo errado?
— Não, Alfred, está tudo bem. Foi só um leve desequilíbrio, tudo muito psicológico. Eu estou legal.
— Mestre Tim, eu o conheço muito bem, sei quando está mentindo pra mim. – Tim ri.
— É, você é mais esperto que qualquer um, Alfred. – Ele coloca a máscara de volta. – Uma garota me ligou.
— Eu recebi o protocolo do seu programa de assistência, que o senhor construiu já que não precisa mais do seu velho amigo Alfred.
— Pare com isso, meu chapa. Você é indispensável. Estou apenas te dando uma folga.
— Como quiser, senhor. Quer que eu lhe prepare um jantar para quando voltar aos seus aposentos na base dos Titãs? O senhor mal vem à mansão ultimamente, só fica trancado em seu quarto na base.
— Espera, quem te disse isso?
— Mestre Connor.
— Que filho da- O alarme de seu comunicador apita. – Um segundo, Alfred. A.D. o que houve?
Fale com o autor