O Retorno De Um Estranho
25 A Caçada Começou!
Notas iniciais
– Bom, é que um homem, acostumado às mulheres fáceis, para se prender a apenas uma é muito estranho, não?
Maria ficou visivelmente desconfortada com o comentário de mal-gosto.
– Disse bem, Fabiola: Eu era. Mas elas eram apenas distração, um mero romance sem eira nem beira. Maria é diferente de todas elas e é com ela que ficarei minha vida toda.
"Só por cima do meu cadáver! " pensou a víbora.
Estêvão ergueu a taça de champanhe que tragava.
Todos brindaram, à exceção de Alba, que parecia estar à toa ao evento.
– Tudo bem, dona Alba? — perguntou Maria, percebendo a expressão de preocupada em Alba.
– Sim, não é nada. Obrigada! — Com um sorriso miúdo no rosto.
– E então, Maria...Já conseguiu reanimar o pobre do Geraldo? Soube que se afundou na bebida depois que o abandonou no altar.
– Isso é um assunto privado, Fabiola. Desculpa não entrar em detalhes. — Disse Maria, em nada simpatizando com a morena.
– Hm...Estêvão me disse que você é delegada. Gosta da profissão? — Perguntou Carlos, tentando apaziguar o clima.
– Depois de um tempo a gente se acostuma.
– Nunca correu riscos nas operações?
– Sim, muitas. A mais recente levei um tiro de raspão no ombro.
– Nossa! E não desistiu de continuar no posto?
– Não, isso não me dá medo. Mas há uns dias atrás alguém tentou me matar.
Fabíola arregalou os olhos e Alba ergueu-se um pouco mais da cadeira. As duas pareciam nervosas, de repente.
– Quem tentaria uma coisa dessas? — Perguntou Alba, com um interesse repentino.
– Tem muitos inimigos, Maria? Cuidado ao sair pela rua.
Carlos disfarçadamente a advertiu para que parasse com insinuações.
– Não possuo inimigos, Fabiola. Não sabemos quem foi. O sujeito usava roupa preta e na escuridão na rua não distinguimos seu rosto.
– Então não sabe se foi homem ou mulher? — perguntou Carlos.
– Não. Mas quem quer que tenha sido, eu acharei. É uma questão de tempo, apenas.
Alba e Fabiola se entreolharam. Sorriram forçadamente uma para a outra e seguiram-se as conversas na sala...
A pedido da tia, Estêvão levou Maria para o apartamento e regressou para dormir na mansão.
Pela manhã, Alba entrou no quarto para conversarem.
– Um milhão? — indagou Estêvão, surpreso.
– Exatamente. Preciso que me disponibilize a quantia para hoje.
– Nunca precisou de uma quantia tão alta!
– Acredite que é por uma boa causa.
Estêvão ficou intrigado pelo pedido, mas assinou ao cheque e o entregou a tia. Em todos esses anos ela nunca havia lhe pedido um montante tão grande.
Esta saiu, aliviada. Mas algo não estava certo ali. Estêvão ligou para o banco e solicitou ao gerente que atendesse a sua ligação...
********
– Aqui está! — Disse Alba, jogando na mesa o cheque com o valor pedido.
– Muito bom, muito bom mesmo! — disse Joaquim, avaliando o pedaço de papel.
– Agora nos deixará em paz!
– Claro que sim, Alba. Pode ir, não te importuno mais.
Como se um peso estivesse saído das costas, Alba saiu da lanchonete.
Se não estivesse tão preocupada com a liberdade, poderia ter notado uma mulher alta seguindo-a pela rua.
"Mas o que uma mulher tão refinada como ela estaria fazendo numa lanchonete de quinta como essa?" pensou Fabiola, intrigada.
*******
– Então a mulher que falou com você pelo telefone era sua secretária, no dia em que pediu minha mão?
– Sim. — Respondeu Estêvão, sorrindo. — Alma, seu nome.
– E eu pensando coisas...
– Ei, não precisa se preocupar com isso. Jamais te trocaria por alguém. — tocando de leve o nariz dela.
– Eu sei disso. Confio em você, mas não nas mulheres.
– Não precisa ter medo de nenhuma delas. Só tenho olhos pra você. — Disse, beijando-lhe a face.
– Há uma que te ama, Estêvão. Além de mim...
– Quem seria?
– Fabíola.
Estêvão arqueou uma sombrancelha, duvidando da afirmativa de Maria.
– Porque diz isso?
– Eu percebi o modo como ela te olhava, a admiração quando ouvia você falar dos negócios da empresa, a raiva que ela sentiu quando assumimos o noivado.
– Olha os ciúmes, Maria. — Respondeu Estêvão, divertido, mas Maria mantinha-se séria.
– Ela olha pra você como se te conhecesse há tempo. Vai ver foi uma de suas inúmeras conquistas que você nunca se lembra. — Havia lido notas em revistas sobre a vida amorosa de Estêvão e segundo o próprio, jamais se lembrava da mulher que dormia no dia anterior.
– Será?
– Tenho quase certeza disso.
– E se for verdade, o que ela quer com meu primo?
– Um álibi pra ficar perto de você.
Estêvão ficou calado. Será mesmo que Fabiola estaria interessada por ele?
– E então, já arrumou as malas? — Falou Maria, mudando de assunto. Não conseguia imaginar outra mulher arrastando asas para o seu noivo.
– Ainda não. — respondeu com um suspiro.
– O que foi? Não quer ir?
– Não, não é isso.
– E o que é, então?
– Tenho medo, Maria.
– De que?
– De você me abandonar.
– Isso nunca vai acontecer. Eu te amo.
Estêvão a olhou com doçura, memorizando cada detalhe do rosto perfeitamente esculpido.
– É disso que tenho medo... — retrucou, enigmático. — Tenho medo de que seu ódio por mim amanhã seja maior do que seu amor por mim hoje.
– Você fala como se estivesse escondendo algo. — Preocupada.
– As pessoas mudam com o tempo. Espero que eu não tenha mudado tarde demais. — lamentou-se.
– O que está querendo diz...
Mas Estêvão não permitiu que terminasse a frase, pois a tomou nos braços em um beijo apaixonado, alienando-a para que se esquecesse do mundo e se focasse apenas nos dois.
*********
Carlos chamou Fabiola para um passeio. À noite, um presente de seu primo lhe animou deveras: um carro novo, o que há muito ansiava para comprar. Mas diante da recusa da namorada, convidou Elisa. Desde que ela quebrou o pé haviam se aproximado mais e o mal-entendido com Estêvão fora superado.
Num parque, os dois conversavam animadamente sobre a faculdade.
– Então... cursa biomedicina? — perguntou Carlos.
– Sim. É um ramo que me encanta! E você, porque optou por administração?
– Para me manter a par da empresa da família, ajudar a meu primo na administração de tudo.
– Seu pai quem construiu as empresas San Roman?
– Não, o próprio Estêvão quem o fez. Eu não conheço o meu pai.
– Nuca quis procurá-lo?
– Mamãe diz que ele nos abandonou. Se me abandonou não me queria, então não tem porque procurá-lo.
– Não lhe dá curiosidade ao menos? E se ele tiver voltado atrás na palavra e está procurando você há muitos anos?
– Duvido isso.
– Mas já pensou na possibilidade?
– Inúmeras vezes, mas eu nunca tive coragem pra iniciar uma busca.
– Eu te ajudo! — disse Elisa, procurando seu aparelho celular na bolsa. — Tudo o que precisa é entrar em um site de desaparecidos da Polícia Federal.
Procurou na internet o site e passou o celular para Carlos.
– Veja se reconhece alguma foto de sua mãe quando era mais jovem.
Relutante, mas curioso, Carlos começou a observar as imagens de desaparecidos.
– Esse homem se parece com um dos membros da ONG onde faço parte.
– Uma ONG? — animou-se. — Me leva pra conhecer algum dia?
– sim, claro. Vamos marcar qualquer dia desses.
Ainda de olho no celular, uma foto de uma garota lhe chamou a atenção.
Visivelmente intrigado, olhou para Elisa e depois voltou seu olhar para o site.
– Encontrou sua mãe? — com expectativa.
– Não...mas encontrei algo pior por assim dizer.
– O quê?
– Seu nome, sua foto. Você está num site para desaparecidos!
Uma semana depois...
Estêvão descobria o motivo pelo qual a tia pedira uma quantia tão alta. Dois dias atrás, alguém apareceu para sacar a metade do cheque. Tinha em mãos o nome do sujeito, mas faltava-lhe o endereço e resolveu procurá-lo quando voltasse de viagem. Se é que voltava.
O medo de ser deixado por Maria era enorme, não poderia admitir que era o assassino pois havia ido londe de mais com ela.
Reprimindo pensamentos, fechou a única mala que levaria para a viagem à Venezuela e foi se despedir da tia.
– Ainda acho uma má ideia. — Disse ela.
– Tenho que acompanhá-la, tia. Tentarei persuadi-la para que desista da busca.
– E se não tiver êxito?
– Se não tiver... Estará tudo perdido!
Com um abraço apertado se despediram.
– Meu Deus, cuida para que meu filhi não sofra! Eu não sei do que seria capaz se eu o perdesse de novo...
Estêvão passou pela delegacia para se encontrar com Maria. As bagagens de ambos já estavam no porta-malas do carro do mesmo.
Demétrio apareceu no gabinete sem ser chamado.
– E então, vai viajar mesmo?
– Sim, Demétrio. — redpondeu Maria, com desinteresse.
– Eu prometo que cuidarei da administração da delegacia muito bem. — Com um sorriso cínico.
– Não será preciso! — Retrucou Barreto, entrando no local. — Maria não te disse?
– Disse o que? — desconfiado.
– Expedi um documento para o chefe do batalhão de polícia pedindo que Norberto fosse o delegado substituto em meu lugar.
– O que você fez? — perguntou, incrédulo.
– Isso o que ouviu: Continuará nas suas rondas enquanto a administração do distrito será responsabilidade do tenente Norberto.
– Mas eu pensei que...
– Pensou errado. Aproveita que um camburão estará saindo daqui a dez minutos e se junte a equipe.
Sem mais, Demetrio saiu da sala. Entrou no banheiro masculino e desferiu muitos chutes no lixeiro de metal.
– Maldita, Maria. Você me paga, você me paga!
– Desculpa pela cena, Estêvão. — Falou Maria, arrumando alguns pertences numa caixa.
– Cuide dela, meu caro. Maria vale ouro! — advertiu Barreto com uma leve batida nas costas de Estêvão.
– Pode deixar que cuidarei. Jamais permitirei que ela se machuque. — Falou com o olhar no chão, sentindo vergonha do que dizia.
– Sei que cuidará bem da delegacia. — iniciou Maria, aproximando-se dos dois e entregando a caixa à Estêvão, que saiu para esperá-la no automóvel. — Espero que eu consiga realizar linha meta em Aruba.
– Sei que vai. Você sempre consegue tudo o que quer. Mas o que fará quando descobrir quem for?
– O entregarei para as autoridades de Aruba.
– Você sabe qual a sentença para um crime como esse, não?
– Sim, eu sei muito bem. Pena de morte!
– Tem certeza de que é capaz de entregá-lo à polícia? Não se esqueça de que acabará com a vida do sujeito.
– Ele matou as pessoas que eu mais amava na vida. Merece morrer, sentir a dor que meus entes queridos sentiram! — As lágrimas queriam sair de seu rosto. A dor da perda nunca saiu de dentro dela e sua sede de vingança se aguçava ainda mais.
– O odeia?
– Sim, mais que tudo. E quando eu o tiver em minhas mãos...
O destino parecia que brincava com a pobre mulher, que mal sabia que a pessoa que mais odiava era a que mais amava na vida!
*********
Aeroporto Internacional....
Após fazerem o check-in, Maria e Estêvão caminhavam de mãos dadas até portão de embarque.
Fabíola e Geraldo estavam presentes, observando- os de longe.
– Deveríamos impedir! — falou Fabiola, furiosa.
– Não vamos meter os pés pelas mãos. Estou odiando a cena tanto quanto você, mas é melhor evitarmos um conflito. Cadê sua amiga? Ela não devia estar embarcando agora?
Fabiola olhou para todos os lados. Já ia ligar para Elisa, mas uma garota de.
2 de novembro
Victoria Ruffo San Romãn
– Bom, é que um homem, acostumado às mulheres fáceis, para se prender a apenas uma é muito estranho, não?
Maria ficou visivelmente desconfortada com o comentário de mal-gosto.
– Disse bem, Fabiola: Eu era. Mas elas eram apenas distração, um mero romance sem eira nem beira. Maria é diferente de
O taça erguid
Todos brindaram, à exceção de Alba, que parecia estar à toa ao evento.
– Tudo bem, dona Alba? — perguntou Maria, percebendo a expressão de preocupada em Alba.
– Sim, não é nada. Obrigada! — Com um sorriso miúdo no rosto.
– E então, Maria...Já conseguiu reanimar o pobre do Geraldo? Soube que se afundou na bebida depois que o abandonou no altar.
– Isso é um assunto privado, Fabiola. Desculpa não entrar em detalhes. — Disse Maria, em nada simpatizando com a víbora.
– Hm...Estêvão me disse que você é delegada. Gosta da profissão? — Perguntou Carlos, tentando apaziguar o clima.
– Depois de um tempo a gente se acostuma.
– Nunca correu riscos nas operações?
– Sim, muitas. A mais recente levei um tiro de raspão no ombro.
– Nossa! E não desistiu de continuar no posto?
– Não, isso não me dá medo. Mas há uns dias atrás alguém tentou me matar.
Fabíola arregalou os olhos e Alba ergueu-se um pouco mais da cadeira. As duas pareciam nervosas, de repente.
– Quem tentaria uma coisa dessas? — Perguntou Alba, com um interesse repentino.
– Tem muitos inimigos, Maria? Cuidado ao sair pela rua.
Carlos disfarçadamente a advertiu para que parasse com insinuações.
– Não possuo inimigos, Fabiola. Não sabemos quem foi. O sujeito usava roupa preta e na escuridão na rua não distinguimos seu rosto.
– Então não sabe se foi homem ou mulher? — perguntou Carlos.
– Não. Mas quem quer que tenha sido, eu acharei. É uma questão de tempo, apenas.
Alba e Fabiola se entreolharam. Sorriram forçadamente uma para a outra e seguiram-se as conversas na sala...
A pedido da tia, Estêvão levou Maria para o apartamento e regressou para dormir na mansão.
Pela manhã, Alba entrou no quarto para conversarem.
– Um milhão? — indagou Estêvão, surpreso.
– Exatamente. Preciso que me disponibilize a quantia para hoje.
– Nunca precisou de uma quantia tão alta!
– Acredite que é por uma boa causa.
Estêvão ficou intrigado pelo pedido, mas assinou ao cheque e o entregou a tia.
Esta saiu, aliviada. Mas algo não estava certo ali. Estêvão ligou para o banco e solicitou ao gerente que atendesse a sua ligação...
********
– Aqui está! — Disse Alba, jogando na mesa o cheque com o valor pedido.
– Muito bom, muito bom mesmo! — disse Joaquim, avaliando o pedaço de papel.
– Agora nos deixará em paz!
– Claro que sim, Alba. Pode ir, não te importuno mais.
Como se um peso estivesse saído das costas, Alba saiu da lanchonete.
Se não estivesse tão preocupada com a liberdade, poderia ter notado uma mulher alta seguindo-a pela rua.
"Mas o que uma mulher tão refinada como ela estaria fazendo numa lanchonete de quinta como essa?" pensou Fabiola, intrigada.
*******
– Então a mulher que falou com você pelo telefone era sua secretária?
– Sim. — Respondeu Estêvão, sorrindo. — Alma o nome dela.
– E eu pensando coisas...
– Ei, não precisa se preocupar com isso. Jamais te trocaria por alguém. — tocando de leve o nariz dela.
– Eu sei disso. Condio em você mas não nas mulheres.
– Não precisa ter medo de nenhuma delas. Só tenho olhos pra você. — Disse, beijando-lhe a face.
– Há uma que te ama, Estêvão. Além de mim...
– Quem seria?
– Fabíola.
Estêvão arqueou uma sombrancelha, duvidando da afirmativa de Maria.
– Porque diz isso?
– Eu percebi o modo como ela te olhava, a admiração quando ouvia você falar dos negócios da empresa, a raiva que ela sentiu quando assumimos o noivado.
– Olha os ciúmes, Maria. — Respondeu Estêvão, divertido, mas Maria mantinha-se séria.
– Ela olha pra você como se te conhecesse há tempo. Vai ver foi uma de suas inúmeras conquistas que você nunca se lembra. — Havia lido notas em revistas sobre a vida amorosa de Estêvão e segundo o próprio, jamais se lembrava da mulher que dormia no dia anterior.
– Será?
– Tenho quase certeza disso.
– E se for verdade, o que ela quer com meu primo?
– Um álibi pra ficar perto de você.
Estêvão ficpu calado. Será mesmo que Fabiola estaria interessada por ele?
– E então, já arrumou as malas? — Falou Maria, mudando de assunto.
– Ainda não. — respondeu com um suspiro.
– O que foi? Não quer ir?
– Não, não é isso.
– E o que é, então?
– Tenho medo, Maria.
– De que?
– De você me abandonar.
– Isso nunca vai acontecer. Eu te amo.
Estêvão a olhou com doçura, memorizando cada detalhe do rosto perfeitamente esculpido.
– É disso que tenho medo... — retrucou, enigmático. — Tenho medo de que seu ódio por mim amanhã seja maior do que seu amor por mim hoje.
– Você fala como se estivesse escondendo algo. — Preocupada.
– As pessoas mudam com o tempo. Espero que eu não tenha mudado tarde demais. — lamentou-se.
– O que está querendo diz...
Mas Estêvão não permitiu que terminasse a frase, pois a tomou nos braços em um beijo apaixonado, alienando-a para que se esquecesse do mundo e se focasse apenas nos dois.
*********
Carlos chamou Fabiola para um passeio, mas diante da recusa, convidou Elisa. Desde que ela quebrou o pé haviam se aproximado mais e o mal-entendido com Estêvão fora superado.
Num parque, os dois conversavam animadamente sobre a faculdade.
– Então cursa biomedicina? — perguntou Carlos.
– Sim. É um ramo me encanta! E você, porque optou por administração?
– Para me manter a par da empresa da família, ajudar a meu primo na administração de tudo.
– Seu pai quem construiu as empresas San Roman?
– Não, o próprio Estêvão quem o fez. Eu não conheço o meu pai.
– Nuca quis procurá-lo?
– Mamãe diz que ele nos abandonou. Se me abandonou não me queria, então não tem porque procurá-lo.
– Não lhe dá curiosidade ao menos? E se ele tiver voltado atrás na palavra e está procurando você há muitos anos?
– Duvido isso.
– Mas já pensou na possibilidade?
– Inúmeras vezes, mas eu nunca tive coragem pra iniciar uma busca.
– Eu te ajudo! — disse Elisa, procurando seu aparelho celular na bolsa. — Tudo o que precisa é entrar em um site de desaparecidos da Polícia Federal.
Procurou na internet o site e passou o celular para Carlos.
– Veja se reconhece alguma foto de sua mãe quando era mais jovem.
– Relutante, mas curioso, Carlos começou a observar as imagens de desaparecidos.
– Esse homem se parece com um dos membros da ONG onde faço parte.
– Uma ONG? Me leva pra conhecer algum dia?
– sim, claro. Vamos marcar qualquer dia desses.
Ainda de olho no celular, uma foto de uma garota lhe chamou a atenção.
Visivelmente intrigado, olhou para Elisa e depois voltou seu olhar para o site.
– Encontrou sua mãe? — com expectativa.
– Não...mas encontrei algo pior por assim dizer.
– O quê?
– Seu nome, sua foto. Você está num site para desaparecidos!
Uma semana depois...
Estêvão descobria o motivo pelo qual a tia pedira uma quantia tão alta. Dois dias atrás, alguém apareceu para sacar dinheiro. Tinha em mãos o nome do sujeito, mas faltava-lhe o endereço e resolveu procurá-lo quando voltasse de viagem. Se é que voltava.
O medo de ser deixado por Maria era enorme, não poderia admitir que era o assassino pois havia ido londe de mais com ela.
Reprimindo pensamentos, fechou a única mala que levaria para a viagem à Venezuela e foi se despedir da tia.
– Ainda acho uma má ideia. — Disse ela.
– Tenho que acompanhá-la, tia. Tentarei persuadi-la para que desista da busca.
– E se não tiver êxito?
– Se não tiver... Estará tudo perdido!
Com um abraço apertado se despediram.
– Meu Deus, protega ao meu filho! Se algo de ruim acontecer a ele, não sei do que sou capaz!
Estêvão passou pela delegacia para se encontrar com Maria. As bagagens de ambos já estavam no porta-malas do carro do mesmo.
Demétrio apareceu no gabinete sem ser chamado.
– E então, vai viajar mesmo?
– Sim, Demétrio. -respondeu Maria, com desinteresse.
– Eu prometo que cuidarei da administração da delegacia muito bem. — Com um sorriso cínico.
– Não será preciso! — Retrucou Barreto, entrando no local. — Maria não te disse?
– Disse o que? — desconfiado.
– Expedi um documento para o chefe do batalhão de polícia pedindo que Norberto fosse o delegado substituto em meu lugar.
– O que você fez? — perguntou, incrédulo.
– Isso o que ouviu: Continuará nas suas rondas enquanto a administração do distrito será responsabilidade do tenente Norberto.
– Mas eu pensei que...
– Pensou errado. Aproveita que um camburão estará saindo daqui a dez minutos e se junte a equipe.
Sem mais, Demetrio saiu da sala, sentindo que a dignidade se esvaía. Entrou no banheiro masculino e desferiu diversos chutes no lixeiro de metal.
– Maldita, Maria. Você me paga, você me paga!
– Desculpa pela cena, Estêvão. — Falou Maria, arrumando alguns pertences numa caixa.
– Cuide dela, meu caro. Maria vale ouro! — advertiu Barreto com uma leve batida nas costas de Estêvão.
– Pode deixar que cuidarei. Jamais permitirei que ela se machuque. — Falou com o olhar no chão, sentindo vergonha do que dizia.
– Sei que cuidará bem da delegacia. — iniciou Maria, aproximando-se dos dois e entregando a caixa à Estêvão, que saiu para esperá-la no automóvel. — Espero que eu consiga realizar linha meta em Aruba.
– Sei que vai. Você sempre consegue tudo o que quer. Mas o que fará quando descobrir quem for?
– O entregarei para as autoridades de Aruba.
– Você sabe qual a sentença para um crime como esse, não?
– Sim, eu sei muito bem. Pena de morte, seguindo as leis do país.
– Tem certeza de que é capaz de entregá-lo à polícia? Não se esqueça de que acabará com a vida do sujeito.
– Ele matou as pessoas que eu mais amava na vida. Merece morrer, sentir a dor que meus entes queridos sentiram! — As lágrimas queriam sair de seu rosto. A dor da perda nunca saiu de dentro dela e sua sede de vingança se aguçava ainda mais.
– O odeia?
– Sim, mais que tudo. E quando eu o tiver em minhas mãos...
O destino parecia que brincava com a pobre mulher, que mal sabia que a pessoa que mais odiava era a que mais amava na vida!
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Aeroporto Internacional....
Após fazerem o check-in, Maria e Estêvão caminhavam de mãos dadas até portão de embarque.
Fabíola e Geraldo estavam presentes, observando- os de longe.
– Deveríamos impedir! — falou Fabiola, furiosa.
– Não vamos meter os pés pelas mãos. Estou odiando a cena tanto quanto você, mas é melhor evitarmos um conflito. Cadê sua amiga? Ela não devia estar embarcando agora?
Fabiola olhou para todos os lados. Já ia ligar para Elisa, mas uma garota loira e magricela apareceu logo em seguida.
Dirigiu-se até o balcão e solicitou uma passagem.
– Qual o destino, senhorita? — indagou a simpática atendente.
Elisa revirou o local e observou Fabiola ao longe. Trocaram um aceno de despedida.
Decidida a ir atrás da verdade, ela muda de rumo.
– Quero uma passagem para Guadalajara!
=======
– Não acha melhor esquecer do assassinato? Tanto tempo se passou...
– O tempo pode ter passado, mas ele nunca me levou a dor que sinto pela perda de Patrícia! Estou decidida a ir até o fim, Estêvão. Encontrarei o assassino nem que seja a última coisa que faça nesta vida!
Assustado, Estêvão arregalou os olhos, mas nada disse. Teve medo de insistir em sua desistência e acabar despertando o lado audacioso da mulher.
Deram as passagens ao atendente e logo em seguida avançaram para o avião .
Maria tinha um brilho diferente no olhar, uma esperança que a cada momento aumentava. Sim, ela conseguiria triunfar na busca pelo assassino.
– Que começe a caçada! — terminou, enquanto retirava o óculos escuros do rosto e entrava no avião.
Continua...
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