Notas iniciais
Os capítulos estão saindo tão rápidos que até eu estou com medo rs

– Como deixaram isso acontecer? – Mousse indagou, nervoso – O que os vigias estavam fazendo nessa hora?

– Possivelmente distraídos senhor – o soldado indagou, receoso – O que faremos agora?

– Pedirei uma autorização do nosso imperador para castigá-los de alguma forma – o amazona voltou a atenção para a sua amada e disse – fique aqui que o interesse deles sou eu e tenho certeza disso...

– Deixa – Yu tocou o ombro maior e comentou – deixa eu ir com você.

– Mesmo eu dizendo que não pode, você vai vir comigo não é? – disse, amando o sorriso brotar nos lábios arosados – apenas me prometa que não irá perder a cabeça como ontem...

De repente, um combatente ferido surgiu em frente a eles e apontou para o horizonte: — Eles estão vindo para cá general!

Mousse olhou para Yu e delegou uma tarefa: — Leve esse homem para um lugar bem seguro e faça os curativos necessários.

– Mas... – a chinesa disse – mas eu...

– Confie em mim – o amazona viu a expressão insegura da jovem e continuou – apenas irei falar com eles para nos deixar em paz – acrescentou – agora vá, esse homem precisa de assistência urgente e depois quero que espere no meu quarto.

– Sim, senhor... – Yu encarou-o uma última vez antes de levar o ferido com a ajuda do outro soldado.

O amazona acompanhou a sua amada sair pela passagem secreta que poucos sabiam e tornou a esperar os fugitivos que não tardariam em chegar.

– Eu quero acertar contas com... – a karateca esmurrou a cabeça do Ranma, impedindo-o de continuar a falar.

– Você já se esqueceu o que viemos fazer aqui? – Akane não quis perder tempo e jogou a água na cabeça do amazona – desculpe Mousse!

No momento seguinte, todos ficaram surpresos ao ver Mousse permanecer em sua forma de humano e secar o rosto com a mão. De repente, Saotome jogou seu corpo sobre o amazona e o empurrou para dentro da pequena lagoa. A metamorfose não aconteceu e ele continuou intacto.

– Isso é mentira... – Ranma não sabia se ficava preocupado pelo plano falhar ou revoltado por ele ter se livrado da maldição.

– Agora eu entendi o que vocês queriam fazer... – Mousse disse, afastando-se da Ranma – me transformar em pato e me levar embora daqui – sorriu debochado – infelizmente isso nunca mais vai acontecer...

– Como você conseguiu? – Ryoga e a garota de tranças vermelhas indagaram em uníssono.

– Isso não interessa – Mousse saiu da água e continuou – o que interessa agora é como vocês serão punidos pela fuga...

– Vai querer nos enfrentar? – Ranma tomou posição de combate e disse – A verdade é que eu quero revanche da luta de ontem!

– Assim desse jeito? – o amazona falou, rindo – Desista, se nem como homem você conseguiu ganhar de mim...

– O que você disse agora? – a garota de tranças vermelhas arriscou em partir para cima do Mousse, mas Ryoga a impediu, segurando-lhe pelos pulsos.

– Ele tem razão Ranma! – Ryoga concordou – Vamos perder se lutarmos agora!

– Merda... – Ranma murmurou, cuspindo no chão.

– Eu tenho uma proposta a fazer – Mousse explicou – se me deixar em paz e esquecer que eu existo, em troca eu deixarei vocês sairem daqui imunes...

– Está nos subestimando seu generalzinho de quinta? – Ranma disse, tentando livrar-se dos braços firmes de Ryoga.

– A escolha é de vocês – o amazona prosseguiu – a essa altura o imperador já deve estar sabendo sobre a fuga dos estrangeiros e se bem o conheço com certeza caso eu entregue a cabeça de vocês a ele, com certeza serão executados em breve.

– Me solta! – a garota de tranças vermelhas livrou-se do Ryoga e segurando a gola da indumentária do Mousse e esbravejou – Você faz idéia do quanto a Shampoo sofreu por tua causa até a gente chegar aqui?

– E onde está essa mulher? – Mousse soltou-se dos braços nervosos.

– Oras, ela está... – Ranma percebeu a ausência da gatinha rosa e indagou – Cadê ela?

– Ela estava aqui agora – Akane passeou seu olhar por todos os lados, chamando o nome dela incessantemente e tornou a falar – estranho...

Shampoo estava escondida atrás da moita e sentiu seu coração disparar ao notar a presença do Mousse se aproximar de uma árvore perto dali.

– Eu tive um sonho daquela... – o amazona respirou fundo e continuou – ela deixou claro com todas as palavras que amava outro homem, desde então a única coisa que sinto por aquela mulher é ódio e desprezo.

Aquelas palavras do Mousse soaram como fortes agulhadas na gatinha rosa. Lágrimas grossas escorreram da Shampoo e ela atravessou os muros do Jardim Imperial, desaparecendo na gigantesca estrutura.

Akane percebeu a moita se mexer e disse: — Shampoo?

– O que foi? – Ranma indagou, sem deixar de encarar o general.

– Eu achei que tivesse visto ela... – a karateca respondeu.

– Enfim – Mousse disse – já decidiram o que vão fazer?

– Vamos mukodono – Cologne respondeu – não adiantará nada se continuarmos encarcerados aqui, depois pensamos melhor no que fazer...

– Mas e a Shampoo? – Ranma falou, preocupada – precisamos encontrar ela antes de sair daqui!

– Não subestime a minha neta – a anciã respondeu, segura – ela é nada mais nada menos que uma amazona e saberá se virar sozinha.

– Possivelmente aquela mulher já saiu daqui – Mousse comentou – eu não sinto nenhuma presença mais forte além da Yu...

– “Ele não se lembra que a Shampoo se transforma gato...” – Akane pensou, olhando para os arredores na esperança de encontrar sua colega.

Todos cumprimentaram o Mousse, chegando a vez da Cologne: — Antes me diga apenas o que pretende fazer quando você se lembrar de tudo.

– Eu não pretendo que elas atrapalhem o meu presente, minha senhora – Mousse confessou – Eu sinto estar na melhor fase da minha vida, pois tenho uma vaga impressão que antes de perder a memória não era grande coisa.

– De fato, não era mesmo – a anciã sorriu – hoje você se tornou uma das autoridades mais importantes desse império e conseguiu derrotar o noivo da minha neta.

– Quantas vezes eu preciso repetir que não lutei a sério? – Ranma disse, irado.

Cologne ignorou as reclamações da garota de tranças vermelhas e procedeu: — Mas só não se esqueça de uma coisa: tudo tem um preço – continuou, séria – Lembre-se: você está indo contra a maré, mudando a história da China, modificando o passado de milhares de pessoas.

– Eu sei dos riscos... – Mousse falou baixo, dando as costas para eles.

– Ah sim antes que eu me esqueça – Cologne entregou um embrulho nas mãos do amazona.

– O que é isso? – Mousse indagou, desinteressado.

– Uma proteção caso necessitar. Eu creio que elas são valorizadas em qualquer época... – essas foram as últimas palavras antes da anciã desaparecer no meio à fumaça branca junto com os outros.

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Shampoo corria sem rumo nos corredores que dava acesso a infinitos aposentos. Uma empregada que trazia toalhas limpas quase tropeçou nela. Essa continuou a acelerar, chorando sem parar.

– “Baka, baka, aquele pato baka!” – a amazona pensou.

Nesse instante, duas serviçais surgiram na frente da gatinha rosa e ela se viu obrigada a mudar de caminho. As mulheres começaram a perseguí-la, largando os lençóis e cobertores no chão. A amazona percebeu a fresta de uma porta aberta e se enfiou dentro, escondendo-se debaixo da cama. Yu e as empregadas chegaram logo depois no mesmo instante.

– Aconteceu alguma coisa? – Yu indagou.

– “Essa voz...” – Shampoo pensou, rangendo os dentes – “a culpa é dessa mulher, por causa dela que Mousse continua preso aqui...”

Num ato impulsivo, a gatinha rosa saiu da cama e levantou seus pêlos de raiva, encarando a Yu que parecia gigante aos seus olhinhos. As arrumadeiras deram a volta por trás enquanto a amazona estava distraída com a presença da sua rival.

– Ela me parece um pouco violenta... – Yu comentou.

– “Eu vou acabar com você!” – Shampoo avançou para cima da mulher, arranhando o rosto dela com suas unhas afiadas.

– Ai, ai pára seu gato malcriado! – Yu afastou o animal e pegou-a pela pata traseira, descobrindo seu sexo – Quero dizer “malcriada”...

– “Me solta sua desgraçada!” – a amazona balançava suas patas dianteiras em revolta.

No próximo instante, Mousse apareceu diante do quarto, surpreendendo-se ao ver tantas mulheres juntas. Entrou apressadamente e viu a cena patética: Yu cheio de arranhões segurando uma gatinha rosa balançando suas patinhas.

– Que cara é essa? – o amazona não resistiu e deu uma risada solta e gostosa, enrubescendo o rosto das duas.

– Culpa – Yu mostrou o gato para ele e continuou – culpa dessa coisa aqui...

– Que gatinha diferente – o jovem chinês acariciou o rostinho macio da amazona e tirou-a das garras de Yu, embrulhando carinhosamente em seus braços.

– “Mu-Tsu...” – Shampoo sentiu a face avermelhar e o coração pulsar para fora.