Notas iniciais
Desculpem a demora. Aqui está mais outro capítulo, espero que gostem!

Capítulo anterior: De novo, seus olhares se cruzaram. Estevão sentiu uma estranha emoção ao mirar novamente, aquele par de olhos de cor e brilho inesquecíveis...

Maria estava muito diferente ao dia anterior. Sua maquiagem era clara, seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, usava uma camiseta polo com um distintivo no pescoço. Estevão não conseguia desviar o olhar do dela.

– Como sabia que seria eu?

– Reconheci sua voz.

E como não se lembraria daquele voz? Aliás do dono dela. Ficara a manhã toda se repreendendo pela lembrança do beijo, pelo choque que sentiu quando Estevão lhe beijou a mão.

Provavelmente, só voltaria a ver San Romãn no dia de seu casamento, pois Geraldo queria chamá-lo para padrinho. A ideia de vê-lo dali a muito tempo, parecia-lhe ótima! Assim, iria esquecendo-se do incidente da noite anterior.

Mas ao chegar na delegacia, soube do ocorrido com Carlos, e seu sobrenome revelou a maria que seus pensamentos íam contra a realidade. Veria San Romãn mais cedo do que imaginara.

Procurava a ficha de Carlos já preenchida, quando Estevão entrou em sua sala. Foi aí que ouviu aquela voz...

Ofereceu a mão à Estevão, e este a apertou, cordialmente. Daria um beijo ousado em sua pequena mão, mas estavam acompanhados e o momento não era propício para isso.

– Veio por seu primo, suponho.

– Sim. Queria saber de sua situação.

– Complicada. Além de racha, que é um crime, estava alcoolizado. Poderia ter provocado um grave acidente com outros veículos, já que estava na rodovia, e pôs em risco sua vida e a dos amigos, que o acompanhavam no automóvel. Como já possui passagem pela polícia, dificultará o pedido de liberdade, mas como é rico, duvido que não o consiga parar sair hoje mesmo. — Terminou seu diálogo, irônica.

– Bom dia, senhora. Sou Luciano, o advogado de Carlos. Me apresentarei agora mesmo diante do juiz, para solicitar-lhe o Habeas Corpus. Como a senhora mesmo disse, por haver passagem pela polícia, poderá sair em liberdade, mas creio que será julgado.

– Esses adolescentes de hoje, principalmente os ricos, erram a torto e a direito, e no fim, ao serem pegos restringindo a lei, creem que podem comprar todos os oficiais com sua fortuna. Uma lástima, já que, infelizmente, conseguem. — parecia que falava mais para si do que para os presentes.

– Se sente bem, senhora? — preocupou-se Demétrio.

– Sim, sim. Hum... Gostaria que os senhores me dessem licença. Preciso falar em particular com o senhor San Romãn. — gesticulou para que Demétrio e Luciano saíssem da sala. — Ah, Demétrio... — o oficial vira-se. — Coloque Carlos e seus amigos na cela, com outros detentos, pra ver se mudam de opinião em relação à impunidade.

– Como queira, senhora. — e saíram.

– Porque fez isso? — perguntou Estevão, com olhos estreitos.

– Gosto de mostrar a garotinhos como seu primo que existem leis a se cumprir.

– Está fazendo isso por causa da lei ou do que aconteceu ontem à noite no carro?

– Do que está falando? — fez-se de desentendida. — Ah, sim. Era sobre isso que queria te falar. Que não volte a se repetir.

– Como se eu tivesse a intenção de beijá-la, ontem.

– Ah, e não tinha?

– De maneira alguma!

Maria, de alguma forma, se decepciona com a resposta aparentemente sincera.

– Bom...- diz, para acabar de vez com o assunto. — Já que terminamos o que tínhamos a dizer, é melhor você ir embora.

Maria se levantou de sua cadeira e caminhou em direção à porta, mas é surpeendida por uma mão firme que segura seu pulso de forma nada delicada. Estevão a puxou para si, seus corpos colados um no outro. Podia sentir o peito de Maria subindo e descendo sobre o seu, devido sua respiração irregular.

– Ontem eu não tive nenhuma intenção de te beijar. — disse, com voz rouca. — Mas hoje, estou morrendo de desejo pra sentir o real gosto de sua boca.

– O que quer dizer com...

Mas Estevão não permitiu que Maria terminasse a frase. Capturou sua boca e a invadiu com sua língua, procurando a de Maria, para se saborear do gosto dela. Maria, em nenhum momento mostrava resistência. Puxou Estevão pela nuca e retribuiu o beijo, dando mais intensidade. Suas línguas dançavam freneticamente, se provando, cedendo a um desejo oculto pelo subconsciente de ambos.

Maria ergueu-se um pouco, para alcançar os lábios de Estevão melhor. As mãos daquele homem em suas costas, provocava arrepios em Maria, e elas estavam subindo e descendo, até o ponto de senti-las perto de suas nádegas.

Despertada pelo toque ousado, empurrou Estevão para longe de si e deu-lhe um tapa tão forte, que seu som ecoou pela sala, antes preenchida pelos gemidos do casal.

– Não... faça... mais is...isso... — dizia Maria, tentando normalizar a respiração, com a mão sobre o peito.

Estevão, por sua vez, não disse nada. Levantou o rosto vermelho, e apertou os lábios, reprimindo um sorriso.

– Seu cafajeste... seu...seu... — o telefone tocou.

– Alô — atendeu Maria, ríspida. — Oh Geraldo, me desculpe. Estava resolvendo alguns problemas aqui...- olhou para Estevão, que arrumava o cabelo e parou, ao ouvir o nome do amigo. — Almoçar?... sim, sim. Onde? ... Tudo bem. Até mais tarde.

Fuzilando Estevão com os olhos.

– Saia! — diz laconicamente, apontando o dedo para a porta.

Estevão termina de arrumar a gravata e o cabelo.

– Antes, quero fazer uma pergunta.

– Anda, faça logo. Tenho mais o que fazer.

Estevão fica em silêncio, para testar a paciência de Maria, que parecia que iria explodir a qualquer momento.

– Eu beijo bem? — falou em tom de gozação e a resposta que recebeu foi um porta-lápis passando de raspão pelo seu rosto.

Saiu, não por medo, mas para evitar que risse na frente dela. Caramba, que mulher! Era tão linda quando estava estressada...

Colocou a mão no rosto, sentindo ainda a mão de Maria sobre ele. Saiu dando risada e alguns oficiais também riram pois sabiam do temperamento da delegada e poderiam imaginar o que havia se passado ali dentro.

Enquanto isso, Maria andava de um lado a outro.

Caramba, que beijo!

Tocava os lábios, ainda inchados. Se beijava bem? Foi o melhor beijo de sua vida, nem mesmo Geraldo a beijava assim...

Geraldo! Não podia fazer isso com ele. Sempre havia dado provas de seu amor para com ela, e estavam noivos... Seria um absurdo de sua parte trai-lo. Não era uma qualquer!

"Não permitirei que Estevão me beije mais, e muito menos que esteja a sós comigo", pensou, decidida.

Pegou as chaves do carro e partiu em direção ao restaurante para almoçar com seu noivo.

Geraldo e Maria estavam em um luxuoso restaurante japonês. Maria não gostava desses lugares exóticos, preferia a comida típica de seu país, mas não queria contrariar a Geraldo, que estava acostumado a essa alimentação; e depois de seu beijo com Estevão, quando a culpa excessiva lhe abatia, faria o possível para deixar seu pretendente satisfeito.

– Fico feliz que tenha aceito meu convite para almoçar.

– Eu que agradeço, Geraldo.

Maria tinha o olhar vago. Por mais que tentasse borrar o incidente da manhã, não obtinha sucesso.

– Está tudo bem, meu amor?

– sim, sim. Não é nada.

– Melhor pedirmos. Quer sushi, sashimi...?

– O que você escolher está bom pra mim.

Geraldo solicitou o garçom, e este apareceu, eficiente, anotando os pedidos e se retirando.

– Te chamei porque tenho algo muito importante para dizer.

– O que é? — pergunta Maria, sorvendo um gole de seu vinho tinto.

– Surpresa! Espere até que o almoço chegue.

Alguns minutos depois, os pedidos de ambos foram postos à mesa.

Geraldo devorava a comida, era a sua preferida. Já Maria, comia a sua devagar, em pequenas porções, pois não era acostumada à culinária japonesa.

– E então, qual a surpresa? — perguntou-lhe Maria, após o término da refeição.

Geraldo levou o guardanapo aos labios e sorveu uma quantidade razoável de água que havia em uma taça. Olhou para ela sorrindo, tentando adivinhar a reação da noiva. Segurou-lhe as mãos e, feliz disse:

– Meu amor...marquei nosso casamento para daqui a três meses.

– O quê? ?

Continua...

Notas finais
Comentem, favoritem, recomendem. Muito obrigado por terem lido. Até o próximo!