O Retorno Dos Seis
9 Capítulo 9 - Nathan, prazer.
Notas iniciais
Uma dor agonizante percorre meu corpo. Quando tento me levantar, caio novamente na grama. Ainda amanhece, e provavelmente poucas pessoas viram o que aconteceu. Penso como vim parar aqui, mas só de pensar nisso, a dor se intensifica mais. Com dificuldade, encosto-me a uma árvore e descanso. O sol forte bate em minha cara, mas, por incrível que pareça, não me incomodo com isso. É a melhor sensação que já senti. Uma leve brisa bate em meus cabelos loiros e sujos, refrescando-me.
Sinto-me um pouco melhor e já consigo me levantar. Ando devagar, com algumas pessoas que correm pelo parque me olhando e crianças que passam por ali cochichando com seus pais. Tento parecer o mais normal possível, mas sei que é um pouco difícil parecer “normal” quando alguém acaba de se tele transportar.
Ando alguns metros e sinto uma leve vertigem, que me faz ter que parar. Não andei o suficiente para sentir isso, só pode ser um “sintoma” do tele transporte.
Paro e me apoio em uma árvore. Caminho mais um pouco, mas minha visão está totalmente turva e minha mente enlouquecida. Assim que tento chegar a um banco perto de uma banca de jornal, caio no chão. Estou prestes a perder a consciência quando um moço, mais ou menos da minha idade, se abaixa e me socorre. Me pega no colo e coloca-me no banco.
– Está tudo bem –
– Sim, tudo bem... –
– Bom... Nathan, prazer. – Estende a mão para me cumprimentar. Aperto sua mão, já dizendo:
– Sarah Har... Madison Manson, prazer. –
Tento disfarçar o grave erro que cometi, ao trocar os nomes, com um sorriso.
– Acho melhor leva-la para um hospital. –
– Não, não precisa. Já me sinto bem melhor... –
– Ok então... Ér... Bem, você aceita tomar um café? –
– Claro, seria ótimo. –
Não quero me envolver com ninguém no momento. Amigos ou conhecidos só vão atrapalhar na minha “missão”, mas não posso evitar. Ele mexeu comigo. Não só por me ajudar, mas somente de olhar para ele, sinto uma energia eletrizante correr pelas minhas veias.
Vamos a uma cafeteria ali perto, e sentamos perto da janela. A moça logo vem nos atender:
– Bom dia e bem-vindos ao New York Coffee. –
– Bom dia. Bom, eu vou querer um café e ovos mexidos com bacon. –
– Uhum... E a mocinha aqui? –
– Só um copo d’água mesmo. –
– Ah vamos lá Madison. Não se sinta envergonhada, peça o que quiser, hoje é por minha conta. –
– Não, sério, não estou com fome. –
– Ah para... Ela vai querer ovos mexidos com bacon e um suco de laranja. – Ele sorri e pisca para mim. – Certo Maddie? –
– Certo. – Dou uma piscadinha para ele, e a moça vai embora.
– Mas então, conte-me sobre você... Mora aqui mesmo, em NY? – Ele pergunta. Hesito um pouco antes de responder, tentando pensar em um local não muito distante daqui.
– Não, não... Sou de... De... Orlando, Flórida.
– Nossa. Um pouco longe daqui não acha? – Ele ri. – Porque está aqui então? –
– Vim visitar meus... Tios. –
– Ah... Seus tios moram longe daqui? Se quiser uma carona, estou à disposição. –
– Não, não precisa. Sério. Já estou melhor e eles moram perto daqui. –
– Ah, que pena. Queria passar mais tempo com você... –
Ele se aproxima de mim, seus olhos azuis brilhando ao encontrar com os meus. Não consigo parar de olha-lo. É hipnotizante. Quero beijá-lo agora, neste momento, mas não posso. Sou e sempre serei fiel a John. Não faria isso com ele, nem que o menino mais bonito do mundo me pedisse isso.
– Por favor, Madison, me deixe leva-la a casa de seus tios... –
Não consigo aguentar a mentira, e logo abro o jogo, mas não totalmente, com ele.
– Olha, Nathan Eu vim para NY sem malas, sem dinheiro, sem ninguém. Vim para encontrar trabalho, mas não tenho onde ficar. Não sou de Orlando, sou de Londres. Tenho cinco dias para encontrar alguma coisa para fazer aqui senão voltarei para lá, e terei de ser garçonete o resto da minha vida. Agradeço o que fez por mim, mas pretendo me virar sozinha daqui pra frente. – Levanto, me despeço, deixando três ou quatro dólares na mesa, sendo que a comida nem tinha chego ainda, e saio da cafeteria e ando até uma avenida. Olho para os dois lados e não sei para onde ir.
De repente, alguém coloca a mão em meu ombro e olho para trás assustada. Nathan.
– Nathan que susto! Você podia ter me matado! –
– Desculpe-me Madison, não queria assustá-la, mas tive que vir atrás de você. Ouvi sua história e fiquei com um peso na consciência... Meu apartamento é enorme, mal uso a ala dois dele. Se você quiser ficar comigo até as coisas se ajeitarem... –
Tenho que dizer não, mas as palavras saem da minha boca sem nenhum controle:
– Claro! Seria ótimo! – E logo lhe dou um abraço, no meio da multidão que passa rápido por nós. Ao nos afastar um pouco, nos olhamos por um bom tempo, sempre se aproximando mais e mais. Ele puxa meu queixo e dá um beijo na ponta do meu nariz. Nós sorrimos, sempre se olhando intensamente.
– Vamos? – Ele pergunta, entrelaçando os dedos nos meus.
Respondo que sim com cabeça. Caminhamos até um carro preto, um porshe modelo antigo. Ele abre a porta para mim e senta ao meu lado. Pede para o motorista nos levar ao seu prédio.
– Mas então, Nathan, com o que você trabalha? – Pergunto, olhando para ele.
– Meu pai é um dos sócios das lojas Macy’s, trabalho com finanças e tudo mais... É meio chato sabe? Mas é o negócio da família e blábláblá... –
Dou uma risada, mas por todo o percurso até seu apartamento, ficamos em silêncio. O motorista, um senhor de idade, sempre olhando para mim. Meio estranho, mas o ignoro. Lembro-me de John, de Henri e de Bernie. Viajo no tempo, lembrando dos dias que passávamos juntos. A imagem dos três se vai quando Nathan começa a falar:
– Madison, chegamos. –
Já abrindo a porta ele comenta:
– Espero que goste. –
Saio do carro, e a minha frente vejo uma enorme recepção. Daquelas bem de cinema... Todos nos cumprimentam, sempre sorrindo. Vamos até o elevador, e Nathan aperta o último botão.
– Você não tem medo de altura né? – Ele brinca. – Porque se tiver... Vish. –
– Não é muito alto não né? – Entro na brincadeira. – Não vai me dizer que mora na cobertura? –
A porta do elevador se abre, e o que vejo é impressionante. O lugar é enorme. Os vidros são do chão ao teto, há vários quartos, a cozinha é linda e a sala repleta de sofás.
– Como consegue viver aqui sem ter com quem dividir? – Pergunto.
– Bom, agora tenho... – Ele me pega pelo quadril e me puxa, dando-me um beijo, que se intensifica cada vez mais. Não me incomodo pelo fato de estar beijando-o, afinal, era o que eu mais queria. Mas de alguma forma, ainda não consigo esquecer John. Se ele soubesse o que estou fazendo, estaria tudo acabado...
– Nathan, acho melhor a gente ir devagar... – Digo, me afastando. – Nos conhecemos hoje, e sei que você é um bom homem, e lindo também, mas temos que ir devagar... –
– Madison, você é a menina mais linda que já vi em toda a minha vida. Eu sei que nos conhecemos hoje, mas se eu disser que já te amo, você acreditaria nesse amor?
Não sei o que falar. Como posso amar alguém que nunca vi na vida? Mesmo ele sendo incrível, bonito e gente boa, tenho namorado. Preciso sair daqui e ir direto pra Londres.
– Desculpe Nathan, mas eu preciso ir. –
– Não, por favor, não vá. –
– Eu tenho que ir. –
Vou em direção à porta, e assim que tento abri-la, ela é empurrada para trás com força, e me faz voar até a sala.
Atrás dela está o motorista que me encarou dentro do carro. Não sei por que, mas conheço esse homem. Ele tem uma veia no pescoço igual ao... Não, não é possível. Como ele me achou? E porque veio atrás de mim e não da Garde?
O homem cai e começa a ter fortes convulsões. Ele passa a ser um borrão branco e preto, enquanto vai se transformando em algo muito familiar. Nathan está assistindo tudo boquiaberto, enquanto tento me levantar.
Assim que o borrão se torna algo sólido, sei de onde reconheci a veia no pescoço. Sim, ele me achou e agora, sei que vou morrer. Setrákus Ra está aqui.
Notas finais
Té a próxima o/
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