O Retorno Dos Seis
11 Capítulo 11 - Paralyzed
Notas iniciais
Espero que gostem!
Ah, se lembrem!
John narrando = Fonte normal.
Sarah narrando = Fonte NEGRITO.
Assim ficará mais fácil de entender ;)
Bom, o capítulo de hoje vai ser #mutoloko uahuahuahuah
Boa leitura :D
Nathan assiste tudo um pouco surpreso, porém mais calmo. Estranho o porquê de ele estar tão mais tranquilo que eu, mas me preocupo mais em fugir dali.
Noto as três opções que tenho no momento:
1ª. A Janela. Pular seria suicídio. Estou na cobertura de um dos prédios mais altos de Nova York, mas também não quero morrer nas mãos de Setrákus.
2ª. Enfrentá-lo. Seria suicídio também, mas pelo menos morreria com dignidade. Com o desejo de ter lutado para viver.
3ª. Distraí-lo e sair dali o mais rápido possível. Se conseguisse chegar as ruas, ele não poderia sair para me procurar. Teria de se “disfarçar” mais uma vez, o que me daria algum tempo extra.
Penso muito no que posso fazer mas sou distraída quando Setrákus começa a falar:
– Olá senhorita Hart. Como vai? Faz tempo que não nos vemos não acha? Bom, deve estar se perguntando porque vim atrás de você e não dos outros, certo? Aqui vai minha explicação... Primeiro que é muito mais fácil ir atrás de uma menina indefesa do que ir atrás de uma Garde poderosa. Segundo que se eu viesse atrás de você, ele viria atrás de mim, o que é muito mais fácil que eu ficar correndo por aí atrás de adolescentes idiotas e alienígenas né? – Conta ele, dando um sorriso debochado no final.
– Você acha mesmo que pode sair dessa ileso, Setrákus? –
– Sim, Sarah. Eu acho. Afinal você é uma menina que não pode fazer nada para impedir o que irá acontecer. –
Olho diretamente para sua cicatriz, e desejo muito sair dali naquele momento. Mas nada acontece. Tento esvaziar minha mente de todos os problemas, porém, é impossível. Eu sei que vou morrer. Sei que não durarei muito. Sei que acabou.
Me levanto e corro na direção de Walker que está uns dez ou vinte metros a minha frente. Por sorte, o parque está mais vazio nessa região. Ela tenta se levantar e fugir, mas está muito atordoada para isso e cai, batendo a cabeça no chão.
O sangue se espalha no chão, e fico desesperado. Ao chegar perto dela, sinto sua respiração ofegante e lenta, como se estivesse se esgotando. A coloco em meu colo e chamo por Oito e Nove. Nada. Nenhum dos dois aparece. Não sei onde estão. Não sei nem se estão aqui, em NY. Walker abre a boca para falar algo, mas a respiração diminui cada vez mais.
– Walker! Walker, vamos lá! Você tem que sair dessa, qual é! –
– Jo... John... Voc... Você pre...cisa encontrar Sar...ah. –
– Não! Não Walker, por favor! Aguente mais um pouco, só preciso achar Oito e Nove! – Olho para todos os lados e procuro pelos dois, mas não os vejo. Tenho medo que eles tenham parado em outro lugar, longe daqui. Mas seria impossível. Há um pedra lórica aqui, não há como errar. – Walker, aguente firme. Só mais um pouquinho. –
Concentro-me somente em salvá-la. Somente em como posso curá-la e fazê-la ter uma vida pela frente. Sua respiração começa a me incomodar, e continuo tentando, torcendo para que o pior não aconteça. Procuro por Nove e Oito por todos os lados, e finalmente os avisto bem longe dali.
– Nove! Oito! Rápido, me ajudem! –
Eles começam a correr, e Oito os tele transporta para perto de mim.
– Que foi Johnny? Walker tentou fugir? – Nove pergunta.
– Sim, e caiu. Bateu a cabeça tão forte no chão que senti quando isso aconteceu. – Eles olham para mim com uma careta horrível, como se sentissem a dor dela. – Preciso que fiquem aqui enquanto procuro Sarah. –
– Não John, eu vou com você. –
– Nove, Oito vai precisar de ajuda. –
– Relaxa Quatro, pode ir. Eu cuido dela... Sei que posso fazer isso. – Ele sorri para mim e assinto com a cabeça.
– Ok, ok. Vamos lá Nove. –
Corremos até a avenida mais próxima e chamamos um táxi. Peço para o motorista nos levar para o hotel em que Walker diz que Sarah está. Torço para ela não estar nos enganando.
Quando estamos chegando, retiro uma nota de 50 dólares da carteira e dou para o jovem que nos levou até lá. Guardo-as desde que sai dos Estados Unidos, só por precaução.
Descemos rapidamente, e olho para cima. Desejo ter Oito aqui comigo para nos tele transportar lá para cima, mas teremos que subir de elevador. Chego a recepção e pergunto em que andar o senhor Nathan está me esperando para uma reunião importante. A moça me diz que ele está na cobertura e me dá a chave extra de seu apartamento. Agradeço e corro até o hall que leva aos elevadores.
Nove aperta o botão, entramos e vamos em direção ao último andar. Lembro-me de Chicago, no apartamento mais bonito que já vi. O outro em Londres é muito bonito também, porém os funcionários da recepção de Chicago eram mais simpáticos.
Sinto um nó no estômago só de pensar que reencontrarei Sarah. Nunca estive tão nervoso quanto estou hoje. Sarah Hart. Quem diria que uma garota, humana, de Paradise, Ohio, iria chegar até aqui, desenvolveria legados e lutaria contra agentes do FBI. A imagino toda linda, vestindo calça jeans e uma blusa com um casaco claro por cima, porém sei que ela não estará assim.
O elevador está no 76º andar, e mal consigo esperar para chegar lá em cima. Desejo poder desistir agora e voltar para os braços de Seis, e abraça-la o mais forte possível. Nunca deixa-la ir. Esquecer que uma vez estive em Paradise e que amei alguém.
Uma espécie de campainha soa no interior do elevador e a porta se abre. Um corredor se estende ao longo do caminho e no final dele há duas portas com os dizeres Ala Um em uma e Ala Dois em outra. Olho o cartão que está em minha mão e leio:
ALA UM
Olho para Nove e sinto o medo em seus olhos. Não sei se o medo vem de rever Setrákus ou de rever Sarah.
– Pronto? – Pergunto.
– Pronto. –
Sinto uma leve brisa bater em meu rosto. Setrákus está olhando para Nathan, e assim que ele se distrai, pego uma cadeira da sala de jantar e jogo para cima dele. Ele se esquiva e olha para rindo. Eu pulo o sofá e vou em direção a porta que dá direto no corredor. Mas antes que possa abri-la, ouço o barulho de uma arma sendo engatilhada. Olho para trás e Nathan está com ela, bem em frente ao seu rosto, mirando em minha cabeça. Coloco as mãos para cima, e ele me puxa para a frente de Setrákus.
Eu olho mais uma vez para o rosto de Nathan, que está sorrindo para o mogadoriano mais poderoso. Odeio admitir que ainda o acho lindo, mesmo estando contra mim.
Olho para Setrákus, que ri de mim.
– Sarah, Sarah... Você não desisti hein? Bom, de qualquer jeito, obrigado agente Nathan. Sua participação foi de grande ajuda. –
– Nathan! Como pôde? Você sabe que quando tudo acabar, não vai existir armas nem tecnologia que vençam eles! Somente nós, a Garde, que pode extingui-los! Seu idiota! – Esbofeteio no rosto. Sinto que ele se arrepende disso, mas ainda sinto raiva.
– Foi uma honra, Senhor. – Ele responde Setrákus.
Setrákus me puxa pelo cabelo e me joga pelo sofá. Sinto uma dor terrível no couro cabeludo, e minha vontade é de acabar com sua raça. Aqui e agora. Já que ninguém da Garde faz isso, eu mesma farei. Mas algo me impede. Olho para a porta e sinto que logo a situação irá mudar.
Setrákus olha na mesma direção que eu e olha para mim. Ele senta na cadeira a minha frente e começa a falar. Não presto muita atenção no que ele diz, mas presto atenção em seus detalhes. Sua cicatriz. Sua pele. Seus olhos. Aterrorizantes. Pulsantes. Horríveis.
Tento me comunicar com alguém. Talvez com Ella, John ou qualquer um que possa saber que eu estou aqui. Que ainda existo.
Ella? Ella você pode me ouvir? Se puder, por favor, me responda. Eu preciso da sua ajuda.
Sarah? Sarah é você? Você está bem?
Ella! Ella, por favor! Me ajude... Preciso de John, agora.
Sarah, ele está a caminho. Confie em mim.
Suas palavras ecoam em minha mente. John está vivo. E ele vem me ajudar.
Hesito um pouco antes de colocar o cartão na porta, para abri-la. Mas Nove o empurro para baixo, e gira a maçaneta. Abrimos um pouco para podermos ver o que acontece lá dentro. Vejo uma sombra enorme e sei quem é. Setrákus.
Empurro a porta com toda a força e entro. Apontando meu lúmen para o corredor escuro. Vejo uma sala enorme e um homem parado e assustado com o que vê. Setrákus está sentado em uma cadeira, e na frente dele vejo a menina mais linda e doce da Terra. Sarah.
John. John Smith está aqui. Atrás de Setrákus, na minha frente. Estou surtando por dentro, maluca para sair dali e abraça-lo o mais forte possível, mas não tenho coragem. Setrákus se vira rapidamente e se levanta.
Dou um soco no rosto de Setrákus. Dois. Três. Ele segura minha mão quando estou prestes a lhe dar o quarto golpe, mas isso não me faz parar. Lhe dou um chute na perna, e ele solta minha mão. Quatro socos. Cinco. Seis. Mais um chute na perna. Aponto meu lúmen para seu rosto, e quando estou prestes a lhe dar mais um golpe, sou puxado para trás. Um humano, que presumo ser Nathan.
Setrákus está se recompondo e me levanto na hora. Corro até o corredor e vejo Nove. Pulo em cima dele e lhe abraço. Forte e verdadeiramente. Ele retribui o abraço, e quando vamos nos afastar, nossos olhares se encontram. Ele tenta disfarçar apontando para John e Nathan, e corremos os dois para lá. Nove segue na direção de Setrákus e lhe acerta uma voadora. Pergunto-me por que eles não estão usando seus legados, porém continuo focada em ajudar John.
Ele me acerta socos e chutes enquanto estou caído, mas foco meu lúmen em seus olhos. Me levanto e o seguro pelo pescoço. Como na noite em que resgatei Sarah, Sam e Emily no Halloween das mãos de Mark, jogo-o para o outro lado da sala, indo parar na cozinha.
Sarah está na minha frente. Olho-a nos olhos e vejo o brilho que vi quando nos beijamos pela primeira vez. Estou paralisado. Fecho os olhos. Minha mente trava e volto no tempo, há seis, sete anos atrás. Quando os abro novamente, estou na aula de economia. Sozinho em uma mesa. Sarah entra e se senta ao meu lado. Ela me cumprimenta e começa a falar sobre Mark e nossa tal briga. Estou nervoso e meu rosto esquenta. Ela deixa claro que não está mais com Mark, e logo depois vamos para a cozinha, três vezes maior que a sala de aula. Vamos trabalhar juntos, Sarah e eu. Amarro seu avental e ela amarra o meu. Começamos a fazer a massa da panqueca e conversamos.
Minto sobre o porque de ter saído mais cedo da aula e lamento por isso. Comemos todas as panquecas, e não tiro meus olhos dela. Uma mancha preta se forma em seu rosto, uma cicatriz pulsante se faz em seu pescoço e a memória se vai. Abro meus olhos novamente e estou no apartamento em Nova York.
Setrákus está com Sarah entre seus braços, sufocando-a. Começo a perceber que seu pescoço começa a ficar preto, igual pedra.
Fico surpresa por John ao menos dar um sorriso para mim, ele mal me cumprimentou. Setrákus me pressiona tão forte contra seu peito que começa a sentir uma leve tontura. Estou ficando com falta de ar, e sei que vou apagar a qualquer instante. Meu pescoço começa a ficar preto e não o sinto mais. Minha pele está ficando igual à dele e não sinto mais minhas mãos. A escuridão se espalha por todo meu braço e me preocupo com isso.
John pega a arma que estava com Nathan e atira três vezes em Setrákus, acertando apenas uma em seu braço. Ele me solta, e minha pele volta ao normal. Sinto que o velho vilão não está mais no pique que tinha antes. Agora está mais fraco, mais vulnerável, mais devagar. Assim como a Garde.
John me empurra para trás, e quando está prestes a atirar na cabeça do líder dos mogadorianos, ele some. Se vai, foge.
Finalmente posso ficar mais tranquila. Posso abraçar meu namorado. Posso me acalmar.
Mais uma vez, Setrákus foge. Sei que precisamos da Garde inteira para derrota-lo, mas hoje ele não parecia o tão incrível líder dos mogs. Parecia um senhor tentando lutar.
Me esqueço disso quando olho para Sarah. Ela sorri para mim e vem em minha direção. Eu a levanto e pressiono-a contra meu peito. Trocamos olhares e beijos. Beijos intensos e cheio de significados.
– Estava morrendo de saudade de você John... –
Tento me afastar um pouco, mas ela sempre me abraça. Não quero trair Seis, mas trai Sarah. Preciso falar isso para ela, mas não consigo dizer nada.
Nove começa a se aproximar, e diz que Nathan está inconsciente, que é melhor irmos embora. Sarah entrelaça os dedos nos meus, e seguimos em direção à porta. Nove fita nossas mãos juntas e me olha com um ar reprovador.
Entramos no elevador e a porta se fecha. Vamos encontrar Oito, pesquisar por Cinco e se encontrar com Seis. Agora, nós voltamos a ser a Garde que éramos. Voltamos a reconhecer que temos pelo que lutar. Que precisamos lutar. E vencer.
Notas finais
espero que tenham gostado!
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