O Retorno
9 Capítulo 9: Busca incessante
Depois da fuga do palácio Imperial, Hank e seus companheiros juntamente com a Mestre dos Magos e o sacerdote Irman Zoroastro chegam aos arredores da floresta de Alastre, uns vinte kilômetros da capital do Império.
A floresta é uma espécie de entreposto para vianjantes, os cogumelos da floresta são conhecidíssimas por suas propriedades curativas, energéticas e nutritivas. O curioso é que na entrada da mesma há vendedores que ofertam equipamentos para acampamento.
Lógico que o grupo se aproveita disso.
O local é aprazível. Prefeito para descansar e recuperar as energias místicas. Coisa que Argana não perdeu tempo. A preocupação de alguns é se Eric irá caça-los, mas Hank e Diana tranqüilizaram a todos ao observar que:
Primeiro: Eric não é bem quisto.
Segundo: Argana é muito querida.
Terceiro: O próprio Eric facilitou a fuga deles.
Instalados, o grupo, através dos mercadores, os informaram dos acontecimentos na capital. A luta contra Gilgamesh, a vitória de Eric e ascenção definitiva do trono. Nisso Diana faz uma observação:
- Pobre garota... — comentário dela sobre a sorte de Asherat de ser a "esposa" de Eric.
Passados um mês e quinze dias, Hank e seus amigos planejam o que fazer. Depor, colaborar, investigar ou fugir. Argana queria expulsar o Eric do trono, já Presto queria fazer parte da ajuda ao seu amigo, Diana saber mais sobre os acontecimentos e Irman Zoroastro queria mais era fugir o mais distante dali.
Outros assumiram uma postura neutra.
Houve uma votação, quase uninanime, que seria o Hank que decideria qual seria a ação do grupo. Como sabemos que Hank é uma pessoa que tem o hábito de carregar o mundo nas costas, podemos ver o arqueiro vagando a esmo pela floresta, pensando e se remoendo de culpa e auto-piedade.
Porém o loiro ouve uma bela melodia.
Encantado pela bela voz, Hank não resiste e tenta descobrir a origem da linda e delicada canção.
Ao chegar no local da música, o arqueiro tem uma incrível visão. Era Argana Kumrusepas, nua em pêlo. Banhando-se com um líquido transparente, cheiroso e cheio de pétulas de flores que colam em sua pele levemente morena. O seu corpo magnífico e perfeito brilha sobre a Luz do Sol que escapam entre as copas das árvores. A ânfora não parava de jorrar o misterioso líquido. Hank não tirava os olhos dos cabelos negros e lisos pela umidade e dos seios fartos e firmes da mulher que parece uma cigana.
- Aproxime-se, arqueiro... — pede a Maga.
Hank, como estivesse hipnozado, caminha em direção da mulher.
- D-desculpa, Mestre! Eu ouvi uma canção e...
- Gostou do que ouviu? — pergunta Argana ainda jogando o líquido em seu corpo.
- Sim... Mas... — e tenta desviar o olhar, em vão, das curvas escorregadias da mulher.
- Eu cantarei uma canção que compus só para você. Quer ouvir? — nisto ela pára de banhar-se e coloca a ânfora nas pedras.
Só aí, Hank percebe que está nas margens de um rio.
Argana, sem esperar uma resposta afirmativa do Head-Hunter, começa a cantar a sua canção. É a mais bela melodia que o loiro ouviu na Vida.
Enquanto cantava, a cigana caminha em direção de Hank que não tirava os olhos dos quadris da mulher. Quando terminou de cantar, Argana estava com os seus braços em volta do pescoço do homem e os seus lábios muito próximos ao dele.
- Sou linda, não é? — diz ela sussurando e Hank sente o hálito suave e agradável da mulher.
O beijo foi tão natural e lógico que Hank a abraça com força. Num passe de mágica, o arqueiro foi despido de suas roupas, em seguida, a mulher deita no chão.
- Vem quero ser sua...
Hank hesita.
- Não. — diz ele.
- Não?! — indaga a Maga.
- Eu amo outra mulher. Se fizessemos isto, não é que vou traí-la, afinal nós não temos mais nada um com o outro, mas irei magoá-las. Tanto você quanto ela.
- Isto não é o que o seu corpo está dizendo. E pelo que vejo, está bem animadinho... — e diz sorrindo Argana. Somos adultos, Hank. — e se levanta. Temos as nossas necessidades. Eu senti que você é um homem maravilhoso e disponível. Eu sou uma mulher jovem e bela que gosta de amar e sentir o calor da paixão...
- Eu... Não...
Nisto ela o abraça.
- Vem, Hank! Venha deitar comigo...
- Mas você é muito vadia!!! — diz uma feminina e furiosa.
- Quem?! — exclama Hank.
- Se você quisesse deitar com ela, até entenderia, afinal, uma mundana como esta zinha aí, tem mais que ser um receptáculo de sêmem. — prageja uma voz que está invisível aos olhos da dupla.
- Scheila... — escapa o nome dos lábios do arqueiro.
Ao ouvir o seu nome, a ruiva retira o capuz que a torna invisível. Olhos verdes da bibliotecária estavam vermelhos de raiva.
- Você não sabe se valorizar, não? — indaga Scheila a Argana.
Cínica, responde:
- Sim. Mas se fosse agir como você, eu estava virgem até hoje... Não é verdade, querida?
O sangue sobe para a cabeça de Scheila.
- Sim, sou!!! Eu me guardei para o homem que amo! — e olha para o arqueiro.
Hank fica estupefado e encabulado.
- Ah! Que romântico! A donzela se guardou para o seu amado, mas será que ele fez o mesmo? — envenena Argana.
Um olhar inquisidor da ruiva fita o rosto caibisbaixo do loiro.
- Então, Hank? Não vai falar da mexicana, a Rosário? Quantos dias foram, dez ou quinze dias ao lado dela? — ironiza a Maga.
- Doze. — responde.
- Bandida bonita, não é? Tanto que ela te deu um beijo bem "caliente", não foi? Quantes vezes pensou nela, nhem? E no dia que apalpou os seus seios grandes e fartos quando tentou fugir, ela bem que gostou...
- Mas eu não dormi com ela, Maga. Se quer saber. Não adianta, mulher. Eu sei o que quer fazer. Se Scheila não se deitou com nenhum homem é porque ela me ama, apesar de tudo. Se não deitei com nenhuma mulher...
- Hank... — suspira Scheila.
Derrotada, a Maga vira o rosto.
- Não pense que me venceu, Scheila! Eu vou tomá-lo de você. — e olha para a bibliotecária.
- Tente. — e encara.
As duas belas mulheres se encaram.
- Meninas, por favor... — Hank tentando quebrar o clima pesado.
- CALA-SE!!! — gritam as duas para o arqueiro.
- Por que tanto interesse num homem, ou melhor, no meu homem? — questiona Scheila.
- Ele é bom demais para você, invicta! Sou muito mais fêmea e experiente do que uma mulher que foi abandonada no altar. Mal amada!
Scheila bate no rosto da Maga.
- Você é muito baixa!
- Para tê-lo farei qualquer coisa. — e alisa o rosto atingido pelo tapa.
Neste momento, a bibliotecária beija, de língua, o seu amado. Hank, que não é bobo, relaxa.
- Hunf! Vou sair daqui... Hank, quando se cansar dela, procure-me. Posso ensinar umas "técnicas" novas para que possa usar nessa donzelinha aí! — veste-se magicamente e parte dali.
O beijo continua. Entretanto, o arqueiro está novamente vestido. O tempo passa. E Hank teve que se seperar da ruiva para poder falar.
- Scheila...
- Hank...
- É verdade você se guardou para mim?
- Sim. — responde ruborizada.
- Eu... Eu...
- Eu sei! Sei como são os homens. Sei que agi uma adolescente, mas...
- Não importa, Scheila. A culpa foi minha. Eu devia ter te procurado depois. Tinha tanto medo de sua raiva.
- Eu te amo, Hank! — e o beija novamente.
Só que dessa vez mais delicada e suave.
Em seguida, ambos se abraçam e uma lágrima rola no rosto da ruiva.
- Eu não vou deixar que nenhuma vagabunda tome você de mim. Nunca! — e aperta mais forte o abraço entorno do amado.
- Calma, Scheila! Lembra da nossa prometa?
- Sim! Seremos um do outro quando casarmos. Nunca esquecerei. — e voltam a se entregar aos beijos e caricias.
Perto dali, Argana caminha altiva em direção do acampamento, no caminho encontra Irman Zoroastro que jogava um jogo estranho onde as peças flutuavam.
- Parece que você falhou, Argana...
- Por enquanto, Zoro. Enquanto tiverem a promessa de casamento, eu ainda estou no páreo.
- Por que tanto interesse no jovem? Afinal, você pode ter o homem que quiser.
- Ele é virgem. Tão puro quanto ela.
O sacerdote fica estupefado.
- Sabe o quanto vale um homem da idade e beleza dele e ainda, virgem?! — diz impressionado o sacerdote.
- Em moeda mágica? Dez milhões de Manas. Serei uma criatura lendária e ficarei com ele, é claro! Afinal, um homem desses é muito raro. Afinal de contas, eu me afeiçoei com o beijo dele. — e ri.
Os dois riem.
Bob e Diana exploram a floresta. Desconfiados, a dupla observa atentamente cada alteração do perímetro local. Fora os animais da floresta, que deixam os seus rastros, não houve muito o que fazer.
Cansados, eles resolvem descansar e fazer um lanche.
- Soube o que Argana fez com sua irmã, Bob?
Sem esbolsar uma reação significativa, responde:
- Sim. A minha irmã sabe se defender.
- Eu estou preocupada. Nós não conhecemos muito sobre essa tal de Argana. Pelo que a Scheila me contou...
- Scheila é possessiva.
A acrobata fica surpresa com o comentário do bárbaro. Notando a reação da negra completa:
- Por que acha que sumi da vida dela? Scheila é uma boa pessoa e é uma irmã zelosa, mas é ciumenta e insegura. Gosta de ter controle sobre as pessoas. Principalmente sobre a vida delas. Quando soube que Hank a largou no altar, pensei: "Escapou de uma. Ele deve ter percebido quem é ela." Quando soube das explicações dele concluí: "Tá ferrado!" Quando a Scheila pega, já era! Por isso que nem esquentei a cabeça para correr atrás do Hank.
- Isso é jeito de se falar de sua irmã?!
Sem se abalar com a censura da amiga, responde:
- Você a conhece, mas conviveu com ela. sabe, Hank tem que gostar muito dela se quiser casar com a minha irmã. Tudo bem, ela é linda e gostosa paca, mas e depois? Quando a beleza de ambos for embora com o tempo. Será que eles vão se suportar?
- Isto só o tempo vai dizer, Bob. — responde. Somos humanos. Temos um período de tempo muito curto para vivermos um grande amor e, as vezes, não encontramos e aceitamos as migalhas que a sorte nos dá. Cabe nós transformar-mos as migalhas em algo que vale a pena. Essa é a maior lição da Vida. Seja as boas e as más, mas temos que nos adaptar. Bob, não censure a sua irmã. Ela tentou ser uma mãe para você, depois que os seus pais morreram. Se agiu de uma forma sufocante, procure entende-la...
O jovem fica em silêncio.
- Tem razão, Diana. Exigi demais dela. Ela foi uma mãe que deveria ser uma irmã.
Diana dá uma leve pancada na cabeça de Bob.
- Bobão!
Nisto, perto dali, Argana, com uma espécie de concha em forma de funil colado no ouvido, comenta para si mesma:
- Ciúme e insegurança. Que bela combinação.
Subitamente, um som de um helicóptero ecoa no local. Diana e Bob ativam as suas armas e, em seguida, surge a própria Mestre dos Magos.
Os dois gelam, mas ela diz:
- São os funcionários do seu "amigo". Seis ao todo. Podemos capturá-los e interrogá-los.
- Foi o que pensei. Vamos, Bob! — ordena Diana.
O redemoinho de folhas giram em toda a clareira enquanto o helicóptero pousa. Em seguida, saem três homens e duas mulheres, dos quais, três estão armados, depois o helicóptero parte deixando-os ali.
Depois que o veículo parte, uma cena inustada acontece, todos os passageiros do helicóptero são envolvidos por uma espécie de trepadeira que os imobiliza. Em seguida, todos caem no chão devido a falta de equilíbrio.
- O que fazem aqui? — pergunta Argana. Sabe que posso retribuir a recepção "calorosa" que recebi de vocês.
- Diana! Sou eu, Nicolai Garacosi! Lembra de mim? — pergunta o romeno.
- Claro! Nunca vou esquecer o puxa-saco do Eric. O que quer, infeliz?
- O meu patrão quer ajuda de vocês.
- Por quê?! Ele não tem o que queria? — censura Bob.
- Deu tudo errado! Fomos usados para que a Terra pudesse ser invadida.
- O que?! — exclamam.
Hank escuta a história mais não acredita no que ouve.
- O planeta Terra foi invadida? Por quem?
- O patrão não explicou, mas tinha uma suspeita, sr. Hank. Mas uma coisa é certa este mundo foi invadido antes e conquistado por seres alienígenas e estes mesmos seres estão invadindo a Terra.
- Que história mais louca. — comenta Diana. Cadê as naves e os ETs?!
- Há vários tipos de invasões, pode ser militarmente ou ocultamente. Nós invadimos militarmente este mundo. Os ocupantes anteriores nos estudaram e invadiram o nosso planeta. Eles são "Dopplegangers". — explica Nicolai.
- Hum... Entendo! São seres que assumem a forma e aparência de qualquer um. — explica Argana. Eles são uma lenda. Um conto para assustar as crianças.
- Peraí! — diz Bob. Se o Eric o enviou, então é verdade! Do jeito que o cara é...
- É o estou achando, Bob. — diz Hank. Então, Nicolai? Como podemos ajudá-lo?
- Espere aí, como podemos identificá-los, se estes tais de Dopplegangers assumem qual forma que quiser? — questiona Presto preocupado com a situação do seu amigo.
- Simples, assim! — diz uma voz masculina.
E Argana é atingida pelas costas.
Todos ficam estarrecidos.
- Zoro?! Está louco?! Sou eu! Argana! — e fica de quatro devido ao golpe.
Não vê que é um plano para nos dividir?!
- Argana, se quisesse um homem, o que faria? — pergunta Irman Zoroastro com um olhar inquisidor.
- Nada. Sou linda o suficiênte para ter o homem que quiser.
- Errado! Argana não é tão nobre assim. Além do mais... — e retira um objeto do meio dos seios dela. Ela tem um elo mental com os guerreiros de Marduc e não precisaria de um artefato mágico para espiões.
Subtamente, a suposta "Argana" se transforma numa criatura cheia de tentáculos que envolve a todos.
- Morram, malditos!!!
O sacerdote recita um ritual que devolve a forma original a criatura. O ser parece um duende cinza, pequeno e feio.
- Você me castrou, padre dos infernos!!!
- Sou o maior deles. Ou você acha que fiquei preso tanto tempo? Sou o único que pode identificá-los. Agora, aonde está a Argana? Sei que os da sua espécie não matam até saber tudo sobre a sua vítima.
A criatura cospe no chão.
- Então vai ser por mal! — diz o sacerdote.
Em seguida, o barbudo abaixa a cabeça da criatura e vê, na cabeça, um símbolo. Ele reconhece e subtitui por outro apenas tocando no local.
- Agora és o meu escravo. Onde colocou a Mestre dos Magos?
Sem oferecer resistência, a criatura vai até a um local próximo ao acampamento do grupo. Ali, perto de uma árvore de caule duplo, o estranho ser retira, do ar, uma manta que deixava a mulher amarrada invisível. Com presteza, o sacerdote retira a mordaça da boca da Maga. Em seguida, ela pergunta:
- Como você descobriu que o "duplo" não era eu, Zoro? Eles são especialistas em disfarce. É da natureza da sua espécie.
Apesar de sério, o sacerdote faz um gracejo:
- A cópia foi mais simpática do que você.
Scheila não perde a oportunidade de tripudiar a rival:
- O que houve, Mestra? Você se deixou capturar por uma criatura tão vil?
Argana olha com ódio para Scheila quando é desarmarrada pelos outros.
Argana está de mal humor.
No dia anterior, além de perder a disputa para Scheila com intuito de seduzir Hank, a maga foi capturada por um dopperganger. O pior, vista e humilhada por sua nova rival.
Argana está furiosa. O seu olhar demonstra toda a sua fúria. Porém, isto não a impede que não vai deixar de ser aliada do grupo, lógico que o interesse dela é muito mais político do que por caridade.
A Mestre dos Magos recorda do seu passado, como a filha caçula de uma família nômade que fugia do reino sinistro de Atarage e de sua rainha, Lilith Astarte. Caçados como animais, pois os ciganos, naquele reino, são tratados como "gado de engorda", os membros de sua família foram mortos um a um pelos servos mortos-vivos da rainha Lilith. Exceto
Argana que se jogou num rio e que a levou para longe das fronteiras daquele reino maldito.
Quando chegou nas margens do rio, alguns kilômetros longe do reino, a pequena Argana, que tinha, na época, 11 anos, teve que lutar pela sobrevivência. Passou fome, frio, medo, dor da perda e a solidão.
Foram dois meses de luta incessante pela vida até a garota encontrar uma casa no meio da floresta.
Faminta, por três dias de um jejum forçado, Argana investiga o local, constatando que a casa está vazia, mas não abandonada. A garota invade a cozinha e pega tudo que pode comer e carregar. Saciada, pelo de fome, estava prestes a partir dali quando:
- O que faz aqui, criança? — pergunta uma voz de uma senhora muito idosa.
Argana tenta fugir, mas é impedida por uma energia estranha que a imobiliza.
Este foi o seu primeiro contato com a Magia.
Aquela senhora, com o tempo, tornou a sua tutora. Atrafax, o nome daquela senhora, treinou a bela cigana nas artes mágicas. Com o passar dos anos, Argana se tornou uma exímia feiticeira. Uma espécie de sacerdotisa da Natureza. Aos poucos, na ânsia por mais conhecimento, descobriu sobre as grandes academias arcanas. Prestou um concurso para ingressar nelas e foi aprovada. Feliz, a jovem foi cantar para a sua mãe. ( Pois era assim que Argana a tratava. )
Porém, Atrafax tinha falecido.
A feiticeira sabia que a sua tutora tinha morrido de causas naturais, mas ela não suportava a sensação de perda. Como que lembrasse da luta pela sobrevivência, a mulher é tomada por uma gana, um torpor, quase animalesco. Porém, agora, ela estava sozinha novamente.
Os anos passam, Argana foi aprovada como Maga, depois com Arqui-Maga e, finalmente, aprovada como Mestre dos Magos. O ambiente competitivo lembrava muito a sua luta pela sobrevivência na floresta, suas lutas contra inúmeras rivais a ensinou a "jogar sujo", aprender política, adular, seduzir, mentir, enganar. Mas, no fundo, a velha Atrafax servia como uma espécie de "consciência" para a Maga. Uma contraparte benéfica de sua personalidade. Por isso a lealdade, a caridade, quando possível, e a ética própria, que a faz uma criatura única.
Boa e má. Gentil e arrogante. Amiga e inimiga.
Em suma, humana...
Encostado numa árvore, Irman Zoroastro desenha, numa tela, o símbolo que estava sobre o dopperganger. Quando termina de desenhar, ouve a voz de uma velha conhecida...
- Então este é a marca de domínio do "duplo"?
Sabendo quem seja, o sacerdote respnde:
- Exato, Argana. Creio que seja muito antigo e poderoso. Como aquele feitiço de anulação usado no palácio Imperial. Ambos tem a mesma origem.
- Um "dopper" escravizado por um Mago, pode ter "emprestado" parte dos seus poderes, mas se for uma criatura mágica de nível épico...
- Poderá derrotar até mesmo um Mestre dos Magos. Afinal, você é poderosa demais para se deixar capturar, Argana.
- Será que estamos enfrentando um "Deus" ou "Titã"?
- Bem provável. Se invadiram o planeta deles, deve ter um poder considerável. — completa Zoroastro.
Enquanto os dois magos confabulam. Bob troca com Presto o posto de vígia dos prisioneiros. O bárbaro observa o rosto de cada um deles.
Entretanto um rosto chama a atenção. De uma certa loirinha, bonitinha, que olha para todos os lados como estivesse agoniada.
- O que foi, menina? — pergunta o justiceiro.
- Quero ir ao banheiro. — responde encabulada.
Bob faz uma expressão mal humorada, mas...
- Presto! — chama.
- O que foi, Bob? — responde ao longe.
- Vou escoltar a garota ao banheiro. Vigie os outros.
O mágico retorna com rapidez ao local e libera o bábaro. Com uma certa truculência, Bob levanta a loira.
- Aiiii!!! Não seja bruto!!!
Ele dá desculpas e a conduz a uma moita.
- Faça o que quiser aí. — e joga o papel higiênico. Divirta-se!
- Podia olhar para o outro lado? Eu não fico a vontade com um homem me olhando.
- E deixar você fugir? Conta outra.
- Fugir para onde? Eu estou num mundo alienígena. Se eu fugir, tenho mais risco de ser devorada por, Deus sabe o que! Eu estou mais segura presa com vocês do que andando nesta floresta.
Bob ri, mas atende o pedido da garota. Em seguida, outro pedido e o bárbaro a leva para um rio próximo. Vendo-a limpando as mãos, Bob pergunta:
- Qual é o seu nome?
- Wendy Mackenzie, sou estudante de direito e estou estagiando na Corporação Knight.
Ela foi rápida em passar o máximo de informações sobre ela. Como Bob tem um certo conhecimento sobre as mulheres, sabe que ela quer ser protegida.
- Como entrou nessa furada, Wendy? — pergunta Bob já conquistado pela meiguice da menina.
Ela conta toda a história.
E ao ouvir, Bob fica petrificado. Rapidamente, o bárbaro conta ao Hank a história. O arqueiro entende o motivo de Eric enviá-los ali. Logo, o líder reuni todos, liberta os prisioneiros e explica a sua atitude.
- Mais do que nunca, conto com a colaboração de todos. O nosso mundo está realmente em risco. É vital que temos que voltar a capital do Império e salvar o nosso companheiro.
Presto fica feliz e surpreso, Diana questiona o seu líder o porquê dessa decisão. Hank pergunta a Wendy quem a enviou para aquele mundo e ela diz:
- A irmã do Sr, Eric Summors, a presidente da Corporação Knight, em exercício.
O grupo original, que conhece a história de Eric, fica aterrorizado.
- Por que o choque? — pergunta Wendy a Bob.
- Porque Eric é filho único. E existe alguém que tem controle da maior organização privada do planeta. — responde Diana. Recentimente, esta empresa ganhou a licitação para manutenção tecnológica de todo arsenal nuclear do governo norte-americano.
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