Passou pelos portões da escola e foi em direção à entrada do prédio.

O hall de entrada estava cheio de gente, pessoas se abraçando, professores atrás de diários e alunos novos atrás de socorro.

No hall de entrada também estava o grupo de pessoas que ela menos gostava.

— Olha só quem chegou, a cabelo cor de salsicha — disse Juliana para os seus amigos, porém alto o suficiente para Victoria escutar.

— Tá olhando o quê? Se perdeu, mosca? — disse Igor.

— Tá achando que vai transformar a gente pedra olhando assim, Medusa? — complementou Isabela.

Victoria não havia se dado conta de que encarava-os de maneira assustadora.

— Acho melhor sair daqui — disse Lucas.

Victoria saiu, furiosa. ‘’Quem me dera realmente ter os poderes da Medusa’’, pensou.

As duas primeiras aulas daquela terça-feira seriam de história, ‘’Algo bom, pelo menos’’. Entrou na sala, todos a encararam, porém depois continuaram o que estavam fazendo. Victoria sentou-se na ponta esquerda, na primeira carteira, em frente ao professor.

— Alô classe! — disse o professor Caio. Todos se sentaram, continuaram conversando, sabiam que a aula demoraria a começar.

O professor de história, Caio, era a pessoa que Victoria mais gostava naquela escola. Era o único que falava com ela sem nenhum problema. Todos os dias chegava na classe, colocava o jornal na mesa, saia da sala em busca dos livros que seriam usados e enchia sua garrafinha, aí sim a aula começava. Mas nesse meio tempo seu jornal já havia sido desmontado pelos alunos atrás de notícias.

— Bom pessoal, sentando, sentando... — começou — Hoje vamos continuar com o assunto Antigo Egito.

Victoria se arrumou na carteira, amava aquele assunto.

— Desculpe, professor... — disse uma voz à porta — Perdemos a hora.

Era o grupinho que Victoria odiava. Juliana, Igor, Isabela e Lucas. Os gêmeos do inferno e os lambe-pés, como Victoria havia inventado o apelido. Juliana e Igor eram gêmeos. Juliana tinha cabelos negros com alguns cachos, na altura das costas e olhos negros, além de uma voz irritante. Igor tinha a mesma aparência da irmã, porém usava um topete e tinha problemas sérios com a puberdade, que lhe davam uma voz chata e uma barbinha esquisita que parecia que colaram esponja de aço em suas bochechas. Isabela tinha cabelos cor de ouro e olhos claros, tinha um lindo corpo. Lucas era magricela, tinha cabelos cacheados armados, negros, e era baixinho.

— Hoje vamos falar sobre as pirâmides e os ritos de embalsamamento... — continuou o professor. O grupinho se sentava.

— O que é embalsamamento, professor? — perguntou uma aluna.

— O mesmo que mumificação... — disse Victoria para si mesma.

— Como, Victoria? — disse o professor, pegando Victoria de surpresa — Fale alto para a classe ouvir!

Victoria ficou vermelha. — O mesmo que mumificação... — disse, para a sala ouvir.

A classe a encarou. Fazendo ela escorregar na carteira como se tivesse feito algo errado.

— Parabéns! — disse o professor — Pelo visto estudou nas férias?

Victoria deu um leve sorriso para o professor, mas ficou quieta, achava que já tinha falado demais.

— Bom, vamos falar das pirâmides em primeiro lugar... Vocês sabem que elas são tumbas não? Enormes tumbas, que são até pontos turísticos. Acho engraçados os turistas que vão ao Egito para tirar fotos com pirâmides... É como se estivessem tirando fotos num cemitério — riu o professor — Algumas das mais famosas pirâmides são as de Gizé, alguém sabe os nomes delas?

A classe ficou num silêncio total.

— Queóps, Quéfren e Miquerinos — respondeu Victoria. Apesar de não querer falar, amava expor seus conhecimentos, porém todos a encararam de novo, espantados.

— Parabéns, Victoria! — disse o professor — Merece um ponto positivo...

— Aff, múmia, ganhando o professor com pontinho positivo — murmurou Juliana, no fundo da classe, porém com o silencio total foi possível ouvi-la. O professor levantou o olhar para ela:

— E você, Maldotti, um ponto negativo. — disse para Juliana — E espero que isso não se repita.

Juliana fechou a cara e olhou para seu grupo como se dissesse ‘’Nossa, que escroto’’.

— Bom, as pirâmides são as tumbas para os antigos faraós ou seus relacionados, como nobres e sacerdotes. — continuou o prefessor — Muitas vezes suas pontas eram decoradas com ouro. — Então o professor mostrou no data show a foto de uma ponta de pirâmide.

— Professor, o que é aquele símbolo? — perguntou um aluno.

— Ah, sim, aquele é um olho de Hórus, Beatriz. Os olhos de Hórus eram símbolos de proteção, coragem e poder. Provavelmente, essa ponta de pirâmide era de uma pirâmide que foi tumba de um faraó. Pois os faraós também eram chamados de Hórus na terra. E por falar em olho de Hórus, vou lhes contar um mito sobre um dos motivos de o olho de Hórus ser considerado símbolo de proteção:

‘’No ano de 1480 a.C, o faraó Tutmés II estava no seu leito de morte quando entregou ao seu filho, Tutmés III a jóia mais bela do Egito: A esmeralda de Hórus. Queria que ele a escondesse num lugar seguro para que ficasse a salvo por toda a eternidade e a jóia não se perdesse. Pediu ao seu filho, e não à sua mulher, Hatchepsut, a próxima na linha do trono, madrasta de Tutmés III, pois sabia que a esposa iria usar a jóia para se mostrar e esqueceria-se de protege-la. Tutmés III entrou num cômodo do palácio e lá começou a cavar até o subsolo, onde construiu uma fortaleza para guardar a jóia. Tutmés morreu antes que a fortaleza estivesse pronta. Antes de morrer, Tutmés entregou à sua esposa, Sitiah, para que colocasse na fortaleza pronta. Sitiah o fez. E quando colocou a jóia em seu apoio, a fortaleza foi acionada. Uma das maiores defesas do Egito. Todos que tentaram saqueá-la morreram antes de atravessar a porta. Hoje em dia a localização da fortaleza se perdeu. Mas devido à sua defesa, o Olho de Hórus é considerado objeto de proteção por toda aquela fortaleza existir por apenas um.’’

‘’O meu sonho!’’, pensou Victoria, ‘’Com certeza tem algo a ver! Mas... Eu não conhecia esse mito...’’

— Professor, o que aconteceu com Sitiah? — perguntou Victoria.

— Ninguém sabe. Alguns dizem que ela ficou presa na fortaleza e lá morreu, outros dizem que ela escapou por uma passagem secreta e fugiu para o deserto pois o faraó sucessor de Tutmés III havia descoberto sobre a jóia e estava perseguindo-a. Outros dizem que ela tomou veneno e seu corpo ainda se encontra lá, em frente ao balcão onde está a jóia. — disse o professor.

— Então a jóia realmente existiu? — perguntou um aluno.

— A maioria dos historiadores crê que sim. Porém alguns pensam que não passa de um mito para fazer a história de Sitiah parecer com um Indiana Jones.

A classe retomou a aula e eles ficaram falando sobre as técnicas de embalsamamento, ficando um bom tempo discutindo o por que de tirar o cérebro com um canudinho pelo nariz.

Victoria ficou pensando na história de Sitiah por um bom tempo.

Notas finais
Bom gente, essa é a continuação da história, onde vocês puderam conhecer quem é ''a rainha''. Espero que tenham gostado! Comentem! Reviews?