O Retorno De Um Estranho

21 Relação À Base Do Interesse


Notas iniciais
Sabe aqueles dias em que te dá um bloqueio? Você sabe o que tem que escrever mas não tem ideia de como fazê-lo, mas por fim, saiu. Repetindo que não manjo nos paranauê na surutaria. Agradecer em especial à Prye Tekilada pela recomendação. Mil beijos, fofa 💋❤😍😌 Desejo-lhes uma boa leitura...

Capítulo anterior: Carlos se levantou da cama sem ânimo. Vestiu a calça e passou a mão no cabelo, tentando colocá-lo em ordem.

A campainha soou novamente.

Abriu a porta e se deparou com alguém que não esperava.

– Você? — indagou, olhando a mulher de cima abaixo, com repulsa.

– Gatinho, quem cheg...- perguntou Fabiola, enrolada no roupão. Interrompeu-se quando olhou na direção da porta e viu uma figura feminina parada, com o olhar assustado.

– Droga! — sussurrou. Havia esquecido de Elisa!

Elisa estava entre maus lençóis , pois agora teria que inventar uma boa desculpa para Carlos, sendo que não havia combinado nada com Fabiola antes.
Carlos virou-se para Fabiola:
– O que essa mulher está fazendo aqui? — ríspido.
– Hum... Ela mora comigo. — foi a primeira coisa que lhe veio a mente, contudo ela não mentia sobre isso.
– Mora com você? — Incrédulo. — Me disse que não a conhecia, no dia da festa de Estevão.
– E não a conhecia. Mas saí da festa por um estante e a vi desamparada. Depois da cena que ela fez, imaginei que precisaria de alguém pra conversar. Dei-lhe meu endereço e na mesma noite, apareceu.
– É...sim, isso mesmo. — Entrando no apartamento, evitando o contato físico e visual com Carlos.
Fabiola continuou:
– Ela chegou aqui chorando. Me disse que era de outra cidade, não tinha parentes vivos e que não conhecia ninguém. Então não deixaria uma garota tão frágil na rua, poderia lhe acontecer algo de ruim. Ofereci um quarto a ela e aceitou, mas não queria ficar de graça e acertarmos em dividir as contas.
– E porque não me disse nada? — irritado.
– Pra você agir como agora?
Ele desviou o olhar de Fabiola para Elisa, olhando-a com desprezo.
– E o que você tem a dizer sobre isso?
– Eu...Eh...
– Não a pressione, gatinho. Ela acabou de chegar, merece um descanso. Porque não nos serve um refresco?
– Tudo bem. — arrastando-se para a copa. Fabíola o seguiu, mas antes, passou por Elisa e sussurrou em seu ouvido:
– Seja convincente!
Elisa a observou enquanto distanciava e caiu pesadamente no sofá, nervosa. Não podia falhar com Fabíola, não depois de tudo o que ela fez para si.
A outra, no entanto, abraçava Carlos por trás e lhe dizia que tivesse paciência e que escutasse a Elisa com atenção.
Retornaram a sala e tomaram assento em frente à Elisa.
– Pode falar. — disse Carlos, rude.
– Anda, não tenha medo. — apertando o braço de Elisa carinhosamente, entre elas, aquilo era um claro sinal de que teria que se sair bem.
Tragou um gole do suco oferecido por Fabíola e pigarreou, preparando-se para o diálogo.
– Eu... Eu sou do interior e há dois meses eu vim pra cá, procurando seu primo. Sei do parentesco dos dois porquê pesquisei. Acontece que Estevão e eu, nós ...
– dormiram juntos. — completou Carlos. Era evidente pelo seu tom de voz que para ele, Elisa não passava de prostituta.
– Eh...sim — mentiu, sem graça. — E acabei me apaixonando por ele.
Carlos gargalhou.
– E queria vê-lo de novo para dar o golpe da barriga.
– Não, isso não, longe de mim. — fazendo-se de ofendida. — É que... Ele tinha dito que me amava. — forçando o choro. — Ele estava bêbado e...
– Ah e você achou que ele te pediria em casamento se estivesse sóbrio? — desdenhoso.
– Carlos, não vê que ela está abalada? — repreendendo-o e acolhendo Elisa em seus braços.
– Não, Fabíola, pode deixar que ele me julgue.
– Não se faça de vítima! — alterando o tom de voz.
– Eu estou dizendo a verdade! Dois meses atrás ele viajou a negócios e frequentou o bar que eu trabalhava. Ficou me olhando a noite toda e depois do meu expediente ofereceu-me uma bebida. Aceitei porque ele era um tipo agradável e bonito. Conversamos um bom tempo e depois me pediu que o levasse ao hotel onde estava porque mal conseguia ficar em pé. E quando chegamos... Acabou acontecendo...
– Quer dizer que o culpado agora é Estevão?
– Não, mas...quando eu acordei só tinha o dinheiro do táxi... Ele não estava mais lá. — chorando mais que antes.
Na verdade, Elisa só relatava a história de Fabiola com Carlos, mas acrescentando alguns pormenores.
– Pode me chamar de iludida, fingida, o que queira...mas eu me apaixonei.
– Calma, pode parar de falar se quiser. — disse Fabiola, dando impacto à encenação.
– Não, Fabiola. Eu preciso falar tudo. — bebeu todo o conteúdo do copo de uma vez e prosseguiu:
– Depois tentei contato na empresa dele, pois o tinha reconhecido numa revista e vim pra cá, falar com ele pessoalmente já que ninguém passava minha chamada para ele.
Soube do aniversário dele e me irritou não ter me convidado, apesar de nem sequer lembrar de mim. Por isso bebi feito louca naquele dia. Fiquei fora de mim e falei tudo aquilo na festa. No dia seguinte Fabíola me disse o que tinha ocorrido. Me envergonhei e muito, mas não podia reverter a situação. Desculpa pelo constrangimento.
– Meu primo disse que jamais a viu na vida! Quer que eu acredite em uma qualquer à ele?
– Então Estevão está mentindo!
– Olhe aqui... — levantando-se para atacá-la mas sendo impedido por Fabiola.
– Controle-se, gatinho. Não quero que faça nenhuma besteira. — segurando seu braço.
– Ele mentiu pra você sobre isso e pode ter mentido sobre outras coisas também.
– O que está ensinuando?
– Eu? Nada. Mas...cuidado, nem sempre os que nos rodeiam são os mais confiáveis. — Elisa pegou sua bolsa e se encaminhou ao quarto, trancando-o.
Carlos quis correr atrás, mas Fabiola não permitiu.
– Não se deu conta? Ela é uma adolescente, só tem 18 anos.
– Ela não tem o direito de falar mal de Estevão, não na minha frente! — vociferou, ânimo agitado.
– Ela não falou mal...te advertiu sobre a índole de seu primo. Quem sabe ela não tem razão e...
– Razão? — interrompeu-a Carlos, de mal-humor.
– Ei, não se altere...- induzindo-o a sentar no sofá de novo. — Se lembra que uma vez conversamos sobre seu primo? Me disse que não sabia se ele era casado ou não.
– Claro que não. Se ele fosse casado me contaria.
– Será que contaria mesmo?

*************

– Quero que durma comigo hoje. — disse Maria enquanto segurava a mão de Estevão.
– Claro... vou adorar. — com os olhos faiscando. Avançou para beijá-la mas ela levou uma mão à sua boca.
– Dormir no sentido literal. — com um sorrisinho no rosto. — Não é porque ultimamente usamos a cama para outra coisa, que devemos esquecê-la de como usar de verdade.
– Não quer fazer amor comigo? — fazendo biquinho.
Maria riu.
– Hoje não, Estevão. Não me sinto bem mental e fisicamente pra 'fazer isso' hoje. — gesticulando. -Minha cabeça está cheia pelo que aconteceu ontem.
– Compreendo, meu amor. — disse ele, sincero. — hoje dormiremos 'sem fazer nada'... — repetindo o movimento de aspas que Maria havia feito.
– Obrigada. — dando um selinho nele.
– ....Hoje! — com uma gargalhada que ecoou pela cozinha.
Nesse momento Vivian saía do quarto de hospedes, arrumada.
– Hum...vai sair? — perguntou Maria.
– Não, imagina...me arrumei assim porque queria assistir televisão...claro que sim, né?
Estevão riu alto e Maria deu um tapa de leve no seu ombro.
– Não achei graça! — fazendo uma careta para Estevão. — Volta hoje mesmo?
– Não...só amanhã a tarde.
– E onde vai ficar esse tempo todo?
– Na casa de uma amiga, oras.
– E você tem alguma amiga além de mim aqui no país?
– Sou muito sociável...já deveria ter aprendido isso.
Despediram-se com um beijo na bochecha.
Ao sair do apartamento, suspirou.
– Até parece que vou ficar segurando vela!
Naquela noite Maria rapidamente pegou no sono. Os braços de Estevão eram um porto seguro e ela se sentia bem apesar do que tinha passado um dia antes. Infelizmente para Estevão, os sonhos não eram tão agradáveis assim. Novamente sonhou com Maria e um bebê a bordo de um iate, e ele estava perdido, tentando encontrá-las até que, inesperadamente, alguém o empurra a alto-mar.
Acordou suando frio. Será que era um presságio? Pensou enquato estava sentado na cama, as mãos repousando nos cabelos pretos. Balançou a cabeça, tentando reprimir a lembrança do sonho e tornou-se a deitar, empenhando-se em dormir de novo.
Já pela manhã, Maria foi a primeira a despertar. Tomou um rápido banho, vestiu uma blusa regata branca e um short azul-escuro. Foi para a cozinha e preparou o café da manhã para Estevão. Apesar do atentado, um sorriso inocente iluminava seu rosto. Finalmente estava apaixonada e se dedicando ao preparo do café da manhã para seu marido...bom, marido ainda não, mas no seu intimo aguardava impaciente o momento de ser pedida em casamento por Estevão.
Este por sua vez, acordou logo após. Passou a mão na cama e percebeu que estava vazia.
Se levantou e rumou para o banheiro do quarto. Havia uma toalha e uma escova de dente encima da pia. As usou e depois partiu para a cozinha, onde encontrou Maria de costas próximo a geladeira. Aproximou-se sem fazer barulho e, ao abraçá-la, ela surpresa pelo movimento, derruba a água do copo na blusa que vestia.
– Ai Estevão, quer me matar do coração? — colocando o copo na pia de pratos e enxugando a blusa com um pano, sem sucesso.
– Não quis te assustar. Desculpa...
Maria olhou para Estevão e este possuia um brilho diferente nos olhos.
– O que foi? — ele não respondeu, apenas baixou o olhar para o colo de Maria. Ela olhou para si e viu que sua blusa estava encharcada, desenhando os mamilos já endurecidos pelo olhar devorador de Estevão.
– Vou me trocar! — disse ela e já ia saindo da cozinha quando Estevão a deteve.
– Você não vai a lugar nenhum...- retrucou com voz rouca.
Levantou Maria e a apoiou na borda da pia, onde comecou a beijá-la.
– Vivian...Vivian pode chegar a qualquer momento... — indagou sem fôlego, quando por fim conseguiu separar seus labios dos de Estevão.
– Ela não vai aparecer agora, só a tarde, lembra? Só relaxa e aproveita. — deslizando os beijos para o pescoço.
Maria segurou-se para não desmaiar. Estevão era um amante e tanto na cama... e na cozinha também.
Ele foi distribuindo os beijos pelo vale dos seios de Maria, até que começou a brincar com a boca com um dos seios, ainda dentro da blusa. Foi repetindo o movimento até que, a carregou e a colocou na mesa. Jogou o vasinho de vidro que carregava uma flor e enfeitava a mesa no chão e Maria reclamou:
– Eu gostava daquele vaso!
Mas ele não lhe deu ouvidos. Recomeçou os beijos e retirou rapidamente a blusa de Maria.
Absorveu um mamilo rosado entre seus lábios, mordendo de leve e puxando com os dentes, causando estrago na intimidade dela. Maria arqueou a cabeça para trás, tentando conter o fluxo que lhe subia no sangue. A adrenalina que a consumia por ser pega por Vivian fazendo amor na cozinha, apesar de ela ter dito que não chegaria cedo, a excitava ainda mais.
Sua calcinha já estava encharcada e ela procurou desajeitada, os botões da calça que ele vestia.
– Vai devagar ao pote! — disse ele, divertido.
Ela conseguiu desabotoar e pediu que ele a retirasse. Não era preciso ordenar de novo, pois Estevão afastou-se dela e se despiu devagar. Maria observou o membro grande e se encheu de água na boca.
– Posso...? — gesticulando em direção ao pênis ereto.
Estevão chegou um pouco mais perto e pegou na mão de Maria. Levou-a a sua extensão dolorida pela ansiedade e ela comevou a afagá-la carinhosamente.
Estevão gemia baixinho.
– Isso Maria, isso! — elogiou.
Ela, tomada de alegria por estar satisfazendo-o, intensificou os movimentos e se não fosse Estevão tirar a sua mão, ele teria gozado.
– Vamos devagar, meu amor. Ainda há muito para se aprender.
Maria o puxou para um beijo e procurou o membro de Estevão para acolhê-lo na sua intimidade. Como estava de short ainda, ficava indo e vindo em Estevão, se esfregando, deixando-o maluco.
Perdendo o auto-controle, ele retirou as peças de roupa que a cobriam e a penetrou de uma só vez!
– Ai! — protestou.
– Desculpa Maria. Logo passa.
Foi entrando e saindo dela até que os gemidos de Maria estavam cada vez mais altos.
Estevão aumentou a força nas investidas. Dava para se ouvir o som dos dois corpos se chocando, da respiracão vacilante, das pulsaçoes aceleradas... Maria arranhou as costas de Estevão e este, sussurrava-lhe palavras indecentes no ouvido, fazendo -a molhar o membro em sua intimidade.
Foram apenas poucos minutos para que Maria estivesse exausta mas saciada, repousando a cabeca no ombro de Estevão...
– Ainda bem que eu não tinha arrumado a mesa. — falou ela com um sorrisinho de leve.
–Se tivesse arrumado eu também teria derrubado tudo. — divertindo-se.
Ele se retirou cuidadosamente de Maria e ela gemeu, contrariada.
– Preciso ir para a empresa. — vestindo a roupa.
– Ah, sim... — procurando pelo short e vestindo-o. Trocou a blusa e arrumou a mesa. — O café está pronto! — falou alto, chamando a atenção de Estevão que calçava os sapatos no quarto.
Já sentado e tomando o desejum, Estevão propõe a Maria que morem juntos.
– Serio? — disse ela, contente.
– Claro que sim. Podemos comprar um apartamento onde você quiser.
– E porque você não vem morar aqui?
– Queria que morássemos sozinhos. Vivian ficaria aqui no seu apartamento
– Mas não seria melhor que nós...hum... — tinha vergonha de dizer. Ele era o homem e ele que teria que pedi-la em casamento.
– Oficializássemos nossa relação?
– Sim...isso sim.
– Mas já estamos namorando, não?
– Ah, sim...claro. — desapontada. Lembrou-se que uma vez ele a tinha pedido em casamento. Será que foi Só para não perdê-la para Geraldo?
– Preciso que me passe o número de Vivian. — mudando de assunto.
– E par a que? — curiosa.
– Porque se eu resolver vim para cá e você não estiver, vou te procurar na delegacia.
– Ah, tudo bem. Me oferece uma carona para o trabalho e lhe dou o númeo no caminho.
– perfeito. — dando um gole no café.
– Vou...vou me arrumar. Já volto. — e saiu da cozinha, triste. Será que ele não estava interessado em uma relação mais séria? Que o que tinham era suficiente? Vestiu-se sem vontade e saiu do apartamento. Estevão já lhe esperava com o carro ligado em frente ao edifício.
************
– Mãe, eu preciso conversar com você! — disse Carlos entrando na sala de jantar da mansão San Romãn.
– Bom dia também, meu filho. — sarcástica. — O que quer falar?
– Estevão já foi casado?
Alba estacou, sem reação.
– Casado? De onde tirou um absurdo desses? — tentando disfarçar.
– Sei muito bem que Estevão esconde algo de mim e você sabe o que é! Deve ser isso, não?
– Calma, Carlos. Porque isso agora?
– Porque um dia eu ouvi uma conversa entre você e ele e a senhora disse de uma tal esposa. Anda, vamos...me fale o que vocês escondem!
– Você está alterado — repreendendo-o — Me diga, porque isso agora?
– Fiquei pensando muito e percebi que eu não os conheço como eu imaginava.
– Carlos, não fale assim! Vem, vamos conversar na biblioteca, os empregados podem nos ouvir.
Já acomodados, Alba pensava na melhor resposta para dar a Carlos. Optou pela verdade, esconderia os detalhes sórdidos e só contaria o que achasse melhor.
– Você tem razão. — começou, após alguns segundos calada. — Você tem o direito de saber sobre isso.
– Então há algo a ser dito... — irritado.
– Sim... Estevão foi casado há alguns anos atrás.
– Eu sabia! — bradou levantando-se da cadeira.
– Por favor, deixe que eu conte o porque da omissão.
– Não precisa dizer, mãe. Acharam que eu não tinha maturidade para entender, não é mesmo?
– De forma nenhuma, meu filho. — levantando-se para segurar uma das mãos de Carlos que repousavam no encosto da poltrona.
– Por favor, sente-se para que eu possa explicar.
Muito a contragosto, Carlos a obedeceu. Voltou a se sentar na poltrona e esperou, impaciente, a explicação de sua mãe.
– Foi uma fase dolorosa para Estevão, acredite. Ele amava a esposa, mas ela o traía com um floricultor da cidade. Quando Estevão descobriu, fugiu para este estado, no intuito de esquecê-la. Por isso nunca namorou alguém. Ainda a amava. Divorciou-se e desapareceu, para refazer sua vida.
– E porque nunca tinha me dito isto antes?
– Porque quando ele nos procurou, foi no intuito de refazer sua vida, esquecer-se do passado... e também porque isso ainda dói, meu filho. Ser trocado por outro é muito... — ela lembrou-se do homem que a abandonou e quis chorar, mas não iria demonstrar debilidade para o filho. — doloroso. — concluiu.
Carlos ficou em silêncio. A mãe poderia estar falando a verdade, mas esperaria que Estevão voltasse para casa e assim, poderiam conversar abertamente sobre o ocorrido.
– Não vai trabalhar hoje? Estevão deve estar precisandonde você na empresa.
– Hoje não...Não tenho cabeça para isso. Vou me arrumar para a faculdade.

*********

Já era hora do almoço quando Fabiola voltou ao apartamento. Saiu para ver se via Estevão e novamente, falhou. A única maneira de admirá-lo era a partir de uma foto que conseguiu com um paparazzi.
Elisa estava na sala estudando quando viu Fabiola chegar.
– Aonde esteve?
– Fui...fazer caminhada. — Não queria admitir seu fracasso à Elisa, isso fazia sentir-se vulnerável e detestava demonstrar fraqueza, apesar de ultimamente não conseguir pensar em mais nada que não fosse Estevão.
– Desde às 7:30 faz caminhada? — foi a hora em que Elisa a viu sair.
– Está perguntando demais, mocinha. — desconversando e se sentando ao lado de Elisa. Segurou preguicosamente um livro de biologia aberto e o jogou longe, entediada.
Agora que estavam juntas e sóbrias, Elisa decidiu falar de uma vez com Fabiola.
– Pensei que seria melhor voltar para a minha cidade. Quem quer que tenha tentado me matar já deve estar longe.
Fabiola arregalou os olhos, surpresa.
– Ir embora? Você tem tudo aqui. Porque quer ir embora?
– Mês que vem é o aniversário de morte de dois anos da minha mãe. Queria fazer uma missa e...
– De jeito nenhum! — bradou Fabiola, assustando a Elisa pelo tom de voz usado. — Quero dizer... talvez o assassino esteja esperando o seu retorno. Seria perigoso demais.

– Sim, eu sei mas...eu sinto saudades.

– Não precisa sair daqui para rezar pela sua mãe. Tem tanta igreja na cidade.

– Ai Fabiola, por favor... você não entende.

– Não entendo mesmo. Você tem dinheiro para ir e vir, frequenta as melhores boates, estuda na melhor faculdade, não fico no seu pé se repreendendo pelo que faz...me diz, o que te falta?

– Minha mãe, Fabiola...Falta minha mãe. — E começou a cair no pranto. Fabíola pela primeira vez sentiu remorso pelo que fizera. Elisa era para si como uma irmã menor, e depois de tantas aventuras juntas, tantos feitos compartilhados, não queria que ela fosse embora. Se isso acontecesse, a perderia de vez, não pela distância, mas pelo crime que cometeu e que agora não tinha como reparar...

Dois anos atrás...

Fabiola segurava um terço na mão e vestia um manto preto em sinal de luto. Estava no velório de Francisco, seu marido. Na ocasião não havia muitas gente, apenas poucas pessoas próximas que mantinham algum carisma pelo defunto, incluindo a governanta da casa, Morgana, que chorava mais que a esposa do falecido.

Concluida a cerimônia de cremação, todos os presentes regressaram aos seu afazeres, incluindo à governanta de Fabiola, que empacotava suas coisas e se preparava para ir embora.

Fabiola, que percebeu o choro desnecessário para com o falecido esposo, a surpreendeu, entrando no quarto de empregada e lhe questionando o porquê de tanta tristeza.

– Não te devo mais satisfações! — respondeu a governanta, seca.

Fabiola riu da ousadia da criada.

– Mas ora, vejam só quem resolveu mostrar as asas.

– Não trabalho mais para você, portanto não tenho que ficar aqui nessa casa.

– Não paguei seu salário ainda.

– Não o quero. Tenho o suficiente para sair daqui e começar de novo. Longe de você.

Voltou a arrumar as coisas, mas uma gargalhada histeria de Fabiola a fez parar.

– Ssu amado morreu, não é por isso que quer ir embora?

Morgana jogou a blusa encima da mala e se virou para Fabiola.

– Não sei do que está falando.

– Ah, não? Durante o tempo que esteve com ele não parava de olhá-lo com ternura, acha que eu não vi?

– Pense o que a senhora quiser. — fechando a mala e tirando-a da cama.

Já ia saindo do quarto quando Fabiola descaradamente fechou a porta.

– Você não sairá até admitir que o amava.

– Isso é um absurdo! — indagou a outra, indignada. — Abra essa porta!

– Uma pena que não o verá mais, não depois de eu tê-lo matado.

– O quê? — disse a outra apavorada, levando a mão à boca.

– Isso mesmo o que você ouviu. Eu o matei... — sussurrou as ultimas palavras no ouvido na governanta e este, perdendo o controle avança para Fabiola. Mas a vibora possuía vitalidade pela idade e conseguiu se desvencilhar de Morgana, jogando-a na cama violentamente.

– Porque...porque fez isso? — chorando.

– Pelo dinheiro é claro. — sorrindo.

– Uma pena que não ficará com ele. — retrucou Morgana, com uma luz diferente na face. Ela sabia de algo que fora ocultado de Fabiola.

– O que você sabe, sua velha? — perguntou Fabiola trincando os dentes.

– O que você saberá no dia da leitura do testamento: Não é a primeira listada na herança.

– O que quer dizer? Responda! — gritando.

– Francisco tinha uma filha antes de te conhecer. A procurava em segredo, mas a mãe a tinha levado para longe, não a encontrou. Agora depois de sua morte, a busca será feita pela justiça e torço para que a encontrem.

– Qual o nome dela?

– Não vou dizer!

– Ah não? — procurando uma tesoura na gaveta e apertando o pescoço de Morgana com ela.

– Me diga, maldita. Qual o nome dela?

A velha estava ficando sem ar. Fabiola sabia que se ela morresse, a morte delane a de Francisco seriam tomadas como criminosas e ela, seria a principal suspeita.

Separou-se da empregada, mas ainda apontava a tesoura afiada em sua direção.

– Agora me diga: Qual o nome dela?

Morgana tossiu e segurou o pescoço, que estava dolorido e a impedia de respirar regularmente.

– Ela se chama Elisa... — com dificuldade. — Elisa Contreras.

Continua...

Notas finais
Comentem, favoritem, recomendem. Beijos e até o próximo...