O Retorno Dos Seis
22 Capítulo 21 - He is Back.
Notas iniciais
Espero que gostem o/
:D
– Claro que não Sarah! – Ele olha repentinamente para trás, para se certificar que estou errada. – John não seria tão burro assim!
Não penso duas vezes e disfiro um tapa em seu rosto. Ele olha confuso para mim e depois para o pessoal que está sentado atrás de nós.
– Nove, precisamos voltar! – Insisto.
– Porque Sarah? Precisa se certificar de que seu amorzinho não morreu?
Não, mas para ter certeza de que vocês não perderam mais um Lorieno. Retruco.
Não acredito que ele ainda ache que gosto de John... Bom, mas eu ainda gosto mesmo.
Saio do carro, já que Nove não se mexe e quando começo a caminhar de volta para o hotel, tudo que restava ao redor dele, explode. A galeria, as lojinhas, o casino.
Em cima do pequeno centro comercial, forma-se uma nuvem cinza seguida de raios e trovões. Seis... Penso.
Ela está do outro lado do carro controlando o tempo. O vento, agora forte, bate em nossos cabelos, fazendo-os dançarem atrás de nós. Vejo os SUVs irem em direção contrária a nós. Eles desaparecem alguns minutos depois.
O fogo, que toma conta da cidadezinha, começa a se alastrar para perto de nós. Entro no carro, seguida de Seis e Nove acelera. E agora? Como vamos encontrar John?
Estamos a 100 km/h e Nove não diminui até estarmos bem longe daquele local. Seguimos de Vegas à Pahrump, que fica há uma hora daqui. A estrada movimentada me deixa nervosa. Alguns carros pretos cruzam conosco, o que me deixa desconfortável e com medo. Qualquer um desses pode ser um dos mogs...
Nove para em um restaurante barato, e meu medo se intensifica. Deixamos John com os mogs porque você tinha pressa de sair de lá, mas agora quer parar somente à uma hora do local onde está tudo em chamas? Sério?
Saio do carro, seguida de Marina, Sam e Oito. Malcolm está dormindo ao lado de Seis e Ella, que conversam enquanto compramos água e comida. Tento imaginar o que as duas estão falando, mas disfarço o interesse quando Oito se aproxima.
– Sarah... Precisamos decidir o que vamos fazer... – Ele diz, sentando-se em frente ao balcão e pedindo um refrigerante. Eu me sento ao seu lado e olho para a TV. Ela está desligada, e com minha telecinesia, eu a ligo, deixando-a no canal de notícias.
– Porque não fala com Nove? Ele é melhor para resolver essas coisas...
– Porque ele não vai querer me escutar. Mas com sua ajuda, talvez consigamos sair daqui e ir para um lugar seguro, ao invés de ficarmos em hotéis ou fugindo a todo o momento. – Ele termina de beber o refrigerante e joga a latinha no lixo. Levantando-se, Oito continua. – E precisamos de John. Você sabe como Nove é... Nunca voltaria para ajuda-lo após tudo o que aconteceu. Ele caminha até o caixa, paga o que devia e voltamos para o carro, esperando em frente do mesmo por Nove, Sam e Marina Não concorda comigo?
Penso um pouco antes de responder, mas não há muito o que pensar.
– Sim, concordo. – Sorrio para ele e entro no carro. Vejo Marina voltando correndo até nós e Nove e Sam logo atrás dela. Seus cabelos picotados balançam e a sacola de papel que ele carrega quase rasga. Ele obriga Oito a entrar no carro rapidamente e joga as coisas em seu colo. Quando os dois entram, a porta de Nove quase quebra de tanta força que ele a bate. Nós saímos do pequeno estacionamento e aceleramos na estrada.
– O que foi, Nove? – Pergunto, desesperada.
– O Hotel, Casino, tudo o que aconteceu em Vegas, já está nos jornais. E o FBI está atrás de nós. – Ele ultrapassa tudo que vê pela frente e quase bate em um caminhão. – Temos que sair do país.–
– Nem pensar! – Seis grita. – Não vamos sair daqui sem John! – Ela protesta.
– Nós temos que fazer isso Seis! –
– Nós não, você tem que ser durão ao invés de ajudar um de nós, só por causa de garotas. Pare com isso! Nós temos que ajuda-lo, a não ser que não queira perder mais uma chance de voltar à Lorien!
Nove continua a dirigir, mas um pouco distraído. A resposta de Seis pesou em sua consciência. Disso eu posso ter certeza.
– Ok...Vamos para... para... – Ele olha para uma placa acima de nós na estrada e continua – Lancaster. Ficaremos lá por algum tempo, compraremos aparelhos, treinaremos, ficaremos prontos, e depois contra-atacamos tudo bem? – Ele olha para Seis pelo espelho retrovisor. Ela cruza os braços e abre a janela, não respondendo a Nove. – São só quatro horas de viagem, não vai demorar. Prometo. – Ele pisca para ela, e suas bochechas ficam vermelhas. Viro-me para a janela e encosto minha cabeça na mesma, adormecendo rapidamente.
Finalmente acordo e sinto-me enjoado. Olho para os lados, reconhecendo nossas arcas, um pouco queimadas, em cima de uma mesa dentro de uma sala totalmente branca. Meus olhos fecham repentinamente por causa da forte luz amarela em meu rosto. Consigo enxergar duas formas um pouco avermelhadas a três metros de mim, discutindo algum assunto. Uma delas carrega um bisturi e uma injeção. Tento libertar minhas mãos, mas elas estão presas por correntes na maca. Faço o mesmo processo com as pernas, porém sem sucesso. Tento usar meus legados, mas nada funciona. Que beleza.
A forma finalmente fica reconhecível, e a expressão de medo em meu rosto se acentua mais.
– Ele já acordou? – Uma voz abafada no final da sala pergunta.
– Sim senhor. – Uma moça, que antes fora a forma, se aproxima e me injeta um líquido preto. No início a sensação é boa, mas quando ela retira a agulha, meu cérebro congela e começa a arder. Tento colocar as mãos na cabeça, mas elas estão presas. Sinto uma leve vertigem, mas que logo passa. Meus olhos queimam mais do que nunca e se ela injetar mais uma droga dessa aí, sinto que eles derreteram.
O efeito passa rápido, se espalhando pelo corpo, mas meu cérebro dói. Dói tanto que não consigo distinguir meus pensamentos.
A voz abafada finalmente se aproxima e um homem de quase dois metros de altura toma seu lugar. Ele retira a luz sob mim e olha para a menina.
– Isso não vai passar nunca, não? – Ele reclama.
– Senhor, estou tentando o máximo possível... Nem mesmo os mais fortes remédios estão funcionam. Acha que isso tem alguma coisa ligada a ele? – Os dois olham para mim e depois se encaram.
– Não sei... – Ele passa a mão em seus cabelos ruivos e morde o lábio. – Apronte-o. Vamos para a ala Sul em cinco minutos. – Diz ele, saindo da sala e virando à direita.
A menina olha novamente para meus olhos, se prendendo em um transe e depois balança a cabeça. Rachel, foco. Ouço-a pensar. Rio de seu pensamento e ela olha curiosa para mim, desfazendo meu sorriso.
Ela se vira e pega mais um frasco do líquido preto, colocando a agulha nele e deixando-o em uma bandeja ao meu lado. Ela anota algumas coisas em um bloco de notas e se vira novamente. Seus cabelos escuros e longos, cortados em V, balançam quando ela se movimenta. Ela veste uma calça jeans e um jaleco branco por cima. Quando ela volta a olhar para mim, ela segura um tipo de lupa e coloca sobre meus olhos. Eu me assusto ao ver seus olhos castanhos tão próximos dos meus, mas disfarço. Ela anota mais alguma coisa e corre até o computador na outra mesa. Enquanto ela se distrai, tento libertar minhas mãos, mas sem sucesso. Tento novamente acender meu lúmen, e para minha surpresa, ele finalmente funciona. As fitas pretas que prendiam minhas mãos pegam fogo, assim como as que prendiam meus pés. Sim, prendiam.
Pulo da maca e voou em direção à menina. Seguro seu braço e jogo-a na parede. Ela, sem reação, tenta se livrar, mas prendo seus pulsos contra a parede e ela grita de dor.
– Shh... – Coloco o dedo sobre minha boca e ela fixa seus olhos em mim. – Se você me ajudar, não vai se machucar... Ok? – Ela balança a cabeça em sentido afirmativo e começa a chorar. Meninas...
Puxo seus braços e coloco-a debaixo da mesa. Pego um jaleco dentro de um armário e procuro algum crachá. E óbvio, que para minha sorte, não teria nenhum lá. Desarrumo meu cabelo, para que não seja reconhecido –mas óbvio, que com tanta sorte que tenho, eu serei reconhecido. Que seja, não custa tentar, né?– e puxo Rachel em minha direção. Apago as luzes e puxo as arcas para mim com minha telecinesia e vou até a porta. Ela chora ao meu lado enquanto coloco duas arcas em seu colo.
– Rachel, pode segurar isso para mim? – Tento ser o mais educado possível, mas a expressão em seu rosto me indica de que fiz alguma besteira.
– Como sabe meu nome? –
– Er... – Procuro uma resposta rápida, mas meu cérebro não colabora muito. – Rachel, se eu fosse realmente normal, acha mesmo que estaria aqui?
Ela assente com a cabeça e continua ajoelhada a meu lado.
– Ok, se vou te ajudar a fugir, preciso me preparar. – Ela se levanta, jogando as arcas no chão, e anda até um armário mais afastado, enxugando suas lágrimas e tomando uma postura mais decidida.
– Tá louca menina? Volte já aqui! Vai chamar atenção deles! – Ela me ignora e quase imediatamente, corro até ela, pressionando meu corpo contra o seu. Precisamos sair daqui. Olho em seus olhos, mas ela se liberta e continua a mexer no armário.
– Não acha melhor pegar algumas armas? – Ela pega um fuzil de assalto M16A2 e me entrega uma AK-47.
– É, eu acho melhor. – Sorrio para ela, mas antes que ela possa retribuir, o alarme soa. As portas de metal lá fora começam a se fechar e o desespero toma conta de meu corpo. Com minha telecinesia arranco a porta de vidro e seguro a de metal. Rachel corre e passa por baixo, segurando duas das arcas quando escorrega pelo chão e atirando em tudo o que vê lá fora. Pego uma mochila preta dentro do armário e puxo as arcas para mim, colocando-as dentro. Com ela nas costas, levanto a porta de metal novamente e atiro em tudo o que vejo, tomando cuidado com Rachel.
Quase quarenta mogs cercam-nos e eu acendo meu lúmen.
– Fique perto de mim! – Grito para Rachel, e ela se aproxima.
Miro o lúmen em meus pés e incendeio. Jogo as chamas entre nós, formando um circulo e queimando os mogs que se aproximam. Eles atiram e jogam espadas em nós, mas bloqueio tudo com minha telecinesia. Incendeio agora o corredor inteiro e o circulo começa a se fechar. Ainda bem que sou a prova de fogo... Mas ela não. Ferrou.
– Oito, pode acordar Sarah, por favor? – Acordo com Nove gritando. Bato minha cabeça no teto do carro e coloco a mão no ferimento.
– Sarah, acor... – Ele olha para mim e sorri. – Achei que estivesse dormindo. Ops. –
Sorrio de volta e saio do carro. Me deparo com uma casa grande no meio das montanhas. O sol está se pondo e a vista é incrível. Do alto da montanha, vejo uma colina e logo após as luzes da cidade se acendendo. Nove se aproxima e segura minha cintura, puxando-me contra seu corpo.
– Lindo não? – Ele sorri.
– Sim, muito. – Beijo a ponta de seu nariz e continuo. – Como conseguiu essa casa?
– Passamos em uma mobiliária local. Foi a coisa mais útil, a não ser que queria um prédio caindo aos pedaços... – Ele revira os olhos e sorri novamente, beijando-me assim que o sorriso desaparece de seu rosto. Caímos na grama, e ele deita. Ele entrelaça sua mão na minha e me beija mais uma vez, agora mais intensamente. Quando paramos de nos beijar, me viro para olhar a casa e Seis está parada bem em frente dela. Empurro Nove para longe e me levanto. Ele cai e joga o cabelo picotado para o lado, se questionando o porque de eu fazer isso. Me arrumo e tiro algumas poucas gramas de meu cabelo curto.
– Sério mesmo que com essa situação toda, vocês vão ficar se beijando? – Ela cruza os braços e olha-me nos olhos. Fico envergonhada pela situação, mas mesmo assim ando em sua direção.
– Desculpe-me Seis. Prometo não atrapalhar mais... – Digo e entro na casa. Olho pela janela a discussão dela e de Nove, mas ele, para parar com a briga, cochicha algo em seu ouvido, entrando na casa com um sorriso vitorioso. Olho em seus olhos e ele disfarça o que acabou de acontecer lá fora. Seis entra logo em seguida e bate a porta fortemente, indo em direção a Nove.
O circulo começa a se fechar e eu não sei o que fazer. Os mogs se contorcem e queimam, dando ao ar um cheiro nada agradável. Puxo Rachel para minha frente e seguro-a como um bebê em meu colo.
–Se segura... – E antes que ela possa concordar, eu pulo pelas chamas e vejo os mogs se revirando. Paro do outro lado do corredor, que está em chamas e começo a correr, passando por tudo e por todos. Mogs tentam me impedir, mas minha sede de sair dali é maior. Chego a uma bifurcação e corro pela direita. O corredor cinza e as luzes brancas piscando me deixam tonto, mas continuo. Sinto uma dor nas pernas e diminuo o ritmo. No final do corredor extenso vejo uma luz. Nossa, foi tão fácil assim? Mas antes que eu possa atingir a provável saída, sou puxado para trás e levantado pela gola, deixando Rachel cair. Olho a cicatriz pulsante e a pele negra. O meu pior pesadelo, bem a minha frente.
– Não John. Não foi tão fácil assim. – Diz Setrákus, com um sorriso malicioso no que podemos chamar de rosto.
Notas finais
Espero que tenham gostado pessoal o/ :D
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