O Retorno - A Jóia da Rainha - (Livro 1)
9 O desastre de Peter, a aranha
— Algo a declarar, Fortuna? — disse Maria, a orientadora.
— Não fiz nada, a aranha era deles. — respondeu Victoria.
— Nossa? — sobressaltaram-se os gêmeos Maldotti em coro.
— Vi vocês comprando-a numa pet shop do shopping West Plaza nesse final de semana. — respondeu Victoria, calmamente.
— Não compramos no West Plaza, compramos no Bourbon! — respondeu Igor de súbito, quando percebeu que havia acabado de cair numa cilada.
Victoria deu um sorriso troll.
— Depois eu cuido da bendita aranha Fortuna, depois, agora vamos falar sobre a coisa terrível que você fez. — disse Maria.
— Não fale assim do Peter! — disse Igor baixinho.
— Eu?! Mas eu não fiz nada! — questionou Victoria.
— Ah, não? — disse a orientadora, abrindo uma pasta — Apenas colou na prova de física e quase quebrou a sala de arte inteira!
— E o meu nariz. — resmungou Juliana.
— Eu não colei na prova de física. E o Lucca não merece ser punido por algo que eu não fiz! — respondeu Victoria.
— Já falei com o professor, Fortuna. O Sr. Passion não será punido. — respondeu a orientadora, o que de certa forma aliviou Victoria. — Mas ainda assim você será punida, mocinha. — Victoria ficou p da vida.
— Não. Colei.
— Não me importa mais, Fortuna, você já está com um zero. — disse Maria — E por sinal... Bem redondo. — ela olhava a prova que o professor havia lhe entregado. Os gêmeos Maldotti seguravam uma risada. Victoria bufou. — Quero falar sobre o que você fez na aula de arte.
— Não fiz nada. Eles fizeram. — disse Victoria, olhando para os Maldotti.
— Foi só uma brincadeirinha... — disse Igor, Juliana riu.
— Depois cuidarei de vocês. — disse a orientadora, seca — Voltando a você, Fortuna, seus outros colegas, Isabela e Lucas, ainda estão na enfermaria, sabia? Isabela precisou tomar um ponto falso e Lucas ainda está desmaiado com a pancada.
— Ah, ele já acordou, — começou Igor — é só um drama e... — Juliana o cutucou. Maria olhou para ele como se dissesse ‘’Cale a boca, moleque idiota’’
— Certo...? E eu com isso? — respondeu Victoria, grossa.
— Fortuna! — gritou a orientadora.
— O quê? Não fiz nada! — gritou Victoria de volta.
— Destruição do ambiente escolar, violência física... — começou Victoria.
— Em primeiro lugar — disse Victoria, calma — Quem quebrou a pia com a cabeça, foram os Maldotti, Isabela e Lucas, e eu estava bem longe deles. Segundo, se eles caíram e se machucaram, o que tenho eu com isso? Por acaso incorporei Carrie, a estranha agora?
— Não tem muita diferença... — sussurrou Juliana para si mesma.
— Você está suspensa das aulas de amanhã, Fortuna. E vocês, Maldotti, levaram uma advertência escrita e quero elas assinadas por seus responsáveis e devolvidas para mim amanhã. — disse Maria, que já tinha a advertência escrita e entregou-a aos Maldotti, que saíram.
Victoria saia também, quando virou-se para traz:
— Isso é injustiça. Eles fizeram algo muito pior.
— E daí? Você só está sendo suspensa porque não gosto de você, Victoria. — disse Maria — Segundo o regulamento da escola, você no máximo deveria levar um zero pela sua prova, uma conversa séria com o professor por desonestidade acadêmica, a advertência escrita e mais nada. O incidente dos Maldotti, pelo que entendi, não envolve você, e eles até que poderiam ser suspensos, mas eu não suspenderia alunos que eu gosto. Diferente de você. Então digamos que... Inverti as punições.
O queixo de Victoria caiu, como aquela vagabunda (esse era o pensamento de Victoria na hora) poderia ter falado aquilo. E que falta de ética.
O queixo de Maria caiu. De onde saiu todo aquele ódio e porque falou tudo aquilo? E que falta de ética.
— Saia, Fortuna. — disse Maria, se voltando para o computador, ainda chocada com o que havia acabado de dizer.
Aquilo sim era o que se podia chamar de vida de merda.
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