Notas iniciais
Inspirado na música: "Princess of China" de Coldplay & Rihanna. Não sei se ainda tem alguém que lê ele, mas o capítulo acabou ficando grande e não tinha como cortar, perdoem :(

Os próximos dias passaram sem grandes tumultos. Mousse viajara à contragosto da mãe para Bayankala aperfeiçoar as técnicas de Kung-Fu, como uma forma de lembrar as lições do seu mestre falecido Liang Hu, que continuaria vivo em seus pensamentos e nas suas habilidades herdadas.

Tornara obsecado por treinar desenfreadamente e recolher-se somente para um rápido descanso. O perigo era iminente. Um deslize, um movimento falso poderia lhe comprometer com outra maldição e na pior das hipóteses, perder a vida, segundo a lenda que ali havia uma fonte assassina. Bastaria cair nela para cerrar as pálpebras pela eternidade.

Por outro lado, aquele cenário novo tão temido e perigoso proporcionara a ele novos estímulos e conquistas. Estava entediado e cansado, de fato. Buscava algo desafiador, um tempero a mais na sua rotina monótoma. Queria ultrapassar os próprios limites, quebrar regras e surpreender a sociedade. Uma mente ambiciosa demais pra quem desejara apenas vencer Saotome Ranma a alguns meses.

E Bayankala veio a calhar. Uma arena perfeita e cheio de artimanhas. Bambus espalhados por todos os lados serviam de apoio aos pés acelerados de Mousse, principalmente os mais perigosos, fincados nas poças. Testar os golpes difíceis e equilibrar o corpo nos frágeis caules verdes ao mesmo tempo não era algo fácil.

Naquela hora não havia concentração para mais nada, nem para as crianças desavisadas que adentravam sozinhas no recinto...

– Hei, vem me pegar! – o menino chamou um dos amigos seus, correndo distraído.

– Eu vou alcançar você! – o outro respondeu, ofegando por ar.

Aquelas vozes distraíram sua mente, fazendo largar seu estado meditativo e abrir rapidamente os olhos. Em sã e consciência nenhum zelador deixaria escapar a garotada numa área tão perigosa! Assim pensava Mousse.

A cena a seguir foi bastante ágil e tensa. A força, a velocidade, a resistência e as habilidades alcançadas ao longo dos meses pareciam testados naquele instante. Numa fração de segundos, empurrou a criança distraída no chão seco, jogando-se em seu lugar. Respingos daquela maldita água voaram pros lados, chamando a atenção do guia.

– Aiya, o que fazer? – o homem de meia-idade disse – Quem cair nessa fonte transforma naquilo que combinar com sua personalidade...

Tomados por uma curiosidade irresistível, o guia e as crianças aproximaram-se cautelosos da poça onde caíra o jovem. Os próprios reflexos eram as únicas imagens espelhadas naquela fonte cristalina. Após alguns minutos de observação, começaram a cogitar a morte súbita do afogado, quando borbulhas abaixo da água deram os primeiros sinais vitais.

E então uma pata grande revestida de pêlo branco surgiu das profundezas, aguçando ainda mais os olhos curiosos dos telespectadores. Assim surgia aos poucos, parte por parte do corpo, revelando finalmente o Mousse na sua aparência “animalizada”.

Um lobo branco tão belo, forte e veloz, mas tão sozinho. Condizia perfeitamente com seu estado psicológico atual. Um animal que escolhia urrar isolado a tristeza na garganta no alto do morro esquecido. Olhares assustados lhe encaravam afastados. Como adultos e crianças que fugiam de um pesadelo acordado...

– Corram crianças! – um homem gritou, num tom ameaçador – Eu vou buscar reforços para acabar com esse bicho!

Mesmo transformado num temido lobo, Mousse entendia perfeitamente a linguagem humana. Disparou feito um tresloucado, afastando-se pouco a pouco de Bayankala. Sentia-se ameaçado e receoso.

Temia na pele a indiferença, o egoísmo e o maltrato dos humanos com animais. Doía no orgulho o poder diminuído diante dos outros homens. Ardia nos pêlos a faísca espalhafatosa das tochas de fogo nas mãos de perseguidores.

A noite corria solta. À medida que as chamas agitadas saiam do seu campo visual, diminuía o ritmo da corrida desenfreada. Mal conseguia respirar, muito menos pensar. Certamente se fosse atacado naquele momento estaria morto e virado casaco de pele.

Notou uma fumaça subir ao céu aberto acompanhado de um cheiro convidativo, aguçando suas narinas e o paladar. Mataria quem cruzasse seu caminho e não sairia dali sem desgustar uma carniça seja ela animal ou humana...

Em passos silenciosos, o lobo apareceu na frente de uma inofensiva senhora, que preparava seu jantar na fogueira. Saliva escorria pelos dentes afiados, deixando rastros no solo verde. A dona de casa levantou-se desesperada, derramando a sopa fervente no invasor.

Um novo vapor acercou-se do predador, revelando um belo corpo talhado nos treinos acumulados durante longos anos. Perplexa e boquiaberta, a mulher de idade avançada demorou algum tempo em processar tudo aquilo.

– Filha, filha me ajude aqui! – ela gritou, confusa.

Uma linda jovem surgiu dos fundos, ficando igualmente surpresa com o homem nu, como se ele tivesse caído de pára-quedas.

Por outro lado, Mousse não aguentou a fome, o cansaço da árdua perseguição e desmaiou esgotado. As duas amparam o desfalecido e levaram num síngelo quarto, deitando cuidadosamente o corpo marcado por centelhas de chamas na confortável cama.

As horas passaram rápidos e o esfomeado enchia sua boca de arroz temperado ao óleo de gergelim, refogado de legumes e outras comidas típicas da região, devorando a refeição num único sopro. As mulheres traziam apressadas novos pratos quentes, um atrás do outro, saciando aquela gula do leão.

Depois de muito comer, Mousse respirou aliviado e disse: — Obrigado pela janta.

– Nossa, nunca vi alguém com tanta fome! – a dona de casa disse, num tom misto de surpreso e brincadeira.

– Eu sei que sou um completo estranho aqui, mas – o amazona indagou – vocês poderiam guardar segredo sobre o que viram hoje?

– Ah imagine não esquente com isso – a jovem disse, num ar descontraído – tem coisa muito pior nessa vila que você.

– Muito pior? – Mousse perguntou, intrigado.

– Tem um coitado que vira pato, tem uma esnobe que vira gato e só voltam a serem humanos jogando água quente... – a senhora respondeu, sorvendo seu chá.

– Desculpe a pergunta – o amazona tornou a indagar, desconfiado – onde eu estou?

– Ah sim esqueci de falar – a jovem explicou – aqui é a vila dos amazonas, você já deve ter ouvido falar...

Mousse engoliu seco e respondeu, um pouco assombrado: – Claro...

Vila dos amazonas. Muitas flashbacks afloraram de uma só vez. Eram todas as loucuras cometidas em nome do amor ingênuo e ridículo, que se perdera no tempo e espaço. Restara a mágoa e a repugnância.

Notando o assombro do visitante, a dona de casa tratou mudar o assunto e indagou, num tom distraído: — Você tem alguma prometida? – sem dar espaço para respostas, disse – Tem a minha filha à disposição, ela sabe cozinhar, lavar louça, cuidar de casa...

Antes que sua mãe terminasse de falar a jovem interrompeu, encabulada – Aiya assim a senhora vai deixar ele sem graça!

Wo da Airen. Aquela única palavra estremecia todo o seu ser. Trazia as dolorosas lembranças segregadas na alma reprimida. Ferimentos não cicatrizadas. Resquícios inapagáveis e funéreos...

+++

– Por que? – Mousse suplicou aos céus – Por que fez isso comigo wo da airen?

Desfez o feitiço “paralisia nos pés” provocado pela Yu e correu dementado em direção ao passaporte na Antiga China, mas Ranma conseguiu impedí-lo a tempo, imobilizando os movimentos com certa dificuldade até Ryoga lançar a energia psíquica acumulada nas mãos e despedaçá-lo por completo.

Enquanto isso, Mousse gritava insano, descontrolado e exigia a interferência dos Deuses, se é que elas existiam num Universo tão injusto. Uma daquelas súplicas cheios de sofreguidão e dor, muita dor. Lágrimas escorriam contidas, gritos e mais gritos morriam na garganta rouca.

A cena chegava a ser dolorosa aos olhares alheios, especialmente ao da Shampoo. Destruira a felicidade do amigo de infância. Engolia seco a mágoa, tremia nos dedos o remorso e contraía a culpa nos ombros. Mas a maior penitência ainda estaria por vir...

Ao notar um vento forte e gelado misturar-se ao clima silencioso e pesado, Cologne tomou a iniciativa e indagou, tímida: — Séra que tem algo que possamos fazer por você Mu-Tsu? – e acrescentou, notando o efeito que sua fala causara no seu ex-empregado – Peça qualquer coisa...

Mousse tragou a lágrima e disse para aquela com quem algum dia quis construir um futuro a dois: — Então faz um favor... – continuou, evitando o choque de olhares – Some da minha frente, ou melhor, da minha vida...

Shampoo esperou o amazona desaparecer nas sombras e caiu de joelhos no solo destruído, desabando num choro copioso.

Com exagerado senso de justiça, a karateca não agüentou continuar observando a situação calada e tentou dificultá-lo na partida: – Hei, Mu-Tsu onde você pensa que...

Cologne brecou a justiceira e pediu compreensão, assentindo a cabeça em um sinal negativo: — Deixe ele partir – completou – As coisas só vão piorar se colocar mais fogo na lenha...

– Mas desse jeito eles não vão... – Akane mordeu os lábios inferiores e concluiu em reflexão – “ficar juntos...”

– Eu também concordo com a velha – Ranma falou, tocando suavemente os ombros da namorada.

– Você não entende nada mesmo, seu insensível! – a karateca socou o peitoral e encolhendo-se nele em seguida, confessou em alto e bom som – Você não faz idéia o quanto é difícil assumir sentimentos pra alguém! E quando finalmente consegue acontece isso...

– Akane... – Ranma disse, acolhendo-a nos braços.

– Eu entendo porque... – a karateca concluiu, tímida – ela é teimosa como eu...

Devaneios iam e vinham na mente confusa de Shampoo. Prometera tirar o pato maldito do coração. Porém quanto mais tentava esquecê-lo, as boas e distantes recordações afloravam mais e mais intensos nos pensamentos.

Agora estava ali na companhia da avó, a pouca distância da vila dos amazonas, onde jurara jamais botar seus pés. Isto significava reaproximação com a verdade trancada na caixa de pandora. Adrenalina era jogada em grandes quantidades nas veias. Mãos suavam frios, ombros sentiam o peso da conciência e os pés amedrontados não mexiam do lugar.

Levou um susto ao sentir uma mão enrugada tocar suave o seu ombro. Abriu as pálpebras, voltando à realidade. Cologne parada à sua frente, esboçou um sorriso confortante, acalmando seus nervos.

– Vamos que falta pouco para chegarmos – a anciã disse.

Shampoo limitou-se a concordar gesticulando a cabeça. Antes de seguir viagem, pensou consigo mesma: — “Xian-Pu é diferente de Akane” – abaixou a cabeça e completou, sorrindo triste – “Ranma ama Akane, mas ninguém ama Xian-Pu...”

Mais algumas horas de caminhada e elas já se perdiam na imensidão da vila. Talvez se apressassem na subida íngreme conseguissem encontrar Mousse. O destino provavelmente tivesse poupado o reencontro, deixando num momento oportuno.

Passaram tranquilas pelas armadilhas espalhadas colocadas aos invasores na entrada, graças a anciã calejada no assunto. Ambas sabiam quanto o retorno causaria impacto nos moradores.

Dominada por uma nostalgia incontrolável, Shampoo passeou seu olhar distraído pelos arredores. Homens ficaram a sussurrar entre si enquanto as mulheres dispararam olhares fuzilantes, tirando Ling-Ling e Lung-Lung.*

Apertou as gêmeas em um abraço longo e caloroso, afagando carinhosa os cabelos das irmãs. Sentindo-se confortada pela alegre recepção, afastou-se delas e ocultou a tristeza num sorriso forçado. De repente, a voz da Cologne desviou sua atenção:

– Eu vou ir na frente! – a anciã disse, dando as costas.

– Estou indo! – Shampoo respondeu.

Nesse instante, duas sombras aproximaram discretos e quase golpeou a recém-chegada. Deram gargalhadas altas e inescrupulosas. Eram vozes familiares aos seus ouvidos. Virou-se lentamente, confirmando suas suspeitas.

– Pink e Link**, quanto tempo – Shampoo falou, demonstrando certa dose de sarcasmo.

– Você deveria prestar mais atenção a sua volta se não... – Pink disse, com seu costumeiro tom irônico.

– ... pode morrer! – Link concluiu a frase interminada da irmã, rindo brincalhona.

– Está tudo bem anego***? – Ling-Ling e Lung-Lung indagaram em uníssono, tomando postura de batalha

– Saiam da minha frente... – Shampoo retirou seus chocalhos de aço, e encarando as rivais, continuou – Xian-Pu vai acabar com elas...

– Aiya, ela quer lutar conosco – Link disse, cutucando a irmã.

– Não se esqueça que temos um compromisso importante – Pink indagou, baixinho – esqueceu que precisamos investir sobre o tal “estrangeiro” dessa vila?

– Estrangeiro? – Shampoo que escutava atenta a conversa das gêmeas, perguntou interessada.

– Ih, ela escutou – Link comentou, um pouco receosa.

– Ela já tem lá o de cabelos trançados que esqueci o nome e o pato retardado então não tem problema! – Pink exclamou, debochando da rival – O “estrangeiro” pelo que ouvi falar parece muito mais interessante...

– Vocês vieram atrás do Bai Lang? – Ling-Ling perguntou, intrigada.

– Enfim, nós já perdemos tempo demais com vocês – Pink lançou um pequeno embrulho de papel no sentido da inimiga, formando uma fumaça branca ao seu redor.

Uma dormência paralisou Shampoo e cia. Poucos minutos depois, ao recuperar o movimento do corpo, buscou elas nas proximidades.

– Aquelas covardes fugiram! – a amazona gritou, estapeando a parede de uma casa.

– Quer que procura as impostoras? – Ling-Ling indagou, firme.

– Xian-Pu cuida disso outra hora... – a amazona respondeu, acalmando os nervos.

– Qualquer coisa Bai Lang acaba com elas! – Lung-Lung citou novamente sobre o misterioso estrangeiro, aguçando a curiosidade da Shampoo.

– Quem é esse? Por que chamam assim? Vocês sabem alguma coisa sobre o forasteiro? O que queria Pink e Link com ele? – Shampoo soltou uma rajada de perguntas, deixando as garotas perdidas sem saber qual respondia primeiro.

– Ninguém sabe seu nome verdadeiro – Ling-Ling esclareceu – A única coisa que sabemos que ele veio parar na vila em forma de lobo e quando jogaram água quente, voltou a ser humano.

– Entendi o apelido “Lobo Branco” – Shampoo deduziu, convicta – Com certeza deve ser só um tonto que caiu em alguma fonte e pegou a maldição.

– Aí que você se engana anego – Lung-Lung disse, entusiasmada – ele é lindo, forte e... – completou, sem graça – gentil...

– Lung-Lung fala isso porque o estrangeiro salvou ela de um desmoronamento... – Ling-Ling cutucou sua irmã.

– Que bom ao menos já tem um futuro prometido – Shampoo disse, dando um tapa nas costas.

– Quem me dera – Lung-Lung falou, mostrando desânimo na voz – se não fosse tantas dando em cima dele podia ter essas esperanças, pior agora com a Pink e Link na cola também...

– Desde que o estrangeiro chegou na vila, ele virou o alvo principal das amazonas solteiras – Ling-Ling comentou – todas elas querem ser a escolhida de Bai Lang.

– Isso quer dizer que agora o casamento com estrangeiros sem nome são permitidos na clã? – as gêmeas se entreolharam e Shampoo entendendo como uma resposta afirmativa, sacudiu a cabeça em reprovação – As antigas leis se perderam no tempo pelo visto...

– E falando em prometido... – Ling-Ling perguntou, olhando pros lados – Cadê o Saotome Ranma?

– Bom, ele... – dessa vez foi Shampoo quem ficou sem reação.

– Não me diga que a lambisgóia da Akane ainda atrapalha vocês dois – as irmãs arregaçaram as mangas e uma delas firmou – se sim, matamos ela!

– Xian-Pu não está mais com Ranma... – a amazona respondeu, arrependendo-se ao ver o desânimo sincero das baixinhas.

Shampoo não conseguia mentir para as duas, afinal considerava as gêmeas mais que simples vizinhas. Eram suas admiradoras, pupilas, cúmplices e verdadeiras amigas de todos os momentos.

– Mas nas regras diz que se a mulher perder para o homem numa disputa, ela precisa se casar com ele... – Ling-Ling disse, meditativa.

– Também vi que essas leis andaram “modernizando” por aqui na minha ausência, então eu não estou tão preocupada assim como antes... – Shampoo murmurou – além do mais Ranma já não é o homem mais forte que Xian-Pu conheceu...

– Quer dizer então que tem alguém mais forte que Saotome Ranma? – Ling-Ling indagou, atenta.

– Nós queremos muito conhecer o seu novo prometido! – Lung-Lung se adiantou, com sua costumeira sinceridade.

– Aiya, mas ninguém falou que Xian-Pu ama ele! – Shampoo passou a falar sozinha, violentamente corada – Aquele, aquele homem arrogante, ingrato, seco...

Seguindo a linha de raciocínio da amazona, se é que existia raciocínio, Ling-Ling continuou: — ... forte, atraente, lindo...

– Pois é, forte, atraente e... – Ao notar que repetia exatamente o que a gêmea dizia como se lhe pertencesse, a amazona corou ainda mais – Hei, olha o que você está me fazendo falar!

– Isso se chama amor bandido anego – Lung-Lung disse, pensativa.

– Não, é paixão reprimida – Ling-Ling retrucou, passando a discutir entre elas.

Shampoo deixou escapar um longo suspiro e disse: — Bom, depois me falam o que decidiram que eu ainda preciso desfazer minhas malas...

Uma gritaria ensurdecedora se fez nas redondezas. Mulheres aglomeradas no mercadinho, cercando a entrada, uma querendo praticamente atropelar a outra, disputando panorama melhor. O tal estrangeiro era citado por todas elas.

– O que está acontecendo? – Shampoo indagou, intrigada.

– Eu acho que Bai Lang está no mercado! – Lung-Lung empurrou as duas companheiras – Vamos lá ver!

As três ficaram um pouco afastadas da mulherada aflita e ansiosa, aguardando a saída do tão falado, cobiçado, disputado “Lobo Branco”. Algumas ousadas espiaram discretamente pela janela, tamanha era a demora.

Shampoo começou a sentir um frisson na barriga e cansando-se de esperar a celebridade sair, resmungou irônica: — Xian-Pu começa a achar que esse estrangeiro é uma mariquinha e adora compras...

– Vale a pena esperar! – Lung-Lung afirmou, sorridente.

Um homem de estatura média, metido numa indumentária azul escuro sem listras, saía do mercado. Os cabelos presos num único rabo, franja levemente caída sobre a bandana amarela, olhos negros e enigmáticos. Aquele ar petulante, autoritário, distante...

Aquele era o Mousse!

Tomada por um impulso, Shampoo largou as irmãs e afastou das outras jovens que cruzavam seu caminho, ficando cara a cara com seu amigo de infância.

– Mu-Tsu!

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“Once upon a time, somebody ran
Somebody ran away seeing fast as I can
I got to go, I got to go
Once upon a time, we fell apart
You holding in your hands the two halves of my heart”
“Era uma vez, alguém fugia,
Fugia vendo o quão rápido eu podia
Eu tenho que ir, eu tenho que ir
Era uma vez, nós nos apaixonamos
Você segurando em sua mão as duas metades do meu coração”

(Coldplay & Rihanna – Princess of China)

Notas finais
* Personagens que apareceram só no anime; ** Personagens que apareceram só no mangá; *** Anego = Irmã de um jeito mais querida, íntima, no sentido mais forte como "irmãzona". E o próximo vai ser o último capítulo, que legal né?